quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ENQUANTO CONTINUAR A PILHAGEM, NA MINHA CASA SÓ A BANDEIRA DO RGS




A verdade insofismável é que a União é predatória com muitos Estados, como o RGS, que colocam pão, carne, leite e comida na mesa do povo. A União deixa nossas rodovias ao léu , nos abandona quanto à logística, e a festa com o nosso suor  segue em Brasília.
De  minha parte, na minha casa, enquanto perdurar essa situação, fica só a  sagrada bandeira do meu Estado. A outra que, na verdade é respeitável, mas que hoje está tomada  no Poder, por muitos bandidos, fica no armário ao menos até novas eleições.

MEU DESFILE INESQUECÍVEL EM UNISTALDA
























O sucedido deu-se uns  anos atrás.
Eu " arrecém" estava engatinhando na Pecuária, nem havia chegado aos primeiros mil hectares. Mas, todo lampeiro e pimpão, comprei pilchas ( que nunca soube harmonizar), coloquei uma de minhas éguas num caminhão e fui com meu capataz participar do desfile de 20 de setembro na cidade de Unistalda.
Era um fervo de homens, velhos, crianças, mulheres, gurias, piás, tudo montado a cavalo.
Juro pelo meu deus Wotan que só um que outro doente , as pessoas de mais de cem anos e as crianças de colo  não estavam de a cavalo.
E eu  todo prosa em cima da égua.
Até que se achegou me vizinho Elizeu de Jesus e me disse:
- doutor, apeie e vá até o palanque que o prefeito dr. Ribeiro está " le" chamando.
Pois é, todo o município desfilou e a assistência acabou se resumindo ao prefeito, os vereadores  e eu sobre o palanque. 
Por essa e por outras é que os comunicadores que nunca tiraram a bunda de P. Alegre deveriam visitar a campanha para não amaldiçoarem a gauchada.
O desfile é uma verdadeira religião.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A PROPÓSITO DA SEMANA FARROUPILHA


P   O  R  O  N  G  O
( por Euclides Ventura de Mello)

 

PORONGO VELHO SOVADO

NAS RODAS DE CHIMARRÃO

QUANTO ME TENS CONSOLADO

NAS HORAS DE SOLIDÃO

 

              NO RECÔNCAVO DA MÃO

              TE ANINHAS E TEU CALOR

               ME LEMBRA UM SEIO FUJÃO

               QUE NÃO ME QUIZ DAR AMOR

 

SORO VERDE AMARGO E QUENTE

QUE RETEMPERA E ENTRETÉM

ÉS O PARCEIRO SILENTE

NA ESPERA POR QUEM NÃO VEM

 

                   ÀS VEZES ME APLASTO TANTO

                   NO REENCILHAR DO PASSADO

                   QUE ME CAI NA CUIA O PRANTO

                   DEIXANDO O MATE LAVADO

 

BEM POR ISSO, DESPACITO

MEUS DIAS EU VOU GASTANDO

E SÓ MATEIO SOLITO

PRÁ NINGUÉM ME VER CHORANDO

 
                 (Euclides Ventura de Mello)-

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS - POR STAVROS FRANGOULIDIS

Essa teoria foi criada nos Estados Unidos nos anos 1980 e trata dos pequenos delitos que se transformam em grandes delitos e desordem social.

Em um dos experimentos, deixou-se dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e cor, abandonados na rua. Um em bairro violento (Bronx/Nova Iorque) e o outro em um bairro tranquilo (Palo Alto/California).

Dois carros idênticos abandonados e dois bairros com populações muito diferentes.

Resultado: o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. As rodas foram roubadas, depois o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram.

Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.

Isso era esperado.

Agora a surpresa.

Quando o carro abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto.

Resultado: logo a seguir foi desencadeado o mesmo processo ocorrido no Bronx. Roubo, violência e vandalismo reduziram o veículo à mesma situação daquele deixado no bairro pobre.

Por que o vidro quebrado no carro abandonado num bairro supostamente seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso?

Evidentemente, não foi devido à pobreza. Trata-se de algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro quebrado transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação.

Faz quebrar os códigos de convivência, faz supor que a lei encontra-se ausente, que naquele lugar não existem normas ou regras.

Um vidro quebrado induz ao "vale-tudo". Cada novo ataque depredador reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores torna-se incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Baseada nessa experiência e em outras análogas, foi desenvolvida a "Teoria das Janelas Quebradas".

Sua conclusão é que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.

Se por alguma razão racha o vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais.

A mesma coisa se atribui à conduta moral. A nossa própria conduta.

Se você se permite pequenas transgressões e perde o respeito por si mesmo a tendência é de deterioração das suas forças.

Por isso é necessária uma conduta, um código pessoal que nos proteja de avarias e que tenha pouca tolerância com os agressores.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

OS PÁSSAROS DE XANGRI LA


Deixo assuntos polêmicos de lado, mesmo porque acabo de levar uma puteada do des. Nelson Oscar de Souza, que mora na terra do  Irma, cuja atuação foi alvo de movimentadas transmissões da CNN, que achei meio espetaculosas ( na Unistalda tem tormentas muito maiores ), mas enfim o meu querido amigo me ameaçou de colocar sal e pimenta na minha boca rota,por causa do meu linguajar na post  da sacanagem dos ,9999.
Quem sou eu para contrariar meu Juiz Corregedor dos idos de 80, no século passado?
Tá. Vamos lá.
É segunda feira e decidi voltar a Porto dos Casais só amanhã. Aproveitei para , na quietude, arrumar algumas coisas na casa.
Ocorre que há uma infinidade de pássaros aqui na praia. Desde as " curruíras" que me alertam sobre cobras, passando pelos quero queros que me avisam sobre  estranhos, até biguás e os joão de barro.
Perguntam-me os vizinhos. Porque aqui não tem sabiás? respondo: perguntem pro Prévidi que os adora, por isso que mora na Cidade Baixa.
Voltando. Pergunta-me o cara do Split:
- seu Ruy, tem uns passarinhos fazendo ninho de barro bem onde o sr.mandou  colocar o Split. Meto o lava jato neles?
- Luvirdsson, esquece o Split. Quem faz isso vai para o inferno!
- e o Split, seu Ruy.
- volta depois que os filhotes baterem asas. Tá louco ?
- guardo onde?
- Luvirdson, não sei. Guarda lá no Bali Hai ou no Galeto do Régis

MEU AMIGO MARSHALL, INTELECTUAL DOS BONS, NÃO DEIXA PEDRA SOBRE PEDRA.


Francisco Marshall é historiador e arqueólogo. Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo - USP, fez estágio pós-doutoral na Princeton University (EUA) e na Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg (Alemanha). Leciona na UFRGS. É fundador e curador cultural do StudioClio - Instituto de Arte & Humanismo, em Porto Alegre. Publicou Édipo Tirano, a tragédia do saber (EdUFRGS e EdUnB, 2000), que venceu o Prêmio Açorianos 2001.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – É notória a crise econômica pela qual passa o Rio Grande do Sul. Para além dela, que outras crises o estado vive e por quê?
Francisco Marshall – Sete pontos:
1) Narcísica, ao modo lacaniano: pensa ser o que não é, é o que não pensa ser.
2) Política: degradação da democracia, vazio de articulação entre sociedade, partidos e lideranças, ausência de debate de alto nível para planejamento e determinação de metas, derrota da alta burocracia de Estado e do pensamento acadêmico pela insensatez de governantes despreparados.
3) Econômica e fiscal: com desindustrialização e sem projeto de desenvolvimento, incapaz de agregar valor à produção primária, incapaz de combinar pesquisa em C&T com desenvolvimento social e econômico, capacho derrotado na guerra fiscal (com a União e com os demais estados), o Rio Grande do Sul cresce como rabo de cavalo.
4) Social: persistência e mesmo expansão das favelas em cidades médias e grandes, ausência de recursos e projetos públicos para os fundamentos da cidadania (ciência, cultura, educação, espaços públicos, saúde e segurança), desmotivação da juventude.
5) Educacional: escolas públicas e professorado historicamente depreciados.
6) Moral: safados atacam princípios virtuosos movidos por fundamentalismo ideológico e ganância, com aplauso de imprensa lacaia.
7) Histórica: começou faz tempo, não dá sinais de que será superada.

IHU On-Line – O senso comum diz que o povo gaúcho é educado, culto e politizado. Onde está o acerto ou o exagero dessa afirmação? Por quê?
Francisco Marshall – Não temos homogeneidade suficiente para constituir um povo; somos uma equação desequilibrada de segmentos sociais discordantes. Há delicadeza e grossura, cultura e ignorância, lucidez e demência políticas, mas creio que predomina a inconsistência cultural, sobretudo nas classes afluentes. O trânsito é bom espelho da grossura hegemônica: não se respeita pedestre, poucos cedem espaço, não há alinhamento dos carros para facilitar o fluxo das motocicletas, autoridades preferem caçar multas fáceis a educar motoristas, há muitos acidentes e mortes, as pessoas abrem a janela do carro e jogam lixo pela janela, combate-se plano cicloviário como se fora ideia de esquerdista; isto é espelho de uma sociedade incivilizada e metáfora do que ocorre no restante da sociedade gaúcha, porto-alegrense em particular. Quanto ao politizado, fica por conta de Getúlio Vargas e Leonel Brizola , bem como das experiências do Orçamento Participativo e seu irmão cultural, o Fórum Social Mundial ; tudo no passado, sucumbido, arquivado. O eleitor gaúcho hoje elege dementes e se aliena com cara de penico. Se não está morta, a cultura política gaúcha hiberna pesadamente.

IHU On-Line – O que há de arcaico e de contemporâneo no estado?
Francisco Marshall – A estrutura produtiva básica é da era colonial (âncora na produção primária sem valor agregado – soja in natura); tal como no Brasil, as lideranças empresariais (agronegócio, comércio, indústria e serviços) não assumem seu potencial burguês e sufocam a transformação social possível pelo trabalho, o que bloqueia o futuro e produz tensão social. Parte desse atraso se reflete em lideranças de péssima qualidade e de ideologias atrasadas e improdutivas. Mais que arcaico (o princípio que pode se modernizar), este lastro é de índole retrógrada. Por incrível que pareça, temos contemporaneidade em alguns aspectos (não muitos): artes de excelente qualidade (especialmente artes visuais, cinema, literatura e música), ciência e cientistas de bom nível em vários campi, festivais culturais muito interessantes (Fronteiras do pensamento, PoA em Cena, Virada sustentável, Noite dos Museus, PoA Jazz Festival, FantasPoa Literária, entre outros), jovens com capacidade de inovação e, sobretudo, um resíduo de gente consciente, capaz de ao menos perceber e denunciar o rumo errado de muitas decisões – resistência iluminista em era de catástrofes.

IHU On-Line – O atual prefeito de Porto Alegre defende a privatização do Mercado Público. O projeto de revitalização do Cais Mauá, preparado em gestões anteriores, prevê a construção de shopping center na orla do Guaíba. O que esses fatos dizem sobre a visão de futuro para a cidade por parte das administrações?
Francisco Marshall – O principal problema de todas as democracias é a demagogia. Os eleitores votam iludidos em candidatos inconsistentes, enganados por imagens manipuladas. Estes candidatos costumam não declarar ou detalhar programa, mas uma vez eleitos aplicam pacotes ideológicos automatizados, como o caso atual do neoliberalismo de sarjeta, hoje epidêmico, que hostiliza a palavra “público” e acalenta diversos compromissos com o que chama de “privado”: os interesses de grandes corporações e mamatas para parceiros empresariais. Ademais, estes gestores (como, e.g., [Nelson] Marchezan Jr. e [José Ivo] Sartori ) simplesmente não sabem governar, não têm capacidade de estudo, diálogo, inovação, planejamento, não conseguem formar equipes de qualidade e liderá-las com inteligência e serenidade, não possuem qualquer virtude acadêmica ou conhecimento contemporâneo, então sua sujeição ideológica e seus erros, próximos da demência, tornam-se ainda mais patéticos e onerosos para a população. Para quem não sabe governar, a ideologia de pacote pronto preconiza, e a mídia lacaia ratifica: privatiza!

Nos dois casos apontados, há uma erosão perversa da esfera pública e um solapamento da inteligência contemporânea e de potenciais virtuosos. Mercado Público: o jovem prefeito tomou como alvo a palavra (público) e antes de diagnosticar qualquer problema e de examinar como solucioná-lo, na condição de gestor, aperta um botão; simplório, ineficiente, possivelmente interesseiro (alguém lucrará, e isso pode bonificar o demagogo profissional, na forma de apoios e verbas). Cais do Porto: trata-se de um projeto horrendo, que quer shopping center em área vocacionada a parque, e baseia-se em modelo de verticalização e economia concentrada, em lugar de horizontalização e economia criativa e cooperativa, recomendadas para revitalizações urbanísticas. Repleto de vícios e mesmo delitos, o projeto é protegido por agentes muito suspeitos na administração municipal (Executivo e Legislativo) e estadual, e conta com certa leniência e morosidade judiciária, aparentemente refém do medo de onerar o poder público com eventual indenização rescisória. Enquanto isso, perdemos o tempo precioso para ali desenvolver um projeto realmente bom, bonito, eficiente e contemporâneo, o qual nem requer recursos vultosos, apenas inteligência, atualidade e espírito público. Logo, enquanto a opinião pública não perceber os riscos de apoiar este tipo de políticos (demagogos inconsistentes e nocivos) e o alto preço de sua alienação social e política, estaremos expostos a muita batalha para evitar catástrofes, que podem ocorrer.

