domingo, 7 de julho de 2013

SILENCE IS GOLDEN OU SCHWEIGEN IST GOLD



Silêncio é ouro, calar-se é ouro.
Fui dois anos interno num colégio apostólico. Havia o estudo livre e o estudo sério. Neste, era obrigatório ficar-se em silêncio.
Nos tribunais era  obrigação da platéia ficar em silêncio. Por milênios as crianças eram apenas isso, criança não tinha querer, criança tinha que pedir licença para falar.
Coisas do passado.  Hoje - isso me causa espanto - está todo mundo reunido, mas em mutismo, cada um teclando sua maquininha onírica. Aí já não é silêncio.
Eu precisava muito resolver sobre um investimento:fazê-lo ou não .
Ia dormir decidindo que sim; acordava decidido que não e passava o  dia sem tempo de pensar melhor.
Desde 6a. feira de manhã me recolhi ao  meu Refúgio Celestial e Marítimo. Só saí hoje cedinho para jogar tênis com minha filha Milène e Maristela, nas quadras cobertas da SABA.
Comi muito pouco, quase só frutas; bebi muito, mas muito  mesmo, ÁGUA. Água da torneira.
E fiquei longas horas ouvindo o tilintar da chuva e contemplando o fogo.
Serenamente já tomei minha decisão.
O silêncio e o recolhimento são os melhores conselheiros.
Auguro aos meus queridos leitores, paz e concórdia.

MERCADO PÚBLICO DE P. ALEGRE - QUE TRISTEZA


(foto clic rbs)
Quando cheguei de S; Cruz para estudar no Direito da UFRGS, em l965, fui morar na Casa do Estudante de S. Cruz, ali  na Tomás Flores, no Bom Fim.Para se ver a fibra de um povo como o da minha querida cidade natal, que sempre protegeu seus filhos.
Morávamos entre 3 ou quatro em cada quarto.
P. Alegre quase não tinha violência e nas 6as feiras  ficávamos troteando pelo Centro. A noite terminava lá pelas 6 da manhã com um sopa no Gambrinus, no Mercado Público. Depois íamos dormir.
Muitas reuniões de negócio  fiz ali no Gambrinus, até recentemente. Conheço todos os garçons. O Tarso sempre estava por lá.
No tempo que em que eu tomava cerveja,  adorava seus happy hours,
Há poucas semanas mostrei o Mercado Público ao Luiz César, meu capataz, e sua esposa.
Erva-mate, costeletas de porco, peixes, eu comprava ali.
Ontem, pelas 21 hs, recebí o telefonema aflito do meu filho Rudolf, que ficara em casa:
- Pai, paizinho, o teu Mercado está pegando fogo...Estou vendo tudo aqui do apartamento...
Se foi um pedaço do meu coração.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES DE IVAN SAUL


Digníssimos Confrades, Ivanhoé e Ruy.



Crise da Democracia e o Centro Acadêmico da Filosofia 


Há alguns dias reafirmava, entre amigos, um conceito que já emiti - com baixa aprovação - em diário estrangeiro, não há crise de democracia em um país onde pessoas declaram-se, livremente, leninistas ou trotskistas e, pior, como são incapazes de ler ou interpretar textos que contem mais de 140 caracteres, são cooptados através de instrutores baseados em manuais de convencimento e de guerrilha assinados por grandes cientistas políticos, tais como Josef Stalin, Mao Tsé-Tung e o indefectível Comandante Fidel.

 

O que há, sim, no mundo inteiro, é uma carência grave de homens de princípio, qualquer princípio. Senão vejamos a facilidade com que um quadrilheiro domina a comunidade em seu entorno substituindo plenamente o Estado omisso. Ele administra justiça, contemplando do cível ao criminal, se utiliza de força policialesca de alta eficiência garantindo a segurança pública e o bem-estar social, ainda que paternalista e centralizador, dando acesso à luz, água, gás, telefone, internet banda larga, TV por assinatura, entretenimento [bailes, futebol, carnaval], transporte público e assim vai.

