quarta-feira, 31 de outubro de 2018
CARTA A SÉRGIO MORO
Amigo Sérgio Moro!
Nasceste em 1972, ano em que eu assumi meu cargo de Juiz de Direito. Tenho idade para ser teu pai.
Tomo a liberdade de sugerir que não aceites o cargo de Ministro da Justiça. A enorme maioria do povo não sabe que o Ministério da Justiça é órgão do Poder Executivo, não sendo, portanto, um ente judiciário. Nós juízes temos uma formação jurídica, onde não entram condicionantes políticas. A qualquer momento poderá acontecer algo que force o Governo federal a te defenestrar. E aí, como é que fica?
Não te iludas com as luzes da política. É outro departamento , regido por outros algoritmos.
Permito-me sugerir que aguardes um pouco, porque é certo que serás indicado para o Supremo Tribunal Federal. Lá sim, estarás no teu campo e farás História. Continuarás juiz, o que é muito importante.
Aguarda que em breve vão se abrir duas vagas no STF!
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
JOSÉ NEDEL LANÇA MAIS UM LIVRO
Nedel é um erudito como não existem quase mais.
Tudo o que escreve vale mais que ouro.
Dele recebo o convite abaixo:
Tenho a satisfação de comunicar que,
durante a próxima Feira do Livro de Porto Alegre, em 9 de novembro p.
v., 17h30min, na Praça de Autógrafos, estarei lançando Vida
breve: sonetos. Trata-se de meu 6º livro de poemas, contendo 80
sonetos e um estudo introdutório escrito pelo renomado ficcionista e poeta José
Eduardo Degrazia. A obra é sob medida para leitores de bom gosto clássico, como
é o caso do amigo jurista e escritor, cujos textos encantam pelo estilo
escorreito, leve, carregado de finesse, humor não sem alguma ironia, mas
sempre em promoção da cultura humanística integral que está em grave default
em nossos tempos. A comunicação é extensiva aos seus ilustres correspondentes.
Informo que estará na praça também
meu novo livro de filosofia, Aristóteles: um ensaio, Editora Unisinos.
Um forte abraço.
José Nedel - magistrado e
professor aposentado, membro da ARL
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
TIRANDO A BUNDA DA CADEIRA
Foi pena isso ter acontecido no debate. Sartori foi cirúrgico: “eu achava que sua formação era outra”.
O candidato Leite, num laivo de entusiasmo, disse isso para seu oponente: “tem que tirar a bunda da cadeira”. Não sei porque agora me lembrei do velho adágio: não se fala em corda na casa de enforcado. Usar esses termos é perigoso.
O sr. Sartori deve ter minha idade, talvez um pouco menos. Mas o respeito aos mais velhos vem de berço.
Dirão, mas o jovem candidato usou um linguajar popular, sem malícia.
Um momento: com 33 anos eu já era juiz de direito há 6 anos.
Capaz que usaria uma palavra chula dessas…
Esse debate era entre dois candidatos a Governador. Não era discussão sobre futebol.
O dr. Leite tem que se desculpar urgente, pois pegou mal o que falou.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
MUDANDO DE SACO PARA MALA
Enquanto fervilham as redes sociais, neste país de 200 milhões de cientistas políticos, acho de melhor alvitre voltar a falar em política quando a chapa esquentar um pouquinho mais. Creio que as decisões estão tomadas e o quadro não vai trazer surpresas. Por essa razão vou falar sobre assuntos mais amenos, ao menos hoje.
Quero, antes, cumprimentar o dr. Vinicius Alves Moraes, o qual ainda não tenho a honra de conhecer pessoalmente, pelos seus belos artigos. A Síndrome de Estocolmo matou a charada.
Gostei, também, do artigo da Natany Borges sobre feminismo. Também há algum tempo escrevi ter sido minha mãe a primeira feminista que conheci. A verdade é que nos dias que correm se vê coisas que no passado eram impensáveis: como uma mulher ser juíza. Rememore-se que O TJ do RGS sistematicamente vetava a inscrição de candidatas a juiz. Só com Maria Berenice Dias, hoje desembargadora aposentada, a coisa mudou. Não havia brigadianas e assim vai.Mas há ainda um longo caminho a trilhar.
Sobre folguedos infantis do passado e de hoje, recebi um watts que me fez rir muito. Um homem ainda jovem narra, de maneira hilária, como eram as brincadeiras anos atrás e como são hoje. Inicia proclamando que antigamente as crianças se reuniam em grupos e só quase à força eram intimadas a voltar para casa e que hoje as crianças e adolescentes não têm mais amigos, que foram substituídos pelas engenhocas eletrônicas. Que hoje as crianças tem “ personal trainer” para jogar futebol, que os guris são estilosos com o cabelo, fazendo trilhas, e assim vai. Observo em muitas casas crianças de olhos petrificados na TV, enquanto o sol brilha lá fora.
