terça-feira, 24 de agosto de 2021

O PRODIGIO HOLANDÊS

 TITO GUARNIERE 



O PRODÍGIO HOLANDÊS 



Quem exporta mais em produtos de agropecuária, valor em dólares, o Brasil ou a Holanda? A resposta parece simples: a Holanda tem 42 mil km2, o Brasil mais de 8 milhões de km2. O Brasil é uma potência mundial exportadora de grãos e proteína animal. É o segundo exportador mundial em volume, atrás apenas dos Estados Unidos. 



Surpresa: a pequenina Holanda, nem metade do território de Santa Catarina, exporta em dólares mais do que o Brasil, em produtos agrários. As exportações brasileiras ficam em torno dos U$ 90 bilhões, as holandesas em U$ 110 bilhões ao ano. 



Qual é o segredo da Holanda? Para começo, o país está localizado numa confluência estratégica da Europa e mundo. O porto de Rotterdam há séculos é um dos portos mais movimentados do mundo. No porto holandês, a rigor, não há esforço braçal, tudo é operado por guindastes sofisticados e robôs de alta performance – por computador. 



Não falta dinheiro para quem queira investir – amplas linhas de crédito e recursos fartos de instituições locais e do Mercado Comum Europeu. As empresas se instalam e produzem em ambiente amigável para os negócios, com regras tributárias simples e a mais completa segurança jurídica. 



O uso da tecnologia aplicada à produção de itens de cultivo (como flores) e alimentos é a base do sucesso do modelo holandês de agropecuária sustentável. As políticas para o setor não mudam quando mudam os governos. Há investimentos maciços em pesquisa. 



Os cérebros do prodígio holandês estão na Wageningen University & Researach-WUR, a mais prestigiosa instituição do mundo de investigação, pesquisa e métodos de produção agrária. Além da Holanda, mais de uma centena de países em todos os continentes se beneficiam da chamada “agricultura de precisão”, um conceito de excelência máxima do segmento – as linhas mestras são criadas nos estudos e nos experimentos da WUR. 



Para a WUR, ciência e mercado andam juntos – nada parecido ao que acontece nas nossas instituições públicas de ensino superior, em que certos dirigentes (em geral advindos das ciências humanas e sociais) têm, mais do que desconfiança, resistência ativa e declarada a qualquer aliança da universidade com o setor produtivo e empresarial. 



No exíguo território, nas estufas imensas, do tamanho de campos de futebol, computadores controlam água, luz, temperatura, umidade. As plantas não param de crescer nem durante a noite. Os pés de tomate chegam a alcançar a altura de 13 metros. Uma enorme embarcação abriga uma fazenda flutuante de 500 vacas leiteiras. Uma vaca holandesa produz quase 10 vezes mais leite do que uma brasileira. 



A logística impecável permite que os laticínios, tomates e flores holandesas sejam colhidos e acondicionados em um dia, e em menos de 24 horas depois estejam nos mercados de Tokio, Nova York, Londres. 



Valor agregado e produtividade são as palavras-chave desse prodígio de produção, que usa espaço físico cada vez menor e cada vez menos defensivos agrícolas. 



No Brasil há exemplos isolados de excelência no uso de tecnologia nas atividades agropastoris. Alguma coisa já existe – mas estamos anos-luz atrás dos holandeses. 



 titoguarniere@hotmail.com 

 Twitter: @TitoGuarnieree 

 

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

HONRA TEU PASSADO E TERÁS FUTURO

 A casa da minha avó materna Bertha Etges (viúva) , ficava um km antes da do vô Rudolf Gessinger, em Boa Vista. Era abissal a diferença econômica entre as duas famílias. Na casa dos Gessinger havia piano, violinos, acordeons, o vô Rudolf  viajou à Europa em 1950, tinha automóvel novo, mandou puxar telefone por conta própria, tinha poder e pila.

Na vó Bertha  havia cheiro de pão, cachorros, gatos, vacas, muito carinho, mas não tinha luz .

Na hora de visitar os avós, meu pai parava sua Dodge na frente da casa da Vó Bertha. Desciam minha mãe Ludmilla  e minhas irmãs Lia e Cleonice. Seguia eu com meu pai.

 Era nítido que minha mãe tinha um tratamento reverencial com seus sogros. Contaram-me os antigos  que no começo os Gessinger não aprovaram muito o  namoro.

Meu pai foi mandado para o internato do Colégio São Jacó , em Novo Hamburgo. Ali não completou os estudos e foi a Porto Alegre, parando numa pensão na rua Alberto Bins. Arrumou um emprego na loja Bier e Ulmann que ficava no Centro .A saudade deve ter batido e Vô Rudolf comprou uma “ venda” para ele na Linha Araçá. Em seguida  meu pai se casou com minha mãe . 