 

Assim, não faz falta ao homem comum que os princípios aqueles sejam pautados por padrões morais e éticos universalmente aceitos como corretos, desde que sejam princípios e a norma de convivência seja clara a comunidade vive feliz. O homem comum não necessita que o líder da comunidade em que vive seja um ídolo, de ídolos ele está bem, existem os esportivos, artísticos os religiosos e, informado que é, o homem comum sabe que ao fim os ídolos resultam serem moldados em adobe que, ademais de possuir um talento especial, são todos humanos e, quando expostos, não resistem à força das tempestades.

 

O exercício obrigatório do voto, que descamba em livre exercício da democracia e plena vigência do estado de direito, desafia o homem comum em suas crenças, propõe-lhe o paradoxo da fé sem objetivo [pois sua irmã, a fé cega, está morta], a fé do soldado velho que deve sempre escolher dentre os males o menor. Quanto aos políticos, é senso comum a frase do Barão de Itararé: “de onde menos se espera, é dali que não sai nada mesmo”.

 

Do outro lado, os legítimos representantes do homem comum, exercem seus mandatos como se o município, o estado, o país, nada mais fossem do que o “centro acadêmico da faculdade de filosofia de uma universidade pública” [gratuita e de qualidade devem vir junto, sempre]. Aqui não há guerras por serem travadas, não há clausulas pétreas por defender, não há direitos fundamentais por garantir. Aqui há pequenas batalhas do dia-a-dia, há casuísmos por exercer, há privilégios por manter, há o esperar que o acaso nos brinde com um novo escândalo, uma nova acusação de má gestão financeira. Sim, pois para tudo isso, teremos o discurso preparado, contra os golpistas, os antidemocráticos, a direita.

 

Sentados esperamos - de preferência num meio de transporte, pago por quem não quer se incomodar, rumo a um congresso que pode deliberar novos rumos para a humanidade ou a data e o local para o congresso do ano que vem – arregimentando forças para na próxima eleição mantermos as rédeas do centro acadêmico em nossas mãos, garantindo a continuidade, sinal do êxito de nossas propostas.

 

No amor, na guerra e na quadra eleitoral, tudo vale. Alianças espúrias, conchavos entre interesses [teoricamente] conflitantes, promiscuidade entre o público e o privado, cooptar categorias profissionais numerosas e mal remuneradas, como policiais e professores, que aparentam não serem dotados de senso crítico ao se renderem à quebra de hierarquia e ao aceno de melhores salários. Mandam educar e não dão os meios, mandam reprimir e não assumem os exageros. Sujeitam-se aos baixos indicadores de qualidade de ensino e aos aquartelamentos [sublevações veladas]. Pueris, desejam aceitação incondicional, imaginam que “só um pouquinho” tudo pode, à revelia do respeito pelas instituições.

 

Desconstroem o Estado Nacional sem levar em consideração, por não terem aprendido – assim como não fazem questão de que seja ensinado - que ele é muito maior do que seus interesses pessoais e eleitoreiros, esquecendo que a Nação somos todos nós, foram nossos antepassados que a implantaram e serão nossos descendentes que haverão de desfrutá-la. A Nação se constrói a cada dia e, sendo maior do que o próprio tempo, não está sujeita aos caprichos do acaso nem dos modismos permissivos das ideologias.

 

“Não somos enganados nunca: somos nós que nos enganamos a nós mesmos”. [Johann Wolfgang von Goethe]

 

Saudações ovelheiras!

 

Ivan Saul D.V.M.; M.Sc.Vet. - Granja Po'A Porã, 05/jul/2013.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

OS ASSASSINOS DO CAMINHONEIRO - ESPERO RESPOSTAS

"Foi uma covardia o modo como mataram ele", desabafa irmão de caminhoneiro morto em Cristal

Renato Langer Kranlow, 44 anos, levava uma carga de lixo reciclável para a Região Metropolitana

( EIS A MANCHETE DO CLIC RBS)
 
Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu já calculava isso, pois quando aqueles foras da lei me trancaram por horas na 290 me deu vontade de furar o ilegal e criminoso bloqueio. Mas eu só tinha 14 balas na minha máquina e os caras eram 50., Não teria como impor meus direitos nem me defender, já que as " otoridades" da estrada eram omissas.
Como o  foram no linchamento desse pobre trabalhador que só queria levar pão para sua casa !.
As respostas que quero:
- houve um homicídio lá em Cristal. Devem ser indiciados e depois denunciados TODOS, TODOS  OS QUE TIVERAM PARTICIPAÇÃO, inclusive os policiais que se omitiram; vão cumprir os policiais e o MP com seu dever ?
- trancar estradas é licito ou ilícito? como é que para me pararem na estrada, me pedindo documentos , não precisam de ordem judicial, mas para dispersarem desordeiros e assassinos e, no caso de Cristal, prender todos em flagrante, querem ordens superiores?
- é lícito a polícia rodoviária dar cobertura aos grupelhos de infratores da lei?
- ainda existe lei no Brasil?
Ou Dilma e os governadores, inclusive o Tarso, fazem alguma coisa ou  acabaram para a política.
-
 
 

CORTE DE GRAMA - MAIL DE RUTH LANTH

recebo da Socialaite Ruth Lanth o seguinte mail:
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Rudyzinho adorado e amado!
Inicialmente  manestê e muita luz pra ti.
Aproveito que minha faxineira Sissiélli está aqui na minha mansão de Atlântida e tem um nótibuqui e sabe  bater a máquina no computador - sabias que ela tem facebook? - e pedi a ela para escrever este mail .
Estou tão feliz que nem queiras saber. Eu fui fazer os Caminhos de Santiago e logo na partida encontrei um médico espacial ( como tu), só que este se formou num curso via telepática, não presencial. Ele viu um anúncio  de uma faculdade  em Belfort Roxo, se inscreveu, não precisou fazer vestibular e o curso é assim ó, um medium impunha as mãos nele e , assim, lhe transmitia o saber.
Rudyzinho, conhecimento, saber, é tudo.
Bem no fim o Uochinthon, esse o nome do meu atual marido, me convenceu que o que vale é a intenção. Então caminhamos dez metros e mentalizamos o resto da caminhada de 700 kms.Ele me impôs as mãos e num zás até frios e calores eu senti. Que coisa ! O resto do tempo fomos para Mônaco, jogar nos cassinos.
O Governo das Ilhas Cayman bloqueou todo o dinheiro dele, por uma intriga da ex dele, que deu um telefonema anônimo para o MP de lá. Enquanto o advogado trabalha para liberar os dólares eu dou uma mão pra ele. Assim, comprei no nome dele uma mansão no Condomínio Fechado Muro Alto do Horizonte Cinza, que fica  em Balneário Xavier, pertinho de Xangri.Nunca fui lá, só dei o dinheiro e ele foi comprar.
Eu queria te dizer que o Uochinton leu tua post e quer ser teu sócio no negócio de cortar grama.Ele quer fazer uma Sociedade de Comandita por Ações. Ou seja, tu entras com o capital e o trabalho, ele faz os pagamentos, recebe os recebíveis, paga os impostos, audita as tarefas e vocês repartem o Carry Over. Qualquer dificuldade quanto a dificuldades, ele conhece todo mundo do poder e sempre entra pela porta do lado e,  sabe como é né, ele conhece todos lá de dentro e quebra todos os galhos.
Aguardamos resposta. Não demora, se não ele propõe para outros, que já estão telefonando.
Beijos molhados.
Ruth

FAZENDO TERAPIA E AINDA LUCRANDO




Essas viagens longas, os agora assassinos trancando estradas, a raiva contra os omissos - que inobstante recebem seus vencimentos - as mudanças bruscas de temperatura, me levaram à lona.
Para curar-me  cancelei meus compromissos.
Para onde iria? Pensei na Côte d'Azur, pensei em Wimbledon, cogitei de Viena, mas bem ponderando ,optei por um dos lugares mais mágicos do mundo:
- XANGRI LA!!!!!!!
Meu jardim estava em estado lamentável.
 Me lembrei das sábias palavras de minha falecida mãe:
ARBEIT MACHT DAS LEBEN SÜSS ( o trabalho faz a vida doce)
Peguei minhas ferramentas e máquinas


e eu mesmo fui cortar a grama .

