segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

ONDE VAMOS PARAR?

É época Natalina e essa quadra do ano me deixa muito sentimental e saudoso.
Recordo-me dos dias da minha infância. As aulas estavam terminando e era tempo de ajudar meu pai em sua casa de comércio em Santa Cruz. Labutava o dia inteiro, bem feliz.
Nossa casa era no centro da cidade e dormíamos de janelas abertas. Sim, sim, sim, janelas com as cortinas esvoaçantes.
O que houve conosco no Brasil inteiro?
Assassinatos e execuções se sucedem. Cresce o número de pessoas catando coisas nas lixeiras . Nas cidades médias e grandes cada vez mais  moradores de rua. E olha que são pessoas tranquilas e nunca vi um agressivo. Mas moram na rua e catam lixo.
O que houve?
Bandidos tornaram um inferno as cidades pequenas.
O desemprego campeia.
Às vezes acordo e penso que tudo isso é mentira, apenas tive um pesadelo.
Mas a luz do sol é implacável e me confronta com um país lindo, mas francamente decadente.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

AMIGOS E CONVERSA UMA TARDE INTEIRA

Pergunto. Coisa melhor que um papo, na véspera de um feriado, com amigos queridos?
Loeffler e Previdi são jornalistas polêmicos. Mas extremamente  carinhosos, bem resolvidos.
Rudolf me ajudou a os recepcionar.
E aí meu leitor: quanto tempo faz que não sentas com um amigo e passas uma tarde charlando?


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EM BUSCA DO ALTO ASTRAL
MARCELO AIQUEL

         Amigos, a inevitável reflexão desta época natalina me levou a seguir em busca da experiência de vida saudável e da felicidade plena, ensinada – com muita sabedoria – pelos estudiosos das ciências médicas e espirituais.
         Todos são unânimes em dizer que um dos maiores motivos de stress no ser humano é o rancor, ou o ódio que nos consome sem barulho ou aviso prévio. Sem contar que o pensamento positivo e o otimismo constante nos trazem – seguramente – uma condição muito mais agradável ao nosso dia a dia.
         Diante disso, decidi dedicar mais amor a quem merece amor, e procurar ser mais tolerante com (ou mesmo tentar perdoar) aqueles que tem um comportamento que me incomoda pela hipocrisia, pela falta de respeito e educação; pelas ideias retrógradas; pela mediocridade dos objetivos; e pela ilusão consciente diante da verdade dos fatos. Até porque a verdade não tem versão. Ou é, ou não é.
         Ah, e também tentarei ser tolerante com os que “se fazem” de POLITICAMENTE CORRETOS! Será bem difícil, mas prometo tentar.
         A partir de agora vou procurar ser mais feliz e ignorar solenemente a tudo o que me causa algum stress, inclusive – e principalmente – as pessoas que motivam isto, seja por atos ou palavras.
         Assim, daqui em diante, vou fazer um grande esforço para EVITAR, na minha rotina diária:
         - assistir telejornais com suas notícias tendenciosas, ou de desgraças;
         - escutar, ler, ou me inteirar de coisas que em nada somam para minha paz e para a minha vida;
         - perder a paciência com ridículas “flautas” de futebol (principalmente vindas de recalcados perdedores);
         - dar espaço para pessoas pessimistas, de baixo astral;
         - esquentar a cabeça com os pobres idealistas bolivarianos.
         Este filtro que buscarei passar a colocar em prática não quer dizer que vou simplesmente “cruzar os braços e me omitir”, ou permitir que tais sujeitos tomem conta do pedaço, sem qualquer oposição.
         NÃO MESMO!
         Apenas farei força para não mais carregar o “lixo” deles comigo.
         Quero ser mais leve!
         Dormir tranquilo!
         E ser feliz!
         A minha saúde, o meu humor, e quem vive ao meu lado, agradecerão. Com certeza.


