quinta-feira, 9 de abril de 2020

MAIS DIÁLOGO SENHORES


A vida me ensinou algumas coisas. Uma delas reza que é melhor conciliar do que, estando em vantagem, mesmo assim teimar e prolongar a discussão. Também muito observei na vida que quanto menor a educação de berço de uma pessoa guindada a alto posto, maior é o uso bruto de sua “otoridade”. 
Existem nos tempos atuais pessoas cujo conhecimento se cinge ao seu mundo particular e profissional ou ocupacional. Está cada vez mais rarefeito o conhecimento enciclopédico ou como dizem os alemães, uma “Weltanschauung”, uma visão do mundo. 
Ocorreu, então, o vírus. Não sou imprudente a ponto de dizer o que é melhor ou pior. Mas me incomoda muito a possibilidade de milhares de pequenos, médios e grandes empreendedores quebrarem. Até li, numa publicação de negócios, que poucos conseguirão sobreviver a uma paralisação de dois ou três meses. Os pequenos, então, já estão sem caixa.
Me indigna a atitude de alguns gestores da coisa pública de todas as esferas. A maioria se arvora em régulos das suas sesmarias, não querendo nem saber se vai acontecer um colapso ou não. Me infelicita a falta de diálogo, de concertação.  Também aprendi na vida que sempre se encontra, com  diálogo e boa fé, um caminho menos nefasto e dolorido.
Penso, também, que alguns governadores nitidamente se arvoram como os salvadores da pátria, alguns pisoteando regras republicanas, não querendo nem saber das consequências. 
Na órbita federal, dê-lhe  pseudo bondades e bateção de cabeças. 
Nosso presidente está desconectado da maioria dos mandatários estaduais, inclusive dos presidentes dos legislativos. Pena que ele insista em ignorar Senado e Câmara. Concordo que nem tudo são flores nessas instituições, mas é o que temos por enquanto. Para complicar mais,  é nítido que entre integrantes do seu  ministério há uma cizânia de dar medo. A novidade  foi uma derrota tática do Presidente, ao ser “ convencido” a não demitir Mandetta. Agora se expôs o que  muitos previam : um núcleo duro resolveu intervir. 
O primeiro mandatário a meu ver cometeu erros evitáveis, como o de  desautorizar pessoas leais ou as demitir imotivadamente. Falta-lhe meditar antes de se expressar. Vislumbro com pesar que  muitos amigos, que votaram no Bolsonaro, fizeram anônima campanha por ele, brigaram até com parentes, já estão desencantados (para dizer o menos).
Vamos nos cuidar e rezar para que as coisas se ajeitem e que não ocorram convulsões sociais.O perigo é grande.Sem emprego e sem comida é zebra na certa.
Hoje é quinta feira Santa, dia bom para meditar. Feliz e abençoada Páscoa!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

TUDO ZERADO


Pois é. O sonho de muitos “teen agers” era o aeroporto. Lavar pratos na Irlanda, voar fagueiro para o Canadá, surfar em maravilhosas praias  estrangeiras, tudo sob o especial patrocínio dos papais, que achavam muito linda essa imersão esportiva, amorosa,cultural.
Aprender o inglês, inobstante se juntarem aos brasileiros, quase só com eles compartilhando experiências.Eu dava risada quando um filho ou neto de algum amigo voltava mal balbuciando alguma coisa em inglês.
Depois havia o dourado sonho de se mudar para a Flórida ou Califórnia para viver a vida de rico, arranhando um espanhol nasalizado.
De nossas paradisíacas praias os mais endinheirados não queriam nem saber.Praias brasileiras eram só para remediados ou, no máximo, emergentes. Iam para as praias cheias de seixos e pedras de Nice, mas jamais para as de nosso Nordeste.
Por sua vez suarentos e obesos europeus, vermelhos como um camarão, muito mais que o sr. Trump, mas com o mesmo cabelo tingido, aportavam no Rio de Janeiro, Salvador e outros locais menos votados para aquele turismo sexual básico.
Ah! Quero me mudar para Portugal, onde não há a bandidagem brasileira. Quero  morar em Paris e viver aquela aura poética, mesmo morando num quartinho e comendo nas “ delicatessen”. 
Tudo isso terminou, ou foi ao menos suspenso pelo inconveniente Corona. Pronto. Tudo fechado, aviões no chão, gente empilhada nos aeroportos, ansiosos desesperados, para voltar ao seu “ home sweet home”.As companhias aéreas simplesmente deixaram milhares de passageiros chupando o dedo. Dólares e euros não valiam mais nada. Não havia comida, tudo fechado. Não havia hospedagem. A solução era deitar sobre a mala e verter lágrimas e mais lágrimas.
Eu me escapei, graças a meus santos prediletos, de encalhar em Cabo Verde, na Ilha do Sal. Havia um avião que saía de Porto Alegre direto ao arquipélago. Estava quase comprando a passagem para gozar das maravilhas que os folhetos traziam, bem como o Google, mas algo me alertou. Tinha que ter o atestado de vacina da febre amarela. Eu e minha mulher tínhamos extraviado nossos certificados. Lendo melhor as exigências e havia várias, cada uma com mais tantos dólares, achei que iria me incomodar com tantas minúcias, até visto tinha que ter. Desisti. Uma semana depois deu essa zebra toda no mundo e os voos para lá foram cancelados.
Viram só como é bom ter um “ Schutzengel” ( Anjo da Guarda) ? Está tudo zerado no mundo.Cairam os sonhos de aeroporto.
 Como diz Gilberto Gil:" e agora, o melhor lugar do mundo é aqui, e agooraaa!".

