segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O QUE HOUVE COM BOLSONARO?

 Confesso que votei nele, para dar uma mudada no panorama, que estava louco de podre.

Logo após sua posse, Bolsonaro começou a bater cabeça com seus próximos. Bateu cabeça com seu vice, o general Mourão.

Xiii, fiquei cabreiro.

Agora está copiando o Lula. Dê-lhe auxílios indiscriminados. Até gente com 15.000 por mês vai lá e pega o auxílio emergencial.

Em seguida o Ministro Guedes pula fora da canoa.

Tudo indica que teremos inflação.

Estou estocando comida. 

sábado, 3 de outubro de 2020

ARTIGO MAGISTRAL DE PARCIVAL PUGGINA

 

DESFAÇA ISSO, PRESIDENTE!

por Percival Puggina. Artigo publicado em 

Os atos de Estado, os atos políticos, cobram explicações. Muitas vezes, nós, pobres cidadãos, as dispensamos porque os atos são esperados e coerentes. Noutras ocasiões, porém, eles surpreendem e ensejam elucubrações, mal-entendidos e desgastes. Para evitar isso, os governos promovem eventos em que anunciam suas ações. Por isso, os projetos de lei se fazem acompanhar de justificativas. Por isso, o Congresso e o STF realizam audiências públicas, os ministros dos Tribunais Superiores leem seus votos e os parlamentares discursam.

 A indicação feita pelo presidente da República para ocupar a cadeira vacante no STF está a exigir uma explicação. A sucessão causada pela aposentadoria do ministro Celso de Mello vinha proporcionando sugestões fáceis de entender, coerentes com expectativas que se foram consolidando nos últimos dois anos. De repente, o nome de Kassio Nunes Marques sai, sabe-se lá de qual cartola, como um estranho e surpreendente achado. Não estou falando de pouca coisa, nem de pouca gente. Um contingente numeroso de cidadãos confiava – confiava, sim – em que emergiria deste momento que estamos vivendo um novo ministro antagônico ao que tem caracterizado a conduta da maior parte de seus futuros colegas, notadamente após a vitória de Bolsonaro. O presidente sabia disso. As manifestações que se seguiram à revelação do nome e as informações que foram surgindo em nada contribuíram, porém, para esclarecer as razões de sua decisão.

 A indicação não é autoexplicativa e o que foi dito em nada ajudou. Esperava-se alguém que não fosse tão festejado pelo cacique da OAB, Felipe Santa Cruz. Pessoalmente, eu preferia um jurista que causasse grande contrariedade a esse cavalheiro. Preferia um nome que fizesse tremer as bochechas do ministro Gilmar Mendes. Preferia alguém a favor da prisão obrigatória após a condenação em segunda instância, ou seja, que proporcionasse o voto necessário para reverter a decisão que restaurou, em novembro do ano passado, travestida de “garantismo”, a eterna impunidade dos meliantes endinheirados. Preferia alguém que sequer soubesse quem é o senador piauiense Ciro Nogueira. Para conveniência do próprio colegiado, preferia alguém oriundo dos quadros da Justiça de Primeiro Grau, aprovado em concurso, com experiência forense, curtido em audiências de criminosos e de suas vítimas. Preferia alguém pé no chão do Brasil real, aquele onde vivem cidadãos que não aceitam pagar as lagostas dos jantares da Corte. Eu não queria alguém indulgente com as pretensões ideológicas de um tribunal que legisla e, a toda hora, intervém em atos do Executivo.

Esse perfil, perfil das expectativas vigentes durante tanto tempo, se aproximaria muito mais dos anseios que muitos de nós mantínhamos em relação a quem ocupará a cadeira desde a qual Celso de Mello vinha servindo à nação sua amargura e sua visão de mundo.

Enquanto escrevo, olho a janela. Chove e venta em Porto Alegre. A chama da minha esperança não pode sair à rua. Reitero: desfaça isso, presidente!
 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

MUDANÇAS COM A PANDEMIA

 Vamos por partes, como diria Jack, o Estripador.

Será que, de agora em diante, o professor de direito terá que ir à sala de aula? Talvez só por ocasião dos exames. É preciso que o escritório de advocacia tenha várias  salas? Ou basta só uma? As audiências serão “on line”? Vai ser necessário um atendente na portaria das empresas ou os contatos se farão todos por telefone ou internet? 

E quanto à nossa vida em sociedade?

No começo da pandemia  fiquei muito inquieto, queria sair à rua. Antes de começar um jogo de tênis ficava mais tempo abraçando os amigos, conversando, contando as novidades, para depois jogar. Hoje agendo o horário, levo junto meu parceiro ou o encontro na academia. Tem  que chegar na hora. Esgotado o tempo de jogo, ir direto para casa. Os clubes tendem a acabar, para dar lugar a academias privadas.