Um serviço desses não sai por menos de 200 pilas.
Olhem como ficou a grama.É o diesel de ida e volta a Unistalda que lucrei.
Vou me presentear, logo à noitinha, com um capitoso vinho na casa do meu neto, que é meu vizinho, o sr. Matheus Gessinger Bremm, de quase 2 anos de idade.
E m tempo: entrementes o Loeffler me manda um mail cuja parte reproduzo:
"Já tinha lido faz alguns minutos e digo que aqui, praia que recebe seguramente não menos que 70% do PIB de nosso estado não ganha dinheiro quem não quer. Não sei se encontrarias alguém que cortasse a grama por apenas 200 pilas. "
Nesse momento vou voando lá pra mansão dele e vou cortar a grama dele por 200....
Vou gastar tudo em Freixenets...
Fui!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

PASSEATAS - FINALMENTE ALTO NÍVEL



Estou aqui na minha torre observando a passeata dos médicos.
Não trancaram a rua, deixaram um corredor para os carros passarem.
Discursos muito bem articulados.
O pau está pegando dona Dilma....
Isso é um fato novo.
Achei elegantes os gestos do Presidente da AL e do da Câmara de Vereadores vindo dialogar.

ATÉ QUE ENFIM, DONA DILMA

Eu e acho que todos os brasileiros , já estamos cansados dessa bagunça de qualquer grupelho tomar ruas e estradas, fechá-las e não deixar ninguém passar.
Quem faz isso comete crime e quem se omite comete crime também ou, ao menos, grave falta funcional.
Ser de esquerda , de direita, de centro não quer dizer nada. A leniência e a frouxidão levam os cidadãos em geral a pensarem em autodefesa ou  efetuar gestão de negócios em lugar do Estado omisso.
Governar é ter atitude.
Mande desobstruir as estradas e assim inicie a salvação do seu governo, senhora Presidente.

ENTREVISTA COM DOUTORANDO DA UNIVERSITY OF ILLINOIS


Hoje tive a honra de receber em meu escritório  o dr. Luciano Da Ros, doutorando pelo Department of Political Science  pela University of Illinois at Chicago.
O jovem doutorando veio ao Brasil para entrevistar operadores do Direito que tiveram contato com julgamento de Agentes Políticos e Públicos.
É meu caso, pois integrei a 4a. Câmara Criminal do nosso TJ, como Desembargador.  
Causou-me muita alegria ter sido escolhido entre poucos no Brasil.
Também me causou excelente impressão o jovem doutorando.

terça-feira, 2 de julho de 2013

IVAN SAUL TAMBÉM ABRE SEU BAÚ DE HISTÓRIAS


Bueno meu(s) amigo(s)!

 

Pra ninguém pensar que só contamos histórias de romances do passado, também vou me meter nessa de "fosso social".

 

Meu avô paterno e seu pai [meu bisavô Samuel Saul sobre quem ainda contarei alguma História - assim mesmo, com maiúscula] fizeram, à família, o favor de embarcar para o 'além' com um mês de diferença, exatamente, em 1925. Meu pai que era um dos filhos mais velhos do velho Orpheu, que morreu primeiro, tinha 12 anos de idade quando os dois se foram.

 

Minha avó, Dona Maria José Gomes Saul, sobre quem sei muito pouco. Juntando o que restava de uma grande fortuna descuidada pelo clã Saul - a mulher do velho Samuel, Ursulina Leme Saul; onde viria a ser a Av. Paulista, teve um piquete de burros de posta [era concessionária do correio em Bragança Paulista] - além de ser herdeira da, hoje, maior atração turística daquela região, a "Pedra Grande" que era o nome da fazenda onde viviam.

 

Como ia dizendo, a Da. Cotinha, juntou o que restava e tratou de cuidar das filhas, uma meia dúzia, mandando todas pro colégio interno pra ajeitar bons casamentos no futuro... o macherio, largou pro campo pra aprenderem a pastar, assim meu velho não aproveitou nada daquela fortuna "quatrocentona". Até ter idade pra sentar praça, trabalhou no mato tirando madeira pra serraria, embora eu ache que ele já fazia isso antes do passamento dos velhos, de vez que estudou muito pouco numa casa de "letrados".

 

Enfim, trinta e picos de anos depois, vim a conhecer algumas das minhas tias paternas quando, de passagem rumo ao Uruguay, estiveram em Pelotas, na casa do irmão operário.

