terça-feira, 25 de abril de 2017

O ENIGMA DE SER MÚSICO

Hoje estive consultando o oftalmo dr. Diogo Torre ( um jovem médico, super simpático, muito querido) e logo indagou o que eu era do Humberto Gessinger, (que insiste em dizer que eu tenho a melhor voz dos Gessinger). Que eu deveria cantar minhas composições.
Sempre resisti. Mas gostaria de dizer que  quando viajo 500 kms e de ida e mais 500 de volta , se estou de bom humor, canto toda a viagem sem repetir uma música sequer.
Tá. Mas voz todos têm. Até os jogadores de futebol do Rio de Janeiro.
O que me fascina na música é que um palacete você, tendo dinheiro, compra.
Mas nenhum dinheiro do mundo compra tocar um instrumento sem antes ter se dedicado. E, principalmente, nascer com o dom.
Consta que um rei mandou seu filho estagiar com um filósofo que também era músico. E o piá pegou uma harpa e começou a tocar. O mestre observou-lhe que o instrumento estava desafinado. O guri redarguiu que ia tocar assim mesmo. Ao que o professor lhe disse:
- se só quiseres ser rei, não precisa afinar mesmo. Se quiser ser músico, afina essa  p... meu!!!
Me relacionei com centenas de músicos na vida.Mas entre meus  melhores ouvintes sempre adorei o respeito das  pessoas bem simples e das crianças.
Certo dia estávamos passando o som num festival, eu estava no palco  com meu violino elétrico Yamaha ( um dos meus dez outros). Cruzou o Miguel Marques pelo palco , era uma zoeira só, levantou o indicador e  falou:
- levanta um pouco a corda mi!
Agora já estou querendo acreditar que existe o sopro de Deus...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O BAR E RESTAURANTE CALECHE DE SANTIAGO RS E A ESTÁTUA DA MULHER NUA

Quando cheguei a Santiago para, ainda bem moço, aos 26 anos,  assumir o cargo de juiz de direito, logo fiz amizade com Antônio Manoel Gomes Palmeiro, o Barbela e Jaime Medeiros Pinto, dono da rádio Santiago. Como já disse alhures, foram eles que me ensinaram o gosto pela música  missioneira, especialmente os chamamés.
Jaime era também dono do Bar Restaurante Caleche, muito charmoso, que , ao que me lembre, só abria de noite.
Quando terminava o expediente no Forum, às 18 horas, eu ia para o   Caleche, ainda fechado, onde Jaime reunia seus amigos para, em " privé", saborear uns queijos, uns picadinhos de carne assada, um traguito e eu levava meu violino e alguns seus violões.Quando o bar abria as portas eu ia para casa.
O Caleche era ornado com estátuas de madeira esculpidas pelo senhor Arno Gieseler, que fazia parte da confraria nossa.
Pois o sr. Arno esculpiu uma mulher nua, nuinha, mas na região pubiana da moça colocou um peleguinho sobre um pedacinho de madeira, instalou uma dobradiça, de sorte que  ficava como se fossem os pentelhos ou, como queiram, os antigos e hoje sumidos pelos pubianos.  Havia um bilhete preso nos pentelhos:
NÃO MEXA AQUI PARA VER O QUE TEM EM BAIXO !!!!
A tal estátua estava no banheiro dos homens, bem na frente do vaso.
Sabem o que?  nessa dobradiça estava um dispositivo que ligava um alarme com sons estridentes e fazia as luzes do salão piscarem convulsivamente.
O que acontecia? os forasteiros que chegavam, não sabendo de nada, viam aquilo, levantavam a dobradiça e era aquela folia.  Quando saíam eram ovacionados pelos presentes.
Que teeeemposs de minha linda Santiago!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

