terça-feira, 9 de dezembro de 2014

OMISSÃO DO ESTADO, COVARDIA, POPULAÇÃO REFÉM DE INFRATORES E ARROGANTES

Em primeiro lugar parabenizo  Previdi pela sua post de hoje sobre as estrepolias de ontem, em que as pessoas de bem  foram  covardemente submetidas a torturas.
Leiam em  http://previdi.blogspot.com.br/
........
Falo eu agora aos leigos.
A Humanidade teve que se convencer, milênios atrás, que  faltava um basta para tanta mortandade a pretexto de fazer valer as vontades individuais.  O sujeito se via contrariado, ia lá e matava seu opositor. Vinha a tribo inteira e o linchava.  Firmou-se assim, virtualmente, o Contrato Social, pelo  qual as pessoas abdicavam de seus tacapes, flechas e punhais para delegar ao Estado o monopólio de fazer Justiça.
Ontem o que se viu foi uma horda  trancando ruas e  colocando em risco as vidas de inúmeros cidadãos de  bem. E o Estado nos deixou sós.
Que sorte tive de não estar por lá. Eu arrumava mais uns vinte fortões como eu e dava um laço e abria as ruas no braço, em legítima defesa própria.
O Estado se omitiu. De maneira piegas e criminógena ajoelhou-se e lambeu as sapatilhas dos contraventores.
Triste.
Na próxima não vai ficar assim. Anotem aí.
Menos mal que só faltam poucos dias até  1 de janeiro.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

NOSSA ADORADA ESTÂNCIA EM UNISTALDA -

Minha querida filha Milene, juíza de direito, seu marido e meu neto, passaram o fim de semana  conosco nos sagrados campos de Unistalda.
Algumas imagens da própria felicidade...




domingo, 7 de dezembro de 2014

UMA HONROSA VISITA PARA DONA MARISTELA GENRO GESSINGER NA PECUÁRIA



Hoje nossa família teve a honra de receber uma comitiva muito representativa  do Município de Unistalda. Vieram confabular com a sócia proprietária da Pec.Gessinger, Maristela, santiaguense, pecuarista, assessora jurídica do Tribunal de Justiça.

Compareceram a Vereadora Regina Maretoli ( PMDB), Ver. Paulo Guerra (  PMDB), Ver. Zeca Viana, (  PMDB), ex vereador  Elcio Cogo, mais os lideres comunitários Pesco, Francisco, Claudionor, Luiz Paulo,Luiz Adriano,Geci, Tereza e Floriza.
Foram trocadas idéias  sobre o futuro de Unistalda.

sábado, 6 de dezembro de 2014

AGREGAR- POEMA DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


                                                                        AGREGAR

                                   

                                                  

 

                                         “Não Matarás”: não basta.

                                         Teu mandamento será este: farás tudo para que o outro viva.

                                         É vero sim o que quero:

                                         não  me importa o estoque de teu capital, Brasil,

                                         mas tua capacidade de: amar

                                                                               lavrar

                                                                               aspirar

                                                                               compreender.

 

                                         Esse estatuto de miséria não é o nosso,

                                         e a tecnologia da última geração não me sacia:

                                         meu coração navegador quer mais.

                                         A Ética – cuspida, debochada, no reino do simulacro,

                                         Virou produto supérfluo porque não tem valor contábil.

 

                                         Tempo dessacralizado e sem utopia:

                                         a esperança é um cavalo cansado?

                                         A aventura acabou no mundo?

                                         Seremos apenas meros grãos de areia na imensa praia global?

                                         Habitantes de um mundo virtual neste mercado sem cara?

                                         Soará pomposo, eu sei:

                                         não deixemos que nos amputem a alma

                                         (e que acolhamos o outro).

                                         Ser gente: não mera massa abúlica, informe, com os olhos colados

                                         no retângulo luminoso de todas as noites.

                                         O tempo é apenas dos alpinistas sociais?

                                         Sou bom porque apareço, não apareço porque sou bom.

 

                                         Na internet,  a solidão é planetária.,

                                         mas do abismo – fragmento – irrompe um menino eterno,

                                         e sentes o cheiro de uma manhã fundadora.

                                         (A Morada do Ser é mais importante que o poder/glória.)

