domingo, 23 de julho de 2017

DOS NEGÓCIOS RURAIS E DA SUCESSÃO FAMILIAR

Vinte e três anos de contato com o agronegócio e a observação dos negócios comerciais de meu avô Rudolf Gessinger e de meu pai Armando, me ensinaram algumas coisas.
Com meus ancestrais aprendi que é fatal a inadimplência dos compradores. Você vai confiando, vendendo fiado e quando vê, está sem capital de giro. E..babaus.
Daí que, ao enveredar para o agronegócio, me obriguei a um propósito pétreo: não vender meus produtos sem ter certeza de que seria pago. Mais: achei melhor vender à vista, com desconto, mesmo diminuindo a margem de lucro.  Também aprendi que a qualidade se defende sozinha. O comprador pode achar caras as novilhas, mas isso não é grave. Grave é ele dizer: " não era bem isso que eu queria" ( ou seja: que porcaria de novilhas esse cara tá me oferecendo).
Sem liquidez fica difícil acompanhar a modernidade.
Estava lendo no Caderno Campo e Lavoura de ZH  o relato de um filho que convenceu o pai a se apropriar de técnicas de diversificação e integração agricultura x pecuária.
Aí chego no assunto sucessão familiar.
Nem sempre nossos filhos têm vocação para o agronegócio. Preferem seguir suas carreiras ou encontram obstáculos para morar  perto da propriedade às vezes por exigências de seus cônjuges.
E a idade vai pegando.
Penso que o melhor seja, enquanto é tempo, reunir a família e acertar quem será o que vai continuar tocando o negócio, sendo os demais futuros herdeiros contemplados com quotas partes ideais consistentes em outros ativos, tais como apartamentos etc. 
Tenho minhas sérias dúvidas sobre formar um condomínio gestado por todos. Nisso sou conservador. As coisas têm que ter um gestor ou você já viu uma reunião ser muito produtiva quando todo mundo fala e ninguém escuta?
Ok. e se na sua família não tem ninguém que possa tocar os negócios?
Se você já está cansado e sem entusiasmo, vai perder a excelência de seus produtos e devagar, mas inexoravelmente, vai quebrar.
É a hora da terceirização da administração.
Mas aí é outro capítulo.
Dedico este texto a um gênio no mundo dos negócios: Paulo Nicola, el Pablyto.

sábado, 22 de julho de 2017

MEU BLOG ACABA DE ATINGIR UM MILHÃO DE ACESSOS


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“ De primeiro” eu tinha um blog que era complicado. Não dava para publicar imagens.

Por sugestão de Júlio Prates,Prévidi e Loeffler migrei para o blogspot.

Acabo de constatar que atingi um milhão de acessos.

É muito, é pouco?

Não sei.

O que sei é que estou mais faceiro do que pintinho em quirera.

Meu blog é meu canal de confidências, opiniões, preocupações . Procuro ser didático.

Me preocupo em  evitar, tanto  o banal, como o “ juridiquês”.

Me lê quem quer.

Essa é a grande sacada.

Fico grato a todos.

SEQUESTRARAM O BRASIL - ARTIGAÇO EM ZH DE HOJE


| CARLA ROJAS BRAGA

  • SEQUESTRARAM O BRASIL

    Síndrome de Estocolmo é um estado no qual vítimas têm um relacionamento afetivo com o captor. Recebeu este nome em referência ao famoso assalto do Kreditbanken, quando as vítimas continuavam a defender os sequestradores mesmo depois de dias em liberdade. Manifesta-se assim: durante o processo, os reféns começam por se identificarem com os sequestradores como defesa, por medo de retaliação.

    As tentativas de libertação são vistas como uma ameaça porque o refém corre risco de ser agredido. Os sintomas são consequências de um estresse físico e emocional intenso. O amor e ódio para com o captor é estratégia inconsciente de sobrevivência das vítimas. A mente faz a ilusão para proteger a psique e a identificação com o sequestrador ocorre para propiciar uma fuga da realidade perigosa e violenta à qual a pessoa está sendo submetida.

