domingo, 9 de junho de 2013

BRASIL X FRANÇA : FOI NO BRASIL ? RESPEITOSAS CONSIDERAÇÕES.


Vi  o jogo  pelo Sport TV.
Lá pelas tantas um dos comentaristas disse:
- espero que os pobres também possam  continuar indo ao futebol.
Terminado o jogo, um amigo alemão, que mora em Zeltingen, me ligou:
- parabéns. O jogo foi em que país?
Claro, a mim não passaram despercebidas as imagens passadas ao mundo. Tudo gente branca, dentes perfeitos, pessoas bem vestidas , bebês rechonchudos.
Nenhum desdentado, nenhum vendedor passando vendendo pipoca.
Vamos combinar: isso não é o Brasil.
Essa Copa do Mundo que vem aí vai ser dos donos de Volvos e Land Rovers.
Para o mundo irão as imagens de loiras e de sorrisos colgate.
É por aí, vamos  varrendo tudo para baixo do tapete.
E as ambulâncias  do interior também  tapeando.
E dentistas sendo imolados com fogo.
( foto - ivani schuetz)

A SABA DE ATLÂNTIDA É TUDO DE BOM






No verão passado tomei a feliz iniciativa de me associar à SABA ( Sociedade de amigos do Balneário Atlântida). Tem a sede central, na frente do mar, e a campestre que  fica  também em Atlântida, num terreno privilegiado, perto dos Condomínios de Luxo.
Nessa sede campestre tem de um tudo: quadras cobertas de tênis, locais grandes, médios e pequenos para festas, futebol sete.
No inverno, então, é uma delícia.
Hoje Maristela e eu jogamos nosso tênis e ainda demos uma bela caminhada para apreciar as instalações..

sábado, 8 de junho de 2013

NADA COMO XANGRI LA PARA CONVALESCER DE UMA GRIPE MEDONHA


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Peregrinei por Maceió, a Estância e P. alegre para me curar de uma brutal gripe.
Como não fui me lembrar logo do meu refúgio em Xangri La?. Aqui não faz frio nem calor , o mar está lindo azul e manso.
Há pouco mesmo fui nas quadras cobertas da Sociedade de amigos da Praia de Atlântida ( SABA). Quadras de saibro, boa iluminação.
Levei um sonoro 6x2, 6x2 do Helio Moro, que é guri novo e joga bem.
Agora estou me dedicando às flores do meu refúgio.
Me convenci de que a gente só se cura se SAIR DOS LUGARES ONDE TRABALHA.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

DOS MALEFÍCIOS DE UM VINHO MARAVILHOSO EM ÓTIMA COMPANHIA


Semana retrasada eu estava quieto no meu suntuoso retiro em Xangri La, quando trina meu celular:
- oi sogrão, quêque tu tá fazeendo?
- to lendo Also sprach Zaratustra, um troço de sacanagem
- sogrão, acabo de vir de Paris com dois capitosos vinhos, tô fazendo uma mimidinha, salta pra cá!
Moro a 50 metros da casa da minha filha e dele.
Lá chegando , lareira acesa, fomos metendo o vinho.Me deu uma euforia só semelhante à que senti em l965, no carnaval de santa Cruz, eu tinha passado no  vestibular da UFRGS e cheirei um lencinho de lança perfume que uma guria me deu. Os efeitos nefastos persistem em mim  , prova disso é estar metido no agronegócio.
Lá pelas tantas meu genro lasca:
- a Milene não pode me acompanhar para uma temporada de esqui em San Martin de los Andes, mas me deixou ir, desde que tu vás também.
- mas eu não sei esquiar
- fica andando a cavalo, tomando vinho, lendo, caminha de raquetes.
- tá. reserva um hotel bom.
No outro dia minha filha pagou o pacote e me mandou a conta para eu depositar a minha parte.
Já sob o efeito da água mineral e do chimarrão, fui olhar na internet o  que havia para eu fazer lá na neve dos Andes.
Nada, só esquiar ou ficar lendo, comendo e bebendo o tempo todo.
Abri a carreira e dei de presente ao meu genro o pacote, para ele dar a quem quisesse.
Filosofia:  é brabo comprar no vinho  e pagar na água mineral.

O PASSEIO DA DUPLA CAMPEIRA UNISTALDENSE NO CATAMARÃ




quinta-feira, 6 de junho de 2013

CHOCANTE ! LEIA E REFLITA, POR FAVOR


 

Proteggere Maria do Socorro

 

José Carlos Laitano

 

 

 

 

 

 

 

Il giorno stesso in cui ho compiuto diciotto anni, venute meno le sovvenzioni pubbliche, sono stata buttata in strada. Letteralmente, senza la minima preparazione. Abbandonata in un deserto affolato così differente da quello che fino a quel momento avevo conosciuto. E non meno ostile. Gli esterni, gli altri, così diversi, mi sembravano alieni. Poi, piano piano, ho capito che l’aliena ero io.[1]

 

 

 

 

 

Maria do Socorro tem um ano e foi abandonada. Poderia ter sido deixada numa esquina. Mas seu abandono foi ser esquecida em casa, quando casa existe, levada a mendigar nas ruas da cidade e levar tapa porque chora quando não deve.

Maria do Socorro poderia ter quatro anos, ter cara bonita e cabelos em cachos, o que despertou a atenção do namorado da mãe e a colocou no colo, sem calça.

Por diversos motivos Maria do Socorro foi parar no Conselho Tutelar e o Conselho Tutelar chamou a mãe para dar explicações. Pode ser que a mãe de Maria do Socorro tenha se mandado para outro bairro e sumido da sua vida. Mas também pode ser que a mãe tenha comparecido ao Conselho Tutelar com cara de Madalena arrependida e jurado mudar de vida ou jurado que o namorado mudou de casa. E Maria do Socorro permanece com a mãe, nas ruas da cidade, levando tapa.

Também pode ser que Maria do Socorro, embora sem mudar a vida que Deus lhe deu, nunca mais apareça no Conselho Tutelar. Paciência, um dia o governo faz a coisa certa, um dia o deputado cria vergonha, um dia a corrupção, de dinheiro ou de moral, acaba. Pode ser, um dia.

Mas também pode acontecer que Maria do Socorro retorne ao Conselho Tutelar e, depois de muitas idas e vindas, acabe numa casa que chamam de passagem. Está certo, ninguém explica que passagem é essa, uma passagem que nunca finda, ou será uma passagem para a solidão de vida sem família?

A sorte está lançada: a casa pode ser mais legal ou mais tipo depósito, assim cinquenta crianças de várias idades, todas juntas, tudo meio igual. Ou pode cair numa casa com alguma separação, digamos uma espécie de lar com dez crianças e uma mãe social, que é paga para ser mãe, mas esforça-se nos limites das suas possibilidades.

Tudo bem.

O pessoal da casa tenta o que chamam de reinserção na família natural. Lá vem a mãe novamente e, quando aparece, traz a cara da Madalena arrependida. Mas vamos tentar, insiste o pessoal da casa.

O Conselho tutelar gastou algum tempo, quem sabe meses, na primeira experiência. Agora o pessoal da casa consome outros meses na nova tentativa. Não dá resultado. Vários meses depois conclui que a mãe prostituta, drogada e algumas virtudes mais não é solução para a criança. O pai? Bem, quem sabe quem é o pai ou onde anda? Os avós. Os avós não chegam à casa dizendo que querem a neta longe. Alguns até tentam ficar com a criança, mas sua estrutura familiar já está de tal modo desgastada, a pobreza é de tal monte, e outros quetais, que não dá certo. Mas essa conclusão demandou tempo, quem sabe meses, outros meses e Maria do Socorro está completando três anos.

Vamos à família dos tios e primos. É um tal de corre pra longe que vou te contá, mal conseguem contornar as dificuldades com os filhos que já possuem, imaginem mais uma, ou duas, às vezes é um grupo de três ou quatro irmãos, comida daonde?



[1] No mesmo dia em que completei dezoito anos, apareceu menos subvenção pública, fui posta na rua. Literalmente, sem a mínima preparação. Abandonada num deserto cheio/lotado diferente daquele que havia conhecido até aquele momento. E não menos hostil. Os de fora, os outros, assim diversos, pareceram-me estranhos. Depois, pouco a pouco, entendi que a estranha era eu. (in Il suono di mille silenzi, de Emma La Spina, Ed. Piemme, Milano, Italia.

