quinta-feira, 27 de julho de 2023

O VALOR DE UMA LEMBRANÇA

 Tenho muita alegria em receber mensagens de todos os quadrantes.Desde muitos anos me interesso pelos cemitérios e pelos que um dia guardaram nossas lembranças . De muitas assim se fazia. Entre essas estão o enterro. O fogo é um desses modos. 

Passemos para o Egito: quanta pompa para as celebrações fúnebres . 

Recebi uma mensagem muito interessante.

“Acompanho as suas colunas na Gazeta do Sul e descobri que é meu conterrâneo: sou nascido e criado no Distrito de Boa Vista - Santa Cruz do Sul, onde seus antepassados tiveram casa comercial.

      Meu nome é Rogério Harz e após a aposentadoria passei a me dedicar a diversas entidades, entre as quais a Associação JEALISC que cuida da manutenção do Cemitério comunitário mais antigo de Santa Cruz do Sul, localizado em Alto Linha Santa Cruz. Ele estava abandonado, o mato havia tomado conta e lá por 1989 um grupo de jovens e pessoas da Comunidade iniciaram a recuperação.

      Desde 2010, o Cemitério faz parte do Patrimônio Histórico de Santa Cruz do Sul e atualmente é ponto de visitação e pesquisa de pessoas de diversas regiões do Estado e até de locais mais longínquos. Foi realizado um belo trabalho e tornou-se um local organizado, limpo e de fácil circulação por entre as lápides.

      Agora, com o apoio de um casal de pastores aposentados, nos desafiamos a escrever um livro em que será contada a história da localidade, constarão as fotos de todas as lápides e com a tradução para o português das inscrições em alemão. Simultaneamente haverá a produção de um vídeo apresentando todas as lápides. Assim, pretendemos preservar definitivamente parte da história desses primeiros imigrantes, que a partir de 1850 povoaram a Alto Linha Santa Cruz e arredores.

      Essa empreitada está com investimento previsto de R$26 mil reais (pelo menor orçamento) e estamos em campanha de pedido de doações, com possibilidade de registro do nome do doador no livro.

      Recentemente conheci seu filho Rafael em evento aqui em Santa Cruz ele deixou todos impressionados com sua fala e simpatia, além de demonstrar um talento a mais ao cantar em alemão para os presentes. Quando estiver de passagem por Santa Cruz do Sul, teríamos imenso prazer em acompanhar uma visita ao local .”

Agora me pergunto: como fica , depois da cerimônia, a lembrança física do ente querido?

Gosto muito de visitar os túmulos de nossos antepassados.

Visitei os Gessinger na Alemanha, inclusive os que morreram nas duas guerras.


Os meus Gessinger vieram de Zeltingen- Rachtig, às margens do Mosel ( em alemão “ Die Mosel”).



terça-feira, 25 de julho de 2023

PUNITIVISMO NA ESQUERDA E NA DIREITA

 TITO GUARNIERE

 

PUNITIVISMO NA ESQUERDA E NA DIREITA

Não importa o campo político dos atores, da esquerda ou da direita, no Brasil se põe toda a fé na mudança da lei, na esperança de que ela tenha o poder mágico de solucionar os males que nos afetam. Diante de um fato de repercussão na opinião pública, imediatamente pululam proposições, ainda no calor dos acontecimentos: eis aí uma fonte permanente de ideias precipitadas, soluções simples, porém erradas. 

O mais comum desse viés ilusório se encontra em matéria penal, para configurar um novo tipo de crime ou (geralmente) para aumentar as penas de crimes já configurados – a dose das penas inibiria o crime.

O que inibe o crime não é a dose das penas. Se houver boas chances de escapar da autoria, de absolvição, de reduzir substancialmente as penas, o elemento se dispõe a correr os riscos da empreitada criminosa. Dito de outro modo, não faz muita diferença o tamanho das penas, mas a possibilidade de escapar delas ou reduzir os danos.

 Olhem o caso presente, em que a proposta do governo é elevar a 40 anos a pena de cadeia para quem atentar contra a vida de certas autoridades. Se o sujeito toma uma arma e planeja matar o, digamos, presidente da República, está tomado por um grau de loucura e fanatismo em que nada o deterá.