         Marcelo Aiquel – advogado (06/12/2017)

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

MEUS PRIMEIROS 50 PILAS - POR RUDOLF GENRO GESSINGER




Era verão em 2005. Eu tinha 9 anos e recém saído de férias do colégio. Fui com o meu pai para a praia, chegamos no começo da tarde e, tão logo nos estabelecemos, ele me deu uma relação de coisas que queria que eu comprasse na farmácia. Unida por um clips ao papel que continha o que eu precisava trazer, uma nota de 50. Que dinheirão!, eu pensei.
Calcei um tênis e fui cumprir a missão. Só não fui segurando a nota de 50 com as duas mãos porque cairia da bicicleta.
Eu sempre ia na mesma farmácia e o trajeto era curto. Em questão de 20 minutos, eu já tinha voltado trazendo um envelope pardo com tudo dentro: os remédios, a nota fiscal e o troco.
Como normalmente fazia, meu pai confirmou que tinha vindo tudo e, do troco, me deu as moedas e alguma nota de 1 e 2. Eu me sentia super bem recompensado com o que ganhava nessas tarefas; dava pra comprar um picolé no final do dia e esse era o auge.
Minha mãe não veio conosco porque as férias dela ainda não tinham chegado, por isso resolvemos pedir uma pizza de janta. Liguei e pedi uma grande, inclusive frisei: GRANDE.
Troco pra 50, vinha em meia hora. Peguei o dinheiro com o pai e fiquei esperando.
Lá pelas tantas, chegou um cara de moto ali na frente de casa trazendo uma caixa de papelão mais ou menos do tamanho da roda de um carrinho de mão. Achei aquilo muito estranho.


  • Moço, teu pessoal errou. Eu pedi uma pizza grande.
  • Mas essa é uma pizza grande!


Não pode. Louco eu não tinha ficado.
Pedi pra ele abrir a caixa e vi que a pizza tinha os sabores que queríamos. O problema é que sendo daquele tamanho eu comeria tudo sozinho e continuaria com fome… e o preço era de pizza grande.


  • Cara, isso não é uma pizza grande de jeito nenhum!
  • O nosso tamanho grande é esse e o teu pedido tá certo.


Não era certo aquilo. Com firmeza, respondi:


  • Então pode levar embora isso aí porque eu não quero. É pequena demais.


Ele não tinha culpa, mas me entendeu. Montou na moto, fez a volta e foi embora. Também me virei, abri o portão e, logo que entrei no pátio, vi meu pai de pé na área. Percebi que ele tinha testemunhado tudo.


  • Tu viu que tentaram nos roubar?
  • Tô orgulhoso de ti. Isso é saber dar valor ao dinheiro! Ele me respondeu abrindo os braços, que estavam cruzados.
Ganhei um abraço forte e agradeci pelo elogio. Realmente eu não tinha percebido a dimensão do que eu tinha feito.
Em seguida disse alguma coisa como “ó, tá aqui o teu dinheiro”.


  • Fica pra ti. Vou ligar pra tua mãe e contar que tu foste muito bem nessa.
  • Ba, muito obrigado!


Olhei pra nota, igualzinha à que eu levei pra farmácia de tarde. Quanta coisa eu poderia comprar usando ela… agora era minha. Fiquei muito feliz.
Então me lembrei que tínhamos ficado sem janta.


  • E agora? O que vamos comer?
  • Deixa isso comigo, vai lá guardar teu dinheiro.
  • Tá bom. Valeu mesmo!