O pessoal da casa suspira, fizemos o possível. A assistente social cansou de utilizar o próprio carro correndo atrás de parentes de Maria do Socorro e gasta tempo com a papelada da burocracia que deve preencher todos os dias. Não dá. Não deu. A assistente social elabora um pequeno relatório e manda para o juiz: dá um jeito na perda do poder familiar, o negócio é adoção!

O juiz manda o papel para o promotor, para a pilha do promotor. Quando chega a vez daquele papel, o promotor escreve uma inicial - é assim que diz - para que seja decretada a perda do poder familiar. Em palavras curtas: tirar os pais biológicos da jogada e tentar uma família substituta; se possível, adoção.

A perda do poder famililiar é um processinho que o cartório entende igual aos outros. Então vai pra pilha. Em alguns dias ou semanas ele é considerado e um funcionário coloca o carimbo: à conclusão, significando: para o juiz. E vai para a pilha do juiz. Ou para a pilha do assessor do juiz.

Demora, mas finalmente o papel é considerado pelo assessor do juiz e ali é colocada a seguinte expressão: cite-se. Quer dizer: manda avisar aos interessados que houverem, especialmente os pais biológicos, que eles estão quase perdendo o poder de pais sobre a criança. Mas a mãe só aparece no barraco tarde da noite e oficial de justiça tarde da noite é complicado. Passa o tempo, quem sabe lá um dia ela dorme demais e é localizada. Mas o pai já era.

Muito tempo depois, o que pode ser uma semana, um mês, um ano, o oficial escreve no papel que o pai já era. E entrega no cartório e o papel vai para a pilha do cartório. Depois o carimbo conclusão e o papel vai para a pilha do assessor do juiz e algum tempo depois, que pode ser um dia, um mês, a nova expressão: cite-se por edital. E o papel volta para a pilha do cartório e um dia um funcionário preenche um formulário que é um edital que, no interior, é dependurado no corredor do foro, e ninguém lê. Mas o tempo passa.

Depois que o tempo passou, o papel volta para o cartório, o carimbo da passagem do tempo é colocado, o papel volta para a pilha do assessor do juiz e outra expressão é escrita: ao MP, querendo dizer, manda o papel para o promotor e o papel vai para a pilha do cartório que depois coloca na pilha do promotor ou do assessor do promotor e o promotor vê que o pai não foi localizado, que o edital foi escrito e colocado no corredor, que o tempo passou, que ninguém apareceu para reclamar Maria do Socorro e o promotor escreve: de acordo, pelo prosseguimento.

O prosseguimento é a pilha do cartório, a pilha do assessor do juiz, a escrita: nomeio defensor dativo etc, porque tem que ter advogado, pilha do cartório, pilha do defensor da comarca e o defensor, não tendo outra coisa a fazer no processinho, escreve que não tem provas a produzir, pilha do cartório, pilha do assessor do juiz e... aí muita coisa pode acontecer, digamos que o juiz apenas mande outra vez para o MP e o promotor escreva que está satisfeito com o andamento do processo e que concorda com a perda do poder familiar, pilha do cartório, pilha do assessor do juiz e é lavrada sentença decretando a perda do poder familiar. Maria do Socorro agora está formalmente sem pai e sem mãe, como sempre esteve na verdade da sua vida.

Na casa, Maria do Socorro assopra quatro velas cor de rosa e demonstra que adquiriu um pequeno tique nervoso.

A sentença vai para a pilha do cartório, para a pilha do promotor, para a pilha do defensor e depois não sei pra onde, porque a comarca não conta com assistente social nem ninguém no foro que fique pensando em Maria do Socorro. O juiz não é menorista. A quase totalidade dos juízes não possuem essa vocação, o juiz está muito preocupado com os processos cíveis e criminais, além da organização do foro. O juiz não conhece Maria do Socorro, o promotor também não, o defensor também não, o escrivão também não, o assessor do juiz também não, e muito dificilmente o oficial de justiça a conheça. Quem conhece Maria do Socorro, agora oficialmente sem pai e sem mãe? O pessoal da casa, que está muito ocupado com Maria do Socorro e as outras cinquenta ou cem crianças que precisam brincar e comer todos os dias e tem a questão do dinheiro que está sempre faltando.

