sábado, 31 de maio de 2014

PAZ E SILÊNCIO PARA MIM SÃO MAIS IMPORTANTES QUE O AR QUE RESPIRO














Respeito os que pagam, imagine - pagam - para ouvir pagode. Admiro a tenacidade de uns que pagam - imagine - pagam para sentar numa arquibancada, com calor ou frio e assistir a um jogo de futebol. Procuro  compreender os que comem fast food que  é tres vezes mais caro do que um prato de massa com frango.
Por isso me arrogo o direito de gostar do silêncio.  Dois lugares que habito são maravilhosamente silentes: meu apê no 10. andar, na Duque, em POA, e minha casa em X. La, fora de estação.  Uma experiência minha de morar no interior não deu certo pela prosaica razão de que lá só agora chegou a moda de  carros com potentes aparelhos de som, infernizando as madrugadas.
Não me atraem Gramado e Canela, com suas filas para tudo.E mais: ir para lá para se socar num apartamento...é brabo.
Ontem  voltei direto da estância para Xangri La, sem entrar em POA. Segunda ou terça,retorno para ultimar uns negócios pecuários.
Olhem só as fotos que tirei ontem das imediações de  minha casa, em pleno dia útil.
Agora é torcer para que o  verão demore a chegar para eu fechar tudo e só voltar em março.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

PECUÁRIA GESSINGER INICIA E DESENVOLVE PARCERIA COM O GRUPO GARCIA DE GARCIA





Hoje em dia é problemática a venda de gado em pequenos lotes, dispersos entre diversos clientes. Melhor é a fidelização de um parceiro forte e sólido economicamente,que te adquira, com dinheiro garantido, grandes lotes.  Também é importante o parceiro que seja um suporte nas fases em que teu estabelecimento não tem a velocidade certa. Ocasiões em que entra a parceria, o que fica bom para os dois lados.
O Grupo Garcia de Garcia, cujo patriarca é o dr. Armando Garcia de Garcia entrou em contato comigo através de um dos administradores, o dr. Francisco Garcia de Garcia. Após vários dias de conversações, entremeados por muita camaradagem, e à noite bons assados e bom vinho, estamos na reta final de bons negócios, alguns dos quais já feitos, como a venda de toda a produção de terneiras filhas de mães não tatuadas, as quais irão para recria.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

CENAS HIBERNAIS DE CAMPANHA

O  campinho de futebol sete, a frente da estância com nossa bandeira gaúcha e flores que teimam em embelezar a pampa xucra, o azevém e a aveia crescendo, o aparte das terneiras na mangueira; é hora de desmamar.





terça-feira, 27 de maio de 2014

PERIPÉCIAS CITADINAS E CAMPEIRAS




Era 4 da madruga quando liguei meu radinho no meu apê em POA. Para saber a hora. Os speakers diziam, ad nauseam, que havia neblina e neblina. Me deu vontade   de fazer xixi. Me levantei e não me deu vontade de voltar à cama. Uma ducha, me vesti e  5,15 saí rumbo a Santa Maria, onde tinha agendado uma reunião com colegas advogados para discutir um assunto.
Contornei a Praça da Matriz, peguei a Julio de Castilhos, pontes do Guaíba e aí começou o horrror. Neblina que só dava cancha de 10 metros.
Fui a 60 kms por hora até Pantano Grande.
Cheguei em santa Maria, reuni-me com os colegas. comigo não tem muito relincho. Já tinha a pauta, vamos que vamos  E eu havia dito:
- reunião boa é reunião curta. Como as visitas.
Onze da manhã já estava tomando a 287 para Unistalda.
Cheguei, dispensei o almoço, só comi um pão com mel, que o sr. Osvaldo que me queria comprar um gado me aguardava. Olhamos, ele as achou meio caras demais. Ok, disse eu, fica pra outra.
Nos despedimos e nesse meio tempo chegou um novo vizinho que queria me comprar 100 novilhas.
Fomos olhar de a cavalo, ele gostou, brique fechado.
Seis da tarde começou a me dar sono. Montei a cavalo e saí a dar uma volteada. Já escurecia. Voltei e me finquei no galpão, tomando um mate e só ouvindo.
Sete da noite passou por mim um prato fundo com  sopa de galinha, fumegando.
Comi, já meio dormindo.
Esquentei bem o banheiro e tomei outra ducha rápida, com a cama de lençol térmico ligado. Estou com um abrigo velho de moletão digitando essas mal traçadas e vou desmaiar num colchão maravilhoso com cobertor de penas de ganso.
Se amanhã não postar é porque as Walkirias me levaram para o Walhalla

segunda-feira, 26 de maio de 2014

PÉ DE GALINHA NÃO MATA PINTO - POR dr. joao=francisco rogowski


O que mais me assombra neste país é desinformação do povo, se alguém mal intencionado publica uma besteira qualquer no facebook, como estória da "bolsa bandido" no valor de dois salários mínimos mensais aos presidiários, e as pessoas ao invés de conferir a informação, se indignam com a falsa informação e reproduzem-na gerando o efeito dominó.

A demagogia impera neste país alicerçada na ignorância do povo manipulado. Há pouco tempo se festejou a "novel" legislação de acesso à informação pelos cidadãos, mas desde 1967 o artigo 176 § único do Decreto Lei 200/67 garante o acesso à informação.

Essa tal de "lei da palmada" é outra que se me afigura um tanto demagógica a começar pelo seu "título", uma vez que, até onde eu sei, ela não trata de palmada alguma e sim do tratamento cruel ou degradante de crianças e adolescentes, queimados, brutalmente espancados com fraturas ósseas, rompimento de órgãos internos e até óbito.

Entretanto, desde 1948 o código penal disciplina o crime de lesão corporal que é o atentado à integridade corporal ou a saúde do ser humano. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 anos.

Ora, entendendo pelo agravamento da pena, ou por um melhor disciplinamento da questão, bastaria que o legislador dessa nova redação ao dispositivo já existente desde 1948.

Ademais, assim como a proibição do porte de arma que só afetou ao cidadão de bem, essa lei não garantirá mudança das atitudes e práticas violentas. É imperativo uma ampla campanha educativa da cidadania, pois, antes de tudo, a reprimenda física sempre foi cultural em nossa sociedade.

