quinta-feira, 24 de maio de 2018

FINALMENTE O BRASIL ESTÁ PARECIDO, AO MENOS NUM ASPECTO, COM A ALEMANHA

Sim, a Alemanha, mas de anos passados.
Explico-me.
Logo após a guerra, foi dura a reconstrução da Alemanha. A toda hora movimentos assustadores da falecida União Soviética. Então a cada crise a alemoada corria para estocar comida e os supermercados ficavam vazios. Claro, cachorro mordido de cobra tem medo até de linguiça. Eu, que sou descendente de alemães, tenho medo de passar fome, isso que há mais de 150 anos não passo por privações. Mas tenho medo de ter fome e de ficar sem combustível. Não tenho medo de guerra, nem de assaltantes ( frau Glock me protege), nem do frio , nem do calor. De ficar sem vinho, sim.
Agora o brasileiro tem a oportunidade ímpar de se sentir um alemão dos anos 50 e 60.
Fiquem na fila três horas para abastecer; voem aos supermercados! 
Aproveitem!!!

O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA....


Na foto enviada pelo colega Nerio Letti aparece o time de futebol da Ajuris no ano de 1976, se não me engano. 
Sou aquele cabeludo agachado bem no meio, o terceiro da esquerda para a direita. Nerio está em pé, bem atrás de mim.

terça-feira, 22 de maio de 2018

ARTIGAÇO DE TITO GUARNIERE


TITO GUARNIERE

 

CENSURA E CURTO-CIRCUITO

 

O Ministério Público do Trabalho enviou à TV Globo uma “notificação recomendatória” - com 14 recomendações - porque no entender da procuradoria a diversidade racial está sub-representada na novela Segundo Sol. A trama se passa na Bahia e há uma prevalência de atores brancos no elenco.

 

Não há razão de se contrapor à uma ação do Estado para combater o preconceito de raça, classe ou orientação sexual. Mas o Ministério Público, quando notifica uma emissora porque não gostou da proporção da cor entre atores e atrizes de uma novela, adentra, impávido, pelo terreno da exorbitância.

 

Nesse tom, o MP irá escalar atores, reescrever diálogos, mudar o roteiro. Que tal cotas raciais para atores de novelas? Em uma só palavra, trata-se de censura, que é proibida pela Constituição. E quem promove a violação? O Ministério Público, órgão que tem como dever a defesa da ordem jurídica.

 

Está bem que se trata do Ministério Público do Trabalho, uma espécie de comissariado em permanente estado de beligerância contra a classe patronal. Terá o MPT cogitado de calcular a proporção existente entre procuradores brancos, pardos e negros na sua própria casa de trabalho? Como é provável que a maioria dos procuradores é da cor branca, deve-se perguntar, com todo o respeito, se o MPT enviou alguma notificação recomendatória a quem de direito, para que a devida proporção seja respeitada.

 

De todo modo, a Rede Globo não tem muito do que reclamar, depois do que fez com o jornalista William Waack. Provou do seu próprio veneno.

 

Em outro front, o Supremo Tribunal Federal restringiu o foro privilegiado dos senadores e deputados federais. Muito bem. Para a opinião pública, o foro especial tinha se tornado um privilégio, através do qual políticos acusados de delitos, principalmente de corrupção, escapavam impunes.

 

Foi como uma escolha a dedo, atingindo apenas cerca de 600 membros do Congresso Nacional. Permanecem com as mesmas vantagens do foro especial mais de 50 mil autoridades, entre as quais todos os juízes e procuradores do Ministério Público, vale dizer, os próprios ministros do STF.

 

A decisão do STF obriga a uma revisão de todos os casos da prerrogativa. No Superior Tribunal de Justiça, que é o foro especial de governadores, membros de tribunais e do Ministério Público Federal, no caso de delitos comuns e de respondabilidade, já se discute abertamernte a necessidade de uma compatibilização. Compatibilizar significa, por exemplo, que juízes de primeira instância poderão julgar desembargadores.