IHU On-Line – Não é curioso que os integrantes do movimento tradicionalista, de maneira geral, valorizem como atributo dos gaúchos traços rústicos, chulos e grosseiros?
Francisco Marshall – Os regionalistas defendem também valores positivos de autenticidade, lealdade e hospitalidade, gostam de poesia (mesmo que de estilo antigo), valorizam a música e o folclore, têm uma certa noção de identidade e enquanto tomam mate ou assam ovelhas estão deixando de fazer outras bobagens; então, não é perda total. Paixão Côrtes foi um folclorista à altura de Câmara Cascudo , e a cultura regionalista, com seus festivais e em seu circuito social, conseguiu gestar artistas valiosos, como Borghettinho , Luiz Carlos Borges , Mário Barbará , sem falar na família Fagundes , cheia de talentos, e outros bons valores. Creio que o maior volume de grossura é mesmo do arrogante urbano, um íncola sem cosmopolitismo, indelicado, conservador e tolo. O médico racista que lidera movimento de opinião contra as cotas sociais, por exemplo, revela uma grossura muito mais grave, aquela de quem tem acesso a recursos culturais e os desdenha em favor de interesses mesquinhos; este tipo é de uma rusticidade chula e grosseira deplorável, muito pior que a de qualquer devoto de galpão-oratório.

IHU On-Line – O senhor é curador de uma instituição inserida na vida cultural do estado. Neste campo, as produções costumam receber apoio de verbas públicas ou patrocínios privados. Qual a situação do Rio Grande do Sul no que tange aos incentivos culturais?
Francisco Marshall – O StudioClio não recebe nem verba pública nem patrocínio privado; é uma experiência visando à sustentação unicamente pela produção e consumo cultural. Como o gaúcho tem pouco hábito de consumo cultural e gosta de comprar em camelô (mesmo os ricos), a situação lá é dificílima. A LIC-RS [Lei de Incentivo à Cultura] passou por revisão recentemente, que a piorou um tanto, pois os recursos autorizados para grandes projetos são insuficientes e os para projetos menores, inexistentes, aquém da capacidade de captação e realização. No Conselho Estadual de Cultura, que emite pareceres da LIC, nota-se uma assombrosa falta de preparo técnico, pelo predomínio de indicações políticas na sua composição. Atualmente (2017), ninguém sabe onde anda ou o que faz a gestão estadual, pois a decadência é vertiginosa, sobretudo dos museus e projetos de desenvolvimento cultural. O fomento via Pronac-mecenato [Programa Nacional de Apoio à Cultura] no MinC [Ministério da Cultura] é igualmente crítico, ainda mais neste momento recessivo, em que as empresas não declaram lucro e não têm, portanto, de onde tirar recursos fiscais habilitados.

Infelizmente a meta de Sérgio Paulo Rouanet não se realizou – o desenvolvimento de uma cultura de mecenato. Atrelaram-se projetos culturais a finalidades de marketing, e nisso predominou a preferência por fenômenos de massa com pouca ou nenhuma densidade cultural em detrimento do poder de inovação dos arte-criadores, do estímulo ao florescimento pela arte e pela cultura e do desenvolvimento das relações entre arte e educação. O regime de editais temáticos e do fortalecimento das instituições realizadoras (institutos, museus, bibliotecas, centros culturais) permite contornarem-se os vícios dos programas de incentivos fiscais, mas ainda predomina a grave escassez de recursos.

No Rio Grande do Sul, ademais, vivemos o escabroso quadro de um ataque do governo estadual (Sartori) a instituições de arte, ciência, cultura e conhecimento técnico aplicado (as fundações ameaçadas de extinção), em um programa demente que atinge bases seguras do desenvolvimento socioeconômico regional; uma insensatez monstruosa. O Brasil e o Rio Grande do Sul seguem à espera de um novo modelo de fomento à cultura, mais eficiente e favorável ao desenvolvimento dos valores necessários a todas as civilizações – arte e cultura.

IHU On-Line – No cenário cultural nacional, prevalecem produções do Rio de Janeiro e de São Paulo. Há também expressões importantes de estados nordestinos, como Pernambuco. Por outro lado, artistas que trabalham no Rio Grande do Sul costumam apontar que suas obras têm pouca aceitação nacional. Isso procede? Deve-se ao quê?
Francisco Marshall – O modernismo brasileiro, patrono de nossas noções e instituições de patrimônio, orientou sua bússola para o patrimônio mineiro e para o Nordeste, efetivamente ricos em arte e folclore. Mário de Andrade e Villa-Lobos são avatares desta tendência, perpetuada desde então. O Rio Grande do Sul era sentido mais como concorrência, por possuir sua própria cultura (e economia), do que como assunto meritório; alinhava-se ao Pampa e às culturas castelhanas, longe de um mundo de praias, coqueiros, coloridos da flora tropical, lastros de lusitanidade castiça e africanidades pulsantes. Nos anos 30, ademais, especialmente depois de 1932, cresceu a hostilidade política de São Paulo contra o Rio Grande do Sul. Isto ajudou a construir a miopia incapaz de ver Simões Lopes Neto em seu esquadro real, alinhado a James Joyce e a Guimarães Rosa , e uma certa dificuldade de assimilar expoentes como Erico Verissimo e Josué Guimarães (entre outros) em sua verdadeira dimensão, máxima. Na música, porém, creio que temos expressões mais bem acolhidas, em um arco que vai de Radamés Gnattali a Yamandu Costa .

A última derrota cultural do Rio Grande do Sul foi nos anos 80 e início dos 90, quando uma geração muito talentosa foi colocar-se no Rio de Janeiro, mas explodia, na época, um produto em compota, o assim chamado rock nacional, que concentrou e quase monopolizou mídia e produção. Ultimamente, o Brasil inteiro sucumbe a uma pavorosa leva de mau gosto musical, que contamina também o Rio Grande do Sul. O ônus dessas relações desequilibradas é que artistas locais têm pouco acesso à rica economia concentrada no Sudeste e ficam condenados a atuar em um brejo com pouco vigor econômico e cultural, insuficiente para sustentar a produção efetiva dos artistas e a renovação necessária da cultura.