Jamais as pessoas reprovaram a atitude de um pai ou uma mãe que deu um corretivo num filho, ao contrário, se um jovem desrespeitasse uma pessoa mais velha, um vizinho, por exemplo, e o genitor (a) não passasse a cinta, ficaria mal perante o ofendido, portanto, sempre foi uma questão cultural.

As Sagradas Escrituras dizem textualmente: "O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga." (Provérbios 13:24)

Então, devemos distinguir a questão disciplinar do crime de lesão corporal.

Temos que convir também, que até a década de 90 vivíamos na idade das trevas em termos de acesso a informação. Filho não nasce com manual de instruções, a tendência era educar os filhos conforme o pai e mãe foram educados por seus pais, por rude que fossem os métodos, se havia dado certo com eles, logo, também daria certo com seus filhos, pensavam!

À época da ditadura militar a violência policial era descomunal. Um amigo meu de juventude foi surpreendido por um policial com um cigarrinho de maconha, foi preso e brutalmente espancando, ficou todo arrebentado, levou três meses para se recuperar.

Os pais tinham pânico que seus filhos por algum motivo fossem parar nas mãos da polícia, por isso, eram esmerados nos corretivos. Era comum ouvir-se: “se o pai não bate, a polícia bate”. Então, muito melhor apanhar do pai ou da mãe do que da polícia, ao menos era de esperar que o pai ou a mãe agiriam com a necessária moderação conforme o ditado popular: “Pé de galinha não mata pinto”.

Com advento da internet e da TV a cabo a partir dos anos 90, o acesso à informação passou a ser abundante. Zapeando entre os canais de TV sempre se encontra uma psicóloga ou outro profissional competente ensinando sobre a educação das crianças. Na TV aberta (SBT) tem o programa “Supernanny” que mostra como educar, organizar a rotina e impor regras básicas às crianças.

De modo que, com todo esse manancial informativo a disposição dos pais hodiernamente, concordo que devamos evoluir na educação das crianças, mudando paradigmas culturais, buscando mais o dialogo e outras formas penitenciais que não as físicas, pra frente é que se anda!

O TERROR NOS OLHOS DO FILHO - POR AFIF JORGE SIMÕES NETO - MAGISTRADO NO RGS


 

                               

 

 

 

O projeto de lei que proíbe o uso de castigos corporais em crianças e adolescentes, popularmente conhecido como Lei da Palmada, que tanta celeuma anda causando, tem tudo para ser sacramentado

 

De minha parte, apanhei do meu pai, não nego. Mas tudo muito breve – e praticamente indolor: uma ou duas chineladas e o educador dava por finalizada a reprimenda. Com a cinta, lembro uma única vez da tentativa. Sim, fui mais rápido e refugiei-me nas encostas do vestido materno. Porém, reconheço, fiz por merecer. Levei a óbito, pelo método da esganadura continuada, a caturrita tagarela da vizinha.

 

Conhecendo o meu pai, homem justo e sensível, sei que doeu muito mais nele o que aconteceu nas poucas vezes em que perdeu as estribeiras por minha causa. Passada a tormenta, tratava de me adular, com convites para dormir “grudados” e ajuda financeira a fundo perdido. Em seguida, aposentou o chinelo de couro rústico, até então utilizado como látego, substituindo-o pela conversa demorada em torno de sua visão intimista sobre o certo e o errado.

 

Conheci pirralhos, de puerícia idêntica à minha, simplesmente “desmontados” a pau por seus pais. Um deles, já moço formado, inclusive me confessou: se não apanhava todos os dias, parecia que lhe faltava alguma coisa no lombo. Acostumou-se ao flagelo, à semelhança do boi manso habituado à canga. A educação pelo sistema atávico era assim: se o grito não surtia o efeito desejado, despontava o castigo corporal logo de atrás, soltando fogo pelas ventas.

 

Hoje, não acalento a menor dúvida: bater em filho é coisa primitiva, de gente ignorante, sem a mais tênue noção de civilidade. Se laço resolvesse, haveria lugar de sobra nas cadeias, pois desconheço um só preso, que, antes de se sepultar vivo nas masmorras do Estado, não tenha sido espancado pelo pai ou pelo padrasto até sangrar.

 

Com meus filhos, aboli o açoite do rol das opções corretivas. Não que nunca tivesse vontade de dar umas palmadas no traseiro das pestinhas, principalmente no maior, meio arteiro pro meu gosto. É que, na única vez que saí do sério pra valer e parti para a ignorância, os olhos do miúdo me desarmaram. Sabe aquele olhar de pânico, semblante vitalício dos debilitados orgânicos? Não era nada, se comparado ao que o guri me fitou ante a iminência da agressão. Encolheu-se feito bicho do mato perto da porta do quarto, sem ninguém para acudi-lo, pois éramos apenas os dois em casa. O algoz covarde e enfurecido frente à pequena vítima encurralada, olhar algemado pelo medo. Recuei, açulado pela agudeza de uma lucidez efêmera. Recobrado os sentidos, voltei à carga com um abraço de corpo inteiro no moleque carinhoso, entranhas irrigadas pelo mesmo sangue - e ele me respondeu com o pranto copioso dos inocentes.

 

Imbricado nesse episódio, nem toda a oratória do mundo me convence mais do que aquele olhar, próprio dos desprovidos de maldade e que só os puros de sentimentos sabem ter. Agora entendo por que fotografia não precisa de legenda. Somente na meninice somos nós; depois, seremos os outros. Num dia qualquer, a vida - sempre ela – se encarregará de retirar o último fragmento de nossa infância: o brilho dos olhos, esse que nem o Dr. Hollywood nos devolverá. E quando se tratar de criança então, por pior que seja o deslize, nunca caberá tamanha pena.

 

 

 

NÃO É PECADO NEM CRIME FALAR A LINGUA DE SEUS ANTEPASSADOS. SOMOS BRASILEIROS,MAS NADA IMPEDE FALAR OUTRAS LINGUAS.