 

Mas logo no início da previsível polêmica, o mesmo Ministério Público Federal, tão fervoroso em defender o fim do foro especial de senadores e deputados, não quer entretanto alterar o privilégio de foro deles mesmos, como se manifestou Luciano Mariz Maia, da Procuradoria Geral da República. Como sabemos, pimenta nos olhos dos outros é colírio.

 

Toda essa balbúrdia tem origem na escalada legisladora do Poder Judiciário, principalmente no STF. Os ministros da Corte Suprema, com certas decisões, pensam que estão arrumando a casa, mas acabam provocando um curto-circuito no sistema.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

MEU PAI E EU ( FINAL)


( PUBLICADA NA GAZETA DO SUL – DE SANTA CUZ DO SUL)

Meu pai, de gênio doce e afável, tinha dificuldade em dizer não. Daí aquele monte de créditos não pagos que o levaram a fechar seu comércio depois de vender vários bens e pagar todos os credores. Doeu demais a ele vender a Dodge azul , mais que  os demais bens.
 Com base nesse aprendizado dolorido, nunca tomei “tufo” lá na fazenda. Primeiro ver o dinheiro na minha conta para depois liberar  a tropa de gado. Antes disso o caminhão  não saía da porteira. Cansei de mandar descer toda a boiada e soltar no campo quando sentia cheiro de golpe. Fugi, qual o diabo da cruz, de avais , fianças e empréstimos . Para isso existem os bancos e as “ factorings”. Mas o maior ensinamento que recebi foi que os compromissos têm que ser cumpridos.
Voltemos agora à minha casa paterna. Aqueles churrascos domingueiros, com muita gente e bastante cerveja, que se estendiam , começaram  a rarear, para só ocorrerem  lá de vez em quando restritos  à nossa família. É como diz o ditado: “na hora da mesa farta não falta companhia”. E agrego eu, quando termina o vinho termina a festa.
Voltando: com essa derrocada econômica caiu vertiginosamente o padrão de vida. Minha decisão estava tomada. Não queria ser um peso para meus pais.Nada de coitadismo!
Me transferi do Colégio Mauá para o Julinho, em Porto Alegre. Morei na casa  da UESC. Trabalhava de dia e estudava à noite. Por uma graça divina que me salvou o futuro, consegui passar no vestibular de Direito na UFRGS e daí em diante foi um abraço.
Periodicamente visitava meus genitores. O pai, porém, conquanto ainda não idoso, estava visivelmente triste. Havia montado uma pequena fábrica de colchões, mas já não era a mesma condição de vida de antigamente.
Fui tocando a vida, aos 22 anos passei no concurso para delegado de polícia, saindo da Academia como primeiro colocado. Exerci o cargo por um ano, me exonerei para advogar e dois anos depois fui aprovado no concurso para juiz de direito.
Certo dia a mãe me telefonou dizendo que o pai estava com câncer. Pedi uma licença e fui correndo para Santa Cruz. Os médicos não lhe davam muita chance. Foi então que meu cunhado dr. Raul Kraether me disse que em Campinas, SP, havia uma clínica especializada. Levei meu pai de avião até São Paulo e de lá de táxi até Campinas. Prescreveram um tratamento e ele voltou confiante, apesar de muito, mas muito debilitado.Pouco depois faleceu aos 57 anos nos braços de minha mãe.
Era um homem antes de tudo ético. Esta é uma herança perene.Talvez a única.

terça-feira, 15 de maio de 2018

AINDA SOBRE JOAQUIM BARBOSA


POR TITO GUARNIERE

 

JOAQUIM BARBOSA

 

O ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa desistiu da candidatura presidencial. Ainda bem, digo eu, pois pelas primeiras pesquisas ele corria o risco de vencer.

