terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

PENSANDO MELHOR, TROQUEI A BANDEIRA DE MINHA CASA

Por anos mantive a bandeira do Inter, mesmo após cair para a Segunda. Depois fiquei matutando sobre  o Estado em que nasci, onde estudei, onde  me fiz na vida.
O RGS, apesar dos choramingos, ainda é um lugar bom para crescer e progredir.E, principalmente, conviver. Pronto, hasteei a  bandeira do RGS.


CRÔNICA DE DESPEDIDA DO RECANTO XANGRILA


Quanta tertúlia, quantos jogos de tênis, quanta amizade durante essas décadas em que também fui sócio quotista do recanto Xangri la.
A turma começou a ser atingida pela idade,  outros empreendimentos foram surgindo e decidimos vender os terrenos sobre os quais estavam as quadras.
Celso Carlucci de Campos  apresenta sua crônica.

Pois, meus caros amigos, encerra-se, simbolicamente hoje, uma etapa de nossas vidas. A etapa Recanto Xangri-Lá, nome inspirado na sugestão de nosso saudoso e inesquecível LonguinoBystronski.

Uma etapa importante, pois este encontro de amigos já dura mais de quarenta anos. O encontro não se encerra, é claro, pois nós, ainda remanescentes, certamente continuaremos nos encontrando, ao menos a cada veraneio.

A referência que nos aproximou nos primeiros tempos, a quadra de tênis do Cléo (que sucedeu à antiga quadra de asfalto do Hotel Xangri-Lá), continuará à nossa disposição, conforme afirmado pelo próprio já por diversas vezes.

As amizades que aqui desenvolvemos e cultivamos durante todo esse tempo são daquele tipo de amizade que dispensa a convivência frequente, pois a maioria de nós se vê apenas no verão. Mas, ao nos encontrarmos a cada ano, parece que não houve interrupção, as conversas apenas continuam, como se não tivesse havido a separação temporária.

Vêm-nos à lembrança os primeiros tempos, ainda na quadra do hotel, quando chegávamos cedo, por volta das oito horas da manhã, e os dois primeiros a chegar tinham direito de jogar um set de simples antes das duplas habituais. Éramos jovens. Muitas vezes, depois das duplas, ainda nos restava energia para uma partida de simples, sob o sol escaldante do meio-dia. Lembro-me dos meus amistosos e renhidos confrontos com o David, que o Amerigo até hoje comenta comigo.

E os torneios, já desde o hotel, quando chegamos a ter trinta e duas duplas inscritas, divididas em categorias. E as festas de encerramento, no sítio do Neneco, de onde saíamos muitas vezes cheios de chope e íamos para a estrada, voltando pras cidades. E o “coroamento” dos campeões com meia melancia na cabeça! E a guerra de chope! E os patrocinadores financiando o churrasco com um boi inteiro!

E os desafios, que nasciam nas festas, já com algum teor etílico na cabeça, e se concretizavam na quadra nos dias seguintes. E o Julinho me escolhendo como parceiro e, já no chope, desafiando a dupla Cléo e David, sempre com uma aposta. E perdíamos sempre. Quanta cerveja pagamos...

E as tertúlias, músicas prolongando nossas jantas, e as serenatas, quando, depois das festas, saíamos a cantar acordando os amigos que abriam suas casas para nos receber. Às vezes até interrompemos atividades importantes que estavam acontecendo... Nesse setor, tenho orgulho de lembrar que, com a empolgação dos festivais nativistas de que estava possuído, consegui fazer muitos amigos perceberem o encanto das músicas nativistas, quando, como me disse o Amerigo ontem, começavam a entender o significado das belas letras que íamos mostrando.

Mais detalhes e histórias certamente estão, neste momento, aflorando às memórias de muitos.

Tenistas demais frequentando a quadra, que já não dava conta de tanta demanda.

E, finalmente, após muitos planos do grupo à beira da quadra, quando muito se sonhava e nada se concretizava, surge o princípio do Recanto: o Cléo havia comprado os terrenos e nos disponibilizava a sonhada construção das quadras.