quinta-feira, 5 de março de 2020

UMA CARTA VINDA DE SANTA ROSA - RS


Somando ao leitor Ivanhoé, e lendo seu post sobre o escasseamento das escritas por
"pouco mais ter a escrever ", acredito, claro, na sua possibilidade, que, abandonando o
imediatismo de comentar as 'atualidades', seria, nesse momento estival de pensamentos
desnutridos de rancores e outras intenções, um mote para releituras de momentos passados...

Essa "familiaridade", apesar das distâncias geográficas, é uma das 'cosas' buenas que
a informática nos propiciou, o que virtualmente dá direito de leitor a "cobranças", nesse
caso, de total apoio por este que vos escreve :):):)

Vendo um filme juvenil, de título "Todo Dia", a protagonista (Angourie Rice), ante a
despedida inevitável de sua alma gêmea, pede: "Deixe marcas"...

O jornalista Marconi, em entrevista ao Sr. Júlio Ribeiro, na "Rádio Press", disse que não
se lembrava da voz de seu Pai, instante em que é apresentado a um registro de arquivo de
gravação/entrevista...

Pesquiso um Zeca Blau, não temos mais que a foto de um 'roupeiro' no Blog de Rafael Nemitz,
em anúncio de venda anos atrás.

Em compensação, por exemplo, primordial o resgate que o Prévidi fez nas obras Personagens
do Centro
, e também o que o próprio editor da Revista Press vem fazendo no Valvulados.

Em algum de seus livros, Irvin D. Yalom, ao tratar de morte e eternidade, tece um raciocínio de
que a morte realmente acontece quando ninguém se lembrar mais do de cujus... (Testo isso às
vezes visitando algum campo santo, quando não há lápide, não se sabe mais quem era, quando
pereceu...). Ele segue, propalando que a eternidade dura enquanto durar a lembrança dos
terceiros em relação à pessoa desaparecida fisicamente.

Claro que cultuar ídolos pode nos levar a alguma frustração.

Apesar de os tempos atuais produzirem uma sensação de desimportância à memória,
tenho que ela é o único bem que ultrapassa gerações, nos permitindo voltar a lugares e
épocas não frequentados, pois "suas paredes não desmoronam".

É compreensível a demanda de seu "leitorado" cativo, e, nessas linhas carregadas de vírgulas,
registro minha estima e votos que o Sr. nos propicie mais sabedoria e Memórias!