Vejam que beleza nos mandou a professora Lissi Bender:


https://www.youtube.com/watch?v=8aiaZAyIM7s

domingo, 25 de maio de 2014

EXACERBAÇÃO DE PENAS, EU TAMBÉM NÃO LI NADA DO PROCESSO RODIN, MAS PUBLICO A POST DE UM PROFESSOR DA UFSM.TAMBÉM ANDO CABREIRO COM OS DESPACHOS DO MIN. BARBOSA


Na berlinda


Não bastasse o assunto do fim do vestibular para colocar a Ufesm na berlinda, tivemos, no final da semana, a divulgação da sentença, em primeira instância, do processo da Operação Rodin. E com ela, a condenação de alguns colegas nossos, a penas diversas. Silvestre foi meu aluno, quando fui professor substituto e dei aulas para o curso de Economia; trabalhei com Rubem Hoeher, quando fui pro-reitor;  convivi com Sarkis desde os tempos do movimento docente, nos anos oitenta; Zé Fernandes foi meu colega de Centro e companheiro de discussões memoráveis; Dario Trevisan foi nosso grande parceiro na introdução da Filosofia no vestibular da Ufsm. Por aí vai. Luis Pelegrini era amigo por empréstimo, em lidas no CCR. Faço essa memória e meu dou conta que tive momentos de coleguismo com todos eles, as vezes em lados diferentes de posições e opiniões sobre temas e políticas universitárias, as vezes do mesmo lado da trincheira, como na parceria com o Professor Dario. Li, por dever de consciência, os livros que foram escritos sobre o episódio pelo Professor Sarkis e pelo José Fernandes. Procurei me informar o mais que pude. Mas não temos acesso, os mortais comuns, ao processo, às acusações. Só nos resta, então, contrastar a dureza das sentenças com esses afetos simples do cotidiano da universidade.

Um amigo muito caro me chamou de filósofo, faz alguns anos, sem que isso fosse uma ironia. Isso faz muito tempo e foi ali que compreendi quando é que a gente, mero professor, pode, com sorte, virar filósofo. É quando alguém nos chama assim sem nenhuma ponta de ironia. E depois desse dia temos, com sorte, um compromisso pessoal, de fazer justiça ao qualificativo. Assim, tendo a ser meio filósofo-cético nessa hora. Penso, por exemplo, no caso do Professor Dario. Eu posso até concordar com alguns de seus críticos de época que ele levava a paixão pela Coperves a um nível pessoal e quase soberbo. Mas foi exatamente o fato de perceber nele uma dedicação quase obsessiva pelo que fazia na Coperves que me faz exercer, até hoje, um certo ceticismo em relação ao seu enquadramento no processo Rodin. Dario foi pura dedicação e profissionalismo no processo de incorporação da disciplina de Filosofia no finado vestibular da UFSM. E o trato com ele, nesse e noutros temas, não me habilita a vê-lo como alguém que deve ficar em regime fechado por mais de vinte anos.
O que eu estou me preparando para dizer é algo assim; eu gostaria de me reservar o direito de fazer juízo sobre alguns dos meus colegas somente depois que eu pudesse ler as cincoenta e seis mil folhas do processo. Eu sei que as coisas não funcionam assim, mesmo nas democracias. Não poderei ler o processo, nunca, acho, porque ele corre em "segredo de justiça"? Não entendo bem isso. Terei que esperar cincoenta anos para poder ler "o processo"? Mas, sendo um sexagenário, nada feito, então, não terei essa chance. Prefiro então exercer um ceticismo democrático, a saber, aceitar o processo como um todo, com os direitos de apelos a novas instâncias e tudo o mais, mas com essa ponta de duvida saudável. O que eu considero nessa hora é que apenas uma pessoa, o juiz federal, formou um juízo sobre uma massa de textos e documentos que os mortais como eu desconhecem; que outros juízes possam dar ser juízo é o mínimo que as regras do jogo de uma sociedade democrática deve permitir. Assim, o direito de apelar em liberdade não é apenas o exercício de "jus esperneandi", como se diz, mas uma regra básica para o lastreamento das relações humanas.  

TIRANDO OS DEDOS DA TOMADA - MEU SOBRINHO, AMIGO, SÓCIO DR. CRISTIANO GESSINGER PAUL CONFIRMA


 


 
Talvez tenha sido eu que inspirou Cristiano a se aventurar em altas navegações. Eu tinha um Hoobie cat 14 quando ele era criança. Sempre o levei, com meus filhos, a esses passeios. Hoje ele é meu sócio no Gessinger Advogados. É  dono de um baita veleiro.
Eis o mail  que me mandou hj com   as fotos.
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Tiozão
Bahhh, é exatamente o que faço quando saio para velejar!
Fui ontem e voltei hoje. Toda família a bordo, vinho, uma carne no forno (que esquentou o barco), um filme e sono.
Bjs . Cris
 

PENSANDO BEM... NÃO ME FAZEM FALTA COISAS QUE ONTEM ME ERAM VITAIS



Como cambian las cosas... principalmente com a serena maturidade.
Há bem pouco não largava o telefone; hoje regozijo-me por ele não tocar.
Ao acordar ligava    o rádio em busca das notícias;  hoje escuto a charla mansa e calma dos pássaros.
Em seguida ia sôfrego ler os jornais;  faz muito tempo  que não  sei o que  é um periódico impresso.
Acompanhava com frenesi meu Internacional. Hoje só me interesso pelos resultados.
Nos churrascos entupia-me de carnes e cerveja.  Larguei a loira faz dez anos ( não me faz falta) adoro assar, mas jamais  tendo à volta mais de seis pessoas.
Adorava ajuntamentos: hoje só gosto de estar com pessoas que sussurram e não gritam e as que, quando um fala, escutam e esperam sua vez.
Não me fazem falta as luzes dos estúdios de TV.  Geralmente é tempo perdido.
Vivo hoje do ar puro que respiro, das longas  caminhadas, do esporte saudável, da alimentação cuidadosa, da água pura.
Afasto-me, como o diabo da cruz, dos " locais turísticos".
Estou conhecendo algo que jamais pressentira:  a euforia da paz.
Experimenta tu, caro leitor, querida leitora, dar uma chance para tua alma e teu corpo. Volta a caminhar, fala menos, não dês curso a pensamentos negativos.
Tira os dedos da tomada.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A POLÊMICA SOBRE XUXA - MAIL DA JORNALISTA ROSANE DE OLIVEIRA


Eu não pretendia entrar nesse debate porque não conheço a maioria das pessoas aqui, mas como sou radicalmente contra intolerância, fico me perguntando: aonde chegaremos com isso? Se entendi bem alguns dos comentários feitos nesta corrente, ninguém tem o direito de se arrepender das bobagens que fez na juventude. Ou só a Xuxa não tem porque trabalhou para a Globo? Deve ser condenada à fogueira porque fez um filme idiota, de um  diretor babaca, e depois comprou todas as cópias para evitar a divulgação? Pois quero lhes dizer, senhoras e senhores: não conheço a Xuxa pessoalmente, meus filhos nunca se interessaram pela figura dela, mas eu acho louvável que ela use o tempo, o dinheiro e o prestígio que ainda lhe resta em defesa das boas causas. Ela não pode se engajar numa campanha contra a violência infantil porque há mais de 30 anos fez um filme ruim sob todos os pontos de vista? Convenhamos, minha gente... Ela não está ganhando dinheiro com isso. Aliás, até afastada da TV está, porque o tempo dela como rainha dos baixinhos já passou. Está fazendo isso para aliviar o peso na consciência? OK, qual é o problema? A não ser que vocês que estão criticando a Xuxa achem que só os 100% puros (existe isso?) podem defender as crianças da fúria de pais, mães, madrastas e padrastos que batem e até matam. Sim, a Xuxa é um espírito atormentado porque foi vítima de violência sexual. Por isso não pode defender uma boa causa? Espero que cada um dos que atacam a Xuxa esteja fazendo a sua parte para proteger as crianças. `Porque criticar quem faz alguma coisa é facílimo. Ir a campo e fazer alguma coisa é outra história, não é não?

 

 

AINDA O ASSUNTO XUXA

Minha post de ontem rendeu-me  uns relhaços  no lombo  e - pior - partidos de pessoas de alto quilate.
Então a culpa é minha, por  não ter escrito com a clareza necessária.
Isso é como piada da qual  ninguém ri. Explicar fica pior.
Simplesmente externei o seguinte:  eu cometi algumas bobagens no  passado que, se fossem trazidas à tona anos depois,  teriam sido  óbices ao meu caminho. Sem embargo de, depois, não  ter reincidido;  inobstante   ter procurado reparar os danos.
Minha idéia era e é de se ter presente que o passado não pode ser considerado, ad aeternum, como uma  bola de 50 kgs amarrada no pé da pessoa.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

OS INÍQUOS ATAQUES À SRA. XUXA MENEGHEL

Convido meus leitores a pensar no salmo  DE PROFUNDIS -

Si iniquitates observaveris, Domine, Domine, quis sustinebit?
Quia apud te propitiatio est; et propter legem tuam sustinui te, Domine.
Sustinuit anima mea in verbo ejus:
Speravit anima mea in Domino.
A custodia matutina usque ad noctem, speret Israël in Domino.
Quia apud Dominum misericordia, et copiosa apud eum redemptio.
Et ipse redimet Israël ex omnibus iniquitatibus ejus.

Se observares minhas iniquidades, Senhor, quem poderá subsistir?
Mas contigo está o perdão, tenho esperado por ti, ó Senhor, por causa de teu nome.
Minha alma espera, confiando na tua palavra:
Minha alma tem esperança no Senhor,
De manhã até a noite; que Israel possa ter esperança no Senhor,do alvorecer ao anoitecer.
Pois a misericórdia está na mão do Senhor, e nele se encontra redenção ;
Ele vai resgatar Israel de todas suas iniquidades.


FEITO ISSO,CONVIDO-OS A UMA REFLEXÃO.
Não me conto entre os que nunca pecaram ou cometeram alguma iniquidade.
Creio que todos nós cometemos, em algum momento, uma injustiça.
A Humanidade soube erguer-se das trevas através do culto à misericórdia e ao perdão.
Daí que lamento o que um parlamentar brasileiro fez com a sra. Meneghel.
Possa ela ter feito algo de discutível   no tempo de sua juventude, mas tenho certeza de que fez mais o bem do que o mal  durante sua vida.
Até o Direito dos homens e mulheres aceita a prescrição criminal, como um gesto de misericórdia, perdoando o passado pelo decurso do tempo.
O que se dizer de um ato  juvenil, de tanto tempo atrás...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

OU TU FOCAS NO CAMPO OU TU TE QUEBRAS COM LUXOS E BENFEITORIAS VOLUPTUÁRIAS

Vejamos antes o que nos mostra o Clic RBS de hoje:

História na Zona Sul

Palco da Revolução de 23, castelo de Pedras Altas é posto à venda

Por ser tombada pelo Estado, construção foi ofertada ao poder público antes de ser anunciada. Por enquanto, não há resposta sobre a aquisição

21/05/2014 | 13h01
Palco da Revolução de 23, castelo de Pedras Altas é posto à venda Marcel Ávila/Especial
O governo estadual ainda não se posiciona sobre a compra. O valor especulado pelo setor imobiliário é de que possa valer R$ 12 milhões Foto: Marcel Ávila / Especial
Um naco da história gaúcha está à venda. É um dos cenários dos chimangos e maragatos, onde foi assinado um acordo que pôs fim à Revolução de 1923. Um castelo imponente, estilo medieval, de 44 cômodos com 300 hectares, que parece deslocado da singela cidade onde se situa.
Fica em Pedras Altas, no sul do Estado, um município de quase 3 mil habitantes, onde só se chega depois de 30 quilômetros de estrada de chão batido, a principal avenida não tem mais de dois quilômetros e a economia gira ao redor do campo.
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DIGO EU, AGORA
Fala-se que querem 12 milhões.
É o seguinte: cada ano que passa vejo que os campeiros antigos ( não os peões, mas os proprietários), tinham razão em muitas coisas.
É duvidosa a idéia de, ao se adquirir uma gleba de campo,  erguer-se uma sede suntuosa e cara.
Pela singela e prosaica razão de que nós, sim,  temos o gosto e o capricho.
E os filhos? e as noras?
Eles, elas, nos  ajudam a cuidar?
E quando  morremos, vêm um gringo queimado de sol, com um boné de pano, mas cheio de dinheiro, e simplesmente diz:
- só me interesso no campo. Esse prédio aí não me serve de nada.
Uma das minhas fazendas tem uma sede maravilhosa.
Está fechada, quieta, abandonada.
É muito caro mantê-la.
Centralizei tudo numa sede só.
Sonhos não  conseguem pagar os caseiros .Atrasa um dia o pagamento e a Justiça do trabalho te pega. É justo, tudo bem.
Triste, mas verdade.
a realidade é muita indelicada
Acho que ninguém vai pagar 12 milhões.
Só nós, talvez, o Estado.
Estes - a União, o Estado, os Municípios - esses não têm livro-caixa.
Tanto que passam dando festas.