No tempo em que estagiei no Max Planck Institut em Freiburg, 40 anos atrás, piscinas, quadras, já naquela época tudo era da iniciativa privada. Queria nadar? pagava pelo tempo, colocava uma touca, cruzava pelo pedilúvio e pronto. Bem mais prático do que pagar mensalidade.

Aposentada, minha mulher Maristela voltou às aulas de inglês.Em breve vai retomar as aulas de piano que interrompeu quando  jovem. Quer porque quer comprar um piano meia cauda branco.Eu voltei a tocar violino todos os dias.

Redescobrimos  a maravilha que é fazer comida em casa. Ajustamos, os cardápios para almoço e janta durante toda a semana. Feito isso vamos ao supermercado comprar os víveres correspondentes.  Descobrimos que ,comendo saladas com vagar, o almoço pode ser bem frugal. Antes eu comia correndo ou me empanturrava  de “fast food”.

Antes de março passava olhando o celular a cada 5 minutos, para ver se havia uma mensagem. Agora  deixo o aparelho desligado na maior parte do tempo. Desde o início da pandemia não compro nenhum calçado, nem roupa. Me dei conta de que os roupeiros estão lotados. Só que usava quase sempre as mesmas peças. Agora a coisa é na base da bermuda, bombacha , camiseta, tênis ou chinelo. Desde março não sei o que é gravata ou terno. 

Bom é viver em cidade pequena.

Eu sempre achava que cachorro era para ajudar nas lidas do campo ou para ser guarda da casa. Agora descobri que as duas cadelas que Maristela comprou, a Rusalka e a Sissi, são membros da família, dormem dentro de casa, falam com os olhos e gostam de se aninhar na frente da lareira ou nas poltronas. Gostam de algumas frutas. Pode isso? Achava que só comiam ração…

Resumo :mesmo ao fim da pandemia, vou continuar com esse estilo de vida.

“E la nave va”.

 


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

DIPLOMACIA É SEMPRE MELHOR

 1)O ex senador catarinense Nelson Wedekin, que escreve sob o pseudônimo Tito Guarnieri, publicou no seu blog o que eu já previra.



“O ex-juiz Sérgio Moro é uma estrela cadente. Claro, com o prestígio que acumulou nos seus anos de ouro do juizado de Curitiba, ainda é chamado para uma entrevista aqui e ali. Mas que perdeu o brilho não tem dúvida. Foi um erro talvez irreversível ter acreditado em Bolsonaro e ter aceitado o convite para o Ministério da Justiça.



Atualmente Moro leciona em duas faculdades de segunda linha e escreve e assina artigos na revista Crusoé, do site O Antagonista. Não sei como ele se sai de professor. Mas cada artigo seu – assim como os de outro colaborador da revista, Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-número 2 da Força-Tarefa da Operação Lava Jato – é uma sucessão de abobrinhas: estilo vulgar e conteúdo pobre.” 


Agora noticia-se que Moro está inscrito como advogado na OAB. Vamos ver como se sai na advocacia, que é um campo eivado de dificuldades. Vai ter que se munir de muita calma, persistência, paciência e sabedoria.

2) Estranhei muito quando li nos jornais que um desembargador concedera uma liminar para sustar um  processo. Houve um recurso para o Órgão especial. Outro desembargador mandou que os autos baixassem ao que concedera a liminar para consertar a decisão . Alegava que a decisão não estava suficientemente embasada. Pergunto-me: não teria sido melhor apreciar assim mesmo ,sem expor o colega? Custa-me crer que a liminar não tivesse um mínimo de fundamentos.

3)Também me causou espécie a teimosia de um integrante da Alta Corte , em vias de sair pela compulsória, querendo o depoimento pessoal do Presidente da República. Está visto que o Ministro quer constranger. O que custaria simplesmente deferir a prestação das explicações por escrito?

Penso, respeitando opiniões em contrário, que os ministros do STF deveriam ter um mandato temporal e não como agora em que vão até os 75 anos. É necessária uma oxigenação.

Centenas de juristas , relativamente jovens, estariam aptos a essa tarefa.

4)Para finalizar.

Todos nós sabemos que na Europa as pessoas relutam em consumir bens importados de países que “ agridem” a natureza. Achei o discurso de Bolsonaro na ONU bem equilibrado.Mas não pode parar aí. Penso que deva encontrar-se com mandatários da União Européia, dar explicações com  lhaneza e não dizer, simplesmente que a Europa não tem mais nada para queimar porque já queimou tudo.