 

                                         E o poema resiste,

                                         singra a eternidade,

                                         despista a morte,

                                         seu estatuto não é mercantil.

 

                                         Já não esqueces o essencial:

                                         Na estrada de pó e de esperança, acolhes o outro.

 

                                         *Este texto obteve o Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Poemas,

                                          promovido pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, de Juiz de Fora,

                                          Minas Gerais, sendo contemplado com a Medalha de Ouro “Jacy   

                                          Thomaz Ribeiro.”          

                                          O tema do concurso foi “Solidariedade: Por um Mundo Melhor

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

DE ÁRABES E JUDEUS


Árabes e judeus lutando pelo Bem

 

                                              João Baptista Herkenhoff

 

Árabes e judeus disputam no Brasil uma competição a serviço do bem.

Em São Paulo, essa sadia rivalidade efetiva-se através da edificação de duas instituições primorosas: o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Albert Einstein.

Quisera que, em plano mundial, árabes e judeus travassem uma competição para o bem, em vez de ficar jogando bombas uns nos outros.

Tenho simpatia pelo Estado de Israel e tenho simpatia pelo Estado da Palestina.

Não consigo compreender porque não possam conviver, lado a lado, o Estado judeu e o Estado palestino.

Quando eu era adolescente supunha, como outros colegas também supunham, que Cachoeiro de Itapemirim, uma cidade localizada no sul do Espírito Santo, fosse a capital do mundo. Não, a capital secreta, como se diz, mas a capital real do mundo.

Em Cachoeiro havia a Casa do Estudante. No nosso imaginário, o plenário da Casa do Estudante, onde debatíamos todos os problemas (locais, nacionais, internacionais), era uma espécie de assembleia geral da ONU.

Pois bem. Nesse plenário glorioso, e que me desperta muita saudade, tive a oportunidade de saudar, num discurso inflamado, a criação do Estado de Israel.

Argumentei então, com irrestrita aprovação dos companheiros, que todas as nações têm o direito de constituir-se em Estado. Ora, os judeus eram uma nação, uma nação milenar dispersa pelo globo terráqueo. Logo, os judeus tinham direito a um Estado nacional.

Meu voto de regozijo pela criação do Estado de Israel foi aprovado por unanimidade. Comunicamos nossa decisão ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil, pedindo a ele que fizesse repercutir nossa manifestação junto aos líderes do Estado de Israel e onde mais fosse adequado. Não sei se nosso pedido foi atendido. Mais provável que não. Entretanto, em nossa mente juvenil aquela decisão tinha encontrado eco.

No mesmo pronunciamento, defendi que, da mesma forma que os judeus tinham direito a um território, o mesmo direito assistia a palestinos e a todas as nações. Nenhum povo da Terra podia ser privado de chão.

Agora, na idade adulta, reafirmo. Não é de forma alguma impossível que se efetive esse direito. Através dos canais diplomáticos, através da ONU, através da ação dos que lutam pela Justiça, pela Dignidade Humana, pela Paz, judeus e palestinos podem conviver, no respeito recíproco, trocando o fuzil pelo abraço, trocando a exclusão pela partilha, trocando a incompreensão pela tolerância.

É nesse sentido que deve atuar a diplomacia brasileira.

Em nosso país, judeus e árabes convivem muito bem.

Se dependesse da colônia árabe brasileira e da colônia judaica brasileira não haveria guerra no Oriente Médio.

Descendentes de árabes e descendentes de judeus no Brasil desdobram-se na prestação de serviços à comunidade para demonstrar, cada um do seu lado, a capacidade que têm de construir obras beneméritas. Nesse esforço extraordinário demonstram também a gratidão que alimentam, no fundo da alma, pela acolhida que eles, seus pais, avós e ancestrais tiveram neste país maravilhoso que se chama Brasil.

 

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado (ES), professor, escritor, palestrante. Autor, dentre outros livros, de: Direito e Utopia (Livraria do Advogado Editora, Porto Alegre).


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

MAIS UM PIAZINHO DE ESTANCIA VAI INDO BEM NOS ESTUDOS

Meu capataz Luiz César e a esposa Marilza tem três filhos. Um, o Luciano, já formamos em Veterinária; o outro , William está indo para a Agronomia e tem a rapa do tacho que é o Érico.
Sempre revisei os cadernos de aula deles e sentava-lhe o xingão quando relaxavam. Cansei de mandar bilhetinhos para as professoras, no próprio caderno.
Hoje o Érico irrompeu na minha casa, aqui na estância, perfilou-se como se estivesse na posição sentido e ficou segurando um maço de papel.
- fala guri!
- dr. ! passei de ano e bem!
Examinei cuidadosamente a prova e vi que era bem elaborada ( Unistalda tem uma excelente rede de ensino). dei-lhe um abraço e mandei uma carta para  a professora dele, a sra. Elza.
GENTE ! EDUCAÇÃO É TUDO !  
Cumprimentos aos professores e às professoras de Unistalda.

NÃO É POR QUE OS ILE DE FRANCE DA GESSINGER ESTEJAM ENTRE OS MELHORES DO BRASIL QUE VOCÊ VAI DEIXAR DE TER UM OU MAIS REPRODUTORES NOSSOS

Nossos carneiros  Ile de France são filhos de pais campeões na Expointer e outras feiras, bem como as mães, premiadíssimas.
Sábado agora, em Unistalda, vai haver uma feira de ovinos. Vá lá, fale conosco, faça sua proposta,  fazemos o brique  e ainda levamos na sua casa.
Os preços são acessíveis. Temos tanto P.O.  como S.O.
Ligue pro capataz  Luiz César - 55 96659559

A RÁDIO GAÚCHA SE TRANSFORMOU NUMA RÁDIO COMUNITÁRIA SÓ PARA A REGIÃO METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE DAS 5 ÀS 8 DA MANHÃ

 Não estou dando pau ou dizendo que a programação é de má qualidade.
Mas observem o seguinte: na estância eu tenho internet perfeita.Por ela leio todos os jornais e vejo o que o cara que mora em P. Alegre olha.
Na minha parabólica paga posso ouvir música clássica o dia inteiro pelo canal 907.
Pelo 979, a Rádio Gaúcha.
O que eu quero saber? coisas do Rio Grande , do Brasil e do mundo.
Eu e todos os ouvintes  fora de P. Alegre
Hoje sintonizei  às 5 da manhã.
- bom dia Macedo, bom dia Jocimar,bom dia sra. faxineira,bom dia ouvintes!  um caminhão atolou no viaduto de Canoas!
- bom dia Maiquel, bom dia Carlinho, bom dia ouvintes, e na redenção um motorista dormiu e capotou seu carro.
- bom dia Carlos, e de que marca era o carro?
- bom dia Macedo, bom dia ouvintes, o carro tropeçou numa pedra.
- Vamos voltar agora para o viaduto de Canoas, bom dia Claudete!
-bom dia Macedo,bom dia Jocimar, o....
.........
Deu, desliguei.
Moral: é uma programação que só serve para os da região metropolitana, que andam de carro, e ainda naquele horário.
Deve ser lucrativo par a emissora um espectro tão estreito de interessados.
Então, bom dia pra vocês....e tchau.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

MAIS DE MÊS APÓS O TORNADO, A PECUÁRIA GESSINGER VAI SE LEVANTANDO






Nunca pensei que fosse tão difícil reconstruir.  Construir é mais fácil. Mas a Gessinger ergue-se das cinzas como águia altaneira. Muitas vezes fiquei melancólico, mas nunca esmoreci.Mas é assim, somos, os produtores rurais, uns solitários. Nas cidades todos correm, dão lonas, fazem isso e aquilo, tudo muito louvável. De nós ninguém se lembra.Para nós é " te vira, panaca!" 
Fico frio, melhor não dever bexiga para ninguém.

MAIS UM BELO ARTIGO DE FRANKLIN CUNHA


               DEUS: SUBSTANTIVO MASCULINO

Franklin Cunha

               Por volta de 2300 anos a.C., o sumo sacerdote da Suméria compôs um hino em honra a Deus chamado "Exaltação de Inanna". Além de ser o mais antigo poema da História, ele é um canto  de extraordinária força e paixão e além disso, tem uma curiosa particularidade: tanto o sumo sacerdote como o deus eram do sexo feminino.