Saudações,

Rafael Saratt Pereverzieff
Santa Rosa/RS

quarta-feira, 4 de março de 2020

A RAREFAÇÃO DE MINHAS POSTAGENS

A vida tem ciclos. 
A pessoa esforça-se por haurir conhecimentos, depois trabalha duro para viver relativamente bem. Em certa época apaixona-se múltiplas vezes. Tem filhos, tem netos.
Chega uma fase em que você tem que dar graças a Deus por ter saúde, filhos encaminhados, família normal. 
É uma fase de alimentação sem excessos, exercícios físicos moderados, jogar tênis sem pressa.
Viagens? 
Só se for com muito conforto e para lugares que ainda não conheci. Mas o tempo me ensinou que os melhores lugares , ao menos para mim, são minhas duas casas. Nada substitui minhas duas camas.
Então à saúde de que vou ficar horas e horas em stress nos aeroportos?
Já escrevi muito e muito e vejo que pouco muda. As coisas rodam e rodam e voltam ao mesmo lugar.
Não me preocupo mais com o Bolsonaro, com o Lula, com as reformas.
Me interesso com a serenidade do meu dia a dia.
Conformado com a certeza de que cumpri minhas missões dentro do mundo jurídico , social e familiar.
Adoro Porto Alegre aos sábados e domingos. Gosto da praia fora de estação. Amo o Rio de Janeiro  no outono. Gosto de Santiago, Unistalda, Santa Cruz, Rivera, onde caminho incógnito e despercebido  .
Meus escritos ficam, mais e mais, rarefeitos por pouco mais ter a escrever.
Simples assim.

segunda-feira, 2 de março de 2020

CARTA DE UM QUERIDO AMIGO

Nós, seus leitores ( na minha casa tem 4) estamos sentindo sobremaneira sua ausência nos posts em seu Blog. (09 de fevereiro de 2020  o último) . Comungamos é claro, da sua tristeza pela última postagem noticiando o desaparecimento prematuro do jovenzinho gaúcho, seu mais que amigo, um filho por adoção. Sentimos aqui, de muito longe essa tristezada, pois não deve ter dor mais profunda que a perda de um filho. Nada, se compara a isso, com certeza. Mas, querido amigo, a vida continua. Sigamos em frente e atenda nosso humilde pedido no sentido de voltar a postar. Quero crer que sempre o fizestes com o maior carinho . Então, não se prive desse prazer. Aqui estamos esperando seu retorno. O bom filho, a casa retorna.
Grande abraço, Ivan, Cris, Ivanhoé Jr. e Felipe. 
Recomendações a espôsa e filho.
São Paulo-Brasil

domingo, 9 de fevereiro de 2020

FOI PARA O CÉU MEU PEÃOZINHO ERICK


Luiz César e dona Marilza foram trabalhar na nossa fazenda em Unistalda muitos anos atrás. Vieram com eles dois filhos pequenos: Luciano e William. O tempo foi passando, os guris crescendo. Eis que um dia o casal apareceu na nossa casa, na estância. Disseram que dona Marilza estava grávida. Se a gente não se importava. Claro que não! respondemos. O piá de nome Erick logo se revelou, desde tenra idade, um cavaleiro nato. Foi se criando na nossa fazenda e demonstrava um amor incrível pelas pequenas lidas com seu pai. Assim fomos vivendo em harmonia, como uma família só. Circunstâncias de negócios obrigaram a Pecuária Gessinger a celebrar parceria  sem ter gestão direta na fazenda. Sempre incentivamos os guris ao estudo. Erick, o mais novo, era guapo e muito inteligente. Tinha o dom da inteligência emocional.
Deus o chamou para si na triste data de hoje. 
Estamos todos da família de luto. Repito, éramos uma família. ( Érick está na foto entre mim e seu pai, quando era pequeno)
Nossas condolências aos pais, irmãos e familiares.
Maristela, Ruy e Rudolf Gessinger