IHU On-Line – Há poucas bibliotecas públicas no estado, não existe uma política oficial para compra de livros e as escolas públicas estão em situação precária, justamente em um estado que desde a Primeira República era referência em educação. O que dizer deste cenário?
Francisco Marshall – Pior: um projeto da prefeitura de Porto Alegre, em parceria com a Câmara Rio-grandense do Livro, o Adote um escritor, que vitaliza ricamente literatura e produção editorial nas escolas da cidade, foi recentemente (gestão Marchezan Jr.) desfigurado, rumo ao colapso. A falta de bibliotecas é homóloga à falta de teatros, auditórios, cineclubes e centros culturais; na periferia das cidades, onde mais se necessita destes recursos, o vazio é total e trágico. As autoridades não percebem que as emanações culturais são a fonte mais virtuosa para o desenvolvimento: potencializam destinos, fomentam a autoria e a construção de símbolos, identidades e sujeitos, distribuem pensamentos e sensibilidades elevadas, mobilizam as comunidades em harmonia, ocupam o tempo com qualidade e, como percebeu Aristóteles , ajudam a cidade a purgar seus males (catarse). Como efeito complementar, mas não menos relevante, a cultura incide rápida e vigorosamente sobre os índices de violência, hoje críticos. O livro e as bibliotecas são parte deste processo; mesmo que o livro tenha uma dimensão comercial, é um bem cultural precioso, que necessita fomento. A cultura é como a democracia: sempre um bebê cheio de possibilidades, mas necessitando de alento e cuidados vários. O meu sonho cidadão é que houvesse um StudioClio público em cada distrito, bem como mais espaços culturais, em formatos variados, junto aos parques, na paisagem urbana, para o florescimento de qualidades com as quais um mundo melhor efetivamente se realiza.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Francisco Marshall –A humanidade hoje vive diversos dilemas graves; mais graves do que os pretéritos, pois todas as forças se desenvolveram nestes 5.000 anos como vetores potentes, e hoje uns cooperam, muitos conspiram coligados, quase todos colidem. A agressividade contra o ambiente degradou o planeta e ameaça a todos. A polarização social cresceu, e o desenvolvimento conquistado segue restrito a uma parcela pequena da população. Bens vitais e simbólicos são preciosos e escassos. Retóricas e imagens perversas ocultam e ameaçam. Talvez o mais grave conflito hoje seja entre capital e humanismo. O capital alimenta-se do humano para concentrar-se, tornar-se cada vez maior – e mais devastador. Seu limite e sua única chance de têmpera é o humanismo. Não se trata apenas de embate entre direita e esquerda, mas de algo muito mais denso e grave. Olhamos para trás e vemos um patrimônio de inteligência que nos alimenta. É disso que vive o humanismo, e de onde provêm forças e possibilidades que nos resgatam da adversidade e nos nutrem para criar presente e futuros melhores para nós e para todos. Que este humanismo, que inspira a esta bela edição e a quem deseja viver em harmonia, seja também e sempre a razão para nos posicionarmos no mundo e cooperarmos. Eis o bem maior, possui graça inata e dá sentido a tudo o que fazemos, humanistas.

MAGISTRADO, ESCRITOR, FILOSOFO JOSÉ NEDEL NA ACADEMIA RIOGRANDENSE DE LETRAS


Caro magistrado Ruy A. Gessinger,

 

    Tenho a satisfação de comunicar ao caro amigo e colega magistrado, festejado autor de crônicas e histórias curtas, 

que no dia 28 do mês em curso (28-9-17), às 16 h, tomarei posse na cadeira 34 da Academia Rio-Grandense de Letras, 

em cerimônia que acontecerá no Palácio Histórico do Ministério Público, localizado à Praça Marechal Deodoro (Praça 

da Matriz), 110, em Porto Alegre. Após a cerimônia haverá um brinde para os convidados.

     Sua honrosa presença, além de engrandecer o ato, será para mim motivo de  grande e especial satisfação.

    Um forte abraço. 

    José Nedel    

 

domingo, 10 de setembro de 2017

UM CARRO POR 19.999,99

Essa é uma das mais putas sacanagens que , na minha longa vida, encontrei.
Não que vá enganar a Sssissyelli, minha secretária do lar, nem o Estultussson, zagueiro do Livres , time da 119,99 divisão do futebol das ilhas XDFVA.
Claro que os executivos dessas  firmas calhordas vão achar que tu és um babaca e vais achar que o carro custa 19 mil e pouco. O carro custa 20 mil, seu abobado!
Na minha mais recente viagem à Europa, perdi meu cabaço de inocente.Achava que jamais na impoluta Alemanha houvesse essa má fé.
Explico-me: tu e eu, caro leitor, somos mais ou menos inteligentes. Só que os anunciantes acham que somos absolutamente  débeis mentais. Acham que quando colocam  19,99, concluimos  que é só 19. E aí eles zombam de ti, tontinho.
Zombam de ti, tontinha.
Eu não compro nada de 19,999. Só sendo 20,00.
Por favor, compartilhem isso nos seus faces ou blogs, caso concordem.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

XANGRI-LA, O PARAÍSO OCULTO





Diz a Wikipédia, referindo-se a Shangrila:
"Shangri-la será sentido pelos visitantes ou como a promessa de um mundo novo possível, no qual alguns escolhem morar, ou como um lugar assustador e opressivo, do qual outros resolvem fugir. O romance inspira duas versões cinematográficas nas décadas seguintes.
No mundo ocidental, Shangri-la é entendido como um paraíso terrestre oculto."
Mas hoje me convenço que nossa Xangri é um milagre.
O que vi na praia hoje? gritarias, funks, baixarias?
Não.Vi jovens surfando, moços e moças  pais com suas crianças.
Como é lindo ver pais jovens  cuidando de seus pimpolhos se molhando na nossa água fria, mas pura.
Para coroar, a partir das 14 horas, um véu diáfano de quase neblina, dando um cenário celestial.

O VIRALATISMO BRASILEIRO

Zero Hora de hoje, na coluna Informe Especial, critica o gesto de  Neymar, que desautorizou o esquema de segurança, dando guarida a um menino que, ao contrário dos demais, obedientes e quietinhos, desafiou as regras.
E é isso mesmo.
Todo o esquema de segurança armado e o piá o fura, para assombro dos demais. Quem foi o espertinho? quem foi o  " Gersinho"?  que foi o herói? O possível  futuro contraventor.
Quem foram os babacas? os demais.
Então ficamos combinados. Muitos de nós saímos da favela, mas a favela teima em não sair de nós.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O 7 DE SETEMBRO - O LANCINANTE TEXTO DE LISSI BENDER

Precioso quando um texto evoca outro em seus leitores. DANKESCHÖN!!! Visitei teu blog e teu texto fez-me lembrar dos desfiles de 7 de setembro durante os meus idos tempos de Mauá, com banda marcial e balizas. Diferente das tuas, as minhas lembranças não são edificantes. Começava com a dificuldade para ir à cidade aos domingos, não havia ônibus. Ou ia a pé (10 quilômetros) ou meus pais pagavam um vizinho para me levar de carro (isso quando havia dinheiro para custear). Participar não era facultativo, era obrigatório. Mas o que mais ficou gravado em minha memória, é o frio naqueles dias comemorativos de 7 de Setembro. Com saia de "tergal", meia branca curta, com blusa branca de “volta ao mundo” (lembras? Tecidos sintéticos, não aqueciam nem transpiravam) ... o vento gelado zunia cedinho de manhã fazia a festa em meu corpo franzino. Dos desfiles o frio castigando o corpo, marcou-me mais do que qualquer sentimento de patriotismo que os desfiles pudessem me ajudar a desenvolver. Aliás, patriotismo, para mim, recende à ditadura, à militares.  O meu amor à minha terra nada tem a ver com patriotismo, mas com amor e zelo pela HEIMAT – a terra em que vivo – e  Heimat para mim tem cheiro de terra molhada pela chuva depois de estio, tem aroma de terra húmida da floresta,  recende a perfume de florescência primaveril, tem gosto de frutas silvestres, de sabor de mel, de canto de coruja de madrugada, de Wasser-Hühner ao amanhecer, tem cor dourada de sol que se declina por trás do Botucarai em outubro, sol que veste de rubro o céu ao anoitecer, tem som suave de chuva ....