O que causa danos afeta o mundo todo, não importa onde. 

A diplomacia é o melhor caminho. Do contrário nosso Agro vai sofrer boicotes.


segunda-feira, 21 de setembro de 2020

AS CASAS TAMBÉM SENTEM SAUDADE

 Logo que começou a pandemia fiz como fazem os europeus, principalmente os alemães: enchi minha caminhonete de comida. E me mandei para Xangrilá. Foi uma bela providência pois estava todo mundo com medo de que faltassem as coisas. No começo eu não usava máscara. Os prefeitos do Litoral despejavam cargas de areia na praia para evitar que carros entrassem na orla. Vieram policiais fardados para tirar os passantes. Não adiantou e ninguém morreu. 

De uma semana para outra Capão, Xangri, Torres e outras menos votadas incharam. Parecia um feriadão de carnaval. Filas e filas nos supermercados. É que o pessoal, foi ficando, gostou e acabou decidindo permanecer.Dois amigos meus reformaram as casas, outros compraram imóveis colocando todos os confortos que tinham na Capital ou no interior.


Passei a administração da fazenda para meu filho Rudolf. Ele trabalha no TJRS mas vai todos fins de  semanas para ver como estão as coisas. São 550 kms de ida e 550 de volta. Guri novo, filho de fazendeira, deu certo.

A casa da fazenda portanto está bem satisfeita.

E o apartamento de P. Alegre, essa jóia do qual  vejo nosso jovem  Governador andando por entre as flores dos jardins?

Semana passada fez 5 meses que eu não ia para a minha torre de vigia, de onde vejo os palácios dos três poderes.

 Deu saudade e sábado fomos cedo a Porto Alegre.

Mas, sempre tem um mas. Os splits não queriam funcionar, todos os relógios de parede estavam loucos, cada um com uma hora, mas todos parados. As hidras dos banheiros, a cada descarga deixavam torrentes de água correndo sem parar. Tive que correr para achar onde era o registro e não achava. O zelador me salvou. 

Me ligou um colega para uma” live” urgente. Não me lembrava mais da senha do wi fi.

Bueno, fomos ver  o que havia no freezer. Achamos alguns congelados, mas todos vencidos.

Desci para voar até o supermercado. O porteiro estava bem mais gordinho e com os cabelos mais brancos.

Cada quarto e as salas têm sua TV. Me apressei para assistir a final do US Open. Os aparelhos  tinham perdido a configuração. 


Esbaforido sentei-me , lá estava ainda aberto o livro da Isabel Allende ( Muito além do inverno), na pg 58, assim como o deixara 5 meses atrás, achando que voltaria  em questão de dias.

Assim como uma criança manhosa , nossa casa , apesar de linda e faceira, fez beicinho. “Onde é que se viu, (pensava ela), me trocar por uma casa a nível do solo , logo eu, charmosa, que habito entre as nuvens. Logo a mim que sou íntima da Catedral, do Palácio Piratini e do Solar dos Câmara!”.

Pois é, as casas têm saudade..





sábado, 23 de maio de 2020

TEREMOS ELEIÇÕES ESTE ANO?