 

Meu pai, talvez por orgulho, pra que não fossemos pedir alguma boquinha ou tráfico de influência, nunca comentou que a irmã mais velha, Ismênia, era casada com o proprietário de um importante jornal paulistano. Eram "segundas núpcias" de ambos, somando já deviam andar pelos cento e alguns anos os dois, e não sei se houveram enredos com os herdeiros do tio Mesquita, que tinha pinta de velho gente boa, como os outros cunhados do Archimedes que faziam parte da 'entourage'. Todos eles,  gente com quem nunca mais falei, talvez por orgulho, pra nunca pedir coisa alguma, como, aliás, nunca pedi pra ninguém que não fosse meu pai, irmão ou filho.

 

Me marcou o fato do tio ter um Simca Rallie, preto e brilhante, bem como aqueles que eu namorava na revenda que ficava na esquina da minha casa. O velho Mesquita, muito legal como costumam ser os ricos quando querem agradar, inventou de me fazer comer uma bomba de creme, eu que nunca fui chegado em doce e já tinha jantado, não podia fazer uma desfeita e, diplomático, comi. 

 

Como eu disse antes, carro era coisa que eu namorava na revenda e ônibus urbano em Pelotas, nunca usávamos por não ter onde ir, não longe que justificasse ir de ônibus. Ao "prado", ver as carreiras, o pai não me levava pra não pegar o vício do jogo; ao cemitério em "finados", eu me negava...

 

Num trajeto de cinco quadras, do hotel deles até em casa, me mareei e a tal bomba deu volta. Mandei o 'Estadão' de volta pra São Paulo azedo, todo vomitado, morto de vergonha ainda tive que aguentar minha mãe e uma tia (pelo lado dela) me criticando para todo sempre: "Êta guri grosso!" me parece ouvir até hoje...

Se vê que diplomacia não viria a ser meu forte...
Abraços ... Ivan
 
-- 
- Saudações ovelheiras! -
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MINHA INFÂNCIA NA CASA DOS AVÓS


 

 
Meu avô, Rudolf , morava em  Boa Vista, distrito de Santa Cruz do Sul,onde tinha uma casa comercial, misto de empório de utensílios, farmácia, tecidos, salão de baile, entreposto de fumo. O homem era metido, pois em 1950 foi com uma turma de S. Cruz para o Ano Santo em Roma.(Está aí o dr. Sandor Hoppe de testemunha, ele que era gurizinho  e foi junto). Todos os seus filhos e filhas tocavam algum instrumento. Destacava-se minha falecida tia Brunhilde que me dava reguaços nos dedos quando tocava o” do” no piano com o dedo indicador.

 

Indefectivelmente nos domingos meu  pai pegava sua Dodge, e lá íamos  nós: a mãe, mais Lia e Cleonice, minhas irmãs. Um quilometro antes de chegar à casa do avô, morava minha avó materna Bertha, viúva duas vezes, mãe  terna de uma penca de filhos. Casa humilde de colonos, sem luz elétrica. Ali desembarcavam minha mãe e minhas irmãs.

Eu seguia, com meu pai, para a casa dos pianos, violinos e gaitas,da luz elétrica,  do telefone a manivela, da mesa farta. Mas também da ordem e dos grandes silêncios.

Era só meu pai se distrair e lá ia eu fugindo para a outra avó. Sua casa tinha olor de  forno a lenha,  tudo cheirava a fumaça, meu tio Lino, que morava com ela, me levava a caçar lebres e pombos e pescar no seu açude. Aos dez anos eu já sabia atirar com a arma de dois canos dele.

Adorava andar de carroça em cima  do pasto colhido para as vacas.

Antes da hora do ângelus  voltava correndo   à casa dos outros avós.

Minhas tias tocavam “ Rodrigues Peña”, “ Re, fa. Si”. E meu avô as obrigando a tocar uma peça a mais e elas choramingando, não querendo mais.

De vez em quando a casa recebia o tio Guido, o mais novo, em cujo quarto eu dormia e espiava as cartas que ele mandava à sua então namorada de P. Alegre, e também o Tio Humberto, pai do Umberto do Engenheiros do Hawaii.  Esses dois tios se compraziam em aterrorizar a  serviçal Ana Stuelp, solteirona e católica fervorosa,  dizendo que estavam estudando para se  tornarem pastores protestantes .

Como não sou  completamente burro, fui aproveitando o lado bom das duas casas, sem infectar minha   cabeça com marimbondos.