    O sequestrador danifica a mente da vítima porque é um psicopata.

    Talvez possamos verificar tal tipo de personalidade em alguns políticos. Têm a expectativa de explorar os demais e grande inclinação para violação das regras, sem se importarem com os direitos alheios.

    Não sentem temor de enfrentar ações punitivas, completamente carentes de sentimentos de culpa. Normalmente, suas relações duram tempo suficiente em que acreditam ter algo a ganhar.

    Têm facilidade em influenciar pessoas, com eloquência, ora adotando um ar de inocência, ora de vítimas, ora de líderes.

    Portanto, o povo-eleitor-refém é uma presa fácil.

    O povo-refém é aquele que, em função do estresse decorrente dos crimes cometidos pelos políticos fica tão assustado, que é capaz de defendê-los nas próximas eleições. Os sentimentos de frustração, decepção e revolta podem mascarar-se defensivamente e hipnoticamente como idolatria e apatia para manifestar-se.

    O medo leva à desesperança e à morte moral através da submissão. O povo brasileiro precisa acordar e querer a liberdade! Caso contrário, seremos eternamente reféns de políticos sequestradores de votos e de almas!

    Está na hora de sairmos da zona de DESconforto e agir!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

BELO ARTIGO DE UM JOVEM SANTIAGUENSE


 


Juventude mais próxima da política sim!


    Em tempos de tanta polarização política partidária e ideológica em nosso país, cresce também o número de jovens interessados pela política e pelo funcionamento do poder no Brasil. Mas o que cresceu não foi exatamente o envolvimento dos jovens com partidos ou com seus programas doutrinários, mas sim com a política de “P” maiúsculo.
    Ao se aproximarem da política, os jovens querem entender como o poder é distribuído, como funciona e a quem é delegado essa poderosa ferramenta, capaz de decidir o futuro de todos nós. O jovem quer saber quais são os seus direitos e por que eles não estão sendo cumpridos. Eles não querem saber se o Lula irá preso, se o Aécio será cassado ou se o Temer vai conseguir cumprir seu mandato até o fim. Eles querem sim questionar os motivos pelos quais o Brasil é um dos países que tem a maior carga tributária do mundo e mesmo assim o Estado não consegue cumprir suas funções bá sicas como segurança, saúde e educação. Ele questiona qual a razão de pagarmos três vezes mais por um produto só por causa dos impostos.
    Os jovens querem questionar a omissão do poder público e por que um conchavo de políticos acaba tendo muitas vezes mais força que o sentimento de centenas de milhares de brasileiros, seja nas ruas ou praças públicas, refletido nas telas das redes sociais. Essa mobilização da juventude brasileira que dia após dia se interessa mais pela política e reconhece através disso o poder de seus votos, se pulveriza por todas as classes e faixas etárias, somado muitas vezes ao sentimento de abandono e injustiça de seus pais e demais familiares.
    Com toda certeza, cada vez que o jovem se aproxima da política ela melhora, pois sua inquietude, vitalidade e determinação são as maiores ameaças aos poderosos políticos que tratam a nação como se fossem meros criados em tempos de escravidão e escuridão. Viva a juventude que representa o futuro, capaz de mudar a realidade em que vivemos e fazer com que a política seja de fato um agente de transformação positiva da vida das pessoas. É a política encontrando seu espírito fundamental!