Então o projeto andou. Formou-se o primeiro grupo de “associados”, éramos dezessete, aos quais foram-se paulatinamente agregando outros, chegando-se a ter cinquenta e oito condôminos, como passamos a ser chamados na constituição do Condomínio Recanto Xangri-Lá. Naquela etapa, após a construção das quadras pelo Cléo, já se reunindo os primeiros recursos do grupo, conseguimos juntar o montante para ressarcir ao Cléo o valor despendido na compra dos terrenos.Entretanto, o esforço desse amigo e o valor do benefício recebido são imponderáveis, certamente isso não conseguiremos ressarcir.

Éramos os donos do tênis na praia. Nenhum clube ou associação tinha, como nós, três quadras modernas, sempre com pisos de última geração, que atraíam a atenção dos tenistas que aqui veraneavam.

E assim estivemos, jogando tênis, a nossa paixão, e convivendo em amizade, ativos e participantes, durante tanto tempo. Os que estão aqui presentes hoje, fundadores ou que aderiram ao grupo na trajetória, conhecem essa história.

Muita coisa ainda poderia ser dita a respeito desta história. Mas nossa memória é imperfeita...

Mas o tempo é implacável. Os condomínios surgiram, com suas quadras. O grupo, amadureceu e envelheceu. Muitos deixaram de frequentar as quadras, em função da saúde ou por outros motivos, e começaram a retirar-se, de forma que restamos nós, que hoje estamos promovendo o encerramento desta etapa.

Mas encerra-se esta etapa com dignidade, conforme nos propusemos. À custa de bastante trabalho, mas valeu a pena.

E este encerramento, em nossa visão, ocorre da melhor forma que poderia ocorrer: além do final de uma etapa de nossas vidas, como dissemos no início, significa o começo de uma nova etapa das vidas dos queridos amigos Amerigo, Claudete e família, que construirão sua residência de praia, configurando, assim, em nossa visão, a vizinhança ideal. Muito sucesso e alegria lhes desejamos, merecidíssimos, pelas pessoas que são e têm sido em todos esses mais de quarenta anos.

Estamos já tocando em frente (como diz Renato Teixeira, o compositor) o processo da transmissão do terreno, aguardando apenas a chegada das últimas procurações que, por circunstâncias especiais, ainda não puderam ser-nos remetidas. O encaminhamento da escritura e finalização da venda deverá ocorrer nos próximos dias.

Mas, como este não é um momento de tristeza pelo final de uma vivência e sim de alegria por ela ter acontecido e ainda um festejo pela continuidade do jeito que se configura, vamos ao nosso tradicional momento musical, com que pretendemos manter a alegria que sempre nos distinguiu.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

FUGINDO DO CARNAVAL

Como faço há décadas, uso do famoso " os incomodados que se mudem", e fujo do Brasil, até que passe essa loucura geral nas estradas, praias etc.
O errado devo ser eu, que não gosto de  som alto, bebedeiras, baixarias.
Devo voltar com as águas de março.
Inté!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ALEXANDRE DE MORAES MOSTRA SUA CANCHA E FASCINA ATÉ SEUS OPOSITORES

Assisti até bem pouco as longas horas de sabatina do indicado para o STF.
O homem é vivido, tem excelente domínio da dogmática jurídica e, afora seus tiques e bengalas de locução como o éééé da  Carolina Bahia e de outras comunicadoras, mais as caras e bocas, deixando à calva a dentição incerta, correu tudo como  previsto.
Foi bem no assunto do ativismo judicial, soube arrostar os exocets da Gleisi Hoffmann e do eterno Presidente da Une, Senador Lindbergh Farias.
Este, num gesto magnânimo, disse que concederia ao indicado  o benefício da sinceridade...nossaaaa!
Mas no Senado tem gente muito preparada. Aécio fez um laudatório bem elaborado, mas quem deu um show foi Aloysio Nunes, superado por Antônio Anastasia, que exibiu seus dotes de  futuro candidato a uma vaga no STF.
Me apavorei com a Marta Suplicy, que deve estar de namoro com o doutor Alemão, esse medonho que ataca alguns  da dita bela idade .
Entonces, antes de ver o final, pois quero jogar tênis, exclamo: " habemus Papam" , ops, temos novo ministro no STF.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