ARTIGO 
TEREMOS ELEIÇÕES ESSE ANO?
Talvez uma das perguntas mais presentes nas redes sociais, em meio a uma pandemia que enfrentamos com o coronavírus, seja essa: teremos eleições esse ano? A resposta é uma só: Sim! O que talvez tenhamos ainda muitas dúvidas é se elas vão acontecer em outubro, normalmente, ou se teremos o pleito municipal adiado para novembro ou até dezembro. O período é excepcional e sobre isso não temos nenhuma dúvida.
O Direito Eleitoral, braço do Direito Constitucional que é responsável por regrar as eleições, conta com alguns princípios como, por exemplo, o princípio da anterioridade ou anualidade que, previsto no artigo 16 da Constituição Federal, sendo cláusula pétrea, prega que qualquer mudança no calendário eleitoral só é possível se acontecer em um ano antes do dia das eleições. Essa seja, talvez, a maior dificuldade no processo de definição do calendário eleitoral, visto que princípios são princípios.
Mas temos algo inevitável, uma pandemia que impôs um cuidado muito rigoroso com isolamento social. Isolamento é algo que não combina com campanha eleitoral. Campanhas exigem mobilização de pessoas, encontros e reuniões, isso tudo presencial, mesmo que os candidatos e partidos contem com o apoio de poderosas redes sociais. Além disso, temos a questão do debate. O coronavírus vai dominar o debate entre os candidatos, deixando questões importantes que se referem as nossas cidades, como saneamento básico, de lado. Arrisco a dizer que a discussão eleitoral será polarizada entre candidatos que defendem o isolamento horizontal e candidatos que pregam o vertical.
Essa preocupação com a real discussão da realidade de nossas cidades que me faz ser contra a unificação das eleições no Brasil. Mesmo que eu leve em consideração o gasto exorbitante que ela gera para os cofres públicos, discutir quem será o prefeito com os candidatos a governadores e presidente vai limitar muito o debate. Teríamos então candidatos a prefeitos eleitos só por causa do voto pra presidente. O alinhamento seria automático.
Sobre a questão do adiamento das eleições, ela precisa de uma emenda constitucional que não será difícil de acontecer, tendo em visto o entendimento do Congresso sobre o assunto. Em uma ação apresentada pelo PP, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que a mudança do dia das eleições é de competência exclusiva do Congresso. Legislar deveria ser um verbo único do Poder Legislativo, apesar de vermos com muita frequência a usurpação dessa competência pelo Judiciário. Os prazos para filiação, mudança de domicílio eleitoral e de desincompatibilização foram mantidos pelo Supremo.
Tivemos até agora algumas alternativas apresentadas como unificação das eleições municipais com as eleições gerais, prorrogando os mandatos dos atuais governantes municipais; realizar as eleições em três dias para evitar aglomeração, o que iria dificultar muito o seu controle; fazer as eleições em novembro e por último realizar o pleito em dezembro, apostando que nesses meses o controle sobre a pandemia seja maior. Em dezembro seria mais difícil, tendo em vista que teremos pouco tempo para transição de governos, período que a atual gestão repassa todas as suas informações e funções aos mandatários eleitos. Todas essas questões já estão sendo analisadas por um grupo suprapartidário montado pelo Congresso Nacional que, ainda sem consenso, estuda a questão, inclusive como afastar o princípio da anterioridade.
Atualmente o primeiro turno está previsto para acontecer em 4 de outubro e o segundo, para cidades com mais de 200 mil eleitores, em 25 de outubro. A hipótese mais palpável é que tenhamos novas datas, como 15 de novembro e 6 de dezembro, primeiro e segundo turno respectivamente. A minha opinião é que a prioridade é o cuidado com as pessoas. Não podemos fazer uma eleição meia boca. Mas também entendo que prorrogar mandatos pode não ser uma boa opção. Espero, sinceramente, que as coisas melhorem o mais rápido possível e com segurança possamos debater as nossas cidades com clareza e transparência com os eleitores. A preocupação com vidas deve ser maior do que princípios previstos em nosso ordenamento jurídico. A excepcionalidade exige!
Por Fernando Silveira de Oliveira, 24 anos, formado em Direito pela URI Santiago e estudioso de Direito Eleitoral.

                                          
Fernando Oliveira
Santiago - RS - Brasil

sexta-feira, 22 de maio de 2020

SONHOS E INDIGNAÇÕES


Quando começou esse auê do virus, fiquei frio, levei minha vida normal, de P. Alegre para Unistalda, de lá para Xangrilá , desconheci solenemente a ordem do régulo municipal que se arvorou em legislador federal,passeei na orla, nos domínios do que pertence à União ( lembremo-nos que nossos municípios ainda não são nações independentes, conquanto alguns prefeitos se arvorem à condição de imperadores). No entanto o pessoal foi se assustando e começou uma bagunça de informações pelas redes sociais. 
Estava me  lembrando de um sonho que tive. Eu era um recruta que iria lutar contra, deixa-me ver, contra a China. Minha arma era um revólver calibre 22, daqueles de matar tico-tico. Posição! Sentido! Entrou o general, o marechal, o sargento, não consegui ver bem as dragonas e exclamou: “ vamos combater o exército da China, mas vejam bem, cuidem-se, não queremos que ninguém morra, por isso vocês vão ficar dentro dos quartéis, bem quietinhos”. Ao que um recruta redarguiu: “ mas daí vamos morrer de fome!” O comandante disse:” isso é bobagem, nosso agro é forte,agro é pop,  vocês só pensam em comida!”. Os produtores rurais nos salvariam. Para eles não tem ruim. Mas e as indústrias? Nisso acordei todo suado.
O que me está incomodando é o fato de a maioria dos mandatários públicos nunca ter pegado numa enxada, nem montado num cavalo, não para desfilar tipo gauchinho de apartamento, mas para cuidar do gado. Me incomoda que não estão nem aí para os prejuízos.
  A maioria quer tirar o seu da reta. Aí ficam pintando corzinhas, mandando restaurantes afastarem as mesinhas  tantos milímetros para cá ou para lá. Coisas de burocratas que mandam o povo  usar esses paninhos, mas eles aparecem na foto sem nada.
Impossível não falar sobre nosso  presidente. Não sei que livro pode ter lido para levar o presidencialismo a este purismo. O presidente é que manda e fim de papo?Não pode continuar assim. Não creio que  domine todas as áreas do conhecimento. Precisa de seus ministros para o ajudarem a governar. Para alívio geral parece que está menos impulsivo e mais cordato. A grande verdade é que andou dando tiros no próprio pé.
É evidente que está no ar o fenômeno da submersão,com escafandro e tudo. Conheço dezenas, quase centenas de políticos que há meses eram partidários incontestes de nosso presidente. Hoje estão quietos, submergiram para esperar o que vai acontecer. Vamos ver quanto dura o oxigênio.
Pergunta final: sou comerciante, não fiz nada errado, mandaram eu fechar as portas, tive um baita prejuízo. Quem vai me ressarcir?