DAVID COIMBRA RELATA O DESMAME DE TERNEIROS E SEUS TRAUMAS. SUA DESCRIÇÃO É PURA VERDADE

Na Pecuária Gessinger achei de melhor alvitre não recriar os terneiros. Como nem todos sabem, na pecuária existem as fases de cria, recria e terminação. Nem todas as fazendas têm vocação para todas essas fases.Terminação, só tendo muita pastagem.
Então eu concluí que era melhor  embarcar os terneiros no dia do desmame, vendendo-os para outros pecuaristas, geralmente os que consorciam soja com pecuária. Eu livrava a mãe de seu terneiro na entrada do inverno, ela que, com grandes chances, já gestava outro terneirinho .
David conta que o apresentador Ratinho visitou suas fazendas em dias de desmame. Impressionou-se tanto com a choradeira de mães e terneiros, que mandou parar com a pecuária.
No nosso caso  combinávamos o embarque dos terneiros para determinado dia e desde cedo os terneiros eram apartados de suas mães e embarcados naquelas baitas carretas e jamantas.
As mães tinham que ficar vários dias encerradas ou nas mangueiras ou em invernadas com  muito boas cercas.
E a choradeira ( imagine  centenas ou milhares de vacas mugindo sem parar por ao menos 4 dias). Muitas pulavam sobre as cercas. Às vezes éramos obrigados a leva-las para a invernada de onde eram originárias. Algumas distantes. Pois muitas delas iam pulando cercas e aramados e voltavam para o local  onde os terneiros foram embarcados. Ficavam uns quatro dias quase sem tomar água, só chorando.
Depois de um tempo, quando fazíamos o desmame, eu ia dormir na cidade, não ficava na fazenda.
Para se ver com as mães, são sempre mães.

terça-feira, 18 de abril de 2017

HOMO VENATOR - COMENTÁRIOS

DR. FRANKLIN CUNHA - ESCRITOR, MÉDICO, MEMBRO DA ACADEMIA RIOGGRANDENSE DE LETRAS

Contam que entre Antônio Prado, minha terra e a vizinha Flores da Cunha, existia  um convênio firmado entre as partes e que era o seguinte: quando passava um bando de marrecas em direção de F. da Cunha, meus conterrâneos, obsessivos caçadores como é notório, telefonavam e avisavam os caçadores da “ terra do galo “ sobre a direção na qual as marrecas voavam. Que já preparassem as “ stchopas “ e a indispensável polenta acessória. E vice-versa.

Hoje em dia, com a absoluta escassez de caça voadora de bom paladar, continuam honrando rigorosamente  o sagrado convênio, mas agora apenas com o que resta: periquitos e papagaios com os quais fazem sopa.
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DES. ELISEU GOMES TORRES
 

Fui eficiente caçador de pássaros com meu bodoque. Minha avó materna,em cujo arvoredo, na Fazenda, eu atirava sem piedade nos bichinhos, me gritava : menino malvado ! Mas, depois, depenava e fazia a passarinhada com arroz, so para satisfazer meu ego. Adulto, tinha vergonha de ter matado pássaros, mas aí dediquei-me, com êxito, às pescarias de anzol. Nunca usei rede, porque achava que isso roubava um dos prazeres da pesca que era o tirão o dedo quando o peixe fisgava. Agora, “no more boleros”... Não tenho condições físicas de meter o pé no barro ou de esperar  à beira de um rio ou da taipa de um  açude que o peixe venha em minha linha. É assim a vida. Eliseu
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DRA. LISSI BENDER

Nossa Ruy!!  Tua memória alçou voo e levantou uma nuvem de poeira que estava adormecida em minha memória. Meu  avô Wilhelm Kurz participava do Stech-Verein e do Schützer-Verein lá de Linha Schwerin(tenho medalhas dele guardadas com datas desde 1913); meu Papa Erwin participava de um Schützer-Verein e de seu parco lazer fazia parte uma incursão, vez ou outra aos domingos, no Urwald da família (terra onde nasceu e faleceu). Mas nunca foi predador, no máximo trazia um jacú, mas trazia sempre frutas silvestres e um largo sorriso para casa, sabia que com elas fazia a nossa alegria. Gostava também de pescar. Na semana que faleceu (este mês fez 37 anos) havia me visitado em Pelotas para onde havia me mudado pouco antes. Juntos ainda fomos pescar na lagoa dos Patos e, enquanto estávamos com a água até o joelho, ele fazia planos de ainda muito vezes me visitar e para pescarmos juntos.