*Fernando Silveira de Oliveira
Acadêmico e presidente do Diretório Acadêmico de Direito Moysés Vianna - URI de Santiago

SE FOI MEU INSPETOR DE POLÍCIA DE SAO JERÔNIMO

Eu estava no 4. ano de Direito na UFRGS quando soube que poderia participar do concurso para Delegado de Polícia. Fui aprovado, cursei a Academia de Polícia ( desculpem a imodéstia, mas fui o Primeiro classificado da turma). Assumi em Triunfo e logo depois em São Jerônimo. Formado em Direito em 1969, decidi pedir exoneração para advogar.
Voltando.
Na delegacia de São Jerônimo estava lotado um Inspetor, mais velho que eu, chamado Paulo Sant'Anna. Passava usando uma camiseta do Grêmio por baixo da camisa. Muito risonho, gostava de cantar e frequentava programas nas rádios e nas TVs.  Era alucinado pelo Grêmio.
Depois que que saí da Polícia raramente me encontrava com ele, mas quando isso acontecia era papo de quase uma hora.
Conquanto frequentemente eu discordasse de algumas coisas que escrevia, não restava dúvida de que era um fenômeno em matéria de comunicação. De seus textos se notava , claramente, que  estudava e lia muito.
A última vez que o vi foi numa janta na Sede Campestre da Ajuris.
Viveu intensamente mesmo.
Este " se puxou", como se diz. Veio de um lar humilde, mas subiu os degraus da vida com muito denodo.
Passa, agora, para a História.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O LADO CAMPEIRO DE SANTIAGO E UNISTALDA ESTÁ NO DNA DE RUDOLF E MARISTELA



Conquanto fiquemos a maior parte de nosso tempo em P. Alegre e Xangri La , é incrível como puxa esse tal de DNA campeiro.
Maristela é nascida em Santiago e Rudolf morou e estudou lá uns tempos. Os dois permanecem escandindo as sílabas nesse falar tão sonoro e correto dos habitantes da região pecuária. Nada  do sotaque portoalegrês.
Pois não é que os dois não descansaram enquanto não permiti que se  instalasse  em nossa casa de Xangri La um fogão a lenha?
Ora, essa casa é do estilo moderno, de que jeito poderia abrigar um móvel desses? E a fumaceira? e o cheiro de picumã.
Mas a duplinha campeira insistiu.
Resultado. Consegui um especialista em lareiras e instalação de fogões que providenciou canos inoxidáveis e furou a parede da salinha onde ficaria o fogão. Passou  chaminé para o lado de fora e furou duas lajes de concreto, sem deixar margem a goteiras. E láááá em cima, no terraço, terminou a chaminé. Sem voltar nada de fumaça. E dê-lhe os dois a  cozinhar de tudo.
Em X La é fácil adquirir lenha, tanto para fogão como para lareira.
O que é o DNA campeiro!!
Mas até eu  me apaixonei e agora, até quando não esteja muito frio, mesmo assim chimarreio na frente do fogão ou da lareira.
Será que o DNA me passou por osmose?

AINDA OS FOLGUEDOS INFANTIS - MENSAGEM DO DES. ELISEU TORRES


Antes da adolescência, tinha um saquinho de bolitas (águeda, acinho, umas  floreadas, listas lindas). A gente jogava na rua e era um jogo limpo, brihante para quem tinha “nhaque”. Eu não era dos melhores ; havia, na turma, quem se rebuscava e era temido. Nossas armas eram o canivete e o bodoque. Eu fazia os meus próprios, forquilha caprichada, borracha de câmara de pneu, sola bem arrochada para receber a pedra. E, nisso- na arte de usar o bodoque, era um ás, Pobres passarinhos. Era certeiro. Quando passava férias na fazenda de meu avô, a vó Gregória sacudia a cabeça e dizia : menino malvado, matou os pobres bichinhos. Mas fazia a passarinhada com arroz. Depois, ja na adolescência,queria namorar, curtia amores lindos dos quais, na maioria das vezes ela não sabia.  Troquei a bolita e o bodoque por bicicleta  e a vida seguia. Na plana  Riachuelo, onde nasci e cresci, o calçamento de cascalho não impedia as corridas vertiginosas de fim de tarde. Uma vez, o Zé Babão, na minha bicicleta e num fim de tarde, no afã de bater o melhor tempo, levou por diante o Salvador, um negão de dois metros que seguia em paz, terno branco, rumo ao carnaval. Não deu prá avisar. O Babão levantou o negão e caiu, embolado com ele, naquela polvadeira de verão. O negão ficou marrom, o terno imprestável e o  Babão só se desculpava, dizendo que quebrara a clavica...Salvador era amigo de minha família e só por isso levou livre o Babão. Mas teve que voltar para tomar um banho, trocar de roupa e voltar aos folguedos de Momo. Ninguém tinha telefone, muito menos computador, televisão e I-Phone. Eramos felizes e não sabíamos...