O interessante é que não houve festa de casamento nem nada. A mãe foi se arrumar na casa do Tio João Müller,( da padaria Müller) tiraram fotos com vestido de noiva, o pai elegante de terno e gravata, mas nem rastro de fotos com demais familiares. Eram lindíssimos os dois solitários nubentes.

Em seguida , dois anos depois do casamento, nascemos eu e minha irmã Lia, com intervalo de 11 meses. Meus pais se mudaram para Santa Cruz onde abriram uma “venda” perto da Sudan. Em seguida adquiriram duas casas contíguas na rua Thomas Flores, 864 e 876. Esta serviu de um armazém de secos e molhados. 

Nunca minha mãe falou mal de ninguém ou se queixou. Era, todavia, nítido que se retraía mercê da diferença social. Nossos avós paternos e vó Bertha nos mimavam muito.

Até hoje me lembro como meus pais nos amavam e aconselhavam. Só havia um “ clima”quando a mãe reclamava que meu pai se passava  na cerveja.   Nada que um “Schläffchen” ( sesta)não resolvesse.

Com meus pais  aprendi as rígidas normas da honestidade. Desde 12 anos  ajudava,  carregando produtos ou ajudando a descarregar.

Em 1953, num domingo de ramos, meus avós paternos tiveram um acidente com seu carro a caminho da missa em Santa Cruz e faleceram. 

Como meu pai foi mal nos negócios,  saí de casa aos 17 anos para não ser um peso a mais na família.

Aprendi muito,nos meus negócios, com aquele monte de cadernetas “ de fiado” não pagas . 


terça-feira, 17 de agosto de 2021

BAITA CRÔNICA DE GUARNIERE

 TITO GUARNIERE 

 

TERCEIRA VIA 

 

Haverá espaço para uma terceira via capaz de disputar com chances o pleito presidencial de 2022, uma alternativa para Bolsonaro e Lula? Como preliminar, sim. Os candidatos já postos, na direita e na esquerda, largam na frente com um valioso patrimônio de votos, isto é, detêm uma base social relevante de apoio. Mas ambos têm um alto grau de rejeição – se um deles não chegar ao segundo turno, os votos tendem a ser transferidos para a terceira via, seja quem for. 

 

Tanto mais agora que Bolsonaro, vítima das suas próprias diabruras, patina, perde popularidade – e na marcha acelerada do desvario, da insensatez, pode até ficar de fora da disputa já no primeiro turno. Lula assiste a tudo de camarote, e como se diz, joga parado, no erro do adversário. Mas não deseja que o atual presidente se desgaste além de uma certa conta. Bolsonaro é o candidato dos sonhos de Lula no segundo turno. E vice-versa. 

 

Há certamente um centro, centro-esquerda ou centro-direita – são muito imprecisos esses conceitos –, PSDB, MDB, PSD, DEM, que, em teoria, têm alguma chance de dar forma a uma aliança eleitoral viável em 2022. 

 

No ínterim das eleições e até 2022, essas forças (em geral) admitem uma união, fora de Bolsonaro e Lula – dizem eles, em torno de um projeto para o país. Mas as coisas se complicam quando cada uma das partes apresenta o seu projeto – olhadas de perto, as propostas coincidem somente nas grandes linhas, as platitudes com as quais todos estão de acordo. A explicitação das formas e dos detalhes de um plano para o país pode desmanchar o sonho da unidade. 

 

Mas não é esse o nó a ser desatado. O problema está no nome do candidato da unidade. Diferenças e ambições embaralham o jogo. Ciro Gomes às vezes veste a roupagem de uma terceira força. Não é lá uma grande aposta – Ciro precisa controlar seus nervos, o temperamento hostil e divisionista, que afasta aliados por qualquer pinimba. Seria preciso acalmar o gênio indomável. O sertão, porém, não costuma virar mar. Não ganha a eleição e se ganhar, será mais um período de crises e bate-bocas de toda ordem. 

 

A candidatura de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, bancada pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, que sabe analisar muito bem o tabuleiro político, não parece capaz de decolar – vejo-o como um político mediano, sem biografia e sem brilho. 

 

João Doria está em plena campanha para ser o candidato tucano, mas não cativa nem o seu partido. O carro-chefe é a vacina Coronavac. Mas ele tem pouco a ver com o PSDB, não captou nem entende os valores e os princípios programáticos da social-democracia. A alternativa do governador gaúcho, Eduardo Leite, como candidato tucano, seria mais coerente e inovadora. 

 

Fala-se na candidatura da senadora Simone Tebet, do MDB. Pode empolgar – é mulher, nome novo, articulada, combativa, ficha limpíssima. O partido é a sua força e a sua fragilidade – dominado por oligarquias locais, o MDB não é muito chegado em apostas mais arejadas. 

