quinta-feira, 10 de setembro de 2015

MAIL DO ERUDITO DR. FRANKLIN CUNHA médico, escritor


“ Com noantri o senza noantri il mondo girará stesso” ( Com nós ou sem nós o mundo vai girar da mesma forma) 

De uma mensagem pessoal de Frei Rovílio Costa 

Era assim, no “talian “ que trocávamos comentários,em geral críticos de minha parte,  confortadores e sábios da parte dele.  A epígrafe deste texto foi a propósito de um protesto que fiz sobre a falta de divulgação de um livro da autoria dele e da equipe da editora EST. No caso, foi “ Povoadores de Antônio Prado “, trabalho de um fôlego oceânico,  de mais de mil páginas sobre quase todas as famílias de minha cidade natal – inclusive a dos meus avós maternos – suas origens nas diversas regiões da Itália até a relação de todos seus descendentes, seu destino e localização posterior em todo o país. 

Jorge Luis Borges, disse em certa entrevista que os prefácios, as oratórias de sobremesa e de beira de túmulo são sempre elogiosas e nem sempre reais.

Pois às do Frei Rovílio Costa e do Maestro Hardy Vedana , contrariando  JLB, só podem  ser  extremamente elogiosas e fidedignas.  Frei Rovílio foi um prolífico escritor e bibliófilo, dos maiores e melhores que nosso meio cultural conheceu.E o Maestro Vedana além de músico talentoso e apaixonado, teve várias obras publicadas e mais  de vinte, lamentavelmente, ainda a procura de editores. E um homem extremamente magnânimo e solidário com os músicos que, como ele, lutaram e ainda lutam bravamente pela sobrevivência física e artística..

 

Era de se emocionar, ao vê-lo em sua modesta casa, reproduzindo para seus amigos, em raras gravações, um chorinho do Octávio Dutra, um samba do Lupicínio ou o Alto da Bronze do Paulo Coelho interpretado  pela voz de Horacina Correa, além de composições do Túlio Piva e interpretações de Caco Velho. Lutou toda sua vida, tanto que foi  presidente do Sindicado dos Músicos, para que seus colegas de profissão fossem respeitados e justamente valorizados.

 

Dos cerca de vinte livros de sua autoria e ainda não publicados, já lemos , “ Cabarés de meu tempo “ , verdadeiro e maravilhoso  tratado sociológico da vida noturna de Porto Alegre da década de 40 em diante. Na verdade, trata-se de uma  preciosa crônica de nossa história a espera de  um editor que tenha a suficiente e necessária sensibilidade pra publicá-lo.

 

Enfim, fica entre nós a memória de dois artistas de raro talento e a certeza de que sem eles

 

“ il mondo non girará stesso “

Franklin Cunha

Médico