              No princípio dos tempos, quando a humanidade emergia da escuridão da pré-história, todas as divindades tinham representação ginecomórfica, obviamente refletindo a organização social da época onde a linhagem matrilinear predominava. A explicação  é  de que o homem primitivo, ignorando a relação entre o coito e a fecundação, diante do milagre da vida proporcionado pela mulher, dominado por sentimentos ambíguos de admiração, temor e inveja, atribuía poderes extraordinários à figura da mulher-mãe a qual, inclusive presidia a fertilidade da terra e dos animais domésticos.  Assim se compreende o achado constante, no período neolítico, de representações de mulheres grávidas em pinturas murais, terracotas e esculturas em osso.Alguns historiadores afirmam que tais interpretações  não passam de mitos. Porém desde que o arqueólogo Sir Arthur Evans, descobridor da grande civilização minoana de Creta, afirmou que as inúmeras figuras de deusas, representavam a mesma "Grande Mãe" cuja veneração estendia-se por toda a Ásia Menor  e regiões mais distantes, os pesquisadores modernos vêm aceitando o fato de que a "Grande Deusa-Mãe " estava presente em todas teogonias primitivas. Eram idealizações criadas por sociedades pacíficas, não competitivas, com relações de parceria e de não dominação entre os sexos.

           No entanto, alguns povos bárbaros e belicosos adotaram, com o tempo, deuses machos, violentos e vingadores.No século II AC, por exemplo, hordas indo-européias, nômades e adoradoras de tais divindades, conquistaram a Grécia - naquele tempo povoada por veneradores de deusas-mães - mas não conseguiram eliminar a influência cultural e religiosa do povo subjugado. As divindades femininas embora desprezadas, continuaram a aparecer em todos os momentos da história grega. Com o predomínio em nossa cultura da religião judáico-cristã, as deusas desapareceram do cenário celeste e as mulheres foram deslocadas do espaço público para o privado. O patriarcado  e sua metáfora edipiana, a falocracia, legitimaram a violência e o domínio de metade da humanidade sobre a outra.

         Os dois tipos humanos básicos são o masculino e o feminino e o modo como se estrutura o relacionamento entre homens e mulheres determina o arquétipo comportamental nas relações humanas e este relacionamento dominador-dominado é internalizado por crianças educadas em famílias e escolas tradicionalmente patriarcais.   

      Agora, novos ventos laicos e religiosos, parecem estar soprando e  refletem paradigmas alternativos de comportamento social. Por exemplo: o sínodo da Igreja Anglicana, pressionado por organizações feministas, recentemente aprovou um documento no qual decidiu suprimir da liturgia, qualquer referência a Deus como um ser do sexo masculino. A opção foi defini-lo como um ser misto, entre homem e mulher. Esse documento é sem dúvida uma conseqüência das novas funções sociais ocupadas pelo sexo feminino, inclusive o de sacerdotisas nos ofícios daquela instituição religiosa inglesa.                                                                  A Igreja Católica por sua vez, tergiversando,pronunciou-se sobre essa matéria dizendo que Deus é um espírito puro: nem homem, nem mulher. Talvez os teólogos católicos romanos, enxergando mais longe do que os anglicanos, queiram evitar futuras controvérsias diante da instigante questão a ser colocada pelas sempre ativas organizações homossexuais: uma idéia de Deus à sua imagem e semelhança.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