HEIMAT - UM DOS GRANDES ENIGMAS DO IDIOMA ALEMÃO E DA MINHA ALMA

Minha mente balança entre o alemão, minha língua até os 6 anos  e depois  o português. Mas o alemão foi mermando, mermando, até que voltei a me interessar por ele e cursei o Goethe Institut .  O alemão é o idioma que eu sempre falei com meu pai, minha mãe e meus avós. Sempre.
 E tendo que aturar os invejosos monoglotas, como são quase todos os imbecis. ( O alemão que vocês falam os alemães não entendem...)
Deixemos essas pequenezas de lado.
Saudade - palavra que dizem não ter tradução.
E Heimat?
Haus é casa ( house em inglês); Heim ( pronuncia-se haim) ( home), seria lar?
E Heimat? seria o que? o lugar onde nasci, o lugar de que gosto? o lugar onde moro?
Lissi Bender sinala que Heimat é de difícil tradução: no gauchês seria aproximadamente  " pago", " querência". Para mim essas duas palavras não enchem o sabor de Heimat.
 Aqui está a compreensão de Herrmann Hesse para Heimat -"Heimat ist nicht da, oder dort. Heimat ist in dir drinnen, oder nirgends."
Heimat não está aí, ou lá.  Heimat está dentro de ti, ou em lugar nenhum.
Pronto! 
O que está dentro de ti, caro leitor? que lugar? já foi um e agora é outro? ou é uma miragem dos tempos idos?

TEXTO INSTIGANTE DO ACADÊMICO, MÉDICO E ESCRITOR DR. FRANKLIN CUNHA


NOSSAS NARAYAMAS 


 

Franklin Cunha

Médico

Membro da Academia Rio-Grandense de Letras

 

A Balada de Narayama filme vencedor do Festival de Cannes de 1983,  mostra o cotidiano de uma pequena vila no Japão  do século XIX. Isolados nas montanhas seus habitantes têm um cotidiano restrito basicamente à produção de alimentos, que mesmo com grandes esforços é muito limitada. Nossa sociedade baseada no consumo e acumulação de bens, cada trabalhador produz muito mais do que pode consumir e o excedente é comercializado. Na pequena vila japonesa cada um produzia o que consumia, não havia trabalho alienado ou exploração por terceiros gerando mais-valia, mas as técnicas de plantio e coleta eram rudimentares, o inverno rigoroso e quando a produção baixava não havia excedentes para a parcela improdutiva da população, ou seja, crianças e velhos incapazes para o trabalho e para a produção.

A população não podia aumentar, recém-nascidos só eram aceitos quando havia alguma morte, uma espécie de reposição, assim permanecendo estável a densidade populacional. Para resolver o problema de um nascimento quando não havia nenhum óbito as meninas eram vendidas, levadas para longe da vila e os meninos eram mortos, enterrados ou jogados no riacho
.

Não menos chocante era o destino dos idosos. Quando por volta dos 70 anos perdiam os dentes deviam deixar a vila, ainda que estivessem lúcidos. Os dentes perdidos eram um sinal de que já não podiam contribuir para o próprio sustento e que logo se tornariam um peso para seus descendentes. Então eram levados por um membro da família para morrer em Narayama, uma montanha que abrigava os restos mortais de diversas gerações de idosos e assim deixavam espaço familiar para um novo membro

Em 2003, uma onda de calor na França matou 14 802 pessoas, a maioria idosos e em toda a Europa morreram entre 35.000 a 50.0000 pessoas, entre idosos e crianças. Grande parte da população ativa estava de férias no Mediterrâneo ou nos Alpes enquanto os velhos morriam sozinhos em suas casas, nos asilos geriátricos ou nos hospitais rodeados de aparelhos, entubados ou sedados por drogas.