 

Dizem que os políticos são espertos, e são mesmo. Mas não tanto quanto se imagina. Vejam o PSB. É preciso ignorar os fatos, fingir que não viram, passar por cima dos detalhes mais estridentes, para se iludir com uma candidatura como a de Barbosa.

 

Não é que ele seja um outsider da política. Ele é um outsider de tudo, incapaz de conviver no âmbito plural e multifacetado de uma agremiação coletiva (partido, governo), de ouvir outros componentes da equipe, de decidir em conjunto, de administrar as múltiplas ambições, as justas pretensões - e as injustas -, e os conflitos naturais de uma convivência necessária. Tudo isso é a política e bem olhado, a vida.

 

Só os dirigentes do PSB - um partido importante- não observaram que Barbosa é um homem de talento, decerto, mas que se atribui uma nota muito superior à que ele de fato merece. Vaidoso, irascível, temperamental, impaciente: tudo do que um político, um dirigente de Estado, não precisa, não pode nem deve ser.

 

Não resistiu nem aos breves momentos em que prevalecem as expectativas otimistas, quando o líder é recebido no partido de braços abertos, recebe todas as homenagens, tudo é sorriso e festa.

 

Diz-se que ele não aguentou o patamar raso das primeiras conversas, o baixo nível dos seus interlocutores e logo arrepiou. Do jeito que ele é, não deve ter saído triste. Afinal, durante algumas semanas seu nome ocupou as manchetes da sucessão presidencial, alcançou índices promissores nas pesquisas eleitorais: estava no jogo. Fez um breve passeio por uma hipótese que deve ter inflado ainda mais o ego exuberante. E daqui para a frente poderá viver com a sensação de que poderia ter sido presidente e só não foi porque não quis.

 

Ninguém soube, ninguém viu, um sinal claro do que ele iria fazer na presidência, a não ser um conjunto mal ajambrado de ideias soltas, algumas delas nem sequer compatíveis entre si. Barbosa entrou no jogo como uma esfinge e saiu dele como uma incógnita. Não foi por mal. Ele apenas não tinha a menor ideia.

 

À saída, mencionou dois riscos para o país: Temer e Bolsonaro. Cá para nós, nem paranoico de carteirinha ousaria prever um golpe de Temer. E Bolsonaro, um risco? Se Barbosa acredita nisso - e ele pode ter razão - , então, do alto de sua superioridade moral, deveria permanecer no páreo para combater a ameaça.

 

Que ninguém se iluda. Rejeitem-se os políticos - rejeição que eles em geral bem merecem -, mas é com eles que se fará a eleição, são eles que vão dar as cartas e um deles será o vencedor. Pode não ser bom, como muitos acham. Mas não há nenhuma razão para crer que a eleição de uma "novidade" seja melhor. Política é coisa muito complicada. Leva-se anos para aprender. É uma ciência e uma arte, para o bem e para o mal. Neófitos batem cabeça, se enroscam nos próprios pés e, bem, como todos sabem, nada está tão mal que não possa ficar pior.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