Entristece-me toda vez que alguém afirma que tem vergonha de ser brasileiro. Vergonhoso é o que fazem com o nosso país. A terra brasileira é dadivosa, mas submetida à exploração desde a chegada dos portugueses. Exploraram os índios, exploraram as riquezas vegetais e minerais, o trabalho humano pela via da escravidão. E a exploração não tem previsão para findar. A mais recente é entregar o Aquífero Guarani (um dos maiores mananciais de água doce do planeta – o bem mais precioso existente no país e essencial à todas as formas de vida)  à  ganância  sem limites, sem freios.
( Lissi Bender é Doutora pela Universidade de Tübingen, Alemanha)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DESFILES DA SEMANA DA PÁTRIA NA REGIÃO DE SANTIAGO - RS

No meu tempo de piá, em Santa Cruz,  na volta das férias de julho começavam os treinamentos  das bandas para o grandioso desfile de 7 de setembro. Até para marchar havia  um constante ensaio. E, ó meu Deus, que alegria quando chegava o dia 7 de setembro.
Em muitas capitais e cidades grandes feneceu esse costume. As pessoas querem viajar, fugir.
Leio  no site Nova Pauta de Santiago que os militares, policiais, organizações sociais e alunos irão desfilar.
Creio que esse fervor patriótico faz bem. Temos que amar o Brasil. Foi aqui que nascemos. É um território privilegiado. Sim, passamos por turbulências, mas, com nosso esforço e com muita fé, haveremos de melhorar.
Agora me lembrei que,  num desfile de 7 de setembro em Santiago,  o Prefeito Chicão e vereadores desfilaram garbosamente.
Isso é muito bom.

sábado, 2 de setembro de 2017

A DERROCADA DO MUNICIPALISMO POR CAUSA DA IMPROBIDADE

Minha grande decepção é constatar que a grande maioria dos distritos que se emanciparam só fizeram crescer a miséria. Para se ver como uma coisa é o ideal e outra é a realidade. E o povo , no caso da região do " Nordeste" político do RGS, pena por falta de tudo. Falta de tudo por causa dos gastos absurdos e da tirania dos caciques que massacram todos que lhes fazem oposição. É festança, superfaturamento, malversação E os órgãos de fiscalização estão ocupados com outras coisas. Ou nem aparecem nos locais para onde foram lotados.
Mas vou dar a palavra ao Des. Eliseu Gomes Torres, de cuja lucidez e sabedoria ninguém duvida:
. Vamos fazer breve reflexão sobre o caos em que se transformou a vida política e administrativa deste país. Tudo começa no Município. Temos, hoje, mais de cinco mil municípios. Há uns cuja população não chega a mil almas. Mas tem Prefeito, Vice. Secretários, uma Camara de Vereadores, com assessores, advogado, Chefe de Gabinete, o escambau . Não é possível suportar o custo disso. Quando fui Vereador, Cachoeira era um Município próspero, com distritos idem.Tinhamos quinze vereadores e, salvo um, que era um operário, todos os outros não recebiam remuneração. Havia uma modesta ajuda de custo, que era pequena e todos nós outorgamos procuração para que a casa da criança recebesse. Era – e é – uma sessão por semana, `a noite de segunda feira, sem qualquer prejuízo da atividade de cada um. Hoje, todos são muito bem remunerados e ainda têm Chefe de Gabinete, assessores e um consultor juridico por bancada. Multiplique-se isso por cinco mil e aí teremos explicação para a penúria dos Municípios"

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

ESTÁ ESQUENTANDO A CHAPA

Daqui do oitavo andar do meu edifício vislumbro a Praça da Matriz e a rua na frente do Palácio repleta de manifestantes. Gostei da maioria dos discursos, principalmente dos educadores. Realmente é complicado receber só 350,00 no fim do mês. Eles são trabalhadores, cuidam das crianças e dos adolescentes, hoje deveriam estar recebendo adicionais de alta periculosidade e insalubridade, tais as condições em que labutam.
Acho que o RGS vai parar a partir da semana que vem.
Estamos colhendo os amargos espinhos do que plantamos ao longo das décadas.
É hora de absoluta severidade nos gastos. Nada  de churrascadas, viagens e diárias desnecessárias, desfile de misses de municípios pobres.
E que se pague primeiro o salário de quem ganha pouco.
Tem onde cortar. Assim, caso continue, nem mel nem porongo para ninguém.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

EXPOINTER - UMA IMAGEM DE PUREZA E DE ESPERANÇA

Cheguei cedo, domingo, na Expointer. Eram 8,30 da manhã e o programa ao vivo de TV Pampa começaria só à 11,30. Perambulei pelos bretes, chimarreando, conversando com os produtores e peões. Até que decidi sentar-me debaixo de um toldo e apreciar o julgamento que se desenrolava.. Quando vi essas duas meninas, aguardando com o ovino por certo trazido por seus pais ou avós. Reparem as flores dos canteiros, a placidez do animalzinho e o sorrisos de pureza e mocidade das duas meninas que um dia serão fazendeiras, prosseguindo a obra de seus antepassados.

domingo, 27 de agosto de 2017

TV PAMPA E A REPAGINAÇÃO DA EXPOINTER

Foram duas horas de programação: das 11.30 até 13.30, com pessoas muito interessantes se revezando a cada 30 minutos. Paulo Sérgio, o âncora e o fac totum da Pampa, com seu escandaloso  amor pela minha pessoa, não me deixou sair. Foi debatido de tudo. Impressionei-me com a qualidade dos integrantes da mesa.
De outro lado pude observar muitos brigadianos no Parque, muitas melhorias e, principalmente, a entrada de novos expositores, mormente nos bovinos. Se antes reinava uma atmosfera mais rústica, agora predomina o estilo butique, com muito luxo e decoração nas baias. Gosto disso. Tem que nivelar por cima. 
Anotem, aí: esse ex prefeito de Pelotas, cuja foto está aí em baixo,  Eduardo Leite, 32 anos, pre  candidato a Governador, vai incomodar.















sábado, 26 de agosto de 2017

RETORNO AMANHÃ PARA COMENTAR A EXPOINTER PELA TV PAMPA


 
Por gentil convite do Vice Presidente da Rede Pampa, meu amigo Paulo Sérgio Pinto, retorno amanhã para a cobertura dos eventos da Expointer 2017.
Estava me dando um tempo para  as atividades jornalísticas, mas um convite desse amigo tão querido é irresistível.
Por essa razão não pude acompanhar Rudolf e Maristela, meus sócios da Pecuária Gessinger, para a fazenda, onde existe hoje uma Parceria Rural com o dr. Marcos Tissot.
Também , por isso, não poderei estar  presente na Convenção do PMDB de Unistalda, mas Maristela está lá, firme e forte, prestigiando os companheiros.
Horário da transmissão, a partir de 11,30 da manhã.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

NOSTALGIAS


Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.

