sexta-feira, 7 de julho de 2017

SOBRE AS BABAQUICES DAS REDES SOCIAIS - CRÔNICA DO ARTICULISTA E ADVOGADO ASTOR WARTCHOW


ola, doutor Ruy demais amigos...permitam-me o exagero ....mas a proposito de facebook e redes sociais, leiam meu artigo em gazeta do sul(agosto de 2012)

 Face a face(book)

 O “rei” Roberto Carlos pareceu prever o fenômeno do Facebook ao gravar, em 1974, a música “Eu quero apenas”, mais conhecida por “Um milhão de amigos”. Lembra?  “Eu quero apenas cantar meu canto, eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos, quero levar o meu canto amigo a qualquer amigo que precisar, eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”.
 O que explica o sucesso e a popularidade do Facebook? Diversão, entretenimento e/ou solidão? Ou, um inevitável desejo humano e universal de dizer ao mundo “eu existo, sou feliz e tenho amigos”?  E que também tem dinheiro, que viaja, que comprou uma bolsa Louis Vuitton de vinte mil reais, e...? Afinal, ninguém posta fotos e comentários sobre seus momentos de tristezas e fracassos!
 O assunto é inesgotável e se presta às mais variadas análises e conclusões. Simplificando, poderíamos dizer que é retrato e extrato da condição humana. Não é a toa que pesquisas e testes realizados por neurocientistas norte-americanos confirmam que falar de si, se gabar, se expor voluntariamente – que é o que gente faz a maior parte do tempo! – gera sensações de recompensas cerebrais equivalentes às sensações de comida e sexo. E outra pesquisa afirmou que “navegar no Facebook ou outra rede social aumenta nossos níveis de narcisismo e a nossa autoestima”.
 Mas seremos mesmo assim tão belos e felizes, siliconados e photoshopados ou não, e com tantos amigos? Com certeza, é muita superficialidade, irrealidade e pouco conteúdo. Uma brincadeirinha coletiva e exagerada.
 Então, como explicar que tantos postam ali momentos muito íntimos e particulares de suas vidas, devassando-as para “todo o mundo”? Assumindo riscos no tocante à sua integridade pessoal e familiar, ignorando os alertas dos especialistas em segurança virtual?
 Os criminosos cibernéticos não estão mais no futuro. Eles já estão aí e aqui, prontos para atormentar e chantagear. Isso sem falar em atitudes de risco de ex-amores inconformados. O Facebook é um frankenstein fora de controle, que poderá a qualquer momento voltar-se contra seus postadores.
 Será que a necessidade de bem falarmos a nosso respeito e dizer ao mundo da quantidade de amigos e momentos felizes que temos e vivemos não será apenas um retrato abobalhado e patético de um mundo em exagerado ritmo e competição?
 Ou será uma reveladora compreensão e percepção inconsciente de que tememos nossa própria inutilidade, esquecimento e descarte social? Apesar de atuarmos em todas as plataformas, meios sociais e mídias possíveis, superconectados, não é verdade que nunca estivemos tão sós?
 E com tanta publicidade e devassidão pessoal, o que sobrará em cada um de nós, importante e suficiente, para provocar no outro descobertas e encantamento com nossas personas?