terça-feira, 18 de julho de 2017

SOBRE RITOS E CERIMÔNIAS -DOIS PRECIOSOS COMENTÁRIOS

DA PSIQUIATRA E COMUNICADORA DRA. LAIS LEGG


Prezados, concordo com tudo que foi dito. O tal comportamento "galhofeiro"

também anda invadindo a minha profissão - a Medicina. Há poucos dias, vimos médicos sendo punidos por postarem fotos, num corredor de hospital, de jalecos e com as calças arriadas. Inúmeros outros postam "selfies" ao lado de pacientes e uma médica permitiu que seu filho, adolescente, ingressasse em sala de cirurgia, onde fotos foram tiradas com o menino todo paramentado e  empunhando bisturis.

O Conselho Regional de Medicina teve que proibir que os médicos publicassem "selfies" com os pacientes. A que ponto chegamos! É preciso que se normatize condutas que deveriam vir de berço. Os pilares hipocráticos foram jogados no lixo, me parece.

A humanidade se avacalhou, ser educado é careta. 

Laís
---------------------------
 
DO DES. ELISEU GOMES TORRES
 
Bom dia, amigos. Creio mesmo que sou um ser  ante-diluviano Dizem que todos os homens, com o passar do tempo e o avançar da idade, tornam –se duros, calejados, mais refratários às emoções. Comigo acontece o contrário. Quanto mais velho fico, mais sensível, emotivo e , porque não dizê-lo ? Chorão.  Há pouco ouvi a marcha triunfal de Verdi, enviada pelo querido colega Nerio Letti. Parei tudo e, sem resistências, voltei àquela noite de dezembro de 1959, quando, ainda quase um menino, percorrj o corredor do austero auditório da PUC (na Praça São Sebastião|) e galguei os degraus que levavam ao palco. Foi, creio, o momento mais solene de minha vida, até então. Sonhos e ideais povoavam minha  cabeça, a ânsia de batalhar por meus clientes, de impor um nome e uma presença no meio jurídico, entendi que o momento era de reflexãp e compromisso. Há alguns an0s deixei de assistir formaturas.  Não há qualquer solenidade. Predomina a galhofa. Ora, direis : são jovens, descompromissados, alegres por vencer uma etapa tão importante. Logo, extravasam essa alegria aos gritos, cânticos e gestos.  Não é minha praia.  Prefiro a obediência aos rituais, a observância de certas regras que não podem ser abandonadas, sob pena de voltarmos ao non sense. E tudo, parece, ainda vai piorar.  Meu pai, não tolerava ver alguém, em local público, sentar a mesa com chapéu na cabeça. Pois hoje vejo parlamentares participando de sessão congressual, com chapéu como se estivessem ao relento. Prá mim, deu ! Um abraço do confrade Eliseu
 
 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ESTOU SÓ REFLETINDO: SERÁ QUE CABEM GRACEJOS EM CERIMÔNIAS ?