 

Não te surpreendas se muitos de teus leitores começarem a remexer os guardados no fundo de suas memórias a partir da leitura de teu texto.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

HOMO VENATOR - MINHA POST REPERCUTIU ATÉ NO CÉU

Hoje à tarde meu leppi-toppi começou a tremer e se convulsionar. E na caixa de mails surgiu uma mensagem da minha falecida  mãe: Ludmilla@himmel.gott.
Eis o texto:

Nah, mein lieber Joly.

Zur Zeit geht alles sehr gut im Himmel. Schick dich gut, denn ich sehe alles was du machst und sogar denkst.  Ich wolte nur dir sagen das die Tauben  die du immer zu mir brachst um eine gute Suppe zu machen, sind auch im Himmel. Im Himmel sind nicht nur Menschen, sondern alle liebe Tiere. Dein Vater hat noch nicht das Bier gelassen.Tja... hier ist das Bier um sonnst.
 
Tradução:
E aí meu lindo. ( Joly é um galicismo que minha mãe usava. Pronunciava assim: chólli). A carta é escrita no dialeto moselano.
"Nesse momento tudo bem no céu. Te comporta, pois eu daqui vejo tudo o que fazes e até o que pensas. Queria só te dizer que as pombas que trazias para eu preparar uma boa sopa estão também aqui no céu. No céu não estão só pessoas, mas também todos os queridos animais. Teu pai ainda não largou a cerveja.  Pois é... aqui a cerveja é de graça...."
Em seguida os comentários de Franklin Cunha, Eliseu Torres, Lissi Bender e mais... 

HOMO VENATOR - HOMEM CAÇADOR

Vou fazer aqui algumas confidências.
Matutava.Como as coisas mudaram na vida de todos nós.
Ontem eu conversava com um parceiro de tênis, mais jovem que eu. Ele me contava da saudade que tinha das caçadas que fazia com seu falecido pai. Iam para as fazendas: caçavam perdizes, jacus, marrecas e voltavam com as caminhonetes atrolhadas de tanto bicho caçado.
Daí me lembrei de meu pai.  Ele não era muito chegado em armas, nem em anzóis ou redes. Mas adorava as pescarias. Ele era o chefe do acampamento, fazia os churrascos. Limpava os peixes, mas nunca comeu peixe ( como minha mãe que viveu 94 anos).. Pode?
Meu pai tinha uma caminhonete Dodge, importada do Canadá.. Ele e eu dormíamos na caçamba.
Um dos companheiros de meu pai era um comerciante, também de Santa Cruz, o sr. Rambo ( sobrenome alemão comum naquela região). Seu Rambo e meu tio  Arno eram loucos por arma de caça. Aos doze anos dei meus primeiros tiros com uma 12 cano duplo.
Cacei muito. Mas, que estranho, ajudava a limpar e fritar ou assar, mas não gostava de comer.
Resumo: eu caçava pelo prazer de matar. E não sentia remorso.
Quando cheguei aos 35 anos de idade larguei abruptamente das caçadas. Nem em pescarias quis mais ir.
Na frente da minha casa na praia há um lindo gramado onde sempre aparecem biguás, pombas e várias aves.
Surpreendo-me que, ao contemplá-los preguiçosamente,  me flagro me imaginando com uma  cal 20 dois canos na mão  , negaceando o bicharedo  e atirando.  Imediatamente um neurônio mais decente dá o alarma e me traz à realidade:
- para com isso, Ruyzão! tu tá louco?
Não, em hipótese alguma mato um pássaro ou mesmo uma cobra venenosa.
Então porque tenho no cérebro esse "" malware", que me pede, ao ver uma pomba, que eu pegue nem que seja uma funda ou bodoque e atire nela?
Me perdoo porque minha geração - a dos caçadores - está chegando ao fim.
A mesma que achava lindos os filmes em que os soldados matavam índios.
Se bem que agora a nova brincadeira de muitos jovens é matar primeiro e perguntar depois. Matar gente. E não são filmes.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O MAR DE LAMA