quinta-feira, 9 de abril de 2020

MAIS DIÁLOGO SENHORES


A vida me ensinou algumas coisas. Uma delas reza que é melhor conciliar do que, estando em vantagem, mesmo assim teimar e prolongar a discussão. Também muito observei na vida que quanto menor a educação de berço de uma pessoa guindada a alto posto, maior é o uso bruto de sua “otoridade”. 
Existem nos tempos atuais pessoas cujo conhecimento se cinge ao seu mundo particular e profissional ou ocupacional. Está cada vez mais rarefeito o conhecimento enciclopédico ou como dizem os alemães, uma “Weltanschauung”, uma visão do mundo. 
Ocorreu, então, o vírus. Não sou imprudente a ponto de dizer o que é melhor ou pior. Mas me incomoda muito a possibilidade de milhares de pequenos, médios e grandes empreendedores quebrarem. Até li, numa publicação de negócios, que poucos conseguirão sobreviver a uma paralisação de dois ou três meses. Os pequenos, então, já estão sem caixa.
Me indigna a atitude de alguns gestores da coisa pública de todas as esferas. A maioria se arvora em régulos das suas sesmarias, não querendo nem saber se vai acontecer um colapso ou não. Me infelicita a falta de diálogo, de concertação.  Também aprendi na vida que sempre se encontra, com  diálogo e boa fé, um caminho menos nefasto e dolorido.
Penso, também, que alguns governadores nitidamente se arvoram como os salvadores da pátria, alguns pisoteando regras republicanas, não querendo nem saber das consequências. 
Na órbita federal, dê-lhe  pseudo bondades e bateção de cabeças. 
Nosso presidente está desconectado da maioria dos mandatários estaduais, inclusive dos presidentes dos legislativos. Pena que ele insista em ignorar Senado e Câmara. Concordo que nem tudo são flores nessas instituições, mas é o que temos por enquanto. Para complicar mais,  é nítido que entre integrantes do seu  ministério há uma cizânia de dar medo. A novidade  foi uma derrota tática do Presidente, ao ser “ convencido” a não demitir Mandetta. Agora se expôs o que  muitos previam : um núcleo duro resolveu intervir. 
O primeiro mandatário a meu ver cometeu erros evitáveis, como o de  desautorizar pessoas leais ou as demitir imotivadamente. Falta-lhe meditar antes de se expressar. Vislumbro com pesar que  muitos amigos, que votaram no Bolsonaro, fizeram anônima campanha por ele, brigaram até com parentes, já estão desencantados (para dizer o menos).
Vamos nos cuidar e rezar para que as coisas se ajeitem e que não ocorram convulsões sociais.O perigo é grande.Sem emprego e sem comida é zebra na certa.
Hoje é quinta feira Santa, dia bom para meditar. Feliz e abençoada Páscoa!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