 

Uma chapa Simone Tebet-Eduardo Leite, ou Leite-Simone, poderia ser um bom sinal e um apelo promissor para a ampla parcela do eleitorado que não quer nem Bolsonaro nem Lula. 

 

 

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

PANDEMIA E RENÚNCIAS

 Certo dia li, no caderno de turismo de um jornal, uma reportagem que me chamou atenção. Estava sendo inaugurada uma linha aérea que saia de Porto Alegre até a Ilha do Sal, na costa africana. Olhei melhor no Google e lá estava um paraíso quente, com belos hotéis e praias. Adoro quando não preciso fazer escalas. A ilha fora uma possessão portuguesa e era de lá a falecida cantora Cesária Évora,  cujas canções  aprecio muito. Seria um bate e volta de uma semana.  Quando nos aprontávamos   para comprar as passagens lemos que na China havia um “andaço” de uma doença. Pensei: tudo que nos faltava era ficarmos trancados na Ilha sem poder voltar. Decidimos esperar um pouco e...bingo, já falavam em pandemia. Achamos melhor aguardar e cancelamos nosso projeto.

Gosto muito, demais, do Rio de Janeiro.  Há muito tempo pensávamos em comprar um pequeno apartamento no Leblon, perto do Ritz Hotel. Minha mulher e eu marcamos  passagens para 7 dias, tempo suficiente para  escolher bem calmamente um ninho para passarmos o  inverno. Avolumavam-se as notícias sobre o tal do “bichinho chinês”.

Achamos, depois de olhar vários apartamentos, um que nos agradou. Mobiliado, bem localizado. A TV noticiava que o vírus Covid 19 já ingressara em terras brasileiras.

Decidimos suspender também esse projeto.

Eu tinha combinado com o meu amigo Flávio Haas que em duas semanas  iria participar novamente do tênis sábado pela manhã no “Trem das 11”, nas quadras  Tênis Clube. Levaria para o churrasco um balaio de “prime ribs” de gado Angus. Dias depois veio a notícia: tinha piorado a pandemia. Cancelado o churrasco.

Uns dias após estava eu na frente do Supermercado Avenida em Xangri-Lá e havia  uma fila do lado de fora. Dois metros à minha frente estava uma senhora com máscara. Comentei com um amigo ao meu lado que isso era um exagero. A jovem senhora nos olhou, se identificou como médica, e nos alertou que a situação era grave. 

Daí em diante foi quase tudo fechado. Os clubes de esportes desativados. Proibido caminhar na orla, etc.

Somos criaturas que acabam se conformando. Anos atrás , num voo, perguntei a um conhecido, que tinha cumprido alguns anos de reclusão por homicídio, se ele não se desesperara por ser obrigado a se privar de tanta coisa. Disse-me que no começo pensava até em se matar. Mas com o tempo se resignara.

Se nos comportarmos quem sabe poderemos  voltar ao que fazíamos antes.O “start” vai ser dado pelos especialistas.Todos sofremos.

Não podemos morrer na praia.



terça-feira, 10 de agosto de 2021

ESCALADA - TITO GUARNIERE

 

TITO GUARNIERE 

 

ESCALADA 

 

Na sexta-feira, o presidente Jair Messias Bolsonaro vazou todos os limites: chamou o ministro Luís Roberto Barroso de (desculpem os leitores) "filho da puta". No sábado, disse que Barroso "quer que nossas filhas de 12 anos tenham relações sexuais", uma mentira infame. Há uma escalada demencial no seu comportamento, nas suas falas e atitudes. Ele declarou uma guerra santa contra tudo o que, no seu desvario, acha que é inimigo. 

 

E não há ninguém capaz de demovê-lo nas crises psicóticas, que se tornam cada vez mais frequentes e virulentas. Para que seja assim, existe apenas uma hipótese: ele acredita nas suas próprias alucinações – se houvesse um resquício de lucidez, mínimo que fosse, ele já teria moderado os ânimos e acalmado o ambiente. Mas, não. Esse homem não é de apagar incêndios, senão de jogar querosene no fogo. 

 

Não faltam psiquiatras que afirmem que o caso de Bolsonaro é de internamento. Exagero? Já pensei assim. Mas o frenesi paranoico não arrefece: ao contrário, se agudiza. Quando alguém xinga a mãe do outro, nos termos de Bolsonaro, então é porque está à beira de uma síncope nervosa. Ele tem apneias em plena vigília. 

 

Mas o que esperar de um homem que, ao invés da bíblia, ou de um livro, deixa uma arma na cabeceira da cama? Pode ser exagero, mas na voragem em que está mergulhado, ele é capaz de sacar a arma e atirar. 

 

Não é necessário que ninguém o provoque. Basta que, de alguma maneira, alguém se oponha aos desígnios do seu pensamento regressivo, às suas idiossincrasias, à sua visão obnubilada do mundo. 