É o que se pode dizer do nosso pobre-rico país.
E nós somos os culpados. Todos nós.
Nós os colocamos lá para administrar o que é nosso.
Sempre me lembro do que dizem os médicos: basta uma gota de sangue para se saber se você tem alguma doença. Não precisa  drenar todo o seu sangue. Pela gotinha se conhece o conjunto.
Pelas revelações escabrosas que estão vindo à tona, que dizer, o que se imaginar que se passa em todas as esferas, inclusive no recôndito dos Municípios?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

SAUDADE DAS RÁDIOS DA REGIÃO DE SANTIAGO

Confiteor ,em latim quer dizer confesso. Admito minha culpa.
Ao chegar, ainda guri, como Juiz, em Santiago, logo me afeiçoei a  Antônio Manoel Gomes Palmeiro, o Barbela, serventuário da Justiça e Jaime Pinto, diretor da Rádio Santiago.
Os dois me ensinaram a gostar da música folclórica argentina ( Merceditas, Los ejes de mi carreta, etc), bem como da boa música nativista, onde Santiago exibia uma pureza campesina nunca vista.
Passei muitos anos sem saber nada de Santiago, depois de promovido.
O tempo passou e , por coisas da vida me aposentei e...Empreendi a aventura de me mudar para Santiago, por uns anos. Comprei uma casa para ,a partir dela ,poder melhor administrar a minha fazenda.
Com o avanço da tecnologia virtual, vi , mais tarde, que era melhor eu voltar a morar  perto dos aeroportos.
Quando voltei a Santiago, portanto, mil anos depois de ter sido juiz lá, tudo tinha mudado.
Me revoltava contra o estilo das rádios. chasque pra lá, chasque pra cá. Eu achava que tinham que ter como modelo as rádios " talk and News", conversa e notícias, como a Gaúcha, por exemplo no "gaúcha hoje".
Pois é.
Hoje acordo às 5 horas e o que seu Macedão faz é uma churrio de  notícias de acidentes, de execuções, num frenesi neurótico. Pior, se repetindo a cada 15 minutos.
Uma correria.. bom dia , bom dia , bom dia a cada intervenção.
Que saudade das conversas campeiras matutinas das rádios de Santiago. Alguns tropeços no idioma, que mal têm? São os comunicadores conversando, coração a coração, com  seu povo.
Retiro todas minhas críticas. Cada cidade tem que prestigiar SEUS  veículos de comunicação.

terça-feira, 11 de abril de 2017

AS CHINELAGENS DA GLOBO. E AS OBSERVAÇÕS PERTINENTES DE UMA JUIZA E DE UM JOVEM JORNALISTA DE SANTIAGO RS


POR JOÃO LEMES - DO JORNAL EXPRESSO ILUSTRADO E DO SITE NOVA PAUTA

Baixaria na TV:

Culpa da Globo ou do governo?

 Roberta Araújo é juíza federal do Trabalho e publicou questionamento sobre as contradições da Globo por afastar o ator José Mayer por assédio, e o apresentador Otaviano Costa por “rir de atitude machista no BBB”.

“Queridas, antes de divulgar e exultar com a postura da Globo em ‘punir’ José Mayer por assédio ou afastar Otaviano Costa por rir de atitude machista, lembrem-se de que foi a Globo que universalizou entre nós a cobiça por Anita, apresentada como uma ‘ninfeta’ ousada que seduzia um homem casado e com idade de ser seu pai.”