MEU PAI E EU ( 2)- artigo publicado na Gazeta do Sul

Incrível, mas meu pai não sabia andar de bicicleta, nem jogar futebol. Mas era tinhoso na direção de carros. Ele torcia pelo Renner de P. Alegre e, quando este fechou em 1957, bandeou-se para o Grêmio, como todos da família. Menos minha mãe e eu que sempre fomos colorados. Em Santa Cruz ele era do alvi-negro e muito me levava para ver os Ave-Cruz. Detalhe: ele pouco olhava o jogo; passava na copa tomando cerveja com os amigos e, vez por outra, dirigindo impropérios contra o árbitro. Voltávamos para casa na nossa Dodge e ao chegarmos estava armado o problema. Ele queria tomar a “saideira” e ouvir os comentários, mas encontrava a oposição férrea de minha mãe. Só lhe restava ir para a cama mais cedo.
Certo dia ele inventou de agregar venda de cal virgem ao seu comércio. Não sei como  descobriu o distrito de Capivarita, hoje Município de Pantano Grande. Várias vezes fui com ele. A cal vinha em barris precários de madeira. Foi aí que comecei a conhecer o Rio Grande “bagual”. Moradias diferentes das de Santa Cruz, pessoas com outra fisionomia, linguajar campeiro, culinária para mim desconhecida. O senhor de quem meu pai comprava parecia ser muito poderoso, expressava-se com voz forte, usava bombachas e obrigava meu pai a comer o “tutano” do osso buco que emergia do panelão. Pobre do pai, voltava com as tripas meio  reviradas. Na hora de sairmos eu olhava para uma baita casa, com muitas janelas, onde se debruçavam mulheres e meninas de belos cabelos negros e compridos.(Por sinal sempre tive um fascínio pela região de Rio Pardo e Encruzilhada, onde havia o lendário City Bar, mas isso é para outra crônica).
E assim ia a vida até que um dia minha mãe e eu fomos bisbilhotar, num domingo à tarde, a mesa onde eram guardadas notas fiscais, cadernetas de anotar vendas, essas coisas. É que meu tio Humberto Gessinger, pai do meu primo Umberto, da Banda Engenheiros do Hawaii, alertara meu pai para um fenômeno novo que tinha origem nos Estados Unidos. O tal de supermercado. Aquelas dezenas de empregados das casas comerciais, que atendiam um por um dos clientes, seriam substituídos por “caixas”. Os compradores escolheriam o que queriam comprar nas prateleiras. Disse o tio que se meu pai não se adaptasse ele iria desaparecer pois não haveria como competir. Como eu ia dizendo, fomos “furucar” nas notas e apontamentos. Havia um montão de cadernos com dinheiro a receber há muito tempo em atraso. E, infelizmente, faturas e duplicatas de fornecedores  não pagas.
Só lhe restou pagar as contas e parar.  Isso para mim foi uma lição nos meus negócios. A começar por saber dizer “não”.

Prossigo semana que vem.

FÁBIO ANDRÉ KOFF

Eu tinha 23 anos quando assumi meu cargo de delegado de Polícia em São Jerônimo. Era inexperiente, mal saíra da Academia de Polícia. O Juiz de Direito era Fábio Koff. Era muito afável e muito ia me aconselhar com ele. 
Em seguida me exonerei para advogar. Dois anos depois, após prestar concurso, me tornei colega do Fábio. 
Que senhor colega! Era cristalino, olhava nos olhos, falava sem rodeios, era direto.
Enquanto a idade permitiu jogamos muito futebol juntos, conquanto eu, por ser bastante mais novo,  joguei até os 60 anos.
Um dos meus livros jurídicos dediquei a ele.
Grande pessoa!
Uma legenda imortal.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

SOBRE A NATIMORTA CANDIDATURA DE JOAQUIM BARBOSA


Vamos combinar que pouco o sr. Barbosa tem de diplomático. Por mais que discordasse de seus colegas de Tribunal, não poderia ser tão incisivo com quem o confrontasse no campo das idéias.  Na política é preciso que o candidato tenha sangue frio e opte pelo diálogo.
Dirão: mas ele foi enérgico com os corruptos! Tudo bem, mas política exige costura e alianças. Ele não aprendeu a fazer isso. E sem isso não há governança.
Ele não tem a mínima prática sobre os meandros do Poder Executivo, muito menos do Legislativo.
Fez bem em anunciar sua desistência. Vai poder tomar seu chopinho, como ele mesmo afirmou. E poderá dar suas palestras aqui e além mar.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