Na verdade, também nossa sociedade de abundância e de consumo seletivos, continua descartando seus velhos, mas de forma mais sofisticada do que faziam os pobres habitantes de Narayama. O que permanece igual, é a solidão afetiva que se observa tanto em Narayama como nas casas-depósitos geriátricas da chamada pós- modernidade.

 A Reforma da Previdência proposta pelos governos neoliberais de todo o mundo é uma forma de nos livramos dos velhos e de enviá-los para nossas Narayamas.

Sob a ótica da economia neoliberal, se os velhos não mais votam e nem produzem, seu destino é o isolamento, a solidão, a desafeição e a morte.

E como consolo, talvez alguns se lembrem e cantem velhas cançôes de sua juventude como aquela de  Charles Trenet:

Que reste-t-il de nos amours
Que reste-t-il de ces beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d' avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me poursuit
Sans cesse

domingo, 19 de fevereiro de 2017

ENCANTADORA MENSAGEM DA PSIQUIATRA E COMUNICADORA LAIS LEGG


Oi, Ruy:

              Como tu, um dia, eu também não gostava de Roberto Carlos. Mas a maturidade abranda, passei a "reescutar" coisas dele e mudei de opinião.

 

Ouvi uma entrevista de Erasmo Carlos, que contou que o telefone de sua casa tocou e o homem, do outro lado da linha, dizia ser Andrea Bocelli. Pensando ser trote, ele já ia desligar, quando o homem insistiu. "Sou Andrea Bocelli e quero sua permissão para cantar "Sentado à beira do caminho". Erasmo disse que chorou, copiosamente, e eu também. Bocelli gravou "L´appuntamento"

belissimamente.

 

              Quem não lembra de Roberto Carlos cantando no Festival de San Remo "Canzone per te"? E não fez feio. Em outro festival, cantou "Un gatto nel blu", que não venceu, mas também não fez feio. E de sua timidez, no Festival da Record, cantando "Maria, carnaval e cinzas"?

 

               Acho que derreti o gelo na festa do Dia das Mães, na ACM, quando minha filha tinha 7 anos de idade. Todas as crianças estavam na cancha de esportes e todas as mães nas arquibancadas. Quando começaram a cantar "Como é grande o meu amor por você" e cada um daqueles pitoquinhos olhava para a sua mamãe, estendendo uma rosa vermelha, capitulei.

 

                Por fim, o vi cantar Bossa Nova. E o cara tem "bossa". É afinado, tem voz intimista e cantou "Teresa da praia", com Caetano Veloso, de maneira inesquecível.

 

Não adianta, o cara é a trilha sonora de 98% dos brasileiros.

Abraços,

Laís

sábado, 18 de fevereiro de 2017

MINHAS VÁRIAS VIDAS, MORTES E RESURREIÇÕES

Começo com Roberto Carlos, de cuja voz não gosto, nem da maioria de suas composições:
 Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber



O que restou do nosso amor ficou
No tempo esquecido por você
Vivendo do que fomos ainda estou
Tanta coisa já mudou, só eu não te esqueci.