Digo a vocês baseado em minha experiência. Assumi o cargo de juiz de direito aos 26 anos. E ouvi de um Desembargador que fora Juiz em minha terra natal o seguinte conselho
- Não bebas em público. Não brinques durante as audiências.
---
Claro que as formaturas  de hoje são " happenings", alguns de mau gosto.
Mas para os avós, os pais, aquilo é de uma gravidade, de uma emoção, de valor que nem se pode aquilatar.
Quando alguém  recebe uma homenagem ou algo que o valha , por pouca repercussão que possa ter, para o contemplado aquilo é tudo na sua vida, aquilo é uma coroação! 
---
Há pouco tempo fui a uma solenidade em P. Alegre. Não interessa onde.
Não gostei de observações  brincalhonas a cada passo. Claro que o público ria.
Aí me lembrei: muito riso, véspera de muito choro.
E será que os pais e avós ou os próprios homenageados gostaram?
Não é melhor manter as galas e as liturgias?
Penso que a  jocosidade prostitui a comenda e a homenagem.
Estarei em erro?
Em tempo: eu observei os conselhos do idoso desembargador. Acho que me dei bem.
Muito riso, pouco siso.

INTEGRANTE DE NOSSA CONFRARIA FESTEJA SEU DOUTORADO EM TÜBINGEN -ALEMANHA







 
A renomada Professora da UNISC, Lissi Bender, nossa amiga e integrante da confraria, está na Alemanha, onde recebeu, com todas as galas, o certificado do seu título de Doutora .
Consigne-se que na Alemanha os critérios e exigências são rígidos.
Nossos cumprimentos à nossa amiga!

domingo, 16 de julho de 2017

AS TRAQUINAGENS INFANTIS HOJE DESAPARECIDAS

Estava olhando para a praça de Xangri La, onde há uma pista de skate. Dois ou três adolescentes com seus malabarismos. Uma dezena ou mais, sentadinhos, curvos, teclando em seus celulares.
Um turbilhão de lembranças me vieram dos tempos infantis.
Subir em árvores.  Inimaginável  hoje . Na casa de meus pais, em Santa Cruz, havia um caquizeiro. Eu dava um salto até o primeiro galho e ia subindo até o topo. Ali ficava refugiado, pensando, pensando.
Acredito  hoje ser impensável uma mãe deixar seus filhos subir em árvores. Mas não tenho na memória nenhum caso de , no meu tempo, alguém ter caído.
"Roubar" bergamotas.
Minha casa ficava a duas quadras da catedral. E aí praticamente terminava a cidade.  Dali para diante moravam os colonos. Nosso prazer era fazer incursões pelas propriedades rurais e colher bergamotas nas árvores que ficavam perto da estrada. E laranjas umbigo.  Estas  descascávamos com nossos canivetes.  Não havia nenhum guri que não tivesse um canivete. O meu sempre ia comigo, até para a escola.
Isso sem falar na caçada às pombinhas rolas, que davam uma sopa daquelas.
E as peladas de futebol no meio da rua ( que não eram calçadas)? As goleiras eram duas pedras.
Tênis, chuteiras? isso não existia. Era  tudo de pés descalços. Caiu, se machucou? água e sal. Feito o curativo.
Doces recordações enquanto o dia vai nascendo...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O PRESTIGIOSO SITE MIGALHAS FAZ PONDERÁVEIS RAZÕES SOBRE A SENTENÇA DE MORO

Um aviso aos queridos leitores: não tenho partido, nem torço por este ou aquele. Critico o que acho errado, mas não enveneno meus textos por paixões ideológicas ou partidárias. Fui juiz uma vida inteira: gosto de ouvir os dois lados.
Eis o que publica Migalhas  hoje:

 

Companheiro

Moro condena Lula a nove anos e meio por corrupção e lavagem. O ex-presidente poderá recorrer em liberdade porque, segundo o juiz, a prisão cautelar de um ex-presidente da República envolve certos traumas, sendo prudente que se aguarde o julgamento na 2ª instância. (Clique aqui)

1.

Ao juiz é dado o poder de livre apreciação das provas. Dito isso, explica-se facilmente a longa sentença do juiz Moro condenando Lula a 9 anos de prisão. Mas o fato é que o direito não se resume nesse preceito aparentemente autoritário. É preciso que estas provas venham em ordem correta, isto é, acusação primeiro, defesa depois, e que sejam revestidas de legalidade.

2.