TUDO ZERADO


Pois é. O sonho de muitos “teen agers” era o aeroporto. Lavar pratos na Irlanda, voar fagueiro para o Canadá, surfar em maravilhosas praias  estrangeiras, tudo sob o especial patrocínio dos papais, que achavam muito linda essa imersão esportiva, amorosa,cultural.
Aprender o inglês, inobstante se juntarem aos brasileiros, quase só com eles compartilhando experiências.Eu dava risada quando um filho ou neto de algum amigo voltava mal balbuciando alguma coisa em inglês.
Depois havia o dourado sonho de se mudar para a Flórida ou Califórnia para viver a vida de rico, arranhando um espanhol nasalizado.
De nossas paradisíacas praias os mais endinheirados não queriam nem saber.Praias brasileiras eram só para remediados ou, no máximo, emergentes. Iam para as praias cheias de seixos e pedras de Nice, mas jamais para as de nosso Nordeste.
Por sua vez suarentos e obesos europeus, vermelhos como um camarão, muito mais que o sr. Trump, mas com o mesmo cabelo tingido, aportavam no Rio de Janeiro, Salvador e outros locais menos votados para aquele turismo sexual básico.
Ah! Quero me mudar para Portugal, onde não há a bandidagem brasileira. Quero  morar em Paris e viver aquela aura poética, mesmo morando num quartinho e comendo nas “ delicatessen”. 
Tudo isso terminou, ou foi ao menos suspenso pelo inconveniente Corona. Pronto. Tudo fechado, aviões no chão, gente empilhada nos aeroportos, ansiosos desesperados, para voltar ao seu “ home sweet home”.As companhias aéreas simplesmente deixaram milhares de passageiros chupando o dedo. Dólares e euros não valiam mais nada. Não havia comida, tudo fechado. Não havia hospedagem. A solução era deitar sobre a mala e verter lágrimas e mais lágrimas.
Eu me escapei, graças a meus santos prediletos, de encalhar em Cabo Verde, na Ilha do Sal. Havia um avião que saía de Porto Alegre direto ao arquipélago. Estava quase comprando a passagem para gozar das maravilhas que os folhetos traziam, bem como o Google, mas algo me alertou. Tinha que ter o atestado de vacina da febre amarela. Eu e minha mulher tínhamos extraviado nossos certificados. Lendo melhor as exigências e havia várias, cada uma com mais tantos dólares, achei que iria me incomodar com tantas minúcias, até visto tinha que ter. Desisti. Uma semana depois deu essa zebra toda no mundo e os voos para lá foram cancelados.
Viram só como é bom ter um “ Schutzengel” ( Anjo da Guarda) ? Está tudo zerado no mundo.Cairam os sonhos de aeroporto.
 Como diz Gilberto Gil:" e agora, o melhor lugar do mundo é aqui, e agooraaa!".

quinta-feira, 5 de março de 2020

UMA CARTA VINDA DE SANTA ROSA - RS


Somando ao leitor Ivanhoé, e lendo seu post sobre o escasseamento das escritas por
"pouco mais ter a escrever ", acredito, claro, na sua possibilidade, que, abandonando o
imediatismo de comentar as 'atualidades', seria, nesse momento estival de pensamentos
desnutridos de rancores e outras intenções, um mote para releituras de momentos passados...

Essa "familiaridade", apesar das distâncias geográficas, é uma das 'cosas' buenas que
a informática nos propiciou, o que virtualmente dá direito de leitor a "cobranças", nesse
caso, de total apoio por este que vos escreve :):):)

Vendo um filme juvenil, de título "Todo Dia", a protagonista (Angourie Rice), ante a
despedida inevitável de sua alma gêmea, pede: "Deixe marcas"...

O jornalista Marconi, em entrevista ao Sr. Júlio Ribeiro, na "Rádio Press", disse que não
se lembrava da voz de seu Pai, instante em que é apresentado a um registro de arquivo de
gravação/entrevista...

Pesquiso um Zeca Blau, não temos mais que a foto de um 'roupeiro' no Blog de Rafael Nemitz,
em anúncio de venda anos atrás.

Em compensação, por exemplo, primordial o resgate que o Prévidi fez nas obras Personagens
do Centro
, e também o que o próprio editor da Revista Press vem fazendo no Valvulados.

Em algum de seus livros, Irvin D. Yalom, ao tratar de morte e eternidade, tece um raciocínio de
que a morte realmente acontece quando ninguém se lembrar mais do de cujus... (Testo isso às
vezes visitando algum campo santo, quando não há lápide, não se sabe mais quem era, quando
pereceu...). Ele segue, propalando que a eternidade dura enquanto durar a lembrança dos
terceiros em relação à pessoa desaparecida fisicamente.

Claro que cultuar ídolos pode nos levar a alguma frustração.

Apesar de os tempos atuais produzirem uma sensação de desimportância à memória,
tenho que ela é o único bem que ultrapassa gerações, nos permitindo voltar a lugares e
épocas não frequentados, pois "suas paredes não desmoronam".

É compreensível a demanda de seu "leitorado" cativo, e, nessas linhas carregadas de vírgulas,
registro minha estima e votos que o Sr. nos propicie mais sabedoria e Memórias!