Mário Quintana**

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A INTERNET E A SEGUNDA INVASÃO DOS ' BÁRBAROS '

Imagino só aqueles brutamontes invadindo Roma e dando-lhe pau nos aristocratas, filósofos, mestres, sampando-lhes as harpas na cabeça, limpando o nariz com os pergaminhos
.- que horror! devem ter exclamado os patrícios. 
Corta para os dias atuais.
-------
Hoje uma das minhas diletas secretárias do lar ( tenho uma em cada das casas que habito, elas são tudo de bom, não dá para viver sem elas, e é bom para quem paga e para quem recebe, afinal temos que distribuir a renda), me perguntou por que eu não tinha feissebuqui .
Mostrou-me seu celular de mil aplicativos, onde aparecem fotos de pessoas fazendo cabecinhas, agachadas, sorrindo colgate, com as canjicas à mostra.
- não tenho, Sissyelli, porque não sinto falta.
Sissyelli não se conformou.
- mas o senhor pode estar deixando ( eta gerúndio) de estar revendo e falando com amigos do passado.
Ao que lhe redargui que os amigos do passado, a maioria passou. Principalmente os que não aderiram à internet.
Visitas? nem pensar, melhor mandar um watts.
Sissyelli não " floxou":
- mas por que mesmo o senhor não tem feisse?
- porque não sinto falta, menina!
Mas como o senhor não sente falta se nunca teve?

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ATENTADO EM BARCELONA. QUE MUNDO LOUCO É ESSE ?

Há poucas semanas estive lá  vários dias com Maristela. Paramos num hotel em Las Ramblas, exatamente a artéria onde houve o atentado.
Gente feliz, pessoas lindas, passeando, se divertindo, frequentando bares e restaurantes. Todos vindos em paz, querendo desfrutar da beleza da terra catalã.
E agora vem a notícia do massacre,
Quando o bicho Homem criará juízo?













quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A MENINA CAROL, ANÔNIMA GUARDIÃ DA NATUREZA EM XANGRI LA


Estava fazendo minha corrida matinal na praia, quando vi uma menina, de bicicleta, perto do que imaginei ser um cachorro preto grande.
Olhando melhor, vi tratar-se de um leão ou lobo marinho.
Ela me contou que estava cuidando do bicho  tanto dos cachorros vadios como de pessoas que pudessem molestá-lo.
Relatou que o bicho deveria estar exausto, que tentara voltar ao mar, mas desistira e retornara perto dos cômoros.
E que ela montaria guarda até chegar a Patrulha Ambiental.
Sim, amigos, o Planeta ainda tem futuro!


terça-feira, 15 de agosto de 2017

ARTIGO DE RICARDO FELIZZOLA EM ZH DE HOJE. VALE LER E REFLETIR



  • Valores básicos são a goma desta cultura. O valor mais notável tem origem religiosa, é o da esperança, no sentido completo da palavra, o brasileiro vive a esperar. Espera por Deus, pelo próximo e por qualquer serviço ou produto que lhe venha de qualquer instituição organizada ou desorganizada que tenha um chefe, um cacique qualquer ou alguém que dê ordens e pareça o principal responsável por aquilo. Este pode ser um político no cargo, um gerente de loja, um líder sindical. Os brasileiros esperam sempre alguém...

    Um segundo valor é consequência do primeiro. É o de acreditar que os outros são os culpados de tudo o que não vem contemplar a esperança individual. Ela deveria ser atendida já que há fé, se isto não ocorre há um responsável. Um terceiro valor é o de não suportar perder, de forma nenhuma, o pouco ou qualquer coisa, no caso de se ter muito, que se tenha. Isto é insuportável para quem espera e que, por culpa dos outros, tem algum resultado pessoal diminuído por uma perda.

    Fundamentado nestes três pontos, o brasileiro habita um país que considera do futuro, acha que o Brasil é rico apesar de ele ser pobre. Extravasa suas frustrações com seu time de futebol, com seu espírito de festa, seja qual for, no fim de semana e com um descompromisso de tudo o que aparece vindo de fora do Brasil, tudo muito notável mas que é incompreensível já que para se entender há a necessidade de aprender. Por sinal, o brasileiro não acredita na educação, espera que o Estado a forneça como o ar, para todos e de graça. Se assim ela vier, independentemente da qualidade deste ar, será respirada, gerando para um mundo um determinado nível de cidadão com uma determinada capacidade de empurrar seu país para onde ele está no “ranking” do mundo. Assim é o brasileiro, parecendo estar feliz com tudo o que está aí, produto de suas escolhas baseadas em seus valores.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

DIA GLORIOSO DA MÃE PORTO ALEGRE




Digo mãe, porque calculo que  60% dos que moram aqui nasceram em outros municípios. Como já disse, se não fosse P. Alegre, com a UFRGS e  seu ensino público e gratuito, dificilmente eu teria me formado em Direito. Claro que contribuíram, para que fosse aprovado no vestibular, os sólidos conhecimentos hauridos nos excelentes colégios que  frequentei.
O Centro Histórico, onde moro, é tudo de bom e está cada vez melhor.
Às vezes passo na frente do Complexo Hospitalar Santa Casa, uma verdadeira cidade hospitalar dentro de P. Alegre. Nunca vi nada tão completo em muitas viagens que fiz pelo mundo. E de onde são as vans estacionadas na frente e nos lados? Do interior e até de Santa Catarina.
Leio muitas críticas a P. Alegre. Tudo bem.
Mas há que se convir que é um lugar lindíssimo, muito arborizado, a paisagem é variada e o clima é excelente.
Veja-se : esses dias ZH publicou uma matéria em que inúmeros jogadores de futebol, vindos de outros Estados para cá, aqui fixaram residência depois de pendurarem as chuteiras.
Salve essa mãezinha amorosa.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

UM REQUIEM PARA SEU ELEUTÉRIO


Seu Eleutério se criou na Fazenda Santa Izabel. Era bisneto do Seu José Antônio Lisboa que adquiriu várias quadras de sesmaria de campo e construiu a sede no local mais aprazível , não longe de uma sanga.

E a fazenda foi crescendo. À medida que os donos iam falecendo, eram sepultados  num lugar cercado por gradis, não longe das casas, no alto de um cerro.

Acontece que alguns descendentes não se interessaram em permanecer na fazenda. Ou porque tinham ido estudar num grande centro, se formado médicos, engenheiros, ou algum não dera para nada e vivia na cidade, sustentado pelo pai, ou ainda por causa dos achegos.

Seu Eleutério foi sentindo a pua pelo chacoalhar dos anos. Tinha só filhas mulheres. O único homem falecera num desastre quando ia conhecer as  praias de mar.

As filhas insistiram em estudar fora, casaram-se com homens que queriam distância de barro e de bosta de vaca. Elas mesmas, quando iam visitar o pai já viúvo, prometiam que ficariam para pousar, mas que nada. Não pegava bem celular e a TV era puro chuvisco.

Certo dia seu Eleutério  pegou sua S 10 e se foi para o povo. Chovia, não dava para lidar com o gado.

Almoçou perto da Rodoviária, tomou uns aperitivos e sentiu saudade de um aconchego e de uma lida de namoro.

Foi na casa onde tinham umas gurias faceiras e se sentiu muito feliz, pois a moça se admirou que ele, com aquela idade, ainda estava tão guapo. Pois seu Eleutério matutou, matutou e decidiu pernoitar na cidade.

Viu como era tudo fácil, quando faltava luz, a cidade era atendida primeiro, não como pra fora que fica por último.