No caso do famoso processo do triplex, muitas questões pululam. As provas de acusação seriam, fundamentalmente, matérias jornalísticas corroboradas com depoimentos de delatores. E as de defesa não teriam sido suficientes para explicar o que disse a acusação.

3.

No conjunto probatório, o que fica transparecendo é que - sendo verdade o que diz a acusação -, houve precipitação da denúncia e estamos diante de um crime interrompido. E, sendo assim, a questão deveria ser tratada no campo do eventual arrependimento ter sido eficaz ou não. Não tratando a questão dessa forma, o magistrado viu-se obrigado a uma ginástica argumentativa, baseando-se em contradições da defesa.

4.

Ademais, há o fato de que Moro tentou afastar a importância do Direito Civil, mas não é possível falar em vantagem indevida sem discutir o ingresso ou não do bem no patrimônio do réu. De maneira que ou tem-se a propriedade ou a posse, ou a promessa de posse, como parece o caso.

5.

Enfim, a sentença é juridicamente questionável em vários pontos. Mas em alguns deles não é questionável. Ela é reprovável. Referimo-nos, por exemplo, ao ponto em que o magistrado critica Lula por não ter feito uma emenda constitucional para que pudesse haver prisão em segundo grau. Moro diz que Lula deveria ter agido para tentar reverter antes jurisprudência do STF nesse mesmo tema. Veja com seus próprios olhos:

795. Algumas medidas cruciais, porém, foram deixadas de lado, como a necessária alteração da exigência do trânsito em julgado da condenação criminal para início da execução da pena, algo fundamental para a efetividade da Justiça Criminal e que só proveio, mais recentemente, da alteração da jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal (no HC 126.292, julgado em 17/02/2016, e nas ADCs 43 e 44, julgadas em 05/10/2016). Isso poderia ter sido promovido pelo Governo Federal por emenda à Constituição ou ele poderia ter agido para tentar antes reverter a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

"Lula poderia ter agido para reverter jurisprudência do STF"? Valha-nos Deus. Mas o pior ponto é quando diz que resolveu não prender Lula porque a prisão cautelar de um ex-Presidente envolve certos traumas. Ora, seria o trauma uma excludente legal da preventiva, ou não estariam presentes os pressupostos para tal? Enfim, certamente é uma sentença que entra para a história, porque nunca antes na história desse país um ex-presidente foi condenado criminalmente.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A SENTENÇA DO JUIZ MORO E A CONDENAÇÃO DE LULA

Reproduzo apenas a parte final da sentença, para tecer algumas considerações.
A primeira delas é que a possível apelação será julgada pelo TRF da 4a. Região, sediada em P. Alegre.
O STJ e o STF só serão chamados a decidir sobre esse processo, caso os Recursos Especial e Extraordinário consigam subir. Ou, em caso dificílimo de acontecer, que uma dessas Cortes de Brasília conceda algum remédio heroico.
A sentença  deixou claro que o momento é delicado e que não seria  interessante mandar o Ex Presidente desde logo cumprir a pena.
Creio que andou bem o julgador, porquanto pode ser que a apelação seja provida.
Agora,  é aguardar.
Na atual situação, não tendo transitado
 em julgado a condenação, nada impede de Lula concorrer a cargo eletivo.
....................................................
Eis a parte dispositiva da sentença.
 
O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu ao

processo em liberdade. Há depoimentos de pelo menos duas pessoas no sentido de

que ele teria orientado a destruição de provas, de José Adelmário Pinheiro Filho

(itens 536-537) tomado neste processo, e ainda de Renato de Souza Duque. O

depoimento deste último foi tomado, porém, em outra ação penal, de nº 5054932-

88.2016.4.04.7000.