Saudações,

Rafael Saratt Pereverzieff
Santa Rosa/RS

quarta-feira, 4 de março de 2020

A RAREFAÇÃO DE MINHAS POSTAGENS

A vida tem ciclos. 
A pessoa esforça-se por haurir conhecimentos, depois trabalha duro para viver relativamente bem. Em certa época apaixona-se múltiplas vezes. Tem filhos, tem netos.
Chega uma fase em que você tem que dar graças a Deus por ter saúde, filhos encaminhados, família normal. 
É uma fase de alimentação sem excessos, exercícios físicos moderados, jogar tênis sem pressa.
Viagens? 
Só se for com muito conforto e para lugares que ainda não conheci. Mas o tempo me ensinou que os melhores lugares , ao menos para mim, são minhas duas casas. Nada substitui minhas duas camas.
Então à saúde de que vou ficar horas e horas em stress nos aeroportos?
Já escrevi muito e muito e vejo que pouco muda. As coisas rodam e rodam e voltam ao mesmo lugar.
Não me preocupo mais com o Bolsonaro, com o Lula, com as reformas.
Me interesso com a serenidade do meu dia a dia.
Conformado com a certeza de que cumpri minhas missões dentro do mundo jurídico , social e familiar.
Adoro Porto Alegre aos sábados e domingos. Gosto da praia fora de estação. Amo o Rio de Janeiro  no outono. Gosto de Santiago, Unistalda, Santa Cruz, Rivera, onde caminho incógnito e despercebido  .
Meus escritos ficam, mais e mais, rarefeitos por pouco mais ter a escrever.
Simples assim.

segunda-feira, 2 de março de 2020

CARTA DE UM QUERIDO AMIGO

Nós, seus leitores ( na minha casa tem 4) estamos sentindo sobremaneira sua ausência nos posts em seu Blog. (09 de fevereiro de 2020  o último) . Comungamos é claro, da sua tristeza pela última postagem noticiando o desaparecimento prematuro do jovenzinho gaúcho, seu mais que amigo, um filho por adoção. Sentimos aqui, de muito longe essa tristezada, pois não deve ter dor mais profunda que a perda de um filho. Nada, se compara a isso, com certeza. Mas, querido amigo, a vida continua. Sigamos em frente e atenda nosso humilde pedido no sentido de voltar a postar. Quero crer que sempre o fizestes com o maior carinho . Então, não se prive desse prazer. Aqui estamos esperando seu retorno. O bom filho, a casa retorna.
Grande abraço, Ivan, Cris, Ivanhoé Jr. e Felipe. 
Recomendações a espôsa e filho.
São Paulo-Brasil

domingo, 9 de fevereiro de 2020

FOI PARA O CÉU MEU PEÃOZINHO ERICK


Luiz César e dona Marilza foram trabalhar na nossa fazenda em Unistalda muitos anos atrás. Vieram com eles dois filhos pequenos: Luciano e William. O tempo foi passando, os guris crescendo. Eis que um dia o casal apareceu na nossa casa, na estância. Disseram que dona Marilza estava grávida. Se a gente não se importava. Claro que não! respondemos. O piá de nome Erick logo se revelou, desde tenra idade, um cavaleiro nato. Foi se criando na nossa fazenda e demonstrava um amor incrível pelas pequenas lidas com seu pai. Assim fomos vivendo em harmonia, como uma família só. Circunstâncias de negócios obrigaram a Pecuária Gessinger a celebrar parceria  sem ter gestão direta na fazenda. Sempre incentivamos os guris ao estudo. Erick, o mais novo, era guapo e muito inteligente. Tinha o dom da inteligência emocional.
Deus o chamou para si na triste data de hoje. 
Estamos todos da família de luto. Repito, éramos uma família. ( Érick está na foto entre mim e seu pai, quando era pequeno)
Nossas condolências aos pais, irmãos e familiares.
Maristela, Ruy e Rudolf Gessinger