 Em matéria de legislação todas as correntes políticas são punitivistas. Lembram das "10 Medidas contra a Corrupção", de Deltan Dallagnol, Moro e da Lava Jato? Um conjunto de propostas de novos tipos penais e de aumento draconiano das penas de crimes ligados à corrupção. Era o punitivismo da Direita.

Uma nova onda punitivista está em curso no pacote de Flávio Dino e do governo Lula – o punitivismo da esquerda. Há um componente de propaganda político nesse embate desgastante, de pouca valia, esforço que é mais o de subscrever e consolidar uma tal e determinada narrativa de mundo - as partes pretendem demonstrar de que lado está o bem e de que lado está o mal.

 No que interessa - a punição rápida e eficaz dos criminosos - , na sentença e na sua execução, a justiça é lenta, leniente, concessiva, paternalista. (Exceção nada honrosa da Lava Jato, suas exorbitâncias e estripulias). A nossa justiça toma em consideração atenuante e ampla a classe e a situação social do transgressor da lei - subjaz com enorme frequência um juízo "social" para o comportamento anti social. De nada adianta a dureza das penas.

 A onda de punitivismo vem na pior hora: é mais do que tempo de desinflamar os espíritos, baixar a temperatura política, isolar os radicais, criar um ambiente de harmonia e diálogo. Assim, pôr esse caminho tortuoso, agravamos a intolerância, o ódio, que todas as partes atribuem ao outro, seu contrário no campo político. Se as partes se atribuem a prática do ódio e o clima de tensão, é porque ambas de alguma forma o estimulam. 

O que fazer do pacote inoportuno, inconveniente, gerador de novas contendas, e de riscos de uso mal intencionado e autoritário ? Retirá-lo de pauta. Levá-lo em fogo baixo até que se esqueçam dele. Lançar sinais de paz e convivência. Restaurar um clima civilizado no embate político.


quarta-feira, 19 de julho de 2023

ESCOLAS CÍVICO-MILITARES - POR TITO GUARNIERE

 O governo Lula mandou bem ao terminar com o programa de escolas cívico-militares de Bolsonaro. Podia ter discutido melhor, como sempre exige o PT, mas o próprio programa havia sido instituído por decreto, sem audiência ou debate público.

 O maior defeito do programa estava no duvidoso pressuposto de que militares são mais competentes, honestos e patriotas do que civis. Isso é uma bobagem monumental. Trata-se de um preconceito, em que só pessoas muito desatentas (para não dizer burras ) pegam carona e espalham – um mote permanente, uma insistente falácia no governo anterior.

Era disseminado amplamente nos redutos bolsonaristas que a escola pública e civil era um antro de professores doutrinadores de esquerda, de drogados e desajustados, que só pensam em sexo, drogas e rock n'roll. Como era comum entre bolsonaristas, eles tomavam o que era exceção e residual como a regra dominante.

 Que existem professores doutrinadores existem. Eles – os da esquerda e os da direita(que igualmente existem ) - têm o dever ético de se enquadrar na norma e no princípio de que a escola não é lugar de propagação ideológica. É conceito de natureza político-ideológica que os militares são mais disciplinadores e que os professores de escolas públicas civis são mais com concessivos, mais tendentes a permitir a desordem e a balbúrdia.

Aqui nem há discussão. Ninguém em sã consciência defende que a escola conviva com o desrespeito, o caos, a desordem. A escola, militar ou civil, os regulamentos, os métodos de ensino, impõem a obediência a certas condutas civilizadas, sem as quais nem o professor mais qualificado é capaz de transmitir o conhecimento e preparar o jovem para a vida e a cidadania.

O programa tinha buracos sem fim. Se era para melhorar o ensino, vamos convir, uniformes e valores militares não servem para coisa alguma. Numericamente, as 216 escolas que aderiram ao programa eram um grãozinho de areia entre as mais de 178 mil escolas públicas do Brasil. Era pura propaganda, puro "marketing" militar.