Basta que lhe atravesse o caminho alguém que, no raciocínio doentio, esteja atrapalhando a missão, os planos. 

 

E também não o incomoda o fato de que não exista o problema. Se não existir, ele cria, da forma mais primitiva e irracional, como é o caso do voto impresso. Vejam que as eleições deste país, desde 1996, se faz com o voto eletrônico. De lá a esta parte, umas poucas mudanças pontuais, e vem funcionando quase à perfeição. 

 

Milhares de mesários e presidentes de mesa, fiscais de partido, candidatos, programas ultra auditados de computador, tudo resultou em uma das nossas mais singulares e bem-sucedidas experiências. Nem mesmo o choro comum dos perdedores se ouviu nestes anos – ao menos no que diz respeito à fraude nas urnas. 

 

A reclamação sobre a lisura do sistema veio de quem venceu cinco eleições de deputado federal e uma de presidente da República – ele a tirou do fundo da mente conturbada. 

 

Todos têm o direito de postular o voto impresso, considerando-o mais seguro. Mas para ser implementado tem de seguir os trâmites da República. O lugar onde ele deve ser examinado é o Congresso. O que está distorcido é fazer de um conceito raso, comum, discutível, uma questão de Estado, com o presidente – e todo o aparato de governo – mobilizado 24 horas por dia, em estado de estupor patriótico, para vê-lo vencedor. 

 

O voto impresso é uma questão menor, que só envolve polêmica por causa das obsessões presidenciais. A insistência destrambelhada do presidente dá razão aos seus oponentes: tudo se resume a um pretexto fútil para melar as eleições, se ele perder. 

 

titoguarniere@outlook.com 

 

twitter: @TitoGuarnieree 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

URNAS. A QUEM SERVE O RETROCESSO?

 Eu ainda peguei, como juiz, a época da redução a termo através da máquina de escrever Remington. Muito cuidado para colocar sob a folha de papel uma de carbono, para obter uma  cópia.As prateleiras estavam repletas de processos já findos. Mas não se permitia , de jeito nenhum, incinerar ou mandar dar outro fim para essa papelama.Nas audiências  tinham que ser reduzidos a termo os depoimentos. Depois vinha a conferência, sempre alguém alegando que não fora isso que o depoente dissera.

Gravar a audiência, nem pensar, mesmo porque  ainda não havia tecnologia adequada.

Nos estabelecimentos bancários havia centenas de escriturários. O dinheiro dos correntistas era lançado numa grande folha , onde eram registradas as saídas e ingressos.

Muito se usava o cheque.

Quando eu era criança eu fui uma ou duas vezes com meus pais votar no centro de Santa Cruz. Havia horrores de folhetinhos no chão com o nome dos candidatos. Meu pai era do partido do Norberto Schmidt e a mãe votava pelo partido do Euclides Kliemann. Era tudo num papelzinho.Diziam,na época, que era um problema as contagens dos votos.

Quando ainda havia o voto físico,eu era juiz eleitoral. A Unisinos engatinhava com a informática. Me reuni com alguns próceres e bolamos uma maneira de totalizar rapidamente os votos. A contagem era nas mesas, que forneciam o boletim, o qual ia para o computador.

Eu sempre ouvira que as urnas não podiam dormir sozinhas. Que durante a madrugada poderia haver uma “ insônia”.

Ora, a lei dizia que as apurações deveriam iniciar no dia seguinte ao da eleição. Bueno, conclui que no primeiro minuto seguinte ao do dia da eleição era lícito iniciar a contagem.

Foi o que fiz. Convoquei os mesários e abri as urnas no primeiro minuto depois da meia noite, com fiscais dos partidos e a imprensa.

O presidente do TRE não gostou. Mas fui em frente, pois houvera a  concordância de todos partidos e do M.P. Horas depois estava tudo resolvido e proclamados os resultados.

Como presentinho o TRE se reuniu e me aplicou a pena de Censura.  Amigos pediram para eu recorrer. Declinei porque nada de grave aconteceu.Não se anulou nada.

Levei algumas “caronas” nas promoções.

Mas a grande vitória de todos nós, como magistrados e cidadãos, foi o advento das urnas eletrônicas. O que alguns mal informados estão querendo fazer é tornar a votação insegura, mais complicada. 

E  querem voltar ao voto com papel? De novo com dias e dias para a apuração? 

Tomara que não se complique um sistema que funciona muito bem. Papel é retrocesso.

Espera-se prudência por parte dos congressistas.


quinta-feira, 29 de julho de 2021

DE FUTEBOL E SOFRIMENTO

 Eu estava naquele jogo no Beira Rio em 1989. Era relativamente moço. Na época,  por vezes até ia aos treinos. Tinha cadeira cativa. Várias vezes acompanhei o Inter em outros Estados. Sempre ia com a camiseta rubra, aguentava as flautas quando havia derrota.