Voei até o meu quarto.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

SAUDADES DA MINHA TERRA NATAL

Lembro-me vagamente de uma espécie de hino que escutei na meninice em minha terra natal:
Santa Cruz, ó linda terra/de fulgor e encantos mil/
salve ponto luminoso/na amplidão do meu Brasil
Procurei no Google e não a achei. Também não me recordo das demais estrofes.
Corta para a Rua Tomás Flores, 864, onde era a casa de meus pais.  Pertinho dali ficava a casa do sr.Alfredo Kliemann. Meu pai ia conversar com ele na calçada. E eu ouvia músicas maravilhosas que advinham daquele sobrado.  Só recentemente me dei conta que era a Suite Copelia  de Delibes. As partes de que mais gostava eram a Valsa e a Mazurka.
Câmeras no auditório do Colégio São Luiz. Fui, com meus pais, assistir a uma apresentação do Orquestra Estudantina (seria mesmo esse nome)? Nunca mais me esqueci de uma das lindas músicas que tocaram. Chiribiribin ( Ciribiribin! Che bel faccin, / che sguardo dolce ed assassin. / Ciribiribin! Che bel nasin, / che bel dentin, che bel bocchin). Um dos violinistas era o Guido Molz, salvo engano.
Meu Deus, e quando surgiram os filmes de Sissi, a imperatriz? Todo falado e cantado em alemão, diziam os anúncios. Minha mãe foi assistir várias vezes e voltava quase morta de tanto chorar.
Por sinal, recentemente num acesso de saudade e nostalgia, fui no You Tube ou na Netflix e assisti aos três filmes da Romy Schneider. Tive que pegar um roupão de dois metros para enxugar as lágrimas. O alemão que se falava no filme era o  de Santa Cruz.
Câmeras agora para a rua João Werlang, em cuja esquina com a Tomás Flores era a casa de comércio de meu pai. Aos domingos vinham os colonos de carroça e deixavam ali seus veículos com os cavalos. Entravam pelos  fundos e lavavam os pés no tanque. Tiravam os chinelos e tamancos e calçavam sapatos. E se iam duas quadras adiante para a Santa Missa . Minha irmã Lia e eu aproveitávamos para esconder as sombrinhas e chinelos.
Ao lado da nossa casa, onde agora mora a família do sr. Ely Fontoura, era a residência  dos padres. De vez em quando o Pe. Linn vinha jogar um Schaffkopf com meu pai e seus amigos.  Outra lembrança inolvidável era o Pe. Darupp, homem finíssimo (devia pertencer à nobreza alemã), sempre vestido impecavelmente e que vinha tomar uma cervejinha com meu pai vez por outra. Era o momento de abrir a porta da sala, com suas poltronas, que só era usada nos momentos especialíssimos. E o padre entoava as antigas canções alemãs, suave e pianíssimo. Não gritava, entoava, fazia um pequeno vibrato. Um homem fino.

Agora me lembrei do Padre Demmler, outra figuraça em sua “ Monareta”, uma pequena bicicleta a motor.. Eu tive uma infância muito feliz. Tinha pais, avós, irmãs, tios e tias, amigos amorosos. Dou-me conta que eu estava no céu e não sabia. Que o outro céu seja meio parecido...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

SOBRE AMIZADES

Particularmente acho o Watts excelente para curtas mensagens e alguns videos que sejam realmente interessantes. O destinatário pode ler com calma e abrir  quando lhe convier, ao contrário do telefonema que nem sempre é conveniente.
Tenho a sorte e a felicidade de ter várias " tribos" de amigos. Com alguns troco coisas filosóficas; com outros, assuntos jurídicos, e assim vai.
Ultimamente me deu uns ataques de saudade de antigos amigos que não vejo pessoalmente há mais tempo. Amanheço e, impressentidamente, pego minha SW4 e me meto na estrada para almoçar com o amigo e voltar. Gosto muito de alguns , com quem adoro passar o dia conversando, sim, o dia inteiro.
Devo muito, devo demais a meus amigos.
Penso que o primordial é que NUNCA SE DEVE PERDER UM AMIGO. 
Se alguém te sacaneou, então ele não era teu amigo. Mas não fala mal dele, nem de mal nem de bem. Deixa rolar, pode ser que mais na frente ocorra uma reconciliação ou se descubra que " a coisa não foi bem assim".
O grande filósofo santiaguense Pablyto Nicola me ensinou que o amigo para pescar talvez não seja o conselheiro ideal para teu investimento de um milhão de piastras em Miami. 
E desconfia daquele amigo cuja esposa não gosta de ti.
É bom ser compreensivo com aquele que se afasta de ti.  Só costeleia e deixa que corra.  Quando ele cansar e se voltar, sem cobranças, segue o papo de onde terminou.

A amizade não é salvo conduto para falta de educação.
Se ele engordou ou pintou os cabelos, é melhor não tocar no assunto. Se ele aparecer com uma gatíssima a tiracolo, fica frio , pode não ser a filha...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

E AÍ, MELHOROU ?

Seja qual for sua idade, dê uma olhada no retrovisor: a coisa , em geral, melhorou ou piorou? Falo na paz, na tranquilidade, na segurança, na cultura, na saúde.  Começo reafirmando que se meus pais e meus avós estivessem vivos hoje e fossem pais de crianças ou adolescentes, iriam direto para o presídio. Onde é que se viu mandar um filho capinar, depois da aula; ou ajudar a limpar a casa? Ou levar umas chineladas na bunda depois de uma “ arte”? Ou ser obrigado a terminar de comer tudo o que estava no prato?

Hoje o adolescente , de familia pobre ,  remediada, ou rica, quase sempre quer que os pais façam tudo por ele, inclusive reclamar dos professores. Para ir a festas ou ficar de boné e capuz nos shoppings, sem comprar nada, isso ele faz sozinho.
A lixeira da rua está repleta, cercada de detritos. Nenhum morador próximo se propõe a recolocar o lixo no “ container”. O Estado que o faça.
O vento levantou umas telhas da escola, chove para dentro. Raros os pais que se oferecem para ajudar a consertar.  Deu uma zebra, enchente,atingidos recolhidos ao pavilhão de uma entidade. A maioria  deitada nos colchões e muitos reclamando da pouca maciez. E pior,  sesteando ao invés de darem uma boa faxinada no local. O balanço da praça estragou. Fica um ano assim até que o Estado venha arrumar.
Dá uma dorzinha de cabeça, fruto de um porre, lá vai o cara, com a mulher, mais os filhos e ainda o cachorro, tomar o lugar dos outros, com problemas sérios, na fila do Posto de Saúde. E ainda arma um barraco pela demora no atendimento.
Caiu uma árvore sobre o muro do sr. Euclides. Espera duas semanas  mas não move uma palha para arrumar uma motosserra e resolver o problema.
A guria passa de balada, tira más notas por não estudar: culpa dos professores.
O cara vende  seu voto e depois fica choramingando.
No trabalho é " matador" de serviço e fica brabo quando é despedido. E depois quer mil direitos , aos quais nunca fez jus, mas usa de  artifícios intimidativos.
Por isso insisto: a mudança deve começar pelo berço, pelo exemplo dos pais. Pela seriedade, tanto de patrões como de empregados, tanto de políticos como de cidadãos. Corrupção é binária: o corruptor ativo não se sustenta sem o passivo.

O resto é fruto de índole preguiçosa, incentivada pelo coitadismo e pela incessante propaganda imoral de maus costumes de que algumas de nossas TVs estão repletas e martelando dia e noite. E está na Constituição:  TV é concessão do Poder Público, só as instalações são do particular. Concessão dada em nome  do povo. E nos empurram lixo!

terça-feira, 21 de novembro de 2017

VISITANDO O GRUPO GAZETA DO SUL

Ontem tive momentos muito agradáveis na minha querida terra natal, Santa Cruz, cada vez mais linda.
Fui visitar meu querido amigo de infância André Jungblut, Diretor Presidente do Grupo Gazeta, que envolve um jornal diário circulando há 70 anos, mais emissoras de rádio AM e FM em toda a região.Presente o jornalista Igor Müller. Atualmente sou colunista do jornal.
É impressionante como Santa Cruz fervilha de progresso sem, no entanto, perder seu encanto de cidade limpa e caprichosa.
Também visitei minha irmã Cleonice e, na volta, tive o prazer de trazer um estoque de cucas, que só em Santa Cruz se encontram e aproveitar para passar no Schuster que produz a melhor linguiça do mundo. Trouxe vinte quilos.
De volta em casa separei os gomos em pacotinhos de três e coloquei no freezer.
A linguiça colonial é uma salvação: podes fervê-la na água, comer pura ou com pão, fazer carreteiro, enfim...
Um dia feliz na minha vida.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

AINDA SOBRE AS NORMAS GALPONEIRAS

( mail recebido)
Considerações simples, mas que acabam por fazer com que a atividade funcione harmoniosamente.