Foi lá na Veterinária Tio Chico, sentou sobre uma cadeira com pelego e ficou charlando. Até que um amigo lhe  disse:

- Eleutério, deixa dessa lida. Arrenda teu campo, vende o gado e vem para a cidade.

Pois a idéia foi perseguindo seu Eleutério como piolho em costura.No fim, decidiu arrendar só a metade e vender a metade da tropa e do rebanho.Sucede que uma filha lhe pediu sua parte na futura herança, pois queria comprar uma casa na praia.A outra queria um ajutório para comprar um apartamento maior.

Seu Eleutério acabou por arrendar tudo e vendeu todo o gado.

Foi morar na cidade.

Ele já providenciara deixar pronto seu jazigo, lá no cemitério da fazenda, junto com seus  ancestrais.

De repente, só um ano depois, seu Eleutério teve um problema, andava bebendo demais e não resistiu.

As filhas acorreram, deram-lhe sepultura na fazenda  como pedira, pilchado. Alguns amigos e parentes não puderam vir porque a estrada estava embarrada e eles não tinham caminhonetas tracionadas. Duas das netas tinham viagem marcada para a Disney e não puderam ir, as pobrezinhas.

Passada a missa do sétimo dia, as filhas negociaram com o arrendatário, um gringo vermelhão que usava calças lisas e boné de posto de gasolina,  e lhe venderam todo o campo.

Seu Eleutério ficou com sua falecida esposa e seus avós lá no cemitério campeiro.

O novo dono franqueou, incondicionalmente, o acesso de quem quisesse visitar os jazigos.

No primeiro dia de finados veio uma filha, deu uma limpada no túmulo e deixou umas flores de plástico. São mais práticas e não murcham, disse ela.

Nunca mais veio ninguém.

Já se passam dez anos.O gringo novo dono mudou a sede , e fez outra, super moderna, em outro local. A do seu Eleutério virou tapera. O cemitério foi tomado pelo mato. Os peões, quando passam de a cavalo, tiram o   chapéu.

Seu Eleutério foi esquecido.
Agora, na noite de finados, ao menos os pirilampos lhe acendem uma vela.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

SEGUE O DEBATE - ARTIGO DO ADVOGADO ASTOR WARTCHOW


a Venezuela ainda será aqui

 Caindo de Maduro 

 A degradação sócio-político-institucional é muito mais profunda do que aparenta ser. E não serão eleiçoes diretas já - ou em 2018, como de fato serão - que consertarão os estragos.
 O abismo e déficit das contas públicas, em que estamos mergulhados até o pescoço,  é gigantesco  e de graves efeitos e danos colaterais, entre os quais a recessão e o consequente desemprego.
 Mas sempre há algo pior: os principais responsáveis pelo caos continuam "pregando a mesma missa", sem que lhes ocorra a hipótese de, ao mínimo, pedir desculpas ao povo pelos erros cometidos.
 Dizem tais dirigentes (autodenominados de esquerda) que reconhecer os erros praticados reforçaria o discurso dos ditos partidos e candidatos de direita.
 Resulta que nosso momento político-partidário-ideológico - e o próprio futuro imediato - é temerário. Ops, um trocadilho. Alguns diagnósticos aqui e acolá, mas raros são os prognósticos otimistas.
 Entre erros e acertos da gestão petista, malabarismo retórico de Lula e o claudicante tatibitati de Dilma -  emoldurado com seu  impeachment, restou desmoralizado o que denominamos de "campo da esquerda".
 Mas e do outro lado (ou no meio) como está a situação? Se é que podemos chamar de outro lado haja vista o consórcio de negócios escusos e corrupção em massa.
 No tabuleiro eleitoral o que significam o PP, o PMDB e o PSDB, por exemplo, tão presentes e identificados com as maracutaias quanto o PT?
 Tudo indica que o PSDB - que sempre se pretendeu um partido socialdemocrata - foi arrastado inapelavelmente para a direita, agora na companhia do DEM e do PP(ex-Arena, ex-tudo).
 Já o PTB e o PMDB vivem e praticam a política em outra dimensão, fora dos conceitos tradicionais da ciência política.
 Digamos, mais propensos a negócios de ocasião. Quase damas de companhia, à média luz.  Com todo o respeito às damas de companhia.
 Tirante os indecifráveis PDT e PSB e os incendiários PSTU e PSOL,  se os antes mencionados representam ou representariam o que denominamos de esquerda e direita, o que restará ou restaria ao centro?
 Possivelmente, os novos partidos que se anunciam por aí, que desde já se auto-afirmam éticos, embora muito receptivos a arrependidos pecadores de outrora.  Compreensível, sobretudo parafraseando o popular Jesus Cristo que dizia: condena o pecado e perdoa o pecador! 
 O caos se avizinha. Ainda que diretas e periódicas, eleições não são remédio contra males históricos e intestinais, crises éticas e desvios de condutas generalizadas. No máximo um paliativo.
 E nem falamos das possíveis candidaturas de Lula e dos seus mais notórios efeitos colaterais,  Jair Bolsonaro e João Dória. Haja estomasil. A Venezuela ainda será aqui. Caindo de maduro. Ops, desculpa, outro trocadilho.

 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

MEU BLOG ADORA UM DEBATE EM ALTO NIVEL. DAÍ PUBLICO UM ARTIGO BEM ELABORADO POR TITO GUARNIERI


TITO GUARNIERE

E SE FOSSE TEMER A ANISTIAR JOESLEY BATISTA?

O procurador Rodrigo Janot deve ter levado bom tempo para celebrar o acordo de delação premiada da JBS, o maior negócio da vida dos Batistas. Maior até do que a conta corrente que mantinham no BNDES, com juros de pai para filho, que nos anos de Lula e Dilma, tornou a empresa a maior do planeta na produção de proteína animal. Os Batistas acertaram a vida. Se delitos cometeram, receberam uma anistia ampla e geral. Se eram bandidos, agora estão com a ficha limpa.

Claro, uma avença desse porte, de bilhões de reais, não se faz de graça. O senhor Joesley teve de se tornar cúmplice de um plano audacioso. O procurador Janot queria porque queria as cabeças de Michel Temer e Aécio Neves. Janot agora está de saída e se dedica em tempo integral à única tarefa que lhe acomete, a proposição de uma nova denúncia contra Temer.

A denúncia de Janot contra Temer poderia ter sido uma só, diante dos fatos da JBS. Mas Janot "fatiou" os delitos supostos, pois assim submete Temer a uma nova rodada de desgastes, no Congresso, na mídia, e na opinião pública.

Tudo o mais já sabemos, inclusive os erros infantis cometidos por Temer, supostamente raposa velha da política, e Aécio, que por pouco não chegou ao cargo de presidente na eleição de 2014. A trama foi urdida em tempo recorde, em velocidade de Fórmula 1, como nunca se viu, por exemplo, contra Lula e Dilma.

O plano quase deu certo. Temer balançou mas não caiu. Aécio, que era para ir para a cadeia, está solto e no exercício do mandato. O presidente mostrou fôlego e força, resistindo ao massacre diuturno e impiedoso das Organizações Globo e de outros atores menores. É que a tramoia tem muitos furos, o maior deles certamente as benesses concedidas à JBS e aos réus confessos. O acordo presidido por Janot e chancelado pelo ministro Edson Fachin, do STF, desmoralizou a teoria de que o crime não compensa.