958. Como defesa na presente ação penal, tem ele, orientado por seus

advogados, adotado táticas bastante questionáveis, como de intimidação do ora

julgador, com a propositura de queixa-crime improcedente, e de intimidação de

outros agentes da lei, Procurador da República e Delegado, com a propositura de

ações de indenização por crimes contra a honra. Até mesmo promoveu ação de

indenização contra testemunha e que foi julgada improcedente, além de ação de

indenização contra jornalistas que revelaram fatos relevantes sobre o presente

caso, também julgada improcedente (tópico II.1 a II.4). Tem ainda proferido

declarações públicas no mínimo inadequadas sobre o processo, por exemplo

sugerindo que se assumir o poder irá prender os Procuradores da República ou

Delegados da Polícia Federal (05 de maio de 2017, "se eles não me prenderem

logo quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam,

conforme http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/se-eles-nao-me12/



07/2017 Evento 948 - SENT1

https://eproc.jfpr.jus.br/eprocV2/controlador.php?acao=acessar_documento_publico&doc=701499865861150550083652403176&evento=70… 218/218

5046512-94.2016.4.04.7000 700003590925 .V61 FCM© SFM

prenderem-logo-quem-sabe-eu-mando-prende-los-diz-lula/). Essas condutas



são inapropriadas e revelam tentativa de intimidação da Justiça, dos agentes da lei

e até da imprensa para que não cumpram o seu dever.

959. Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a

terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão

preventiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

960. Entrentanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-

Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência

recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair

as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz

apresentar a sua apelação em liberdade.

961. Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este

julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um

ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são

os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece,

enfim, o ditado "não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de

você" (uma adaptação livre de "be you never so high the law is above you").

962. Transitada em julgado, lancem o nome dos condenados no rol

dos culpados. Procedam-se às anotações e comunicações de praxe (inclusive ao

TRE, para os fins do artigo 15, III, da Constituição Federal


terça-feira, 11 de julho de 2017

TEMOS UM PAÍS SÉRIO? por Tito Guarnieri


TITO GUARNIERE

NÃO É UM PAÍS SÉRIO

Não é bom ouvir quando dizem que o Brasil não é para ser levado a sério. Mas o conceito pouco lisonjeiro tem lá sua razão. Basta um olhar ligeiro sobre fatos recentes.

Um editorial da Folha de São Paulo defende que os acordos de leniência - acordos de perdão seria mais exato - com as empresas investigadas em operações como a Lava Jato, deveriam ser celebrados com a participação do Ministério Público, Tribunal de Contas, Comissão Geral de Investigações, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários. Vale dizer: os acordos deveriam ter uma base técnica e critérios comuns, de modo a evitar disparidades de tratamento entre uma e outra empresa.

A posição da Folha é sensata. Os acordos, naquela forma, seriam mais transparentes e menos sujeitos às injunções de partes restritas, acordos selados em gabinetes fechados, e onde vale apenas o critério de quem negocia, no caso o Ministério Público Federal.

A transparência deveria presidir também os acordos de delação. Do modo como são feitos hoje as cláusulas são negociadas em segredo pelo MPF, e só dadas a conhecer depois do entendimento das partes, quando, a rigor, nada mais há para ser reescrito. Os juízes, via de regra, simplesmente homologam o acordo.

Bem pior do que o julgamento do TSE, que tanta celeuma causou, foi a diferença abissal de tratamento entre os acordos de delação premiada da JBS e da Odebrecht. No caso da JBS, os Batistas - homens de negócios biliardários - fizeram o maior negócio de suas vidas. Nenhum deles foi retirado da cama de pijama, no raiar do dia, sob as luzes da tevê, algemado, conduzido de camburão ao xadrez. Para a JBS não teve japonesinho da Federal, tornozeleira, ou passaporte recolhido.

Os Batistas andam livres como gado no campo, dando entrevistas, comportando-se como celebridade das Organizações Globo (principalmente Joesley), cheios de moral, apontando o presidente Michel Temer (que só assumiu a presidência ano passado) como o número um de organização criminosa, e Aécio Neves como número dois.