Escutava todos os jogos e, se houvesse transmissão pela TV, não perdia nem os comentários finais.

Mas aquele jogo em 1989 foi demais para minha paciência. Depois que o Inter fez de tudo para perder o jogo contra o Olimpia voltei muito amargurado para casa. 

Foi quando, no meio da madrugada, após me rolar e rolar na cama, tive um estalo de clarividência. Pensei: o que estou ganhando com essa tristeza? De que me adianta eu me torturar?

Naquela madrugada decidi: nunca mais irei a jogos de futebol do Inter, nem verei pela TV. Talvez só me informar, ao término do jogo, do resultado .

E assim fiz até hoje. Não “seco” o Grêmio e não discuto futebol com os amigos. Gosto de ver os jogos da Seleção Brasileira e dos clubes europeus.

Decidi ver belos jogos sem torcer nem sofrer, só apreciando a técnica apurada de vários clubes, sem me esganiçar aos urros. Só desfrutar.

Isso acontece com os jogos de tênis. Acompanho vários torneios, sem me estressar, só vibrando com  os lances.

Posso estar enganado. Mas no futuro os grandes clubes dos vários continentes formarão uma liga e serão bem sucedidos  por causa do brilho exponencial de seus jogadores. 

Penso que hoje o futebol está muito nivelado em todos os lugares. Ninguém mais é bobinho. Daí se explica que grandes clubes já foram rebaixados e muitos o serão de novo se não se cuidarem. Aqui, tirante  uns  5 clubes, qualquer um pode cair. No Brasil basta um menino se destacar e  seu passe é adquirido pelos “clubes empresa”, principalmente do Exterior. 

Na atual situação brasileira reina o amadorismo na maioria dos clubes.

Veja-se o que acontece com o Cruzeiro de Minas Gerais: já está há dois anos na segunda divisão e assanhadinho para cair para a terceira. 

Se Grêmio e Inter continuarem nessa senda, não será surpresa um dos dois ou ambos, darem uma chegadinha na Segundona. E calculo que não seja fácil de retornar.

Fico muito intrigado com o que acontece com dois “bondes”. Um do Inter e outro do Grêmio. O que faz há anos o Gigantinho mofando e se deteriorando? O que faz o Grêmio que ainda não solucionou o problema do Olímpico que virou tapera?

Acho mais graça ir a jogos do interiorzão e passar  direto para a copa com os amigos.

E, de vez em quando, dar uma espiada no jogo. Meu pai fazia isso quando me levava ao campo do Santa Cruz.


quinta-feira, 22 de julho de 2021

SÃO OS CUSCOS QUE NOS ADOTAM

 Um dia, na estradinha de chão que liga o asfalto com minha estância, ví um filhote de pastor alemão, sorrindo, ao lado de uma bolsa de sementes vazia. Alguém o abandonara ali, mas ele pensava que fora colocado para guardar e zelar pelo saco. Na volta, lá continuava ele, todo molhado pela chuva. Parei a caminhonete e ele me " rosneou". Fui “tenteando” e ajeitando até que ele concordou em vir comigo  desde que eu deixasse ele vir com o saco plástico vazio.

Eu já tinha um outro cachorro da raça e dei aos dois os nomes de Debby e Lloyd.

Debby logo se tornou meu dono, exigia exclusividade, lamuriava-se à minha porta quando eu não estava e ouvia o ronco de minha caminhonete a dezenas de kms e ia esperar no mata-burro. Só se acalmava depois de duas horas de afagos.  

Debby tinha uma cadela favorita entre seu harém. Essa fêmea, de nome Frida, era faceira e muito sábia. Quando Maristela tinha recém engravidado, 24 anos atrás, ela se aproximou, lambeu o ventre dela e depois lhe sorriu. Como já disse, os cães falam e sorriem. Mas só para aqueles de quem gostam. 

Esses bichos não precisam de banhos sistemáticos dados pelo homem. Eles se atiram no açude ou no arroio e lá se banham. Claro que precisam de vacinas e desverminações. Ensinam seus filhotes a lutar. São lindos seus folguedos, simulam ataques aos garrões ou à jugular, numa memória ancestral de suas origens. Nossos cães convivem com gatos, galinhas, pintinhos,

não fazem danos nas hortas.

São, porém, terríveis com cães estranhos: têm um forte apego aos seus limites territoriais.

Um dia meu capataz me ligou durante o dia. Maus presságios. É que o capataz geralmente só liga à noite para contar os “sucedidos” do dia. Se telefona de dia, é zebra na certa. Eu estava no escritório, em Porto Alegre.

- doutor, seu cachorro tá muy mal!

 

Só deu tempo de eu abastecer e me toquei na hora para a estância.

Cheguei e o pobre cusco estava deitado sob uma árvore.