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

CRIANCICES DE ADULTOS


Não quero que ninguém se ofenda. Apenas não entendo e , antes de consultar o melhor psiquiatra do mundo, queria uma explicação de meus amigos. Peço , antecipadamente, desculpas por parecer  tão casmurro.Mas é o que penso.
Velório. Risadas, piadas. Acho de menor elegância. Além disso não é melhor só abraçar os que sofrem o luto, sem dizer nada? Porque tirar o microfone das mãos do Criador e discursar , entre convulsões, piorando a dor dos já chorosos com " Deus sabe o que faz".
Como assim? Quem somos nós para imputar ao Criador a morte da pessoa?
Por que a afeição tem que ser verbalizada? Sinceros são os gestos, como fazem nossos parceiros da vida aqui no planeta e que são  os animais, que já pararam, antes de nós, de falar e falar.
E que dizer dos fogos, que são a criancice dos adultos. Qual é a graça dessas luzes efêmeras, que não servem para nada? Ahh mas tem os coloridos! Ah é isso?Então os fogos são melhores do que a lua, o sol, as estrelas? E qual é o resultado que os fogos deixaram depois de 30 segundos? Qual seu legado? O que sobrou? Não entendo por que o mundo inteiro gosta de queimar pólvora, assustar pássaros e animais? Não seria melhor abraços e cantares? Sim!Cantar, cantar, cantar! Disso pouca gente se lembra.
E que tal uma tertúlia? Tragam adultos e crianças para tocar. Desliguem a música eletrônica, por favor.
Alguém se lembra de que há prioridades nesse nosso país tão rico, mas tão pobre? Deixemos os países ditos ricos e deslumbrados, mas que não geram alimentos, fazerem suas criancices. Nós não temos nenhum direito de gastar dinheiro em infantilidades .Os fogos, sejam quais forem, são uma agressão  à natureza e agridem os indefesos animais e demais integrantes da nossa nave azul.
Sou testemunha de cães fugirem desesperados. Já vi ninhos de pássaros caídos depois desses espetáculos que, repito, considero infantiloides. E vou mais longe: são visivelmente ímprobrobos os agentes públicos que gastam nosso dinheiro a título dessas atividades sem fundamento.
Amigos leitores: há uma riqueza acumulada que permita essas coisas com nosso dinheiro? E os hospitais? Todo mundo atendido? E as escolas? Sobrando dinheiro para os professores? Sobrando dinheiro para estradas? E a cultura verdadeira? E o ensino gratuito das artes ?
 Gente, é questão de prioridade.
Vamos sempre lembrar: mesmo com teu próprio dinheiro, não te assiste o direito de ferires a natureza. 
A mãe Natureza está nas últimas. Quem sabe leva teus filhos num lugar escuro e lhes mostras a beleza do céu com suas constelações? É grátis.E não polui.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

SUCESSÃO FAMILIAR


Filhos é assunto complicado, mesmo quando tudo vai muito bem. Como sempre digo, o maior problema é o dos pais não saberem dizer não. Minha sogra Nelcy, mãe da minha mulher Maristela, sentenciou certa feita, no seu linguajar campeiro: filho e filha nascem tudo “nefastos”. A tendência é serem indóceis. Se deixar solto, lá vai o boi ou a vaca com a corda campo afora. Depois, para corrigir ,é muito difícil. 
A minha turma está bem encaminhada, mas como não são filhos da mesma mãe, sempre há alguns ruídos. Pequenos ciúmes,  queixumes. Eu raciocinei assim: vou criar todos do mesmo jeito. Não vou soltar dinheiro, nada de dar tudo na mão, ou “ deixa que eu faço”. Também deliberei não espalhar, antes de minha cremação, todos os pilas que amealhei  a duras penas. Só me faltava   não ter uma velhice tranquila por já não ter reservas para seguir vivendo com independência.Por sinal sei de dolorosos casos de idosos que nem administram mais seu cartão de crédito. Nem têm acesso ao que é de seu direito.
Portanto é importante, se você  conseguiu galgar uma posição financeira interessante, que organize a sucessão familiar.Também creio que  tem que ser tudo conversado em vida. Como fica a futura partição dos bens? É ou não é que sempre há uma filha ou um filho que tem mais pendores para os negócios?Claro que se ama e se quer bem a todos.  Mas a verdade é que é preciso que se enfrente a situação sem muita demora. 
Vou dar um exemplo: uma  fazenda. Se ela tiver que ser dividida, vai dar zebra. Ela tem que ficar nas mãos de um descendente, que desde criança, junto com sua mãe , ajudou a construir a estância no que ela é   hoje. Não faz sentido picotá-la, pois não haveria mais escala para a produção.   Assim os  demais terão  seus quinhões em imóveis e outros bens, para que não se destroce um projeto que anda bem. 
É constrangedor, mas a sucessão familiar não pode redundar em brigas. Às vezes será importante uma Holding bem conduzida. Esses acertos da situação incumbem enquanto se está lúcido e ativo. Com muita conversa, bom humor, carinho, respeito, sempre é factível solução harmônica. 
Dir-se-á que em família equilibrada e feliz, essas coisas são despiciendas. O problema, bem ou mal, são os que, por casamento ou união estável, possam interferir, o que seria de seu direito. 
Um dos meus parceiros e amigo de anos , sentenciou: “os ensinamentos milenares da Bíblia dão a solução”. Ao que repliquei:  não é bem assim. No Brasil a judicialização de tudo é o fator maior para que  haja insegurança jurídica.