Se Maria do Socorro tiver a mesma sorte que tiveram aqueles quatro irmãos de uma grande cidade do interior, durante quatro anos nada acontecerá após a perda do poder familiar. Quatro anos. Então, com essa sorte, Maria do Socorro estará com oito anos de idade. Sem pai e sem mãe. Oficialmente.

No foro, a grita é pelos processos cíveis, os advogados diariamente cobrando do escrivão, querendo falar com o juiz, mas o juiz dificilmente fala com advogados, só o assessor e o assessor, sem mexer a pálpebra ou piscar o olho, limita-se a dizer: faça uma petição, doutor! Em outras palavras, para que falar se pode escrever, não é mesmo? Mas esse é outro papo.

Talvez a sorte de Maria do Socorro seja melhor que a dos irmãos daquela grande cidade. Digamos que após a perda do poder familiar alguém - já que a comarca não conta com assistente social -  alguém tente a adoção. A lei determina que deve ser consultado o cadastro nacional. Maria do Socorro está com cinco ou seis anos, não encontra interessado. Uma outra criança tem menos de quatro anos, surgiu um casal e ela foi embora. O que a maior parte dos casais nacionais querem mesmo é criança recém nascida, branca, olho azul e sem nada de doença, atual ou futura. Com as exceções que se deve exaltar, é claro. Depois disso as dificuldades são crescentes. Maria do Socorro estava no limite, com quatro anos, quando ficou oficialmente sem pai e sem mãe. Poderia ter sido adotada. Poderia ter encontrado pai e mãe. Poderia estar morando numa casa só dela. Poderia deitar à noite com a mãe cantando canção de ninar e o pai fazendo um carinho nos seus cabelos. Poderia. Mas Maria do Socorro deita sozinha, num quarto onde dormem outras crianças, e ninguém canta canção de ninar. Quando acorda na madrugada vê tudo escuro, sente medo, mas aprende a controlar o horror porque ela está só com ela mesma.

 

Sono una delle mille bambine in silenzio

nelle grandi stanze di un istituto.[1]

 

Que fazer depois dos oito anos? Aprender a conviver com a ideia que família não foi feita para ela, Maria do Socorro. Tem gente que nasce rica, tem gente que nasce torta, ela nasceu sem família. É assim. Será assim. Tudo bem que tem o colégio, pela manhã, na escola pública ali do lado, e tudo bem que não terá biblioteca e muito menos internet para fazer pesquisas. Seu estudo será deficitário, ela terá menos ferramentas para vencer na vida.

Vencer na vida? Ora, bobagem!, o que Maria do Socorro precisa é vencer o medo da vida, saber que sua adolescência será dentro da casa repleta de regras e horários. Não importa, depois dos dezoito poderá recuperar os afazeres adolescentes, as loucuras adolescentes, os namoros adolescentes, os sonhos adolescentes. Mas até os dezoito permanecerá dormindo sozinha, sem acalanto. A gente acostuma.

Um dia, muito muito tempo depois, acontece a festa de aniversário, Maria do Socorro completa dezoito anos. Depois da festa o pessoal da casa mostra a pequena mala com suas poucas coisas e abre a porta: lá está o mundo, ele é seu. E Maria do Socorro, carregando sua pequena mala, caminha pela rua que tanto conhece, para na esquina, e só então lembra de perguntar: o que faço agora? E não há qualquer pessoa para responder, porque o Estado não tem mais obrigação para com ela, o pessoal da casa irá lembrar de si mas nada mais pode fazer, o juiz não está na comarca há muitos anos, deve andar lá pela capital, promovido, o promotor também; agora juiz e promotor são outros, nunca ouviram falar em Maria do Socorro, o defensor continua defensor nos papeis, o escrivão está mais velho, começaram os cabelos brancos, e o funcionário que colocava carimbo mudou de emprego e casou, agora ele tem duas famílias, a dos pais e a dele própria, êta sujeito de sorte!