E Lula? Bem, antes de responder não custa lembrar que o primeiro financiamento que a JBS emplacou no BNDES foi no ano de 2005. Dois anos depois, apresentava um faturamento de R$ 4 bilhões de reais. Em 2016, depois de 13 anos de governos petistas, a JBS faturava R$ 183 bilhões de reais. Lula, você perguntou? Segundo Joesley, só encontrou com ele um par de vezes. Mal o conhece.

Os Batistas andam por aí gozando das delícias do capital, do perdão que receberam de Janot e do ministro Édson Fachin e das nossas caras. E isso tudo é para passar o Brasil a limpo.

Os Odebrecht são delinquentes amadores perto dos Batista. O patriarca Emílio está em prisão domiciliar (com tornozeleira), e o filho Marcelo ainda está preso, sem data para sair. Ninguém dirá que os delitos da Odebrecht são maiores do que os da JBS. Marcelinho Odebrecht, detrás das grades, tem o direito de invocar o saudoso Stanislaw Ponte Preta: ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos.

E por detalhe, Aécio Neves, que ficou 13 anos na oposição, quase foi em cana antes de Lula. Dá para levar a sério?

MAIS UM POUCO DE CULTURA - COM EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


 

DO LADO DE CÁ

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Minha África do lado de cá:

Bahia – eu queria te entender.

Um Atlântico a nos separar (e agregar).

Ah, Bahia: não a estereotipada, de cartão postal,  e shoppings, de alguns turistas que só registram e não enxergam, dessacralizada  e mundana.

Queria entender os teus mistérios, os teus santos, o teu sincretismo, tuas lutas –

Bahia, também meu amor, o peixe, a pele, a moça morena no Mercado Modelo,

Castro Alves e sua praça– declamo alguns poemas ,  contemplando o mar ao fundo.

E lembro-me   de Gregório de Matos, Carlos Marighella, Anísio Teixeira,  Walter da Silveira, Glauber Rocha, Jorge Amado, João Ubaldo,  do mago “Seu” Claudionor(“perdi” seu sobrenome), grande oráculo – todos  encantados.

Queria “saber” o que mais fundo há no Pelourinho –, além da beleza, do casario, das pedras, das “subidas”, dos sofrimentos dos escravos, das revoltas populares.

(E os pés que hoje piso, guardam  gemidos –  e o homem atento poderá escutá-los.)

Ainda e sempre o mar, a Bahia de Todos os Santos – tantos sim.

A vista na Avenida Contorno, a Ponta do Humaitá, teus oráculos, o Samba de Roda, a Ladeira da Barra, a Igreja de Santo Antônio, os coqueirais, o Cemitério dos Ingleses – e assim caminho olhando teu casario colonial (do que restou), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de São Francisco.

O pôr do sol na Ilha de Itaparica, os últimos raios iluminando o mar, e  a noite cai – atabaques, tambores, não a Bahia estatutária – a terra da Fé, do sincretismo, da Colina Sagrada, e todos os rituais.

Aquela missa no Pelourinho, com ritos católicos e das religiões africanas, o Candomblé e a Consagração (somos todos assim, sincréticos, sempre à espera de algo que não vemos.)

( Lembro-me da Ilha do meu nascer, mítica,  da Bahia Sul, onde uma vez minha mãe me levou para assistir a uma regata, e eu tinha sete anos.)

Assim é: falando “Bahia” quando só escrevi sobre “Salvador”–, era assim que Amado dizia (“Cidade da Bahia”) e também da Ilha, a outra, que forjou o, meu barro.

E haverá cinza da matéria finita: poderia ser jogada  em algum mar, não importa se de lá ou de cá, ou ainda no Cerrado do meu coração – a primeira e a última capital deste país.

Cidadãos do mundo: assim somos, e poderia falar mais –, como esta prosa fosse uma roda de conversa.

Falar ainda? Do belo amor da maturidade, também baiano, assim seja, e posso dar – mesmo  com a escrita precária,  dizendo muito menos do que pretendia  (assim é a sina da escrita – sempre ficar aquém do que queremos)  –  os trâmites por findos .

É apenas uma prosa nos idos de março.