 

Ela lembrou de outras várias novelas em que filha pega marido da mãe, e que várias mulheres ficam com o mesmo homem sem se incomodar, entre outras barbaridades imorais. Eu, e acredito que nem a juíza, apoiam a atitude de José Mayer muito menos a do apresentador. Entretanto, é bom ver o restante:

 

Seguiu a juíza: “A emissora ‘repudia qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito’, mas nos considera alienadas para outros casos. A Globo coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade”.

 

Agora digo eu: só pra lembrar: a Constituição diz que as rádios e TVs são concessões e, como tal, devem publicar notícias, cultura e entretenimento e vez de publicar sacanagem no horário nobre. Falo das moçoilas num esfrega-esfrega que dá medo na novela das 6 ou das 7. Também não pode cobrar dos evangélicos e dar espaço de graça aos católicos entre outras façanhas.

E aí, alguém tem coragem de cassar alguma concessão? Então a culpa é do governo, mais uma vez.

domingo, 9 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS - LEMBRANÇAS


Meu pai tinha casa de comércio em S. Cruz. Meu avô Rudolf também, mas na localidade de Boa Vista. Aos domingos meu avô pegava seu flamante carro e vinha com a avó para a cidade assistir a missa das 6 da manhã.
Domingo de Ramos de 1953. Estava amanhecendo. Fomos acordados por batidas fortes na porta.  Voz de homem, em seguida choro da minha mãe, acordando meu pai.
Meus avós tinham sofrido um acidente na descida daquela serrinha que dá para a cidade. Estavam mortos .
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Domingo de ramos.
Pueri Hebraeorum, portantes ramos olivarum, obviaverunt Domino, clamantes et dicentes: «Hosanna in excelsis.»
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Mais: um domingo que precedia tanta cerimônia da Semana Santa.
Tempos em que a Semana Santa era para orar e meditar.
Não para  pantagruélicas refeições.
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Tempo em que se apressavam os preparativos dos ovinhos caseiros de Páscoa . Quase todos os pais, em Santa Cruz e nas demais colônias alemãs, faziam os ovinhos e os respectivos cestinhos em casa mesmo.
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Vou repetir o lugar comum: éramos felizes, mas não sabíamos avaliar o quanto.

sábado, 8 de abril de 2017

PARA AS CRINÇAS DA SÍRIA - ARTIGO DE EMANUEL M. VIEIRA


POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

(OUVINDO – E ESCUTANDO SEMPRE –“HALLELUJAH”, DE LEONARDO COHEN)

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

PARA AS CRIANÇAS DA SÍRIA

NENHUM HOMEM É UMA ILHA ISOLADA (...)

E POR ISSO NÃO PERGUNTES POR QUEM OS

SINOS DOBRAM: ELES DOBRAM POR TI

 (JOHN DONNE (1572–1631).

É a lógica da guerra, é a essência do poder: é justo matar os inimigos. É injusto matar os nossos.

É claro: não há mais tempo para ingenuidades. A estrutura que domina o mundo é poder, dinheiro, tráfico de armas etc.

E com a ascensão de grupos fundamentalistas, da extrema-direita, do terrorismo em todo mundo, essa perversa lógica mercadológica vai prevalecer.

Como continuar? Escuto novamente “Aleluia”, e mais Mozart e Bach.

Apenas palavras. Eu se: somente palavras. Mas é o que me resta.

A barbárie e a crueldade extrema que são o uso de armas químicas não são fatos novos na história do mundo.

Eu sei, é a institucionalização da barbárie.

A ONU é um fantoche dos interesses imperialistas – de que lado for.

Na Guerra da Síria – seis anos de existência, quase 500 mil mortos, milhões de refugiados – não há santos.

Bashar  El-Assad  mata seu próprio povo com armas químicas. E os rebeldes também a usam. Santos? Que santos?

Uma pausa – havia dito que o uso de tais armas não é novo na História.

Historiadores relatam que há mais de dois mil anos, os gregos (pais da democracia moderna...) lançavam flechas envenenadas sobre os inimigos.