Maria do Socorro está caminhando pela rua e tudo dependerá da sua sorte que, até hoje, não foi lá essas coisas. Quem se aproximará dela: o traficante, o gigolô, um rapaz bonito que será seu futuro marido?

E quem sabe? E para que saber? Já pensou se a gente conhecesse a data da morte? Melhor é nada saber do futuro. Então está bem, ao menos nessa parte as coisas estão funcionando para Maria do Socorro, ela não tem a mínima ideia do seu futuro, aliás nem do dia seguinte.

 

Digamos, só digamos, assim por diletantismo, à falta de coisa melhor para fazer numa tarde chuvosa de domingo, que uma alma santa decidisse intrometer-se no futuro dessas crianças e organizasse uma bagunça para responsabilizar toda essa gente preocupada com tudo, menos com Maria do Socorro, que entrou com um ano de idade no abrigo e de lá saiu com dezoito, oficialmente sem pai e sem mãe.

Você seria essa alma santa?

 

 

 
 
 
 


[1] Sou uma das mil meninas em silêncio no grande quarto do instituto.


[1] Sou uma das mil meninas em silêncio no grande quarto do instituto.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

UM CASAL DE CAMPEIROS NA CAPITAL

Chegou a hora da revisão da Mahindra cabine dupla que serve à estância. Pedi a Luiz César, meu capataz, que a trouxesse até perto de P. Alegre, na BR 290, e que viesse junto sua  esposa, a minha  gloriosa cozinheira e governanta dona Marilza.
Lá se vieram eles e estacionaram um pouco antes da confluência das Br 290 com a 116. Levaram sete horas de viagem. Eu estava esperando a duplinha e  fui indo na frente com minha Rexton. Fomos vencendo as pontes do Guaíba até entrar na dura selva de pedra. Mas Luiz César se saiu bem. Entregamos a caminhonete na Daisul e viemos à minha casa.
Minha secretária do lar preparara um leitãozinho no forno que foi nosso repasto.
De tardinha a duplinha campeira foi passear aqui no Centro Histórico. Voltaram maravilhados com a segurança.
- mas bah, disseram que era um entrevero só..
Acautelei-os que isso é no miolo do Centro Histórico..
Pousaram na minha casa.Pela manhã  tomaram o catamarã que leva a Guaíba. Foram e voltaram maravilhados com o conforto do " navio" e a beleza de nosso Guaíba.
Às 15 levei-os até a Daisul e os guiei, indo na frente, até o início da Br 290.
Lá se foi o casalzinho campeiro, feliz, com alguns regalos, mais uns artigos de montaria.
Vão pela 290, dobram à direita até São Sepé, seguem a Santa Maria, de lá para São Pedro, São Vicente, Jaguari, Santiago e finalmente, lá pelas 11 da noite
A UNISTALDA CAMPEIRA.
Vão com Deus, meus bons pastores!
( fotos, amanhã)