MEU PAI E EU ( I) artigo publicado na gazeta do sul

Não que eu queira imitar nosso brilhante colunista Clóvis  Haeser, mas nada obsta a que me inspire nele e em suas belas crônicas.
Meu pai tinha um armazém na Tomás Flores, 876; nossa família morava na casa ao lado.Desde que me conheço por gente eu ajudei nas lides domésticas e, já mais taludinho, no comércio de meu pai. Lembro-me do meu orgulho quando pela primeira vez consegui carregar sozinho um saco de farinha “ Donângela” de 25 quilos. Além de um caminhão Chevrolet verde, tínhamos uma caminhonete Dodge azul.Com esta fazíamos entrega de produtos pela cidade e interior. O pai era representante da Coca-Cola, que perdia feio em vendas para a Pepsi. Os engradados eram de madeira com uma fita metálica.Muita vezes colegas   de colégio ficavam bebericando algum refrigerante no Quiosque da praça enquanto eu carregava os engradados para dentro do bar do sr. Antelmo Emmel .
Com o caminhão verde muitas vezes acompanhei meu pai até P. Alegre para trazer uma carga de refrigerantes. Saíamos às 4 da manhã em direção a Rio Pardo, atravessávamos o Jacuí de balsa, dali a Pantano Grande e depois direto a Guaíba. Tudo estrada  de chão. Em Guaíba havia um serviço de barcas que nos deixava ali onde hoje é a Praia de Belas. Comíamos qualquer coisa e voltávamos a Santa Cruz já de noite.
Muitas vezes acompanhei meu genitor na busca de produtos do interior. O roteiro de que mais gostava era Linha Antão e Monte Alverne. Na primeira havia a casa comercial do sr. Edwin Sulzbacher. Meu pai estacionava ali no fim  da tarde.Ele e Edwin ficavam bebendo cervejas, comendo pescada em lata, arrotando e maldizendo o Getúlio. Enquanto isso eu brincava com o Rui, que tinha minha idade. O salão de baile era nosso campinho de futebol.
De vez em quando o  pai me convidava para o acompanhar em pescarias lá para os lados de Encruzilhada e Rio Pardo. Sempre ia uma turma de amigos.  Me lembro dos nomes do sr. Menezes, que era “ guarda livros” e do sr. Rambo, comerciante. Este, quando eu tinha 12 anos, me ensinou a atirar com sua arma calibre 12, dois canos. No primeiro tiro caí sentado, mas nunca perdi o fascínio por armas.
Ocorre-me outra situação que hoje pode parecer estranha. Quando íamos à missa na hoje catedral, as mulheres ficavam do lado esquerdo e os homens do direito. Mulheres casadas usavam véu preto; as demais, branco. Assim, eu ficava com meu pai e minhas irmãs com a mãe. Na hora do sermão muitos homens saíam para conversar e fumar; depois voltavam.

Volto ao papo semana que vem.

PALESTRA NA AJURIS


 



PALESTRA NA AJURIS
COMO SER A MAÇÃO VERMELHA NA COMUNICAÇÃO

No próximo dia 08 (maio), às 18:30 hs, ocorrerá na Escola da AJURIS a Palestra “Como Ser a Maçã Vermelha na Comunicação” a ser proferida pela Neurocientista Professora Nísia Rogowski  e – Luciana Schroeder, Coach e Mestre em Ciência da Computação.

Na palestra serão mostrados os métodos de como podemos entrar em sintonia com as outras pessoas tanto na linguagem falada quanto na escrita para criar situações favoráveis de interação, influência e evitar conflitos. O uso de palavras assertivas alinhadas com o mecanismo de funcionamento do cérebro a fim de obter resultados melhores nos relacionamentos são alguns dos objetivos.

LOCAL: Miniauditório da Escola da AJURIS, Rua Celeste Gobbato, 229, Bairro Praia de Belas, em Porto Alegre.

OBSERVAÇÃO: Nos eventos da Escola da Ajuris à noite o policiamento é reforçado no local.

ENTRADA FRANCA.