Lembro dos anos 80, na fazendola do vô, na Vila Santa Rosa, Santo Antônio das Missões, do feno e cana-de-açúcar para
suplementar o gado no inverno, o roçado da mandioca, da produção das tachadas, o chiqueiro, o envio do pedaço de carne
ao vizinho quando do abate da rês, tempos que a "moeda sonante" não fazia o alarido de hoje.

As famílias maiores, por certo que fizeram com que a "cincha" fosse sempre bem apertada...

Noto que ao passar dos anos, ademais de o crédito rural ter chegado aos pequenos produtores, ao mesmo tempo,
pelo menos na região da pecuária, houve um superendividamento incompatível com o tamanho das propriedades.
Vemos, não raramente, o "mata-mata", um empréstimo para encobrir outro, o número de pessoas que continua
produzindo decaiu, e os que continuam, estão sempre com um pé na cidade, na "ilusão povoeira" das compras em
parcelas...

Enquanto isso, as tambeiras para o leite dos guaxos, os roçados, cada vez mais escassos. O capim Anonni, o espinilho,
"Maria Mol" e caraguatás, cada vez mais dando o ar de sua graça..

.
Rafael Saratt Pereverzieff

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NORMAS GALPONEIRAS

Recebi esse saboroso material de um querido amigo e leitor:

Sendo um "colhedor" de causos, adágios, história...

Interessado sempre em suas considerações sobre a administração, seja rural ou da nossa existência...

Compartilho com V. Sa. uma crônica de Blau Souza.

Um abraço do leitor,


Rafael Saratt Pereverzieff

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Regras para o Galpão e para a Vida
Blau Souza

Faz bem a solidariedade dos amigos quando sofremos duras perdas. A morte do meu irmão Jacques propiciou muitas manifestações, como a do Fernando Adauto no SulRural, em que o carinho e as recordações comoveram a mim e a todos que o conheceram. Lá está dito que Jacques vivia a Qualidade Total, e assim o era.
Assumindo a Estância do Sobrado aos dezessete anos, dobrou a sua área e com campos lotados. Tinha um raciocínio simples: sua moeda corrente era o gado. Para aumentar o rebanho, arrendava campos e quando da devolução das áreas arrendadas, vendia o gado que havia nelas e comprava campos vizinhos aos do Sobrado. O sucesso foi conseguido com muito trabalho e disciplina.
Divulgo, para proveito de outros, como ele gostaria, suas instruções aos empregados, colocadas e 20 itens pendurados na sala da estufa no galpão da estância. Foram feitas pequenas adaptações na forma, para facilitar o entendimento.
“Estância do Sobrado. Medidas a serem tomadas para o melhor andamento dos serviços:
1. Assumir com responsabilidade e boa vontade suas obrigações, sempre pronto a ajudar os colegas de trabalho.
2. Terminar com conversas, fofocas, etc., que só dividem e nada somam. Elas só desgastam a pessoa que as faz.
3. Quando estiver descontente com alguma coisa, procurar falar comigo em particular. Tenho o maior interesse e boa vontade com todos.
4. Por ocasião de temporal, independente de função, tomar as devidas providências, fechando janelas, portões, moinho, etc.
___________________________
“É impossível haver progresso
sem mudança, e quem não
consegue mudar a si mesmo
não muda coisa alguma.”
George Bernard Shaw
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5. Ter criatividade e bom-senso. Exemplo: recolher pedaços de arame, sacos
plásticos, arrancar espinhos e outras pragas.
6. Quando estragar alguma coisa, ou machucar um animal, comunicar a
administração. Jamais querer transferir para os outros, mas assumir as
faltas.
7. Procurar não pegar, sem necessidade maior, arreios, xergões, pelegos,
cordas e outras coisas dos patrões.
8. Cuidar do arreamento, poncho e demais utensílios, bem como desencilhar
em lugar apropriado e deixando tudo em ordem.
9. Procurar trazer sua cama arrumada, bem como as demais coisas dos
quartos, que devem permanecer limpos.
10. Reparar sempre se não ficou torneira mal fechada, ou a descarga do vaso
escapando, principalmente quando houver mais gente nas casas.
11. Procurar trazer os utilitários de galpão sempre limpos, nos devidos lugares
e dando a manutenção necessária a alguns implementos.
12. Não trazer cachorro para o estabelecimento sem o meu consentimento.
13. Sempre que chegar alguém, ver que é e dar o atendimento necessário,
comunicando após a administração.
14. Procurar, dentro do possível, estar por dentro das contas de bovinos e
ovinos de cada invernada.
15. Por ocasião de banho de gado, vacinação ou outros serviços nas
mangueiras, ajudar a verificar se as porteiras estão fechadas, se o corredor
está aberto e, após, se foi fechado e se foi medida a carga do banheiro.
16. Sempre que abrir porteiras, não esquecer de colocar o pino de segurança
ao fechá-las.
17. Procurar não maltratar os animais e, nas mangueiras, evitar gritaria e
cachorro. Tenho certeza que assim fazendo o gado vai ficando cada vez
mais dócil.
18. Fazer todo o empenho para terminar com rixas entre funcionários. Elas só
criam problemas para a administração.
19. Sejamos bem-educados, não cuspindo no chão, não jogando toco de
cigarro em qualquer lugar e, sempre que possível, juntando outras sujeiras.
20. Sempre: sejamos amigos. Existindo a amizade, existirá a lealdade.
Agradecido. (a) Jacques. N.B. Bebidas alcoólicas, somente se oferecidas