terça-feira, 4 de junho de 2013

A LONGA VIAGEM DAS GOTINHAS D'ÁGUA


Um dia fiquei observando, do alto de um cerro, numa invernada lá dos fundos de minha estância, um olho d’água. Surge perto de uma pedra e o filetezinho vai serpeando uns metros por entre o capoeiral . Logo depois,  encontra arbustos maiores um pouquinho e uns 50 metros além começa a chamada mata ciliar, com árvores mais frondosas dos dois lados do leito , já com meio metro de largura. Apeio do cavalo e sigo a pé, por entre tocos e pedras, até que o corregozinho junta-se a outro. A mata ciliar se torna mais larga e mais espessa até que, num lagoão rochoso, forma-se uma verdadeira piscina,  com palmeiras ou coqueiros, e diversas árvores e arbustos.
Consumi duas horas seguindo o cursinho d’água, agora transformado em sanga, até que o mesmo deixa as nossas terras e se vai embora até o Rio Santa Maria ou o Itacurubi, não sei bem. Lá a região é de afloramento basáltico, de sorte que o leito dos cursos dágua é sólido e não arenoso.
A verdade é que, em todo o percurso, de uns 6 kms, não ví uma bolsa de plástico, uma lata, nada. E a água é cristalina quase azulada.  No verão canso de tomar banho, contemplando a cobertura das árvores que filtram o calor do sol. Na época das secas são  essas árvores, que jamais deixamos cortar, que garantem água para os bichos, domesticados ou não.
Fico pensando naquelas gotinhas d’água que sairam daquele cerro, numa viagem sem volta rumo ao mar.(O poeta já disse que um rio que miramos nunca é o mesmo). Vão conhecendo outras gotinhas, todas imaculadas, felizes, contando suas peripécias e as coisas que presenciaram. Em seguida, quando sairem da região pastoril vão ver o que é bom para a tosse. Conhecerão agrotóxicos, plásticos, lixos. Encontrarão gotinhas embarradas do assoreamento dos rios.
Mais adiante terão contatos com os esgotos urbanos, sofás, pneus velhos, carcaças de carros roubados.
Pobres gotinhas d’água que sairam daqui dos campos puros de Unistalda.Sua viagem é sem volta e é impossível a elas manterem sua original pureza. Quanta saudade sentirão ao darem com o mar.

É por isso que não me comovo com os argumentos de que “ dando uma pequena queimada” limpamos mais o campo e poderemos colocar mais umas reses por quadra; por essas que  me recuso a usar agrotóxicos. Que conta burra é essa que , a troco de um pequeno lucro a mais ,tenhamos que  comprometer a qualidade das águas e do ar? Direito de propriedade? Sim, mas para fruir com responsabilidade.
( texto de minha autoria publicado hoje no jornal diário GAZETA DO SUL, S. CRUZ)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

NEYMAR - ISSO É O BRASIL

Quanto ganha, há anos, esse jovem? Milhões. Quanto aplicou em sua educação? Quanto aplicou em carrões e festas?
Fez algum curso de inglês? Leu algum livro?
Resultado: um cara que tem a idade em que já se exige alguma maturidade, foi tíbio ao responder sobre o racismo, substituindo as palavras por tiques nervosos e risadinhas.
Ao invés de, como somos um povo multi racial, ter dado um testemunho  firme!
E a postura: será que não dava para o rapaz que  vai nos representar no mundo ao menos  ter uma posição ereta ante as câmeras, vestido de maneira sóbria?
Bobagens, né?
Eu sempre sonhei com um Brasil glamuroso e não chinelo.
Chocante a pobreza cultural do rapaz.

TRABALHAR DE GRAÇA - PREVIDI GENIAL COMO SEMPRE

Vão lá no blog do Previdi e inteirem-se, please, do que ele escreve.
http://previdi.blogspot.com.br/

AGORA DIGO EU.
Como  neto e filho de comerciantes, cedo aprendi que " na hora da mesa farta ,chovem amigos; quando acaba o vinho, acaba-se tudo, até o amor".
Logo que ingressei na Faculdade de Direito ouvi de um professor: " nunca dê consultas de graça, evite dar opiniões sobre qualquer demanda salvo profissionalmente".
Alguns anos atrás recebí um convite para  participar do Conversas Cruzadas. Teria que ir lá altas horas da noite.  Ora, no outro dia cedo pegaria um aeroplano para Brasília, em missão profissional. Declinei e o Lasier achou o fim da picada, tanto que nunca mais me convidaram. Azar do Valdemar.
Convidam-me muito para um programa ao vivo numa TV aqui de P. alegre.
Raramente atendo aos honrosos convites, pois teria que me ausentar do escritório justamente  por volta das 16 horas, para me arrumar e me preparar.  Prejudicaria meu escritório, que é onde ganho dinheiro.
Tá. E a exposição na mídia não seria benéfica profissionalmente?
Respondo: a maior propaganda de um profissional é sua atuação séria e profícua, que se espalha de boca em boca.
Um programa ao vivo pode, por uma palavra impensada, detonar teu conceito.
Leva muito tempo, tijolinho por tijolinho, para a gente construir uma boa imagem.
Leva um segundo, com o microfone aberto, para tudo se esboroar.

domingo, 2 de junho de 2013

NA NEBLINA - IM NEBEL ( HERMANN HESSE - TRAD. LISSI BENDER)

Nesses dias de tão linda neblina, poética e introspectiva, queria brindar meus inteligentes leitores com um poema alemão, para cuja tradução colaborou a prof.a  Lissi Bender da Universidade de Santa Cruz.


Im Nebel  -  Hermann Hesse

Seltsam, im Nebel zu wandern!

Einsam ist jeder Busch und Stein,

Kein Baum sieht den andern,

Jeder ist allein.
Na Neblina
Estranho,  caminhar por entre a neblina:
Solitário fica cada arbusto, cada pedra,
Nenhuma árvore  percebe ao lado a outra,
Cada uma está sozinha.

 

Voll von Freunden war mir die Welt,

Als noch mein Leben licht war;

Nun, da der Nebel fällt,

Ist keiner mehr sichtbar.
 

Repleto de amigos era, para mim, o mundo

Quando ainda luminosa era minha vida;

Agora que a neblina cai,

Ninguém mais se avista.

 

Wahrlich, keiner ist weise,

Der nicht das Dunkel kennt,

Das unentrinnbar und leise

Von allen ihn trennt.
 

Não é deveras um sábio

Quem não conhece a escuridão

Que inexoravel e silenciosamente

De tudo o separa

 

Seltsam, im Nebel zu wandern!

Leben ist Einsamsein.

Kein Mensch kennt den andern,

Jeder ist allein.
 

Estranho,  caminhar por entre a neblina.

Viver é ser solitário.

Nenhuma pessoa conhece a outra,
Cada qual está sozinho
 

sábado, 1 de junho de 2013

EM NOSSO GALPÃO




NENITO SARTURI INSPIRA-SE NO BLOG


Nenito, o poeta, o sensível, o escritor, o pai, o filho, o observador, o intelectual, me manda :



NUM FUNDO DE CAMPO

                            Nenito Sarturi

 

Num simples fundo de campo

É que meu canto tem vida

Na várzea nua, estendida

Pelos trevais e flexilhas...        

À sombra das coronilhas

Vendo o horizonte infinito

Eu canto Pampa bendito

Na imensidão das coxilhas.

 

A paisagem campesina,

Por vezes branca de geada,

Nos umbrais da madrugada

Despeja réstias de sol.

Assoma-se a “maria-mol”,

Feito um ponto na planura,

Espalhando sua candura

Pelas luzes do arrebol.

 

Num simples fundo de campo

É que eu faço a recorrida,   

Num simples fundo de campo

Acho a esperança perdida,

Num simples fundo de campo

É que meu canto tem vida!

 

Num simples fundo de campo

Ali, num capão de mato,

Na mansidão do regato

A energia se refaz...

E no vôo de um torcaz,

Desenhado frente ao céu,

Eu retiro o meu chapéu

Como a “saludar” a paz.

 

E quando a tarde, caindo,

Me convida pra o galpão,

O amargo, o fogo de chão,

O descanso após a lida.

Então encontro guarida

Nas coisas simples, no apego

E sinto, neste aconchego,

Que meu canto tem mais vida.

CENAS DE CAMPANHA NA GESSINGER

Diz um trecho da obra de OS POSTEIROS;

(É uma cena de campanha
Repassada em poesia
Pedindo uma melodia
Com acordes de bandona

E uma guitarra crioula
De ventre bem manuseado
No abraço apaixonado
De um cantor pedindo vaza)

As fotos abaixo foram tiradas durante a campereada matutina.






NOITE INTEIRA EMBALADO COM UMA ORQUESTRA DIVINA




Ao atardecer o céu estava com tons de sangue e vinho.
Jantamos um pato ao molho, com massa, tudo feito no fogão a lenha.
Fui dormir.
Aí começou o Concerto Divino.
Iniciaram a ribombar os instrumentos de percussão, com alguns efeitos elétricos, que iluminavam meu quarto.
Depois, gotas mágicas começaram a bimbalhar no teto de zinco. Flautas doces soavam quando o ventinho passava pelas folhas e taquarais.
Cessaram de rufar os tambores e o concerto continuou em pianíssimo, como até agora.
DEO GRATIAS,