VAGAS LIMITADAS: Faça sua inscrição agora pelo link da Escola:


terça-feira, 1 de maio de 2018

SONETO DO ACADÊMICO JOSÉ NEDEL



PONTO DE FUGA

    José Nedel

Na pós-moderna e desvairada era,
Tudo muda a galope, ou num instante.
Novo entorno de mil facetas gera
A azáfama cruel e trepidante.

O antigo, sólido, se destempera.
O novo, descartável, é cambiante.
Nem código moral mais se venera.
A incerteza tem porte de gigante.

Nesse contexto, o que é que prevalece:
Valor da tradição, perene ? Esquece!
Do transitório agita-se o estandarte.

Eu, todavia, atalho o só lamento.
Como estratégia, boa saída invento:
Ponto de fuga busco em minha arte.


segunda-feira, 30 de abril de 2018

AINDA OS COLÉGIOS - TEXTO SABOROSO DO DES.NERIO LETTI


   -  A dra Lais Legg, é culta e experimentada psiquiatra de nomeada no RGS e Brasil, e foi aluna do Colégio Sevigné, das freiras de São José e sua opinião sobre as gurias do Sevigné e os rapazes do Anchieta coincidem com as minhas,. Já te mandei emeils sobre o tema de nossa juventude e os sonhos de namoro e de estudantes amantes apaixonados para a toda a vida e que não duravam mais do que uma noite, como a  " Rosa de Malherbe"...


No interior do famoso colégio das freiras de São José, havia uma capela notável,  um luxo de arte e de sagração, ambiente para oração e recolhimento e aí ajudei missa várias vezes, com os padres jesuitas, que iam rezar a missa pela manhã, pelas 7,00 hs e todas as internas, ( década de 50, século passado)  - ( vinham tambem externas de familias importantes e católicas)  -   com aquele uniforme que eu achava o máximo de elegância, tomavam a comunhão, na mesa da comunhão, frente ao altar e eu tive aquele momento de glória e de êxtase de colocar a patena sob o queixo daquelas lindas e apaixonantes gurias. Era tudo para mim. Tudo em Latim,. Total fizemos o Vestibular de Latim, para o Direito, da UFRGS, em 1958.

Depois, no refeitório, em mesa separada, as notáveis freiras, ofereciam um café, bem sortido, café da manhã, que valia por um almoço, nós que no internato do Anchieta, no nosso refeitóiro do Anchieta, a comida servida, infelizmente, não era boa, feita pelos  " Fritz" - jovens alemães da colônia alemã,  que faziam todo o serviço doméstico do grande colégio Ancheita, como os taifeiros da Aeronáutica,.

Para mim era uma festa, ver aquela notável capela, uma mini Notre Dame parisiense dentro de P. Alegre, repleta das gurias do Sevigné, um espetáculo. Nunca mais esqueci daquela capela nobre,. Não sei se ainda existe.. Deve estar lá, pois, agora nem é mais colégio Sevigné. Mudou de nome. Aliás, era  um colégio católico, de freiras de São José, que não tinha  nome de santo, e sim, de uma grande escritora francesa a Madame de Sevigné, que como George Sand, marcou época, no meio da intelectualidade de Paris. Basta lembrar que Frederic Chopin, foi apaixonado pela George Sand e esta o recebia em seus saraus literários famosos, onde reunia a fina flor dos intelectuais da Béle Epoque parisiense. Era a época literária, ha istória, do chamado   "Romantismo"      -  E assim  esvoaçam longe as recordações.  E  Frederic Chopin ( polonês) ao piano, tocava suas novas canções e seu gênio ressoava nos acordes das teclas dedilhadas por seus dedos sagrados, em composições que até hoje são clássicas. Muitos historiadores afirmam que a Madame George Sand, admirada por todos e disputada por todos, acabava cedendo à paixão do gênio polonês e o aceitava em sua cama para pernoitar. Que notável. Que fantástico. Lógico, que eu, em meu interior, no meu subjetivo, de jovem  que lia muito e vivia sonhando com poetas e escritores, me achava um Frederc Chopin tupininquim e tinha a aspiração máxima que alguma daquelas meninas - uma paixão de gurias, com seu uniforme - fossem  um dia, a George Sand, do guri de Antonio Prado.