AS AMIZADES - BEM TÃO PRECIOSO

Estava eu hoje no 11. andar do Tribunal de Justiça, onde fui entregar uns memoriais.
Ao sair do Gabinete topo com um amigo que não via  " hace tiempo". Como ele ainda é magistrado da ativa, cumprimentei-o discretamente, mas ele veio ao meu encontro e me envolveu num abraço apertado. Eu acompanhara umas vicissitudes suas, coisa não rara nas carreiras jurídicas, que resultaram numa preterição na promoção.  Ele me perguntou se eu soubera. Respondi-lhe que sim e que eu mesmo levei umas "caronas" que tive que engolir em seco.  Falei-lhe que não guardasse mágoa, que em seguida seria promovido, que mais importante era sua respeitabilidade.
Notei que se emocionou e nos demos um novo abraço e o liberei.
Em direção ao elevador, tropeço com um serventuário de quem sempre gostei muito. Nos relinchamos e ele disse que sempre que vai a São Borja vê a placa da Pecuária Gessinger e fica com vontade de chegar.  Charlamos um pouco e desci até o primeiro andar. Havia uma manifestação, um protesto na frente e os guardas do Tribunal, todos de terno preto, fazendo a segurança e preservando as galas da Casa da Justiça. Um deles, já de cabelos tordilhos ,  veio em minha direção e me deu um abraço.
Apesar da canícula decidi vir a pé de volta ao escritório. E vinha pensando: meu Deus, quantos amigos encontrei na vida? os da infância em Santa Cruz, os da Faculdade, os colegas juízes, os amigos das comarcas onde andei, os dos clubes, como a Libanesa, onde nunca mais fui.
Pensei , num momento de delírio: que vontade de promover uma festa monstro, nem que me custasse 100 ou 200  novilhas e reunir, com boca livre e hospedagem, todos os amigos dos quais me lembrasse, com três dias de cantoria e festejos.
Cogitava desse devaneio  já a sério quando me dei conta: um só que eu esquecesse e estava feita a porcaria. Iria me incomodar o resto da vida.
" Deixêmo", como se diz em Unistalda. 
Mas amizade vale muito. Nunca um amigo devemos perder.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

BANHO DE RIO - QUE SAUDADE

A foto abaixo é atual, do site Nova Pauta de Santiago.
Puxa vida, eu conheci o mar aos 18 anos e daí nunca mais tomei banho de rio ( só de sanga lá da fazenda).
Que lindo o povo confraternizando nas águas de um rio amigo.
Vocês que moram em N. York, P. Alegre, São Paulo, vão sentir uma certa nostalgia...
 Muitos aproveitaram o forte calor para um banho de rio.

domingo, 30 de novembro de 2014

TOUROS DA GESSINGER QUASE NO FIM; CARNEIROS ILE DE FRANCE AINDA TEMOS DE TODOS OS PREÇOS





Os angus e brangus da Pecuária Gessinger são filhos de pais cujo sêmen é  importado e de mães tatuadas. Já viu né? O ardor sexual desses touros é algo! Basta ver o exame andrológico. Com esses touros não tem muito namoro nem enrosco: a novilha ou a vaca está no cio e já assediam e num zás está feito o amor, sem culpa nem desculpa. E cada terneiro lindaço !
Seguinte, amigo: quer um ou dez? a  gente sempre faz o NEGÓCIO, dum jeito ou doutro.
Você vem aqui olhar, escolhe e nós levamos na sua fazenda. Nós mesmos lhe damos prazo. Nunca aconteceu, mas se o touro é meio daqueles vacilantes, " troquêmo"  na HORA.
Reprodutores Ile de France ainda  temos, desde P.O  até S.O.
Todos com andrológico.
Preços super acessíveis.
FONE  55 96659559 - COM LUIZ CÉSAR

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

REVIRANDO MEUS PORÕES, ANTES QUE SEJA TARDE


RECOLHENDO INDÍCIOS

 

Estava eu no início do 4ª. Ano de Direito da UFRGS, quando soube que haveria um concurso para Delegado de Polícia, em que eram aceitos candidatos que ainda eram acadêmicos de Direito. Os aprovados ficariam um ano na Academia de Polícia, percebendo uma verba equivalente à metade do que pagavam ao delegado. Maravilha: era minha redenção financeira.

Pois não é que fui aprovado, aos 21 anos? Cursada a academia, classifiquei-me em primeiro lugar da turma. Não sei se mereci, mas estudei muito, principalmente , a cadeira de Investigação criminal. A palavra chave era: olhar bem a cena do crime.

Corta para um ano depois, quando fui nomeado Delegado de São Jerônimo.

Lá na delegacia  havia um sujeito muito estranho, chamado Paulo Santana, ao que me consta , na época, inspetor de polícia, isso em l968. Passava usando uma camiseta do Grêmio e, aos  sábados,participava de uma programa de TV chamado Conversa de Arquibancada. É  o mesmo Paulo Santana,para uns um gênio da Zero Hora e, para outros, um idiota. Ainda não formei minha opinião, mas para burro ele não servia.