PORTO ALEGRE LINDA LINDA NUM RAINY DAY







Minha amada cidade de P. Alegre, que me acolheu,  P. Alegre da minha Faculdade de Direito da UFRGS, do meu Internacional, está muito linda nesse dia chuvoso.
Te amo P. Alegre que não tem frescura, que não quer ser o que não é, que não se jacta - ao contrário - é super crítica de si mesma, que aguenta firme a zombaria dos que a invejam.
Não há cidade com mais árvores do que P. Alegre, nem com mais pássaros. Ela tem uma Orquestra Sinfônica. Tem uma rádio ( rádio da Universidade) que toca música clássica o dia inteiro. É a cidade em que seus torcedores cantam o " como aurora precursora" em dias de jogos.
Os turistas que vierem para cá vão se apaixonar. Duvido lugar de gente mais bonita.
E a Padre Chagas não perde para ninguém.

VEJA AQUI MINHA ENTREVISTA NA TV ASSEMBLÉIA

Comece com o número 1.



TV Assembleia
| Porto Alegre/RS


20/05/2014 | 24:41:49 | Ponto de Vista | 00:05:17




Comentários sobre a Lei da Magistratura | Judicialização dos problemas | Problemas na saúde | falta se segurança | Comentários sobre a invasão da Câmara de Vereadores | Caso do menino Bernardo Boldrini | Eleições 2014


20/05/2014 | 24:27:45 | Ponto de Vista | 00:14:04




Comentários sobre a Lei da Magistratura | Judicialização dos problemas | Problemas na saúde | falta se segurança | Comentários sobre a invasão da Câmara de Vereadores | Caso do menino Bernardo Boldrini | Eleições 2014


20/05/2014 | 24:12:47 | Ponto de Vista | 00:14:58




Comentários sobre a Lei da Magistratura | Judicialização dos problemas | Problemas na saúde | falta se segurança | Comentários sobre a invasão da Câmara de Vereadores | Caso do menino Bernardo Boldrini | Eleições 2014


20/05/2014 | 23:57:05 | Ponto de Vista | 00:15:42



terça-feira, 20 de maio de 2014

ENTREVISTA COM MILTON CARDOSO NA TV ASSEMBLÉIA

Acedi, com muito prazer, ao convite do  prestigiado jornalista Milton Cardoso.
Também estava a deputada Zilá Breitenbach.
Assuntos:  de um tudo, mas tudo mesmo.
Convido vocês  para assistirem hoje, meia noite e amanhã 11,30 da manhã.

domingo, 18 de maio de 2014

A OPINIÃO DE MENDELSKI


Ruy, tua constatação é a realidade em todo o Brasil. O que eu vejo de positivo nesse novo mosaico sócio-econômico que se molda para milhões de pessoas é o estágio intermediário que qualquer nação em crescimento atravessa. E é aí que a classe política brasileira se ferra em não entender o que está acontecendo.

 Esses milhões de brasileiros que emergiram da pobreza (não da miséria!) ainda estão no estágio do consumo e querem ter o direito, pela ordem: do fogão de cinco ou seis bocas, refrigerador duplex, freezer, micro-ondas,  tv plasma (ou similares) "das grandes" (mínimo de 40 pol) na sala e nos quartos e, finalmente, o automóvel. Quando ficar completo esse perfil de consumidor, ele vai aprender a reclamar do aparelho que veio com defeito, do carro com falha mecânica, do apartamento que tem vazamento, por ai...

Sem se dar conta ele estará mudando de estágio e se tornando um cidadão, exigindo direitos quando se sentir em dia com suas obrigações. E como cidadão vai aprender também a escolher melhor os seus representantes. Ele vai se dar conta de que político também tem prazo de validade, como o seu iogurte. Não vai mais adiantar o espaço político na televisão quando o candidato promete consertar o que está "errado". Ano eleitoral é tempo de messianismo tosco e o cidadão vai se lembrando de promessas não cumpridas, algo assim como "vamos trocar a telha para não chover mais em sua casa".

 O cidadão poderá distinguir quem tenta enganá-lo mais vez. Ora, a telha deve ser trocada em dia de sol e não em dia de chuva.  Isso leva tempo, mas a base de tudo está nessa conscientização que começa a se formar no Brasil. E ela já começou no momento em que o pedreiro, a cozinheira, o eletricista levaram para suas casas bens de consumo que seus pais e avós não tinham e que sequer podiam sonhar em tê-los.  Melhor não provocá-los nas urnas e nos seus sonhos...

UM DINOSSAURO E A MARCHA DA MACONHA - por DR. IVAN SAUL *



*( MED.VET, pós doutorado, produtor rural , atualmente exilado no longínquo Paraná)


Com licença meus senhores, vou cantar de contraponto!

Não por maldade e sim por malícia, aproveito o sábado - que os poderosos não mantém plantão*. Segunda-feira o debate será ideologizado pela 'cibermilitância', hoje, todavia, tenho o pocinho só pra mim, dou uns pontas e nado fazendo mareta.

Eu que sou um 'liberal extremado' - me aproprio da expressão do Confrade Hermes - no caso em tela, me posiciono contrariamente ao debate.

Atenção, quando me refiro ao 'debate', quero dizer aquele salutar intercâmbio de opiniões que, se não baseadas em aprofundados estudos, sejam provenientes de experiência no tratamento das questões propostas. Não aquela coisa de 'discutir na plenária', 'tirar uma comissão' e chegar à conclusão que atende aos interesses do poderoso de plantão - o pensamento hegemônico do 'soviete'.

A manifestação, a Marcha, tema inicial desta conversa, pode e deve ocorrer, é própria da democracia, é a liberdade de expressão que deve ser exercida sempre e quando não interfira com a liberdade de ir e vir ou cause dano pessoal ou patrimonial e tudo mais... sempre achei bárbara aquela coisa do Hyde Park em Londres. Um Parque Real que reserva espaço à livre manifestação, onde qualquer cidadão pode falar mal da monarquia pregando as maravilhas do regime republicano, exemplificando com os cases de sucesso: República Federativa do Brasil, República Argentina, República Popular da China, União das Repúblicas Socialistas Soviét... ah, não, essa já era! Enfim, um luxo que se podem dar os civilizados.

O Debate sobre a liberação da maconha.

Este, meus amigos, que pronto será partidarizado aqui mesmo, neste fórum, é improfícuo. Resultará em prejuízos aos interesses maiores do 'bem comum', sejam quais forem suas conclusões, o menor deles, o prejuízo caracterizado pelo atentado às liberdades individuais pela simples proibição - que deve presumir maiores controles.