Acariciei sua cabeça e seu lombo,falei com ele,  que levantou a cabeça, a duras penas, e me sussurrou: “seu Ruy, acho que tô na capa da gaita, peleando só com o cabo da adaga”. O veterinário que fora chamado já vaticinara que o caso era irreversível. Assim fiquei por horas o acariciando e conversando sobre suas proezas e como deveria ser lindo o céu dos bichos. O pobre fazia um esforço para me olhar, mas sua cabeça pendia e ele  arfava já sem forças. Deu um pequeno uivo e faleceu.Jurei não ter mais cachorros. Mas logo vi que não vivo sem eles. 

(Muito bom o livro “O homem da sepultura com capacete” de Ricardo Düren)

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quinta-feira, 15 de julho de 2021

A AUSÊNCIA DAS GALAS

 Meu amigo advogado Cícero Barcellos Ahrends publicou no “ Espaço Vital” um artigo muito bem colocado sobre determinadas atitudes de alguns Ministros do STF. Diz o advogado: “Independentemente do julgamento de matérias técnicas que, rotineiramente, afrontam nossa Constituição Federal e a notória intromissão desrespeitosa que extrapola sua alçada e competência, me causou enorme estranheza o nível do debate que é vivenciado naquele plenário.

Por vezes, conjecturei estarem transmitindo imagens de uma bodega ou taberna já no adiantar da noite, onde a elevação alcoólica é capaz de irromper qualquer bafômetro de alta tecnologia.

Lembro, em suas respectivas épocas, dos notáveis Francisco Rezek, José Neri da Silveira, Ayres Britto, Sepúlveda Pertence, Ellen Grace, o gaúcho Paulo Brossard de Souza Pinto, entre tantos, que dignificaram àquela Casa. Como igualá-los aos atuais, tanto na cultura jurídica, postura e comportamento?”

Recordo o diálogo entre um advogado antigo e um bem jovem magistrado, ao início de uma audiência. O advogado se referiu ao juiz como “ Vossa Excelência” e o magistrado replicou que dispensava o tratamento de “ excelência”. Ao que o veterano advogado asseverou que não estava se referindo à pessoa física do juiz e sim ao enorme poder que ele representava.

A boa educação, a sabedoria, se tornaram praxe em quase todos  tribunais.  Virtudes como moderação, fineza, galas, sapiência. Infelizmente o tempo as fez sumirem pela janela, em alguns tribunais.

Aproxima-se o momento de preencher a vaga deixada pelo Ministro Marco Aurélio. 

Consta que o presidente da República pretende nomear uma “ pessoa terrívelmente evangélica” ou algo nesse sentido.

Mas, “ oras bolas”, como gosta de dizer o Presidente no seu linguajar rotineiro, não me consta que na Carta Magna esteja esse requisito primordial para ser ministro da mais alta corte.

E o notório saber jurídico, onde fica?

Não está mais que na hora de se escolher uma pessoa, seja mulher, seja homem, de irrepreensível conduta, que ao proferir seu voto dê uma aula de senso de justiça? que seja elegante e sereno?

Não desdenho dos atuais ministros, longe disso, mas aspiro por  uma personalidade que só pela sua carreira, receba todo o acatamento da sociedade.

Importante que o Senado examine bem o currículo do indicado. Foi muito bem o Senador Heinze quando, indagado por que não votara num determinado candidato ao STF respondeu, com muita sabedoria: “ porque havia outros melhores”.

Não há dúvida, ao meu sentir, que os tribunais superiores têm que ser reformados.

Meus votos pela pronta recuperação do Presidente Bolsonaro.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

A BOA FÉ ESCAMOTEADA

 Pela repercussão que teve minha crônica sobre o Mio-Mio, oportunamente versarei sobre os danos que a planta Maria-Mole,( Senecio Brasiliensis Lees) uma flor amarela, faz no gado . Também medra em muitas regiões. É um perigo para os animais.

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Quando fui promovido da Comarca de Arroio do Meio para Santiago, passei a me adaptar a um outro mundo. Arroio do Meio era um lugar pacato, quase não havia problemas. Eu brincava com meus amigos: o que estou fazendo aqui se todo mundo paga suas contas e ninguém briga com ninguém?

Ao chegar em Santiago, cidade bem linda, com pessoas afáveis, a comarca  estava sem juiz há dois anos. Então me deparei com pilhas de processos esperando andamento.

Na época em Santiago havia poucos advogados. Todos, porém, muito preparados. 

Me deparei com processos que tratavam de matérias com as quais nunca havia me defrontado: problemas de posse, de propriedade, de detenção, de limites territoriais.

Por sorte havia me preparado sobre essas matérias. Mas, como todos sabemos, uma coisa é a teoria; outra, a prática.

Quando ouvia uma testemunha, ela falava um linguajar  “sui generis”. O maior exemplo é a pelagem dos equinos! Eu brincava com os amigos que, para saber qual era a pelagem de determinada égua ou cavalo, era necessário um estudo de 20 anos. 