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

CRIANCICES DE ADULTOS


Não quero que ninguém se ofenda. Apenas não entendo e , antes de consultar o melhor psiquiatra do mundo, queria uma explicação de meus amigos. Peço , antecipadamente, desculpas por parecer  tão casmurro.Mas é o que penso.
Velório. Risadas, piadas. Acho de menor elegância. Além disso não é melhor só abraçar os que sofrem o luto, sem dizer nada? Porque tirar o microfone das mãos do Criador e discursar , entre convulsões, piorando a dor dos já chorosos com " Deus sabe o que faz".
Como assim? Quem somos nós para imputar ao Criador a morte da pessoa?
Por que a afeição tem que ser verbalizada? Sinceros são os gestos, como fazem nossos parceiros da vida aqui no planeta e que são  os animais, que já pararam, antes de nós, de falar e falar.
E que dizer dos fogos, que são a criancice dos adultos. Qual é a graça dessas luzes efêmeras, que não servem para nada? Ahh mas tem os coloridos! Ah é isso?Então os fogos são melhores do que a lua, o sol, as estrelas? E qual é o resultado que os fogos deixaram depois de 30 segundos? Qual seu legado? O que sobrou? Não entendo por que o mundo inteiro gosta de queimar pólvora, assustar pássaros e animais? Não seria melhor abraços e cantares? Sim!Cantar, cantar, cantar! Disso pouca gente se lembra.
E que tal uma tertúlia? Tragam adultos e crianças para tocar. Desliguem a música eletrônica, por favor.
Alguém se lembra de que há prioridades nesse nosso país tão rico, mas tão pobre? Deixemos os países ditos ricos e deslumbrados, mas que não geram alimentos, fazerem suas criancices. Nós não temos nenhum direito de gastar dinheiro em infantilidades .Os fogos, sejam quais forem, são uma agressão  à natureza e agridem os indefesos animais e demais integrantes da nossa nave azul.
Sou testemunha de cães fugirem desesperados. Já vi ninhos de pássaros caídos depois desses espetáculos que, repito, considero infantiloides. E vou mais longe: são visivelmente ímprobrobos os agentes públicos que gastam nosso dinheiro a título dessas atividades sem fundamento.
Amigos leitores: há uma riqueza acumulada que permita essas coisas com nosso dinheiro? E os hospitais? Todo mundo atendido? E as escolas? Sobrando dinheiro para os professores? Sobrando dinheiro para estradas? E a cultura verdadeira? E o ensino gratuito das artes ?
 Gente, é questão de prioridade.
Vamos sempre lembrar: mesmo com teu próprio dinheiro, não te assiste o direito de ferires a natureza. 
A mãe Natureza está nas últimas. Quem sabe leva teus filhos num lugar escuro e lhes mostras a beleza do céu com suas constelações? É grátis.E não polui.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

SUCESSÃO FAMILIAR


Filhos é assunto complicado, mesmo quando tudo vai muito bem. Como sempre digo, o maior problema é o dos pais não saberem dizer não. Minha sogra Nelcy, mãe da minha mulher Maristela, sentenciou certa feita, no seu linguajar campeiro: filho e filha nascem tudo “nefastos”. A tendência é serem indóceis. Se deixar solto, lá vai o boi ou a vaca com a corda campo afora. Depois, para corrigir ,é muito difícil. 
A minha turma está bem encaminhada, mas como não são filhos da mesma mãe, sempre há alguns ruídos. Pequenos ciúmes,  queixumes. Eu raciocinei assim: vou criar todos do mesmo jeito. Não vou soltar dinheiro, nada de dar tudo na mão, ou “ deixa que eu faço”. Também deliberei não espalhar, antes de minha cremação, todos os pilas que amealhei  a duras penas. Só me faltava   não ter uma velhice tranquila por já não ter reservas para seguir vivendo com independência.Por sinal sei de dolorosos casos de idosos que nem administram mais seu cartão de crédito. Nem têm acesso ao que é de seu direito.
Portanto é importante, se você  conseguiu galgar uma posição financeira interessante, que organize a sucessão familiar.Também creio que  tem que ser tudo conversado em vida. Como fica a futura partição dos bens? É ou não é que sempre há uma filha ou um filho que tem mais pendores para os negócios?Claro que se ama e se quer bem a todos.  Mas a verdade é que é preciso que se enfrente a situação sem muita demora. 
Vou dar um exemplo: uma  fazenda. Se ela tiver que ser dividida, vai dar zebra. Ela tem que ficar nas mãos de um descendente, que desde criança, junto com sua mãe , ajudou a construir a estância no que ela é   hoje. Não faz sentido picotá-la, pois não haveria mais escala para a produção.   Assim os  demais terão  seus quinhões em imóveis e outros bens, para que não se destroce um projeto que anda bem. 
É constrangedor, mas a sucessão familiar não pode redundar em brigas. Às vezes será importante uma Holding bem conduzida. Esses acertos da situação incumbem enquanto se está lúcido e ativo. Com muita conversa, bom humor, carinho, respeito, sempre é factível solução harmônica. 
Dir-se-á que em família equilibrada e feliz, essas coisas são despiciendas. O problema, bem ou mal, são os que, por casamento ou união estável, possam interferir, o que seria de seu direito. 
Um dos meus parceiros e amigo de anos , sentenciou: “os ensinamentos milenares da Bíblia dão a solução”. Ao que repliquei:  não é bem assim. No Brasil a judicialização de tudo é o fator maior para que  haja insegurança jurídica.