 Como é bom sonhar e admirar o belo, a capela fantástica, a missa, e aquele grupo de gurias de uniformes límpidos. Meu Deus, como  a vida passa ligeiro e quanto se foi e nada se realizou, como agora, com 78 anos, vejo meus colegas morrendo e eu me aproximando da famosa chamada " hora Evarista"....E tudo ficou para trás. E ficava no ár o odor gostoso do incenso, muito bem preparado pelas notáveis freiras, cuidadosas, prestativas, tudo no lugar, tudo limpinho e assim o turíbulo, onde ia o incenso com as brasas bem acesas e ao balançar do turíbulo   subia  aquela fumaça sagrada e espalhava pela sagrada capela do Sevigné, o perfume que ainda hoje repicam em minhas papilas olfativas, pois, a vida é um incenso que entra nos pulmões e se esfuma no ar e desaparece.

"Sic transit gloria mundi"  assim passa a glória do mundo.  


Nério "dei Mondadori" Letti

domingo, 29 de abril de 2018

JORGE LOEFFLER ENTRA NA RODA

( blog praia de xangrilá)
O Prévidi inventou de publicar relatos de amigos e leitores sobre fatos ocorridos em suas vidas ao longo do tempo. Já veiculou vários e todos obviamente são interessantes, pois nos levam ao passado, um passado que estou certo foi bem melhor e será ainda bem melhor do que o futuro que iremos viver.
Tempos bons aqueles certamente.
Ousei descrever vários momentos de minha infância e juventude que creio será veiculado por ele em breve. Esse assunto acabou mexendo com a memória de muitos e o amigo Ruy Gessinger reproduziu no seu blog a narrativa da psiquiatra Laís Legg.
Logo ele recebeu do médico Franklin Cunha também texto recordando aqueles bons tempos.
Nesse texto o amigo Franklin recorda inclusive que estudávamos o Latim, língua da qual a nossa deriva. Era necessário decorar as declinações. Lembro que os casos eram nominativo, genitivo, dativo, acusativo, vocativo e ablativo. Recordo que os acentos gráficos eram braquia e macron.
Tínhamos no segundo grau dois cursos bem diversos. O Científico voltado aos que pretendiam as ditas ciências exatas e o Clássico voltado à área de ciências humanas.
Isto mudou e para pior, muito pior e não é culpa do PT como muitos podem estar imaginando por que hoje tudo que não presta é atribuído ao PT e petistas como se estes tivessem estado no Poder desde a Proclamação da República.

sábado, 28 de abril de 2018

ASSUNTO COLÉGIOS ANCHIETA E SEVIGNÉ - MAIL DO ACADÊMICO FRANKLIN CUNHA


As soeurs no domingo organizavam um passeio de ônibus para alunas, creio que para as mais aplicadas. Acontece que o ônibus era um calhambeque da década de 30/40,tão velho que soltava fumaça pelo radiador e roncava como uma maria fumaça. E as passageiras , adolescentes que namoravam os anchietanos localizados na esquina da Marechal com a Duque, ao passar por eles fechavam as cortinas das janelinhas, de vergonha de serem vistas dentro do daquele ônibus.
Do Anchieta da Duque lembro do Padre Valle, autor dos LUDUS 1, 2 e 3 e da frase:” Femina nautarum habent multa galinarum “. Perguntávamos porque com tanto peixe à mão, as mulheres dos marinheiros tinham  tantas galinhas.´É que o sábio Pe. Valle estava tentando nos ensinar a primeira declinação que nunca apreendemos totalmente,  mas a frase ficou até hoje, 70 anos depois.
E do Professor de francês, Prof. Anibal Garcia:

“Les sanglots longs des violons de l'automne
blessent mon cœur d'une langueur monotone.
jout suffocant et blême, quand sonne l'heure,
je me souviens des jours anciens et je pleure.