Um dia comunicaram que um incipiente mercado, chamado  Lebes, havia sido assaltado numa noite em que jogavam Santos e Grêmio. Fui lá ao local do assalto e , mesmo sendo um mero piá,falei aos veteranos investigadores, que sabia quem deveríamos procurar.  Riram-se alguns, entre os quais o Santana. No chão estava um cofre virado e arrombado. E, ao lado, havia um sapato,do pé direito, ensanguentado. Também ao lado havia um chinelo do pé esquerdo, sandálias havaianas, intacto. Faltava o pé direito.

- Gente, temos que ir aos hospitais, pois um dos caras que derrubou o cofre sofreu um acidente, seu pé direito deve ter sofrido uma fratura. Ele tirou o sapato e , em seu lugar, meteu a havaiana.

Não deu outra. Em P.Alegre achamos uma entrada no Pronto Socorro com essas características, fomos ao endereço e achamos o gajo.

Quando me formei  em Direito, em 17 de dezembro de l969, pedi demissão e fui advogar.

Me apavorei quando um que acompanhava nas investigações, não era o Santana, nem ninguém  da DP que eu chefiava, sugeriu que tirássemos o gesso do preso e torcêssemos seu pé, para ele confessar.

Hoje isso é coisa do passado, “ Deo gratias”.

Teria mais coisas para contar. Mas alguns episódios vou levar para o túmulo,” rectius”, para a cremação.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

CRIANÇAS - CONTINUAÇÃO DO MAIL DO LENDÁRIO FRANKLIN CUNHA


 

A NEUROCIÊNCIA E A CRIANÇA DE ZERO A TRÊS ANOS

Iole da Cunha

Neonatologista

Porto Alegre, RS

Quando nasce um bebê, antes mesmo que a mãe o abrace, o olhe ou o toque, já se iniciou neste novo individuo um célere processo de desenvolvimento. Principalmente em seu cérebro. Mas diferentemente da maioria dos seus órgãos, em que novas células se originam da divisão das já existentes, o cérebro cresce graças a modificações dos neurônios já existentes. Como resultado da nova experiência interativa do “organismo bebê” com o “objeto mãe”, iniciado antes do nascimento, os aproximadamente 100 bilhões de neurônios que constituem a base genética do cérebro humano vão se modificar. Para cumprir sua função de se comunicar entre si, permitindo que a informação que vem da experiência viaje de uma parte do cérebro para outra, surgem redes neurais, que se constituirão na estrutura do que será o indivíduo como um todo (self). Esta microestrutura neural, base da macroestrutura do cérebro, gera funções que vão desde a capacidade de regulação homeodinamica, a auto-regulação afetiva, a literacia, a função mental enfim com os sentimentos, a comunicação social até outras mais sofisticadas como a linguagem, o aprendizado, e a possibilidade de elaborar conceitos e buscar soluções.

Enquanto um pai tenta confortar um bebê que chora ou uma mãe conversa com seu filho numa relação “olho-no-olho”, ou enquanto o neto ouve a história que a avó lê, numa questão de segundos, milhares de células do cérebro destas crianças proliferam, se desorganizam, são eliminadas, reorganizadas e organizadas pelo estímulo destas experiências particulares. Formam-se novas conexões, conferindo mais definição e complexidade ao intrincado circuito que poderá permanecer pelo resto da vida e se constituir naquilo que será o adulto.

Mas, estes conhecimentos são recentes. Faz pouco, ficou-se sabendo que o bebê não é uma tabula rasa ou uma massa informe moldável segundo os desejos do adulto. Até bem recentemente, não era acessível e generalizado o conhecimento da enorme atividade e complexidade do cérebro do bebê. Também não se sabia quão flexível o cérebro pode ser! De quinze anos para cá, os neonatologistas, agregando conhecimentos de outras disciplinas, principalmente da neurociência, puderam explicar cientificamente quem eram realmente os bebês sob seus cuidados. Na verdade, os neurocientistas se encarregaram de mostrar que a determinação genética que organiza o cérebro do bebê é importante até 21 semanas de gestação. A partir de então e principalmente com o nascimento (prematuro ou a termo), a epigenética ou seja a experiência vivenciada desde os primeiros momentos, pelos cuidados, têm um impacto tão grande na arquitetura do cérebro, a ponto de se estender às capacidades do futuro adulto.