Ahá! Agora pisei nos calos 'duns alemão' que apareceram antes de mim! Com a metade não dá pra debater pois teria que buscar inconsistências na sua obra, assim Seu Goethe e Seu Brecht, peço vênia e vou em frente, enfrentar os Magistrados.

Um pouquinho de história e geografia. A Cannabis Sativa, uma vez conhecida como Linho Cânhamo, é uma herbácea anual que se presta à fiação, ao fabrico desde cordas até os mais finos fios para produção de tecidos, o linho daqueles ternos brancos meio desleixados que a malandragem, os playboys, os bon vivants usavam, acompanhando o chapéu Panamá, durante o período jurássico.

Mais importante, até o advento da propulsão à vapor e consequente substituição, as navegações, as grandes descobertas e as maiores e mais gloriosas batalhas navais, foram baseadas no cordame que segurava as velas e possibilitava as manobras. Pois bem, cordame e velame eram, então, estratégicos e assunto de segurança nacional. Preocupação e monopólio da Coroa Portuguesa, a qual instalou, primeiro em Pelotas, na Ilha da Feitoria e, depois, em São Leopoldo, no Bairro Feitoria; a "Feitoria do Linho Cânhamo", lavoura estatal, como uma MACONHABRAS.

 [Que ideia hein?! Terminar de quebrar a Petro e investir na produção e processamento de entorpecentes orgânicos - Der Grüne Punkt!]

Acontecia, naquele tempo em que não haviam multinacionais de sementes e genética, que as sementes pro cultivo do próximo ano deviam ser produzidas no próprio estabelecimento. Bom lembrar, neste ponto, que o princípio ativo psicotrópico da Cannabis - o THC - só é produzido pela planta após o estágio vegetativo da floração, quando está 'sementando'. Aí, então, os encarregados do banco de germoplasma, com manhas de se queixar das condições de trabalho, acrescidas da ganância e corrupção moral de seus supervisores, estabeleceram a traficância. Alcançavam, por preços módicos, ao resto dos 'escravos do eito', algumas folhinhas fumáveis do risível e idiotizante alucinógeno recreativo. Aliviavam o fardo do trabalho escravo - de quem trabalha e nunca vê a cor do dinheiro - coisa incompreensível nos dias que correm.

O tal princípio ativo, teve e tem indicação farmacêutica, contra a asma e a depressão do câncer. Como todos sabem, está regulamentado, quanto ao seu uso e produção, no Uruguay. Diz-se que, por pressão de seleção, melhoramento genético, o THC é hoje, muito mais potente ou está mais concentrado que há 20 ou 30 anos. Bill Clinton, disse que fumou mas não tragou... enfim, basta de enciclopédia, a maconha é considerada, o entry level, para o mundo das drogas.

É claro que, dados o debate e a consequente regulação, onde a proibição da venda para menores de 18 anos será um dos primeiros artigos, os adolescentes do pós-legislação amadurecerão por decreto e saberão esperar a idade legal para comprar e consumir maconha. Alguns, somente alguns, portadores de desvios sociopáticos, pedirão para algum 'de maior' intermediar as suas compras mediante justa comissão, descaracterizando o Tráfico pela origem legal da mercadoria [com direito ao ticket de caixa].

Bueno, meus dois amigos, Gessinger e Fetter, vocês têm a boca torcida pelo cachimbo da Justiça, apreciam dar voz às partes, obrigam-se, como deformação profissional, ao contraditório embutido no devido processo legal. Eu, que sou uma besta, só escuto o contraditório durante um surto de cinismo - sendo este a dúvida à que me obrigo em determinados temas - não tenho questões por serem respondidas, não por aqueles de quem já conheço o posicionamento.

Regulamentar a produção e consumo de maconha é, indiretamente pelo caminho mais curto [olha a violação das leis da física], tornar legal a produção e consumo de maconha, é levar aos tribunais uma questão meramente administrativa, procedimento policial básico - uns tapas e um 'chá de banco' à espera dos pais [a 'Pena' é sair da cama no meio da madrugada pra ir buscar o anjinho na delegacia].

Ir aos tribunais pra decidir se: "Aquela mudinha que brotou no vaso da samambaia da sala-de-estar, viola o código ao somar-se aos outros seis pés da área de serviço, Doutor?"

Desculpem, meus amigos, não consigo filosofar sobre este assunto... aliás, permito-me uma última reflexão:

"Se as drogas já são uma questão de Saúde Pública, debater sobre uma legislação para a maconha, é como discutir a legalidade da vacinação infantil."

Um grande abraço e bom domingo à todos... do Ivan Saul.

AINDA O MILAGRE ECONÔMICO DE X. LA - OPINIÃO DO DR. GUIMARÃES OLIVEIRA


Este não é apenas o “milagre econômico de Xangri-La”. É o milagre econômico do Brasil.  Mais renda e mais emprego geraram na última década uma alteração no perfil da distribuição da riqueza entre os brasileiros. Isto faz surgir aquelas situações que antes eram só existentes no dito “Primeiro Mundo”, que veríamos só em filmes: empregadas domésticas equipadas com i-phones, jardineiros com caminhonetes importadas, entregadores tripulando carros zero-quilômetro. E todos construindo suas casas, com dinheiro próprio ou com financiamentos habitacionais acessíveis, adquirindo cidadania, respeito e dignidade no seu espaço dentro da sociedade.  O momento do Brasil de hoje amplia o espaço para o livre-empreendedorismo, aumenta não só as vagas de emprego, mas as oportunidades para quem quiser botar realmente a mão na massa e prosperar, individualmente, quebrando paradigmas sociais seculares. O fato é que este momento é único, ocorre hoje em meio ao desemprego na Europa e, em parte, nos EUA. Gera a abertura de excelentes oportunidades para as novas gerações. Oportunidades que a minha geração não teve, que as gerações próximas a ela também não tiveram. Lembro-me de um fato, algumas décadas atrás, quando um famoso político socialista, de esquerda, foi perguntado, em tom de blague, por um jornalista que achou-se mui inspirado, ao fim de uma entrevista no lobby de um hotel no Nordeste, tascando-lhe esta no experiente entrevistado, à queima-roupas: “Para encerrar, mas esclareça uma coisa: sendo o Senhor um político que defende idéias populares e socialistas, como pode estar aí, tranquilamente, tomando um whisky escocês tão caro como este?”  A resposta foi insólita:  “O que eu tenho defendido é que todo o cidadão trabalhador deste país possa ter emprego e melhorar sua renda, ao ponto de poder sentar aqui comigo, neste hotel, e tomar também, tranquilamente, o melhor whisky escocês disponível na casa. Este é o meu conceito de progresso. O progresso para todos. ”  O repórter, é claro, encerrou a entrevista e se mandou.  Este é o fenômeno de Xangri-La e do Brasil, uma realidade que vai formando-se aos poucos, com cenários impensáveis até há bem pouco tempo. E que contraria muitos interesses, é claro.  Mas uma transformação que deverá prosseguir, alterando para melhor a vida de milhões de pessoas que antes não teriam qualquer chance de adquirir o seu espaço dentro da sociedade e não na periferia dela. Assim espera-se. Em junho de 2003, a realidade era bem diferente. Uma realidade bem feia. Um concurso para lixeiro no RJ teve 15 mil inscritos, muitos deles com diploma superior. Teve até briga nas filas