E assim o saudoso Prof. Anibal nos apresentou Verlaine que  lemos com prazer  para o resto de nossa vida.
Parabéns para Dra Lais e ao blog do amigo Ruy por lembrar de  nossa juventude, momentos tão doces a afetivos.
Franklin Cunha  

sexta-feira, 27 de abril de 2018

MAIL DA BRILHANTE LAIS LEGG

A dra, Lais Legg, psiquiatra e comunicadora, a propósito  de matéria publicada no Blog do Prévidi.


A demolição do Colégio Anchieta me dói até hoje. Com seus inúmeros pátios cheios de plátanos e as galerias em arcos que nos remetiam a uma abadia medieval, aquele belo colégio foi demolido para dar lugar a um estacionamento (!!!) na Duque e a um Zaffari na Fernando Machado. Crime inafiançável.

   E temo que o meu querido Colégio Sévigné tenha o mesmo destino. Poucos sabem, mas, ali dentro há uma bela capela que é réplica de Notre Dame! A porta da capela, toda em madeira entalhada, tem a flor-de-lis, símbolo da França. E a rosácea, miniatura da rosácea de Notre Dame, foi cartão postal em Porto Alegre na década de 40. Sévigné é um colégio católico, mas sem nome de santos, como todos os demais da cidade. Leva o nome de uma escritora, a famosa Madame de Sévigné, demonstrando o viés cultural que o educandário carregava.

   Tenho saudade das aulas de francês, no livro do "Robin e Bergeaud". De aprender, com as freiras, que o Arco do Triunfo se chama "L´étoile" e que as ruas, em forma de raios que dele partem, significam as batalhas vencidas por Napoleão. De pronuciar corretamente "Quartier Latin" (cartiê latân) e "Champs Elysées" (xanzelizê), coisa que muita gente erra, hoje em dia.

   Chamávamos as freiras de "ma soeur" e a madre superiora de "ma mère". Eu, atéia e agnóstica que sou, morro de saudade de cantar o "Tantum ergo", em latim, que sei de cor até hoje "tantum ergo sacramentum veneremur cernui et antiquum documentum novo cedat ritui...". E de levantar cada vez que uma professora entrava em sala de aula, em sinal de respeito. E sou grata por saber, até hoje, fazer tricô, crochê e bordar, artes que, ali, aprendi.

   Também tenho saudade e acho graça da implicância que as freiras tinham com o inglês americano. Elas detestavam os Estados Unidos, pois dali veio o "rock and roll", Elvis Presley (o demônio, para elas), o divórcio, Hollywood e o chiclete. Então, tínhamos que aprender o inglês britânico, este sim, classudo e europeu. Nosso livro de inglês era o "Spoken English", que tinha um mapa da Grã-Bretanha na capa, com um escocês tocando gaita-de-foles. Mas, certo dia, 4 rapazes ingleses surgiram no cenário, para acabar com o sossego delas. Os Beatles ficaram entalados nas suas gargantas e, um dia, John Lennon declarou que eles eram mais famosos que Jesus Cristo, causando um infarto coletivo na clausura, ah, ah, ah.

   Também tenho saudade do Grande Hotel, criminosamente incendiado, dizem, para dar lugar a outra porcaria arquitetônica que é aquele Shopping Rua da Praia. Até hoje eu lembro da porta giratória, com vidros de cristal bizotados, da loja da W. M. Jackson, que vendia o "Tesouro da Juventude", da "Western Union" e do Banco Ítalo-Belga, que ficavam no térreo. Que dor.

   Como diz o Prévidi, tenho saudade de mim.
Abraços,
Laís