Em larga escola foram usadas na Primeira Guerra Mundial, quando o mundo “tomou conhecimento dos efeitos devastadores do gás mostarda”.

Mais de 100 mil pessoas morreram – segundo estatísticas – vítimas de armas químicas no conflito.

Na Segunda Guerra, nos nazistas usaram o “zyklon B” e o gás cianídrico

O governo americano subestima a nossa inteligência E O PODER DA MEMÓRIA.

Talvez as novas gerações não saibam.

O que os americanos fizeram no Vietnã foi de uma perversidade sem adjetivos, de uma crueldade que espanta mesmo as consciências mais conservadoras. Usaram à vontade napalm, destruindo aldeias, matando civis inocentes e destruindo o que podiam.

Algo horrendo para a consciência civilizada e democrática.

(E perderam a guerra. Autodeterminação dos povos não é um conceito vazio.)

Por quem os sinos dobram?

Dobram pelos refugiados – que a extrema-direita mundial coloca como o primeiro inimigo.

Só falta os fascistas proclamarem: “mate os seus vizinhos”.

Por quem os sinos dobram? Dobram por todas as crianças do mundo, abandonadas, órfãs, perdidas nos oceanos, ignoradas pelo mundo.

Os sinos dobram pelos humanistas.

O uso de armas químicas é proibido pela Convenção de Genebra desde 1925. Mas qual nação liga para convenções?

Na guerra mais longa do Século XXl, são muitos os interesses geopolíticos em jogo:

envolve os interesses da Rússia, aliada da Síria desde a existência da  União Soviética. Mexe com interesses do Irã, da Turquia, do Estado Islâmico, de grupos como  Hezbollah (“O Partido de Deus”), e também de Israel, do Reino Unido ( que nas Guerras do Golfo, com o “cachorrinho” dos americanos chamado Tony Blair  aderiu às invasões do Iraque), da China e outros países e grupos. Sem falar no grande Império: Estados Unidos.

Invasão feita, mesmo que nunca se comprovasse que Saddam Hussein, no Iraque, tivesse armas químicas ou fosse aliado da Al Qaeda.

ALGUÉM DISSE DEPOIS DA FAMÍLIA BUSH, COM ALIADOS, TER INVADIDO O IRAQUE: “ELES ABIRAM AS PORTAS DO INFERNO”.

Nunca mais foram fechadas. E os demônios estão todos à solta.

No Afeganistão, Iraque, Líbano, em todo o Oriente Médio e em outras nações.

O grande escritor Ernest Hem Hemingway (1899-1961), no seu belíssimo e denso romance “Por quem os Sinos Dobram”, usou os veros de John Donne  como título de sua obra.

OS SINOS DOBRAM POR TODOS NÓS!

(Salvador, abril de 2017) 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

EM BREVE DESAPARECERÃO OS CLUBES DE DIREÇÕES AMADORAS

Isso já aconteceu nos tais clubes sociais. Bailes de debutantes,  tríduos momescos ( hahaha), bailes de réveillon, nada disso sobreviveu, salvo em algumas ilhas ignotas. Tudo mudou: a erotização precoce das meninas matou o baile de debutantes; o sexo livre matou os bailes em geral; os motéis mataram as conversas intermináveis no portão.
O futebol é , no Brasil, o mais amador dos empreendimentos no que tange à maioria dos clubes. Quem ganha dinheiro são os empresários, os atravessadores e alguns técnicos. A maioria dos jogadores, como as meninas das vilas que sonham em ser modeletes, mas não têm quem lhes pague  o dentista, vivem  ou sobrevivem  inebriados pelo sonho de uma aparição milagrosa num clube grande.
E a fogueira de vaidades vai  consumindo os clubes como uma super nova, com seu buraco negro.
No futuro as pessoas  irão aos estádios, se os assaltantes deixarem, caso do Brasil, para ver jogadores de talento. Vão ver um espetáculo: ora torcerão em favor de um, ora de outro.É como no tênis: eu olho todos os jogos da ATP, mas torço pelo que joga melhor.
Não mais haverá torcedores cativos  de clubes de futebol. O Barcelona está puxando a ponta.
Podem me cobrar dentro de 50  ou 60 anos. Cobrem de mim , não do meu espólio.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O FIASCO DO MEU INTER NO TAPETÃO