sábado, 17 de maio de 2014

O MILAGRE ECONÔMICO DE XANGRI LA




Poucos anos atrás Xangri La era um monte de casas bonitas e palacetes que ficavam fechados fora da estação de veraneio.
Tudo mudou. Vieram os belos  condomínios fechados onde moram muitos de maneira fixa. Só um dos maiores condomínios fechados tem mais casas do que em pequenas cidades como, por exemplo, Itacurubi.
Temos de tudo: Supermercados com os mesmos preços de P. alegre, ferragens, lojas, restaurantes, hotéis.
Mas deixa eu contar para vocês o milagre econômico.
Comecei a me intrigar quando, ao voltar a P. Alegre , segundas-feiras de manhã, via   dezenas e dezenas de Unos, Gols, e outros carrinhos estacionados  na frente dos condomínios. Fui descobrir. São carros das faxineiras, empregadas domésticas, pintores,  jardineiros, limpadores de piscinas.
Hoje esteve na minha casa um jovem senhor para arrumar umas persianas de rolo em nosso quiosque. Chegou numa Duster e em meia hora deixou tudo nos trinques. Veio bem vestido, deixou tudo limpo limpo. Me contou que veio do interior e hoje tem casa própria em X. La e seus compromissos estão com agenda lotada por dois meses.
Meu jardineiro tem as chaves de minha casa, como de outras 50 mais ou menos. Tem duas caminhonetes , veio do interior e não quer outra vida.Construiu uma casa de dois andares para sua família.
Maristela chamou agora uma manicure e pedicure pelo celular. Encostou um  Clio novinho e desceu uma moça de seus 20 anos. Disse que era de Três Coroas e certo  dia veio  numa excursão a Capão da Canoa. Ouviu que  as massagistas, jardineiros, manicures não dão conta de tanto trabalho, que nem voltou. Está por cima da carne seca.

Pessoas que arrumam antenas de Sky, configuram computadores,  fazem reformas, ajardinam, te levam janta em casa, estão ganhando dinheiro.
Como isso me alegra o coração!
Labor omnia vincit! ( o trabalho vence a tudo)

JUSTIÇA SEM ÓDIO


 

 

Justiça sem ódio

 

                                  João Baptista Herkenhoff

 

          O cidadão comum pode ser tomado pelo sentimento de ódio à face de certas situações. A vítima de um crime violento, por exemplo, tem razões para nutrir ódio contra a pessoa do criminoso. Essa não é a atitude recomendada pela Ética Cristã, mas é compreensível. Coloque-se o leitor na situação de um pai, cuja filhinha pequena foi vítima de estupro. Que penalidade quererá para o estuprador? Se houvesse a pena de morte e se pedisse a pena de morte, sua explosão de revolta, ainda que não aprovada, deveria ser compreendida.

          O desejo de vindita do ofendido, em alguns casos, só é rechaçado por um sentimento religioso sincero e profundo.

          Muito diferente da reação do agredido à face do agressor é o comportamento que se exige do magistrado quando se depara com os casos que lhe caiba julgar.

          Jamais a sentença judicial pode ter o acento do ódio, da vingança, do destempero verbal ou emocional.

        

  Ao juiz pede-se serenidade, quietude, brandura. A autoridade da toga não se assenta nos rompantes de autoritarismo, mas na imparcialidade das decisões e na retidão moral dos julgadores.

          O magistrado deve ser tão impolutamente equilibrado, harmonioso, equânime que até o vencido deve respeitá-lo, embora recorra do julgamento desfavorável.

          Como disse com muita precisão Georges Duhamel, “a verdadeira serenidade não é a ausência de paixão, mas a paixão contida, o ímpeto domado.”

          Ou na lição de Epicuro: ”A serenidade espiritual é o fruto máximo da Justiça.”

          Em determinados momentos históricos, seja pela gravidade dos crimes em pauta, seja pelo alarido em torno dos crimes, a opinião pública pode tender à aplicação da pena de talião.

          Cederá o juiz à pressão do vozerio?

          Respondo peremptoriamente que não.

          Que garantia tem um povo de viver em segurança, de desfrutar do estado de direito democrático, se os juízes se dobrarem, seja ao poder das baionetas, seja ao pedido dos influentes, seja às moedas de Judas, seja a um coro de vozes estridentes ou silenciosas, seja ao grito das ruas?

          Um país só terá tranquilidade, prosperidade e paz se dispuser de uma Justiça que fique acima das paixões, firme, inabalável, impertubável, equidistante de influências espúrias, uma Justiça sem ódio. O ódio conspurca a Justiça.

          Aí vai esta reflexão teórica, apropriada para qualquer tempo e para qualquer lugar. A serenidade, a isenção, a capacidade de colocar-se acima dos estampidos que procuram direcionar e capturar a mente dos juízes – este é um desafio que deve ser enfrentado com dignidade e coragem sempre.

Deixo ao leitor a tarefa de cotejar esses princípios permanentes, fundamentados na ética do ofício judicial, com fatos concretos que estejam, eventualmente, acontecendo hoje no Brasil.

 

João Baptista Herkenhoff, Juiz de Direito aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor. Autor, dentre outros livros, de: Ética para um mundo melhor (Thex Editora, Rio de Janeiro).


O DESABAFO DE LISSI BENDER ( UNISC )

( Amigos, creio que essas  observações podem servir para tua cidade, não?)