Esses dias veio uma netinha de 8 anos, convidei para jogar bola, ela levou um tombo e ralou um pouco o joelho. Fez um alarde que parecia que tinham saído as tripas. Veio a mãe toda preocupada.Só faltava chamar o Samu. Peguei a guria e falei que na anterior encarnação eu tinha sido um médico famoso. Peguei água, um sabão, passei no pequeno esfolamento e exclamei: “ tá curada, pode correr de novo!” . A guria me olhou bem nos olhos e perguntou: “ tu foi médico mesmo?”. E sem esperar a resposta, saiu em desabalada carreira pátio afora. Para preocupação da mãe...
Aí entro no assunto de separações. Aconselho que vejam no Netflix o filme “Gente de Bem”. O enredo trata de pessoas de meia idade ou já idosos que se separam, sendo que um dos cônjuges arruma outro parceiro. Aí começam o ciúmes retroativos, conflitos de dinheiro, desajuste de filhos, a gradativa disfunção erétil dos homens, malgrado ainda terem boa aparência .O filme , no entanto, trata esses assuntos com muito humor e até compaixão. É um belo programa para ver quando não aparece ninguém para te visitar.
( artigo publicado em Gazeta do Sul)
sábado, 13 de outubro de 2018
PARA QUE DEBATES - 2
JURISTA DR. ROGOWSKI
Parece-me que o debate eleitoral no segundo turno
das eleições de 2018 é despiciendo, porque as posições, propostas e projetos de
ambos os candidatos são claras, e, sobretudo, antagônicas.
A toda evidência um lado defende a agenda
econômica, política, educacional e cultural marxista, sendo que o candidato em
questão foi um dos grandes responsáveis pela disseminação do famigerado “kit
gay” nas escolas públicas do município de São Paulo.
Aliás, tenho alguma dificuldade de entender quem
de fato é o candidato marxista, se esse que aparece na TV ou àquele que está
preso na cidade de Curitiba?
O outro candidato não obstante as críticas que se
possa tecer contra ele por seu parco preparo intelectual, o que será sanado ao
se cercar de uma boa equipe técnica, contudo, o mais importante é o indicativo
de tratar-se de homem bom, simples, honesto, avesso a alianças espúrias, e,
sobretudo, defensor de valores tradicionais como civismo e moralidade, proteção
à família, paládio à pátria, a fé, educação com disciplina, rigor na
segurança pública, estímulo ao empreendedorismo e a produção, redução da carga
tributária, relações internacionais e comercio exterior desideologizado, etc.
A essa altura do campeonato não há mais eleitores
indecisos, todos sabem exatamente que tipo de país e de futuro querem para si e
suas famílias, ou, ao menos, têm certeza daquilo que não querem.
¿Então, debater o quê?
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018
O DEBATE SÓ É INTERESSANTE PARA QUEM ESTÁ ATRÁS, DESESPERADO
Bolsonaro foi ferido gravemente, conquanto sempre haja algum canalha que afirme ter sido só um arranhão ou cobra mandada. O ferimento atingiu órgãos sensíveis, houve deiscência ( quando os pontos se abrem) de sutura. Teve risco concreto de morte.
Agora os médicos o proibiram de ir ao debate. Você que é do PT mandaria o Haddad ir a um debate se tivesse isso acontecido com ele? Você mandaria seu pai, seu filho?
Tem mais, se eu estivesse no lugar de Bolsonaro, mesmo sem ferimentos, não iria aos debates.
Para que?
O candidato tem que expor seus planos e para isso existe a propaganda eleitoral. O debate com quem está levando uma " fumada" abre as portas para a baixaria. Que cada um exponha suas metas no horário adequado e que as ansiosas TVs que transmitam novelas e futebol. Que é quase só o que sabem fazer.
Agora os médicos o proibiram de ir ao debate. Você que é do PT mandaria o Haddad ir a um debate se tivesse isso acontecido com ele? Você mandaria seu pai, seu filho?
Tem mais, se eu estivesse no lugar de Bolsonaro, mesmo sem ferimentos, não iria aos debates.
Para que?
O candidato tem que expor seus planos e para isso existe a propaganda eleitoral. O debate com quem está levando uma " fumada" abre as portas para a baixaria. Que cada um exponha suas metas no horário adequado e que as ansiosas TVs que transmitam novelas e futebol. Que é quase só o que sabem fazer.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
A REGIÃO DE SANTIAGO PODERÁ TER UM REPRESENTANTE NA CÂMARA DE DEPUTADOS
Marcelo Brum não seguiu meu conselho de, ao invés de se candidatar a Federal, fosse a estadual. Hoje estaria eleito onde o sr. Bianchini e o sr. Ruivo não atingiram a meta.
Ocorre que Brum fez excelente votação e está na primeira suplência de seu partido. É páreo corrido que se Bolsonaro se eleger, Onix Lorenzoni vai para um Ministério. Pronto: Marcelo assume como o seguinte na fila como Deputado Federal. Fácil assim.
Fácil se os santiaguenses e eleitores da região votarem em massa em Bolsonaro
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
MARISTELA GENRO GESSINGER ABRE SEU VOTO PARA BOLSONARO

Conquanto filiada ao MDB, a pecuarista e funcionária do TJRS, após longa meditação, decidiu apoiar Bolsonaro, 17, para Presidente.É que, nas atuais circunstâncias, é melhor resolver a peleia já no primeiro turno o que não vai acontecer se os votos forem dispersados. