terça-feira, 15 de agosto de 2017

ARTIGO DE RICARDO FELIZZOLA EM ZH DE HOJE. VALE LER E REFLETIR



  • Valores básicos são a goma desta cultura. O valor mais notável tem origem religiosa, é o da esperança, no sentido completo da palavra, o brasileiro vive a esperar. Espera por Deus, pelo próximo e por qualquer serviço ou produto que lhe venha de qualquer instituição organizada ou desorganizada que tenha um chefe, um cacique qualquer ou alguém que dê ordens e pareça o principal responsável por aquilo. Este pode ser um político no cargo, um gerente de loja, um líder sindical. Os brasileiros esperam sempre alguém...

    Um segundo valor é consequência do primeiro. É o de acreditar que os outros são os culpados de tudo o que não vem contemplar a esperança individual. Ela deveria ser atendida já que há fé, se isto não ocorre há um responsável. Um terceiro valor é o de não suportar perder, de forma nenhuma, o pouco ou qualquer coisa, no caso de se ter muito, que se tenha. Isto é insuportável para quem espera e que, por culpa dos outros, tem algum resultado pessoal diminuído por uma perda.

    Fundamentado nestes três pontos, o brasileiro habita um país que considera do futuro, acha que o Brasil é rico apesar de ele ser pobre. Extravasa suas frustrações com seu time de futebol, com seu espírito de festa, seja qual for, no fim de semana e com um descompromisso de tudo o que aparece vindo de fora do Brasil, tudo muito notável mas que é incompreensível já que para se entender há a necessidade de aprender. Por sinal, o brasileiro não acredita na educação, espera que o Estado a forneça como o ar, para todos e de graça. Se assim ela vier, independentemente da qualidade deste ar, será respirada, gerando para um mundo um determinado nível de cidadão com uma determinada capacidade de empurrar seu país para onde ele está no “ranking” do mundo. Assim é o brasileiro, parecendo estar feliz com tudo o que está aí, produto de suas escolhas baseadas em seus valores.