Futebol é um jogo. É entretenimento.  Como a maioria dos jovens têm que estudar ou trabalhar em coisas ortodoxas, vão para o futebol alguns inteligentes, mas a maioria deixando a desejar quanto ao funcionamento dos neurônios. O que é impossível de acontecer no tênis, no golf, na natação, no vôlei.
Nesse jogo chamado foot ball há regras. Poucas, mas que bastam.
As coisas têm que se desenrolar  no campo: quanto menos o árbitro  se meter, melhor.
Como eu sempre digo:  num condomínio de gente correta, nem haveria necessidade de  convenção. Num de bagaceiras, nem a polícia de choque resolve.
No caso do meu Inter, ele foi o pior time de todo o Brasileirão.  Passes para os lados, chutões, atrasa para o goleiro, todo mundo encagaçado.
Teria o Vitória tido um jogador irregular. Grande coisa. Porque não reclamaram na hora?
Me repugna a judicialização de tudo, quanto mais de um mero entretenimento em que a torcida mais sofre do que é feliz, enquanto que técnicos e jogadores hoje estão no time A e amanhã, sem o menor pudor, estão no B.
Seria  como meu escritório aceitar a causa de A e depois renunciar ao mandato e meter bala a favor do B. Mas a cultura do futebol é isso: dissimulação, jeitinho, esperteza.
Perder é do jogo. O Grêmio, nas vezes em que caiu, não choramingou.
Espero que a nova direção derrube o Rei nesse tabuleiro de xadrez e reconheça que o caminho escolhido foi temerário.
E vá jogar contra o Íbis, na boa.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

QUE COISA LINDA A RELAÇÃO DE CERTOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS COM SEUS ALUNOS

Bem, como vocês sabem, os clubes sociais estão mermando e desaparecendo. As outrora fortíssimas sociedades, onde havia bailes, piscinas, bocha, campos de futebol, foram dando lugar a  locais  criados pela iniciativa privada.
Eu já tinha observado isso quando estagiei na Alemanha, fim dos anos 80. Querias dar uma nadada em piscina? era só pagar e entrar.
Na UFRGS onde me graduei, pouco sabíamos da vida privada  dos professores. Eram deuses quase inatingíveis.
Olhem só.
Meu filho Rudolf nasceu quando eu já estava quase nos 50 anos. Acima do peso e tinha largado o futebol. Quando ele começou a crescer e querer jogar,  me puxei, emagreci, fiz musculação e me tornei um cara bem preparado. Até uma quadra de futebol sete instalei na fazenda.
Rudolf se tornou adulto, está com 21 anos  e eu há uns três anos não mais tinha jogado com ele, ficando só no tênis. Mas no seu niver , conforme relatei numa post, joguei com a turma dele, corri 50 minutos e fiz dois gols.
Domingo agora ele insistiu em que, 10,30 da manhã, jogasse com uma turma da PUC que aluga uma quadra de grama sintética, coberta, de futebol sete.
Aí fiquei sabendo que P. Alegre está cheia de quadras esportivas cobertas, com estacionamento, churrasqueiras, barzinhos que fornecem, além de lanches e bebidas, carvão etc,  tudo telado , com fardamentos, bolas. Você só entra com o corpo.
Minha agradável surpresa é que o grupo de gurizada é liderado por um professor universitário de 38 anos. Eles têm um sistema de adesão para os jogos,   ausências penalizadas com multa, regras de fair play.
Incrível.
Tive a honra de jogar  25  minutos e depois saí.
Fiquei observando como a gurizada estima seus professores.
Na oportunidade quero parabenizar os jovens professores  Eric Coltri Skrotzky e Daniel Ustarroz, atletas e educadores  na acepção da palavra.