pelos patrões.”

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

DR. HERMES DUTRA COMENTA MINHA POST ANTERIOR

Prezado Ruy e confrades !

Fiz setenta anos no mês passado. Nascido na minha longinqua Cacequi, onde vivi aos até os dezoito anos.

Ao que me lembro,meu primeiro trabalho voi vender pastel na estação ferroviária, na hora da passagens dos trens. Deveria ter uns 9 ou dez anos. Meu pai, trabalhador de salario mínimo e minha mae, com 11 filhos, precisavam de ajuda. E assim comecei. Aos treze na padaria aprendi a fazer pão, que distribuia pela cidade. Aos 14 fui trabalhar com carteira assinada no engenho Ipiranga, onde fiquei até perto dos dezoito anos. Apesar da pobreza, tive uma infancia feliz, trabalhosa mas feliz.

Meu pai sempre me dizia para estudar. E segui seu conselho. encontrei bons professores no antigo ginásio que me incentivaram e me mostraram o caminho da leitura e do estudo. Consegui fazer faculdade e aqui estou hoje com tres filhos crescidos, bem encaminhados e seis amados netos. Porque estou dizendo isso ? Não é para louvação a mim mesmo (isso até me faria mal), mas é que estou cansando desse papo de vitimas da sociedade, o Governo tem que fazer isso, é obrigação do estado e por aí vai.

Tens toda razão. Por mais que queiramos que as coisas funcionem, elas só vão funcionar se todos participarem. Esperar que o pai Estado resolva tudo, além de ser uma esperança inócua, as coisas não andarão. Nós, bem ou mal, temos excelentes universidades federais, que não custam barato para o pais. Eu pergunto: Esse dinheiro não seria melhor aplicado se fosse no ensino básico, dando  então condições para que os pobres tenham uma formação decente ? Mas vai falar isso e já te caem de pau. Então continuamos com a hipocrisia: Universidade gratuita, que em geral é frequentada pelos mais aquinhoados, pois são os que passam no vestibular e o ensino básico que se lixe. Deveríamos ter escola básica obrigatória de turno integral e gratuita.