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Penso que voltar para onde já se foi é algo que quase sempre redunda em erro.
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Geralmente as pessoas se criam, crescem, ficam adultas , vivem e  morrem no mesmo lugar.
Sua vantagem é de firmar sólidas amizades e irreconciliáveis inimizades. E brigas infindas entre parentes, principalmente na hora do inventário.
Se é de cidade grande, quer ter um sítio, verdadeira " amante argentina".  Se é de lugar pequeno, maravilha-se com miragens de todo o tipo.
Algumas profissões fazem do cara  um cigano. Aviadores, motoristas de caminhão, juízes, promotores, policiais, militares.
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Eu sou um desses casos.
Nasci na Santa Cruz pequenina que hoje não existe mais. Santa Cruz charmosa, poliglota, colorida.
Saí muito cedo e ali morri pela primeira vez.
Ressuscitei em P. Alegre, que hoje não existe mais.
Lá cursei o Direito na UFRGS. Não havia assaltos. Eram os anos 60.
Morri quando saí de P. Alegre e fui ressuscitando nas diversas comarcas onde fui trabalhar como juiz.
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Onde doeu mais minha saída foi de Santiago, em 1976. Era um ninho de águias, um lugar lindo.
Depois voltei para a Grande P. Alegre.
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Houve minha semi-volta para Santiago. Que não era mais a Santiago de antes. Tudo tinha mudado. Não interessa se para melhor para para pior. Eu devia ter  calculado ou sabido, se não fosse tão inocente, que o rio nunca passa nas mesmas margens.
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Não teve outro jeito que não voltar a P. Alegre, essa mãe andrajosa  hoje em dia, mas que recebe  seus filhos pródigos, com seus braços trêmulos.
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Nessas andanças que ainda não terminaram, fui semeando amigos por todos os recantos. Mas , por falta de regar essas sementes, em boa parte, feneceram, secaram, morreram.Algumas, não todas.
O grande problema é que a amizade alimentada a mails e watts apps leva um choque anafilático ou um AVC ante  a concretude de um face to face.
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Prossigo outra hora.
Mas antes preciso dizer que estou hiper, triper, bem. Apenas estou refletindo e concluindo que a vida , a morte e a ressurreição são só para quem não tem medo de mudar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CARLOS VELLOSO ,CONVIDADO PARA O MINISTÉRIO DE TEMER, PARECE QUE NÃO ACEITOU

O Presidente Temer quis aplacar as críticas pela indicação ao STF e puxou da manga uma carta: um Ás de ouro, o ex Presidente do STF Carlos Velloso.
Figura maravilhosa, culto, íntegro, decente, ético: é o pouco que se pode dizer dele.
Parece que não vai aceitar.
Se for isso, acerta na mosca.
Mas o que eu queria dizer é que nos anos de 1998 ou 1999 a Ajuris participou, com sua equipe de tênis, na Academia de Tênis de Brasília, de um torneio nacional de juizes.
Carlos Velloso era Presidente do STF.
Se despiu da toga, calçou tênis, colocou calção e camiseta e participou do torneio.
Se jogou bem ou não, não me recordo.
Só não me olvido da grandeza desse homem singular.Eu estava lá.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TEMER TERIA QUE EXPLICITAR SUA INDICAÇÃO AO STF


Muitas vozes, ante o falecimento do  saudoso Min. Zavascki, advertiram, com catadupas de argumentos, que seria de bom alvitre Temer pensar bem antes de indicar seu escolhido para integrar o sodalício que outrora, todos genuflexos, nominavam de Excelso Pretório. Com efeito, os integrantes do STF eram  pessoas de total respeitabilidade.

O atual Presidente é homem de mais de 70 anos, aparentando boa saúde, mas de mais de 70 anos. Tem um filho pequeno. O que atesta sua boa condição.

Ouso colocar-me em seu lugar, eu que sou alguns anos mais jovem.

Apesar de meus pecadilhos do passado, teria eu, agora, coragem de piorar minha biografia, para desalento de meus filhos e netos? Faço essas indagações porque o Presidente é um homem letrado e inteligente.  O que o teria levado para indicar quem indicou?

Não resta dúvida que o ex Ministro da Justiça preenche todos os requisitos para , em tese, postular, como postulou e foi atendido, o cargo. E os supostos plágios? Não lhes demos dimensões extremas . Muitas vezes, ao se escrever, esquecemos das aspas e rodapés, ou, no torvelinho das agendas, não lemos direito o que nosso estagiário pesquisou por nós. Coisas da vida. Não se veja nada de grave nisso ou no fato de o indicado ter advogado para esse ou aquele.

Mas o Presidente, já no início da senectude, não poderia ter feito uma indicação olímpica, de pessoa fora do Governo, um jurista de escol, um advogado, um promotor, um juiz de nenhum contato com as entranhas do Poder Executivo?