Claro que depois descobri o porque do desembarque de minha mãe na casa de  sua genitora. Jamais foi adiante, conquanto ela e meu pai vivessem em harmonia.

O fosso social era muito fundo entre uma coloninha e o filho daqueles comerciantes. Mas entre   os dois correu sempre quase  tudo muito bem. Sim, meu pai tocava violino, provinha de uma família fina, mas minha mãe era forte, pertinaz e justa.

De uma parte fui muito feliz no lado colono, com seus cheiros , caças, frugalidade e muita ternura.

De outra, me fez bem aquela cultura e finesse dos avós paternos.

E,como disse antes, é burrice a gente  se punir por coisas da vida. Ainda mais quando se é criança. Não optei por lado algum daquela  cizânia. Ali aprendi o significado de “ diplomacia”.
( Publicado hoje no diário Gazeta do Sul)

SOBRE VIOLÊNCIA - BERTOLT BRECHT ( em português e alemão)


Certo dia o senhor Keuner, o Pensante, se pronunciava contra a violência num auditório; de repente, percebeu que as pessoas se distanciavam dele e, por fim, se afastavam. Olhou em torno e viu parada atrás de si... a violência.

- O que tu disseste? Perguntou-lhe a violência.

- Eu me pronunciava a favor da violência. Respondeu o senhor Keuner.

Quando o senhor Keuner foi embora, seus alunos lhe perguntaram por que dobrara a espinha. O Senhor Keuner respondeu:

- Eu não tenho espinha dorsal para vê-la destroçada. Justamente alguém como eu precisa viver mais tempo do que a violência.

E o senhor K. contou a seguinte história:

À casa do senhor Egge, aquele que aprendeu a dizer não, chegou certo dia, no tempo da ilegalidade, um agente exibindo um certificado expedido em nome daqueles que dominavam a cidade e dizendo que lhe pertencia toda a casa em que pusesse os pés; da mesma forma, pertencia-lhe toda a comida que ele pedisse; da mesma forma, deveria servi-lo todo homem que ele visse.

O agente sentou-se numa cadeira, pediu comida, lavou-se, deitou-se e perguntou, com o rosto virado para a parede, antes de adormecer.

- Tu vais me servir?

O senhor Egge cobriu-o com uma coberta, espantou as moscas em volta dele, vigiou o seu sono e, assim como nesse dia, obedeceu ao longo de sete anos. Mas, se fazia tudo pelo agente, uma coisa guardou-se de fazer: dizer uma palavra que fosse. Quando se passaram os sete anos e o agente já engordara de tanto comer, dormir e mandar, o agente acabou morrendo. O senhor Egge enrolou-o em sua coberta deteriorada, arrastou-o para fora da casa, lavou a sala, caiou as paredes, suspirou, e enfim respondeu:

-         Não.

(fonte: Escombros e caprichos. O melhor do conto alemão no século 20. Trad. Marcelo Backes. LPM, 2004)

 



 

Maßnahmen gegen die Gewalt

Als Herr Keuner, der Denkende, sich in einem Saale vor vielen gegen die Gewalt aussprach, merkte er, wie die Leute vor ihm zurückwichen und weggingen. Er blickte sich um und sah hinter sich stehen - die Gewalt. "Was sagtest du?" fragte ihn die Gewalt. "Ich sprach mich für die Gewalt aus", antwortete Herr Keuner.

Als Herr Keuner weggegangen war, fragten ihn seine Schüler nach seinem Rückgrat. Herr Keuner antwortete: "Ich habe kein Rückgrat zum Zerschlagen. Gerade ich muß länger leben als die Gewalt." Und Herr Keuner erzählte folgende Geschichte:

In die Wohnung des Herrn Egge, der gelernt hatte, nein zu sagen, kam eines Tages in der Zeit der Illegalität ein Agent, der zeigte einen Schein vor, welcher ausgestellt war im Namen derer, die die Stadt beherrschten, und auf dem Stand, daß ihm gehören soll jede Wohnung, in die er seinen Fuß setzte, ebenso sollte ihm auch jedes Essen gehören, das er verlange; ebenso sollte ihm auch jeder Mann dienen, den er sähe.

Der Agent setzte sich in einen Stuhl, verlangte Essen, wusch sich, legte sich nieder und fragte mit dem Gesicht zur Wand vor dem Einschlafen: "Wirst du mir dienen?"