Mes passado fui visitar meu filho que faz um pos doutorado na Universidade de Louisville, no Kentuchi, nos Estados Unidos. Seus filhos estão matriculados numa escola publica, gratuíta, turno integral. Mas essa gratuidade tem preço. Tem temas aos montes para fazer em casa, além de uma disciplina rígida. Todas as segundas feira pela manhã antes da aula eles se reunem e fazem juramento à bandeira americada. Repito:Todas as segundas feira.Meu neto mais velho falou demais na aula e na segunda semana foi probido de fazer uma atividade num horario livre. Ficou sentado na sala de aula esperando os colegas voltarem.

Imagina de isso fosse aqui.

O Rogowski falou um tema interessante sobre nossa constituição. Ela tem muito a ver com tudo isso que aí está. Saímos de um governo duro para um salve-se quem puder. Hoje em dia, respeito, educação, polidez etc... são coisas que não se sabe mais. Ou se sabem não praticam. O trânsito é um bom exemplo disso. A poluição dos pequenos riachos então nem se fala. No meu condominio em  Xangri-lá tem um arroio que passa ao lado que está sempre com um monte de sacos de lixo. E quem coloca esse lixo ? São os patrões exploradores ? As grandes empresas que só visam o lucro ?

É meu amigo, os tempos andam muito duros. De vez em quando leio que a década tal foi a década disso ou daquilo. Acho que as nossas ultimas duas (ou três) décadas foram as décadas da hipocrisia. E isso que nem cheguei a falar na mãe que leva uma criança para passar a mão num marmanjo pelado e diz que isso é arte.

Abraço a todos

Hermes Dutra


TUDO SÃO OS OUTROS QUE TEM QUE FAZER

Não me levem a mal se estou errado.
O adolescente , de familia pobre ou remediada, ou rica, quase sempre quer que a mãe o leve para fazer a matrícula na escola.Ou que ela sozinha o faça. Para ir jogar futebol ou ficar de boné e capuz nos shoppings, sem comprar nada, isso ele faz sozinho.
A lixeira da rua está repleta. Veio um catador e esculhambou tudo em busca de algo que lhe serve. A lixeira cercada de detritos. Nenhum morador circunjacente se propõe a esperar o próximo catador e lhe pedir com bons modos que não mais o faça, muito menos colocar luvas e fazer o lixo retornar ao coletor. O Estado que o faça.
O vento levantou umas telhas da escola, chove para entro. Raros os pais que se oferecem para consertar às suas expensas.  Deu uma zebra, enchente,todos recolhidos ao pavilhão de uma entidade. Todo mundo deitado nos colchões e muitos reclamando da maciez. E repito,  sesteando ao invés de darem uma boa faxinada no local. Balanço da praça estragou. Fica um ano assim até que o Estado venha arrumar.
Dá uma dorzinha de cabeça, fruto de um porre, lá vai o cara, com a mulher, mais os filhos e ainda o cachorro, tomar o lugar dos outros, com problemas sérios, ao Posto de Saúde.
Caiu uma árvore sobre o muro, espera duas semanas  mas não move uma palha para arrumar uma motosserra e resolver o problema.
A guria passa de balada, tira más notas por não estudar: culpa dos professores.
O cara vende  seu voto e depois fica choramingando.
No trabalho é " matador" de serviço e fica brabo quando é despedido. E depois quer mil direitos , aos quais nunca fez jus, mas usa de  artifício intimidativo.
Não acredito em reforma alguma de cima para baixo, salvo  partes da trabalhista - aquelas que flexibilizam e não oprimem tanto o empresário.
O resto é fruto de indole preguiçosa, incentivada pelo coitadismo.
Falo isso porque trabalho desde 14 anos, me esforçava e nunca me achava explorado. Quando surgia coisa melhor, agradecia e pedia o boné. E assim fez a maoria dos amigos que conheci.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

MAIL DO DR. ROGOWSKI


Ruy e demais amigos!

Creio que há uma sincronicidade entre as pessoas que são amigas, que se admiram e se respeitam, que se querem bem, porque essa semana estive meditando muito, precisamente sobre essa questão da vida natural e geralmente faço as minhas reflexões sob as lentes da teologia, pois, sou daqueles que precisam de uma bússola para não perder o rumo no oceano das ideias.