Dirão os praxistas e os seguidores  de Wiliam James: “ primeiro os meus, Matheus” !  E aí se espalham, de todos os cantos, os embargos à indicação. Não, não acredito em intenções subalternas.

Mas , caro leitor, só entre nós, como  contrapor argumentos à seguinte indagação: “ mas não havia  nenhum outro ou outra de ilibado proceder e notório saber jurídico, nos limites do Oiapoque ao Chui, que não fosse tão controvertido ?”

O Presidente Temer tem o dever ( e nós temos o direito de saber) de vir a público e explicar  o que motivou sua escolha. Todos sabemos que a aprovação é certa no Senado.

Inobstante isso, faria bem  para sua biografia.

 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

UM POUCO DE NIETZSCHE - COM TRADUÇÃO

Friedrich Nietzsche –
Ecce homo
Ja! Ich weiß, woher ich stamme!
Ungesättigt gleich der Flamme
Glühe und verzehr ich mich.
Licht wird alles, was ich fasse,
Kohle alles, was ich lasse:
Flamme bin ich sicherlich. Friedrich Nietzsche – 1844 – 1900
Sim! Conheço minha estirpe!
Insaciável qual chama
ardo e me consumo.
Tudo em que toco, vira luz,
tudo de que desisto,  carvão:
sem dúvida,  sou chama.
( trad. Lissi Bender)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

NOSCE TE IPSUM

Sim, " nosce te ipsum", conhece-te a ti mesmo.
Penso ser fundamental, para uma vida mais ou menos sem sobressaltos e retilínea, conhecer e re+conhecer as feras que nos habitam.
A Humanidade sempre teve, aqui e acolá, a salutar prática de a pessoa se retirar, de tempos em tempos, para pensar, meditar, refletir. Para tanto, o isolamento não era difícil, a população era mais rarefeita do que hoje.
De muito me serviram os chamados " retiros espirituais", em que ficávamos recolhidos às vezes por três dias, sem poder conversar, apenas lendo ou ouvindo palestras.
Quem já não sentiu vontade de parar com tudo, desligar a TV e o rádio e ficar quietinho?
Será? Como viver sem o celular? e o face?
Eu não tenho face, nem terei. Não sinto necessidade de alardear quantas vezes tomei banho hoje ou que comprei a Lamborghini do Eike.
A " ida para o deserto" como tantos profetas já fizeram, pode muito ajudar na reorganização das idéias. O " retiro", com o distanciamento, faz com que possamos ver melhor a pequenez do que no aturdimento nos parece grande.
Penso não haver como se conhecer a si próprio no meio do alarido, nem que seja virtual.
Daí o meu distanciamento gradativo de postagens no blog.
A felicidade é uma consciência solitária.
Por isso acho problemático dizer: MUITAS FELICIDADES . Por que o plural?
Felicidade, além de ser  difícil e até perigosa de ser alardeada, é sentimento de inefável paz que só o silêncio e a reserva podem desvendar. É segredo de si para si.
Daí eu não entender porque querem me convidar para sair à noite e não aceito. Como explicar que gosto de dormir cedo e assim sou feliz?
Melhor não tentar explicar.  
Conhecer a si mesmo pode doer, no começo....

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SAMBAQUI DE XANGRI LA - QUE DECEPÇÃO

Zero Hora de hoje, sob o título de HORIZONTE PERDIDO, publica, na pg 32, uma matéria sobre o sambaqui de Xangri La.
Hoje de manhã, ao voltar do tênis, fui conferir.
Credo! Os pobres índios que eventualmente foram enterrados ali devem estar furiosos com o que os humanos atuais fizeram com seu santuário.
Lixo e capoeira.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

RÁDIOS - O ACADÊMICO E INTELECTUAL FRANKLIN CUNHA ENTRA NO DEBATE


Ruy

 

O ilustre Des.Newton Fabrício que muito lutou pela cultura em seu saudoso blog  PELEANDO CONTRA O PODER “( com o qual colaborei muitas vezes),tem uma visão lúcida e correta de nossa radiofonia.