Herr Egge deckte ihn mit einer Decke zu, vertrieb die Fliegen, bewachte seinen Schlaf, und wie an diesem Tage gehorchte er ihm sieben Jahre lang. Aber was immer er für ihn tat, eines zu tun hütete er sich wohl: das war, ein Wort zu sagen.

Als nun die sieben Jahre herum waren und der Agent dick geworden war vom vielen Essen, Schlafen und Befehlen, starb der Agent.

Da wickelte ihn Herr Egge in die verdorbene Decke, schleifte ihn aus dem Haus, wusch das Lager, tünchte die Wände ,atmete auf und antwortete: "Nein."

segunda-feira, 1 de julho de 2013

CUIDADO! EU SEI O QUE SENTI VONTADE DE FAZER

Em continuação ao narrado na post anterior, dá-me a impressão, como  objeto de múltiplas abordagens por agentes de trânsito, multado por passar a 80 onde só pode 60, essas coisas, que o papel das autoridades agora é só burocrático. Multar e fiscalizar as pessoas normais, pacatas, esse é o trabalho as " otoridades"..
Hoje tive ânsias de vômito ao ver policiais rodoviários lado a lado com os meus " colegas" produtores rurais, que criminosamente fechavam a br 290;
Minha vontade era  encher essa turma de gritos.
Mas os carros, tripulados por ovelhinhas servis, passavam obedientes e com a síndrome de Stockholm nos lábios. E eu, eu, vou esperar uma ocasião melhor para me martirizar. Mas que vou meter meu carro em cima de barreiras ilegais, isso acho que vou fazer. Total: de que adianta viver  num lugar em que todos estão impotentes? e ainda aconselham a não reagir?
E então, amigos?
Vamos pela lei, pela ordem ou  vamos para o vale tudo já que as autoridades não fazem nada?

VIROU BAGUNÇA. ACENDAM A LUZ QUE QUERO IR EMBORA

Pesei as vacas e saí da estância 10 da manhã. Ao entrar na Br que vai de Santa Maria a São Sepé, protestos contra não sei o que, com gente queimando pneus. A cada tanto, pneus queimando. Mas até aí tudo bem, desde que não queimem  meu carrinho.
 Um pouco depois de Arroio dos Ratos, já na BR 290... tudo parado. Gente no meio da estrada. Acidente, pensei.
Passa, em sentido contrário, calmamente uma viatura da PRF. Ué.. pensei.

E assim fiquei parado, paradito por DUAS  HORAS NUMA ESTRADA PÚBLICA.
Liguei o rádio e disseram que era um protesto de agricultores, que haviam trancado a estrada ali no cruzamento com a via que vai a Charqueadas, antes do pedágio.
Logo ouvi todos vociferando:
- esses Sem Terras!!!

Liguei para o Mendelski que  providenciou para me colocarem ao vivo na Guaíba.
Expliquei o drama de todo mundo, o desespero se apossando e pedi que o Governo  ao menos MEDIASSE   esse impasse.
Bueno, finalmente a fila começou a andar.  . Cheguei em casa agora.
Ah, esqueci de dizer que não eram sem terras os manifestantes.
Era gente de caminhonetões bem lindos....
( Eu acho que vou liderar o fechamento perpétuo da 287 ali na Unistalda. Só vamos abrir se  colocarem pivôs de irrigação pra todo mundo.E de grátis. Eu quero ser o primeiro)
( foto clic rbs)


FRIO BAGUAL NA CAMPANHA



Cheguei ontem na estância para carregar umas vacas vazias.
Ventou toda a noite. Os espíritos dos bugres que habitavam aqui estavam inquietos.
Portas, janelas, postigos, estalavam.
Uma navalha fina e gélida passava fora das casas, furando os olhos de animais e gentes.
Acordo muito cedo, mas não quis saber de rádio nem de notícias, muito  menos de arengas de falsos profetas e pregadores.
Fiz um fogo e mateei solito, envolto em minhas recordações e projetos.
Monto a cavalo para ajudar a trazer a tropa, mas já na porteira meus dedos se congelam. Dou volta e deixo que a peonada vá.
Não sou mais guri.
Vou pra junto do fogo.
O povo da cidade não sabe o que é frio.