O termo progresso, entre nós, é sinônimo de lucro. Em seu nome suplantamos a identidade histórico social de Santa Cruz, em seu lugar preferimos promover uma identitade econômica; fizemos festas monumentais e construímos um parque industrial para atrair a indústria fumageira internacional que veio com toda força, engoliu as fumageiras locais, contribuiu para a desconstrução da agricultura diversificada presente no interior, fomentou a monocultura. A terra foi sendo envenenada com toneladas de venenos, os riachos poluídos. Na cidade, condenou-se à extinção os prédios antigos para darem lugar a enormes caixote verticais (quanto mais e maiores os caixotes, maior o progresso não é mesmo?). Que a cidade, com isso perde sua identidade e vai se transformando numa melancólica mesmice, parece não preocupar ninguém; seus arroios sem vida foram betonados para esconder o mau cheiro; o cinturão verde corre risco de ficar sem árvores. Os espaços são cada vez mais ocupados, sem aprofundados estudos dos impactos ambientais, isto é, sem preocupação com a biodiversidade, com o solo, nem com os lençóis freáticos; sem preocupação com a falta de tratamento de esgoto. Que menos da metade dos efluentes recebem tratamento, não interessa a ninguém. Também não interessa saber em que medida os gases tóxicos industriais contaminam o ar ou interferem no crescimento das plantas. Interessa a moeda tilintando no caixa. Isto é progresso. Maconha liberada, maravilha! Enfim diversificação : já estou vendo, enormes plantações de maconha disputando o espaço com as plantações de fumo e juntas ocupando a terra que deveria produzir alimentos. Vai chegar o tempo em que as pessoas forçosamente se darão conta de que fumo e maconha não dá para comer, mas que poluem os corpos; que sem água potável não há vida e que terra e ar envenenados produzem doenças.

Mas inventa sugerir que deveríamos volver um olhar para os países mais antigos, como os do velho mundo, no que eles nos tem a ensinar, posto que já passaram por estes problemas, inventa e serás execrado e mandado para lá.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

MACONHA - SCRIPTA PHILOSOPHORUM II - A VEZ DE HERMES DUTRA


Acho que a hipótese de discutir a legalização da maconha não é ruim. A questão é: Ou nós mesmos (pela média da maioria) nos impomos alguns limites ou então não devemos achar que podemos discutir isso e não discutir aquilo. Vejam bem: o que pensaríamos de uma multidão defendendo, por exemplo, o estupro ? É uma coisa inimaginável para qualquer um de nós, mas e se tiver gente a favor ?

Vejam o caso da venda de meninas para casamento. Sabemos que isso é tolerável e até incentivado em algumas culturas. Em nome do multiculturalismo devemos aceitar que se promovam passeatas e encontros no nosso país para defesa dessa tese, pois certamente tem gente que é a favor.

Como reagiríamos a uma concentração na qual fosse defendido o direito de todos poderem se picar com agulhas contendo entorpecentes, porque, como sabemos, muita gente é a favor ?

E mais ainda, que tal encontrarmos um grupo de pessoas defendendo o direito de que alguém possa assaltar outrem para tirar alguma coisa porque esse tem mais bens que o assaltante ?

 

Claro que sei que as leis não permitem nenhum desses casos. São contravenções, crimes, etc...etc... Então, qual o nosso critério para permitir a liberação de um e não de outro ? Só tem um: o pensamento da maioria (a média sempre). Nesse caso algumas idéias e posições saem prejudicadas : saem, mas é o único jeito, na minha opinião, de conseguirmos definir o que é bom e o que é ruim para a sociedade como um todo.

 

Tenho um amigo que gosta de um baseado e diz que esse não faz mal. Direito dele, mas nego-lhe o direito de fazer a apologia disso.

 

Os liberais extremados, ao que sei, acham que realmente tudo deveria ser permitido, porque ao fim a própria sociedade saberia definir o seu destino. Com todo o respeito a quem pensa assim, acho que isso seria o fim da sociedade.

 

Desculpem não fazer citações de famosos. Mas as vezes a vivência do dia a dia nos autoriza a dar a opinião.

 

O assunto é comprido e certamente vai gerar folhas e folhas de argumentação. Melhor que seja assim do que terçar armas (no sentido lato da palavra).

 

Abraços

 

Hermes Dutra

AINDA A MACONHA - SCRIPTA PHILOSOPHORUM I ( Magnífico texto de LEOMAR FETTER )


Minha série dos Scripta Philosophorum está restrita a quem ao menos leu o Curso de Filosofia do Regis Jolivet...hehehe
vamos ao texto do mestre magistrado Fetter:
 
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Mesmo bem antes de chegar aos setenta já cogitava que esse negócio de marchar contra a maconha – até por singela adesão aos interesses dos ianques – sob alguns critérios mais inquisitivos, poderia demonstrar que se está, sim, em plena marcha da insensatez... Algo inexplicável (será?) se robustece quando se admite o comércio do tabaco, do álcool. E quejandos (de qual quejandos me hablas, cára-pálida? Do açúcar, vivente!. Da farinha de trigo!).

 

Desse primeiro parágrafo o leitor poderia retirar a conclusão de estar dedicado à leitura de um aficionado maconheiro. Faça bom proveito! Mas, na realidade, quer-se dizer que, dentre tantas dúvidas – e, das coisas seguras, a mais segura é a dúvida, disse-o B.Brecht – algo de sinistro deve se elevar para impedir a cultura do cânhamo, semente a qual garante o mais fino e durável cordame. A linha que há de produzir a mais natural, distinta e perene peça de vestuário.

 

Não  interessa ou motiva, aqui, investir noutra argumentação. O objetivo, apenas, está limitado a garantir que essas dúvidas – aquelas que tanto atormentam, quanto salvam. E esclarecem, quando enfrentadas com coragem e polidas de preconceitos – merecem e exigem, talvez, um mínimo incentivo. Corajosamente, em algumas situações. Afinal, se um homem consegue se distanciar da cerveja (depois de alcançar a glória de uma barriga bem fornida) nele não se haverá de identificar medos ou possibilidades de fracassos quando lhe interessar o distanciamento desse ou daquele hábito.

 

Deuses não habitam entre os humanos. Logo, ao insensato homem, resta garantido, também, a glória do acerto. Para o erro, os círculos do inferno já estabeleceram e reservaram a culpa.  Mais, avulta dispensável.