Enfim, passei a visitar fazendas. E ali nasceu minha vontade de um dia ter uma propriedade rural.

O homem do campo é muito educado, apesar de alguma rusticidade por vezes. Me encantava como eram gentis com a esposa e os filhos.

Todavia, muitos não sabiam dizer não. Às vezes pessoas pediam uma novilhas emprestadas para um rodeio. Resultado, elas  voltavam estropiadas. 

Agora vem o pior. Exatamente o que os jornais estamparam nesses dias.  Compradores de gado visitavam fazendas, pediram um prazo , pagaram pequenos lotes, que foram aumentando para, ao fim e ao cabo, se dar o calote.

Sucede que o campeiro é muito reservado, acredita na boa fé, tem vergonha de negar prazo para o comprador.

Quando eu comecei com a pecuária fiz uma promessa a mim mesmo. Teria gado de qualidade, estabeleceria preços convidativos , mas meu gado não sairia da porteira antes de o valor estar na minha conta bancária.  

O golpe é simples. O "comprador" vai a uma pequena fazenda e compra 12 reses   a vista, em dinheiro vivo. Sai dali e as vende. Com esse dinheiro vai impressionando outros de  como é “ honesto”. Depois pede a todos  um prazo para o pagamento das novas reses. E some, ficando o estancieiro sem mel nem porongo.


quarta-feira, 7 de julho de 2021

PODER ASSUSTADOR

 TITO GUARNIERE 

 

PODER ASSUSTADOR 

 

Para a esquerda, a democracia representativa, como a do Brasil, é um sistema imaginado para servir aos propósitos e interesses das classes dominantes, e no qual as classes subalternas – os trabalhadores, as pessoas comuns do povo – são as que pagam a conta. 

 

Tem-se como certo de que os grandes empresários – banqueiros, magnatas da indústria, donos de empreiteiras – comandam nos bastidores, através de alianças bem tramadas, o estado brasileiro, e definem o destino dos recursos públicos e quais interesses serão hegemônicos. 

 

Em parte, é verdade. Mas nem sequer chega a ser a maior parte. O jornalista Vinícius Torres Freire, da Folha, entrevistou seis empresários, dentre os 100 maiores do país. Em resumo, eles disseram que "empresário não articula nada", e que mesmo quando as empresas podiam contribuir para as campanhas eleitorais era assim. 

 

No Brasil ao menos, as "classes dominantes" estão localizadas nos altos postos da burocracia estatal – receita (fisco), Banco Central, Poder Legislativo, Segurança Pública, autarquias reguladoras, magistratura, Ministério Público, Itamaraty. Esses grupos tocam de ouvido, se articulam com rapidez e precisão, reagem prontamente a qualquer tentativa de mexer nas suas regalias e vantagens, e traçam o desenho do estado brasileiro à sua feição, de modo a que os seus privilégios não sejam tocados ou seus interesses contrariados. 

 

É a "´privilegiatura" de que fala o jornalista Fernão Lara Mesquita, à qual se juntaram ultimamente as forças armadas, com centenas de militares ocupando cargos civis – é oportuno lembrar o tratamento vip com que foram agraciados na recente reforma da previdência. 

 

O poder da privilegiatura não se expressa apenas na azeitadíssima defesa dos seus interesses. Como um poder legislativo paralelo, não eleito pelo povo, simplesmente legisla, faz a lei. Estou me referindo, no caso, às tecnoburocracias da receita federal, de autarquias e agências reguladoras. 

 

Enquistados nos seus espaços de poder, vivendo para dentro, recebendo salários de marajás, sem risco de perder o emprego, não fazem a menor ideia de que esforços e recursos são necessários para a produção dos bens, dos serviços, da riqueza. Enxergam nos empresários, nos donos do capital, apenas indivíduos gananciosos, que só pensam em ganhar mais dinheiro. 

 

Assim, em cada ato que exige uma mediação do estado, a burocracia, seguindo o instinto primitivo do poder, tende a exorbitar, dando à decisão – da mais simples à mais complexa - a interpretação mais gravosa, para o cidadão ou agente econômico. "O poder é a possibilidade de fazer o mal". (W. Shakespeare). 

 

A mão é leve quando redige leis ou elabora emendas em seu próprio favor. Mas é pesada para criar e agravar obrigações da sociedade civil e produtiva. O poder desses organismos estatais é assustador: são milhares de instruções normativas, circulares, resoluções que, muitas vezes ultrapassam os limites das leis votadas no Congresso, e levam ao desvario contribuintes e agentes econômicos, obrigados a gastar fortunas com advogados especialistas e caros, para reduzir os danos da fúria regulamentadora. 