Os conhecimento trazidos recentemente pelas ciências do cérebro junto a experiência clínica como intensivista em UTIN (Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal) fez desenvolver a pretensão de acreditar que cuidados adequados nos três primeiros anos poderiam fazer a profilaxia e proteger os bebês não nascidos, os recém-nascidos, suas mães e famílias das terríveis conseqüências que ensombrecem os relacionamentos atuais.

O bebê

Nos últimos anos os avanços da neurociência confirmaram o que os neonatologistas e demais agentes de saúde das UTIN suspeitavam: o bebê não é tabula rasa, mas indivíduo dotado de processos mentais ou mente que emerge de uma estrutura cerebral. Desde 20 a 24 semanas de vida pré-natal, quando se completa a migração neuronal, e o cérebro já tem 100 bilhões de neurônios, o pequeno amnionauta, ou aeronauta se for um prematuro limítrofe, é capaz de perceber a sua circunstância, o ambiente que o cerca, e formar proto-representações decorrentes das experiências e emoções que esculpirão os mágicos caminhos do seu cérebro em desenvolvimento e formarão seu self.

A neuro-embriologia define o córtex límbico-órbito pré-frontal como a matriz da mente de zero a três anos, ou seja desde o limite da prematuridade, pois o bebê zero é o recém-nascido, quer seja prematuro extremo ou a termo. É um período de imaturidade anatômica, mas de maturidade funcional tanto maior quanto mais prematuro for o bebê. Sua função mental é definida pela habilidade de categorização perceptual, que permite ao bebê a inscrição de sensações de afetos positivos, que lhe determina sentimentos de segurança e acolhimento. Ou de afetos negativos determinando insegurança e desamparo. São os dois modos de perceber o mundo neste período inicial, e se estes registros forem contínuos e suficientemente fortes, eles têm grande chance de esculpir circuitos neurais duradouros podendo interferir no desenvolvimento e na aquisição das habilidades cognitivas. Nesse período do desenvolvimento, os órgãos dos sentidos são especificamente maduros, para conferir ao bebê uma fina e específica somatosensorialidade, e enviar os estímulos até o córtex das emoções no sistema límbico-órbito frontal, gerando proliferação das terminações sinápticas e graças principalmente ao hipocampo e amigdala, arquivar as memórias destas vivências e criar seu conteúdo emocional. Aos três anos, começa a madurecer um novo processo mental: a categorização conceitual, pelo surgimento da consciência assentada no crescimento e amadurecimento do córtex executivo. A criança começa a dar-se conta de que o outro não pensa como ela. Esta consciência gera a conceitualização e a percepção da individualidade.

O senso coerente de consciência, que se desenvolve na experiência interativa com o outro (self-non-self, mundo, circunstância) depende em muito da percepção do bebê de sua interação com o cuidador, forjada nas vivências do seu passado de zero a três. Poderá ser uma percepção de sintonia, ou Mesmo desde antes da concepção, visto com estes novos olhares, o bebê necessita ser desejado porque deve perceber que o que lhe garante a satisfação não é a mera presença da mãe, mas que ela o deseja. E desta forma passará a desejar o desejo da mãe e não a mãe em si. A percepção de afetos positivos está na base da caspacidade de auto-regulação afetiva, e na aquisição das funções executivas responsáveis por iniciar e desenvolver uma atividade com um objetivo final determinado. O bebê de zero a três, necessita que seu cuidador (mãe) use seu córtex executivo (já que até o final deste período o seu ainda não se desenvolveu para esta função) a fim de ajuda-lo a nomear o mundo e se tornar autônomo o que começa a ocorrer aos três anos.

Estes conhecimentos geram a responsabilidade de modificar os cuidados do início da vida. São uma nova ferramenta capaz de mobilizar o bebê interno do cuidador enquanto ensina uma nova linguagem, não a da palavra articulada, mas a pré-verbal, somatizada no corpo do bebê, imaturo para saber porque os outros não pensam como ele, mas ainda incapaz de comunicar seu desamparo pela semântica e a gramática. Admite-se que os distúrbios do desenvolvimento e a violência social nascem da percepção de abandono e negligência neste período inicial e, para preveni-los, é necessário cuidar bem das crianças desde o ventre materno. E até antes,explicando aos cuidadores delas o ser humano como criança e suas vicissitudes contingenciais.


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