 Nesse conjunto, trabalhavam mais ou menos 900 militares da reserva, que recebiam uma gratificação entre R$ 2,6 mil reais(sargentos) até R$ 9 mil(coronéis) por mês, nomeados sem concurso. Francamente, nesse particular parecia mais uma boquinha de agrado aos militares da reserva. Correspondiam aos cargos de confiança de livre nomeação, tão a gosto dos partidos políticos de todas as vertentes.

As escolas cívico-militares de Bolsonaro eram beneficiárias de verbas generosas, que vinham direto do orçamento das Forças armadas – verbas às quais as demais escolas públicas não tinham acesso. A ideia clara, quase confessada, era "demonstrar", nos rankings de avaliação , que as escolas cívico-militares eram superiores, geravam um ensino de maior qualidade do que as civis.

As escolas públicas existem para formar cidadãos autônomos e produtivos, não soldados ou guerreiros."São instituições de paz, civis, de administração civil e de orientação pedagógica civil" (jornal O Estado de São Paulo, em editorial).

 

titoguartniere@terra.com.br

Twitter : @TitoGuarnieree

sábado, 15 de julho de 2023

UM POUCO DE MINHAS ANDANÇAS

 Inicio me referindo a  um amigo a quem não fui apresentado pessoalmente. Todavia sempre trocamos  mensagens pelo Whatsapp. Disse-me que tenciona viajar muito e quer entrar firme para ajudar a  melhorar a vida de pessoas necessitadas.

Aplaudi e lhe disse que também faço o que é possível. 

Também já fiz muitas viagens, desde 20 anos até cerca de 60. Depois comecei  a não gostar mais muito, nem que fosse de avião e na classe executiva.

Sucede que comecei a colocar minhas alegrias, com minha mulher, em  casas que nos recordavam felicidade, tudo onde passamos em vários lugares, um diferente do outro.

Tive muita sorte na vida, soube ser cuidadoso. Assim também minha mulher.

A primeira está em Porto Alegre, num lugar lindo no oitavo andar. Lá estão muitos livros, instrumentos musicais, vinhos guardados.

Adoro ir para minha casa na praia em Xangri-Lá. Lá tenho amigos para jogar tênis.

Gosto de cuidar da minha fazenda para onde vou frequentemente. Lá um dos meus filhos zela e cuida de tudo a par de cuidar dos seus negócios advocatícios. 

Gosto muito de Santiago que fica perto da fazenda.Onde temos uma morada muito gostosa. Lá temos muitas amizades, muitas mesmo.

Assim sendo, tenho pouca  vontade de passar trabalho dentro dos aviões.

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Em todos esses locais que menciono tenho a sublime presença de pessoas que não incomodam. 

Quando digo incomodam, refiro-me a pessoas que não param de brigar com amigos e não se conformam que terminou o jogo. Lei é lei, pombas! Um candidato foi vencedor; na eleição seguinte faltarem-se votos. Não soube perder. 

Parem com a choradeira de que as urnas foram  isso ou aquilo. Quanto alguns venciam, aí tudo era bom . 

A verdade é que até o símbolo nacional foi tomado. Havia pessoas que tinham receio  de empunhar a bandeira nacional.

……..

Fiquei muito feliz com a atuação da  Gazeta e nossa querida prefeita de Santa Cruz , com seus ajudantes.

Meu filho  Rafael Koerig Gessinger foi muito bem tratado e se espera que possa ir mais vezes para a terra onde nasci. 

Muito empenho tive com meus filhos para que  estudassem outros idiomas, mas não esquecessem  o alemão. Tentassem falar com os avós, tios e tias em  alemão. Não se deixassem levar por brincadeiras de mau gosto.

Um outro filho,  Armando, mora há anos na Alemanha. Está muito feliz lá.

Até minha esposa fez curso de alemão no Goethe e disso muito se orgulha.

Também por me apaixonar pelo Direito Alemão, passei vários meses na Alemanha, no Max Planck Institut para o Direito. Isso me ajudou muito em inúmeras circunstâncias.

O Direito Alemão é algo!!