E sobre a fascinação do brasileiro com o futebol. São tendências criadas, elaboradas e difundidas , na realidade, por interesses financeiros do lucro a qualquer custo. Em Londres, me surpreendi vendo uma turma de jovens num restaurante e num sábado à tarde, vibrando e torcendo aos gritos assistindo na TV um jogo de críquete. O Fantasma da Ópera está há 20 anos em cartaz.

 E a Ratoeira (inglês: The Mousetrap) da  Agatha Christi já foi representada 30 mil vezes desde 1952.

Em Delhi assisti uma transmissão nacional em cadeia vista por milhões de pessoas de um jogo de hóquei sobre a grama. Em Moscou, uma final de xadrez entre dois jovens enxadristas, fez o comércio e outras atividades cessarem durante várias horas. E o balê Gisele,  de Adam, ficou vários anos em cartaz.

Minha modesta observação  sobre esses fatos, tão oportunamente assinalados pelo Des.Newton Fabrício é que  a tarefa que, nós  culturalmente privilegiados temos  é a  tarefa cidadã de não aceitar as políticas de identidades de hábitos e de ideias tais  como  nos são dados, mas mostrar como todas as representações difundidas principalmente pelo tsunami midiático, todas são pensadamente construídas e nos cabe também perguntar quais dão suas finalidades , quem são seus criadores, quais são seus componentes .  

Eis um tema adequada e oportunamente ventilado por Ruy e seus amigos.

Com meu abraço afetuoso.

Franklin Cunha

Médico

Membro da Academia Rio-Grandense de Letras

AINDA SOBRE RÁDIOS - MENSAGENS IMPORTANTES

DES. NEWTON FABRÍCIO
 

É importantíssima essa tua manifestação. Explico: desde que o Ruy Ostermann abandonou o rádio faz uma enorme falta um programa de entrevistas diferenciado, como ele fazia. Não existe, nas emissoras do RS, um programa de entrevistas de caráter cultural. Muito pelo contrário: ou são amenidades e informações superficiais, ou é futebol e futebol (em tempo: gosto muito de futebol. Mas cansa ver tanto espaço dedicado ao futebol e nenhum à Literatura, ou História, por exemplo). 

Imagina um programa que um dia entreviste Voltaire Schilling sobre História, outro dia Luís Augusto Fischer sobre Literatura, outro dia Veríssimo sobre jazz, e outro dia ainda, Moacir Araújo Lima sobre Física e a Teoria das Cordas, por exemplo. Imagina ainda outros do mesmo gabarito sendo entrevistados sobre Filosofia, Medicina, viagens, etc. 

Assunto não falta, Ruy. Público interessado também não. O que falta é iniciativa. 

Um grande abraço. 

Newton Fabrício
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DR. PAULO AUGUSTO COELHO DE SOUZA
 
Pois amigo Ruy, teu sonho de rádio já existe.  E o Sartori tá querendo acabar com ela. É a Rádio FM Cultura, 107.7. Programação cultural e musical da melhor qualidade, super equilibrada (MPB, clássica, rock, nativistas, regionais, samba, e por aí vai). E o melhor, pode ser ouvida em aplicativos e direto na internet: http://www.fmcultura.com.br/ . Se ainda não conferiste, o que duvido, confere lá!
 
Abraços, 
 
Paulo Augusto Coelho de Souza
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JORNALISTA ROSANE DE OLIVEIRA
 
 
Obrigada, meu caro Ruy, pela generosidade. Agradeço em meu nome do Daniel Scola, com quem tenho o prazer de dividir essas quase duas horas nas manhãs da Rádio Gaúcha.  As críticas também são bem-vindas.
Um abraço
Rosane
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JORNALISTA E ESCRITOR JOÃO LEMES




Caro Ruy; no interior é pior. Pegam o primeiro locutor que aparece e metem ele para ler jornais e sites. E ler mal...