E se fosse Temer a celebrar o acordo, nos mesmos termos daquele assinado por Janot? E se fosse Temer a conceder o perdão perpétuo ao réu confesso de mais de 200 crimes Joesley Batista, e às bilionárias empresas JBS? Bem, então as Organizações Globo, o site O Antagonista, boa parte da mídia e dos colunistas políticos brasileiros, comeriam o fígado do presidente.

Alguém dirá que Temer não tem esse poder. Mas pode um homem só (Janot), ou dois - o acordo com os Batistas foi chancelado pelo ministro Fachin, em decisão monocrática - deterem em mãos tal poder?

O acordo que Janot celebrou e Fachin homologou corresponde a sentença de absolvição de réus confessos de mais de 200 delitos. Apenas dois funcionários da República, às escondidas, sem processo, sem obedecer lei ou critério legal, sem audiência das partes delatadas, isto é, sem ouvir aqueles para quem sobraram as acusações, concederam perdão aos delinquentes. Os Batistas se tornaram cidadãos de bem.

Os delatados sofrem na carne as agruras do conluio. E continuarão a sofrer até o desfecho dos processos, os quais, dada a "agilidade" da Justiça brasileira, devem se arrastar pelos próximos 10 ou 15 anos.

sábado, 5 de agosto de 2017

AINDA O ABIGEATO


 

Ladrões de gado fazem criadores abandonarem o campo: e o direito à propriedade privada? - Ricardo Bordi – Inst. Liberal – 02/08/17



Chamou a atenção no noticiário recente o alto índice de roubo de gado registrado no Brasil, que calha de ser o maior produtor de proteína animal do mundo. Em alguns estados, as estatísticas policiais ultrapassam 31 ocorrências diárias de abigeato. Como consequência, criadores de pequeno porte estão desistindo da atividade econômica que representa seu sustento. Mas onde está aquele que avoca para si o monopólio do uso da força e que deveria, portanto, ser o garantidor do direito à propriedade privada destes cidadãos pagadores de impostos – o Estado?

 

É bem provável que os que respondem pelas forças de segurança irão alegar o inegável: se em ambientes urbanos é tarefa das mais complexas (tentar em vão) proteger a todos a todo momento, imagine então em áreas rurais, onde as grandes distâncias e a dificuldade de acesso praticamente inviabiliza tanto ações preventivas (rondas) como respostas rápidas em casos de acionamento.

 

Aliás, muito embora a Constituição Federal preveja em seu artigo 144 que a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e seu patrimônio é dever do Estado, a jurisprudência dominante no STF reconhece que não é possível exigir que haja um policial cuidando de cada cidadão a toda hora.

 

Ou seja, esta rotineira omissão estatal no cumprimento de uma de suas mais básicas funções reserva(ria) aos proprietários de criações de gado apenas a alternativa de assumirem, eles próprios, a responsabilidade de coibir tentativas de roubo. Mas como fazer isso sem incorrer em crime diante do anacrônico estatuto do desarmamento – em vigor a despeito da vontade popular manifestada no referendo de 2005? Combater bandidos sem armas de fogo é missão impensável.

 

Não por acaso, muitos produtores já estão contratando grupos de indivíduos armados para zelar pelos limites de suas fazendas, os quais vêm sendo chamados pelo estamento midiático de “milícias” – como se fossem eles quadrilhas agindo à margem da lei, e não apenas o resultado da incapacidade governamental de prestar os serviços prometidos em troca de tributos.

 

Os custos desta e de quaisquer outras medidas de segurança porventura adotadas sempre serão repassadas aos consumidores dos bens ofertados, causando elevação do preço da arroba de carne e prejudicando, ainda, os empreendedores presentes nas demais etapas da cadeia produtiva ou que utilizam a commodity em seus processos.

 

E aqueles que não possuem capacidade financeira para reforçar a vigilância sobre suas terras acabarão, eventualmente, encerrando as atividades, comprometendo a criação de riqueza e ampliando a sensação de que, diante de tantas adversidades, não vale a pena investir no Brasil (grande novidade).

 

Pior: por se tratar de atividade ilícita, aqueles que comercializam a carne proveniente dos animais roubados não costumam tomar quaisquer precaução com sanitariedade no transporte, permitindo que cheguem aos açougues  – normalmente àqueles frequentados por pessoas de menor renda – produtos que podem pôr em risco a vida dos clientes.

 

Ou seja, a sensação de impunidade e a inversão de valores que permeiam nossas interações humanas (invasores do MST sendo tratados como “vítimas da desigualdade” e reações de legítima defesa ocorridas em propriedades rurais alvo de ações de criminosos sendo retratadas como assassinato) acabam por ferir de morte o direito à propriedade privada, um dos principais pilares para a prosperidade de qualquer nação.

 

As repercussões negativas na vida de inúmeros indivíduos são diversas: economia local afetada, reducão da oferta, aumento de preços, extinção de empregos, êxodo rural e inchaço populacional nas cidades, aumentando a pobreza urbana e redundando em mais ingresso de pessoas no crime.

 

Basta observar o que ocorreu, por exemplo, em boa parte da África Subsaariana nas décadas que se seguiram à retirada dos colonizadores, quando o confisco de terras produtivas, sob alegação de “exploração”, tornou-se prática comum e espantou do país investimentos estrangeiros. Tal fenômeno, a propósito, vem gerando uma verdadeira diáspora de fazendeiros brancos da África do Sul (a taxa de homicídio destes cidadãos é vinte vezes superior à média nacional) e há forte ameaça de um iminente genocídio de caucasianos naquele país. A produtividade de tais latifúndios caiu muito com a evasão do conhecimento de seus antigos donos usurpados em nome da “reforma agrária”.

 

É neste mesmo rumo bárbaro traçado por Nelson Mandela que pretendemos seguir por aqui? Leia-se: aceitando que empresários do campo sejam tomados como “inimigos do proletariado” por massas de manobra avermelhadas e permitindo que seus imóveis rurais sejam vilipendiados a torto e a direito? Como se não bastasse, sequer autorizando que eles façam uso do slogan “trespass and you will be shot”, tão comum em fazendas do Texas?

 

Esperemos que não: lei e ordem são os denominadores comuns de épocas e lugares prósperos. Ou isso, ou não vai sobrar ninguém para providenciar o meu churrasco de domingo. Mas nada que o BNDES, claro, não possa resolver emprestando bilhões para qualquer dupla de irmãos com potencial de tornarem-se miliardários “campeões nacionais”.

 

Uma última esperança: segundo consta, estes ladrões de boi matam os animais de forma extremamente cruel, por vezes deixando-os para morrer a míngua após removerem as partes de que precisam para vender. Será que podemos contar com a ajuda dos ecologistas radicais? Será que para enfrentar o pessoal do lumpesinato eles “pegariam em armas”? Será que conseguem conciliar esta legítima preocupação com os pobres bichos  com sua indefectível ideologia de esquerda, que considera fazendeiros capitalistas opressores que semeiam desigualdade?