Uma das hipóteses em que mirei sobre a queda do homem e sua expulsão do paraíso por ter comido da arvore do conhecimento, foi a de que o Criador sabia que o conhecimento tecnológico poderia nos destruir futuramente.

Talvez Deus quisesse outra linha evolutiva para nós, centrada mais no ser do que no ter, uma vida simples e em harmonia com a natureza, distanciados dos grandes aparatos tecnológicos que criaram dependência e escravização como ocorre atualmente, em que estamos literalmente viciados em internet e toda essa parafernália hoje existente.

Basta ver que povos antigos em várias partes do mundo evoluíram bastante enquanto sociedade sem dependerem da eletrônica, povos que depois desapareceram, talvez, por terem completado o seu processo evolutivo espiritual.

Enfim, são meras reflexões, nesse campo não há certezas certas.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

QUASE NÃO HÁ MAIS ESCURIDÃO NO MUNDO

Olhem só essa imagem do espaço. É noite, mas não escura.
Não sei porque, mas me invoco com as noites iluminadas. Acho que a mãe Natureza também não gosta.
Recentemente fiz um périplo por uma região agrícola da Alemanha
. Hospedei-me num belo Hotel, no alto de uma elevação. À noite, da sacada do meu apartamento, via um mar de luzinhas. A cada tanto uma vila, um povoado, uma cidade. Fiquei um pouco melancólico.
Isso me reporta à nossa Fazenda, em Unistalda - RS, em que há muitos capões de árvores nativas e onde, realmente, as noites são imunes à luz artificial. Recordo, agora, um episódio muito gostoso
.
Recém tínhamos adquirido uma área, contígua à nossa, do Sérgio Brum Pinto. A chamada Fazenda da Capela.
Por ela flui uma caudalosa e límpida sanga, com suas matas ciliares de  frondosas árvores nativas.
Pois num dia 31 de dezembro, uns quinze anos atrás, peguei um trator, atrelei num reboque e montei acampamento à beira do mato e da sanga. Coloquei uma lona por cima do reboque e uns colchões e estava feito nosso quarto de dormir. Maristela e o Rudolf foram de caminhonete.
Fiz fogo ao relento e sobre uma improvisada trempe assamos linguiça campeira . Tudo acompanhado com pão feito em casa.
Maristela e eu contemplando as estrelas , sem rádio, nem TV nem celular.
Fomos deitar 10 da noite sob a vigilância das corujas.
Durante a noite ouvimos roncos de bugios e o farfalhar das folhas com a ação da  tépida brisa.
Quando começou a clarear os jacus iniciaram sua festa junto com mil pássaros.
Entramos para dentro da sanga para o banho matinal natural.
Relutei muito para voltar à sede da estância, onde a internet já havia fincado o pé.....
 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

AOS MEUS QUERIDOS LEITORES, ÀS MINHAS QUERIDAS LEITORAS

Claro que vocês notaram a rarefação de minhas postagens. Depois que completei um milhão de acessos, senti uma sensação de como tivesse chegado ao pico do Everest e minha missão estivesse cumprida.
Brincadeiras à parte, a verdade é que estamos num estágio, em nosso país, de estupefação. Todo mundo tem pressa, todo mundo é sábio sem sequer dominar sua língua materna, escrever para que e para quem? Por sinal isso é uma praga mundial.
A maioria das pessoas estão preocupadas em postar no seu face  o que comeram ao meio dia e de que cor devem ser as calcinhas no Ano Novo.
Eu ando muito apaixonado pelos meus leitores semanais da Gazeta do Sul, um jornal diário, de grande tiragem e que está na internet,  de Santa Cruz. Procuro burilar meus textos, dou-me o tempo.
E acho mais prático mandar meus artigos, publicados na Gazeta e no blog, por watts app, e pelo moribundo e mail, a meus conhecidos e amigos.
Então está combinado: vou escrever menos vezes, mas os textos serão mais sopesados, pensados e repensados.