 

titoguarniere@outlook.com 

twitter: @GuarniereTito 


sexta-feira, 2 de julho de 2021

AINDA SOBRE MIO-MIO , PLANTAS TÓXICAS E ELISA LYNCH - ( FLÁVIO MORSCH)

 Olá, amigo Ruy. 


    Não suporto o teclado do celular e o corretor do whatsapp. Sou conservador e excêntrico em certas áreas.  Também não sei usar whats no notebook, tampouco escrever mails no celular, nem quero aprender. Desta feita, cá estou no notebk com seu ortodoxo teclado.
    Sempre li muitas biografias. Mal lembro o nome , há uns 30 anos, caiu em minhas mãos a Elisa Lynch(1833-1896) , um livro hoje fora de catálogo ,em que pese estarem na moda  personagens femininos.
Falarei de memória, com possíveis inexatidões, aliás encontradiças em tudo o que cerca a Guerra do Paraguai.
   A bela Lynch nasceu na Irlanda  e se tornou primeira dama do Paraguai. Teve filhos com Solano Lopez, com quem não casou porquanto já fora casada. Monarquista,ela invejava a corte de Napoleão III e de D.Pedro II,embora o republicano Paraguai desprezasse o império brasileiro.
   Estava dividida a Argentina nos anos de 1860, com Mitre na Província do Prata (aliado do Brasil) e, ao norte, "Entre Rios", o Gral. Urquiza, compadre de López, que alternou apoio ao Paraguai com adesões à "Tríplice Aliança". Naquele livro, consta que Urquiza vendia cavalos ora ao Brasil ,ora ao Paraguai. 
Em direção ao Uruguai, seu primeiro desiderato , López teria avançado pelo RS com milhares de cavalos que foram dizimados por um capim que só existia no pampa gaúcho.
    Outra coisa interessante que lembro: o exército brasileiro, quando avançava por terra, arrastava rebanhos bovinos para alimentação das tropas - compostas principalmente de escravos que os guaranis chamavam de macacos - e para a tração de carroças. Detalhe: os soldados mijavam em tonéis para reservar urina ao curtimento do couro dos bois abatidos.
  Você ouviu falar de tais trovas?

Abraço!

quinta-feira, 1 de julho de 2021

O DANADO MIO-MIO

 

O nome do bandido é mio-mio, mas se o Criador o colocou nos nossos campos, então deve ter um motivo. Olhem o lindo nome científico  do “serial killer”: (Baccharis coridifolia). Nos países de língua espanhola é  “romerillo”.

Mio-mio é uma erva bem verdinha, altamente tóxica, que medra nos campos de quase toda a região centro-oeste do RGS e não tem como a extirpar. Corta aqui, ela aparece com mais força acolá.

Explico que a região de Santiago, Itaqui, descendo para Uruguaiana e Quaraí é useira e  vezeira em secas, geadas e lá está o famigerado vegetal.   Todavia  o animal que não conhece o “bandido”, se comer a erva está morto e sepultado. No inverno os campos tem geada, o que é ótimo para extinguir várias espécies que prejudicam os animais, mas o sacana tem folhas bem verdinhas, a contrastar com a palha deixada pelas geadas. Oba, pensam bois, vacas, touros, ovinos inexperientes: “olha que bóia gostosa vamos comer”!

 

Os animais que nascem onde há mio-mio, não o  comem. Mas com os  de outras paragens há que se tomar uma série de providências.

Esses  animais chegam de caminhão depois de uma longa viagem, chacoalhando, estressados, com sede e fome. Eu sempre mando descarregar na mangueira, onde já os espera água e muita alfafa ou  pasto cortado.

Os animais vão comendo  e descansando. Depois de várias horas a gente vai  a cavalo e os tange para beber água do açude. Depois vão passar dois dias num pequeno potreiro com muita pastagem. Voltam para a mangueira, onde é passado mio-mio nos seus beiços para que o repugnem.

Há uns  10 anos comprei 120 novilhas de um proprietário longínquo.

Perguntei se os animais conheciam mio-mio. Responderam-me que sim.

Eu queria transportá-las em caminhões boiadeiros. Seriam umas poucas  viagens  e pronto.

Mas meu pessoal queria porque queria trazê-las por terra. Parece que atropelaram demais. As reses chegaram bem estressadas, com fome. Ainda inventaram de as marcar logo na chegada. Relembremos que marcar é colocar um símbolo super quente, em brasas, no couro do   animal. Extremamente dolorido. Hoje isso está mudando para o brinco ou o chip.

Resultado:  comeram mio-mio, se “ervaram” e a metade morreu intoxicada.

Perdi, portanto, 60 novilhas. Multiplica isso por 6 mil pilas hoje cada uma. Não me nocauteou, mas doeu na guaiaca.

Fiquei abatido uns três dias, mas aprendi.

No campo a última palavra é tua. As consequências também.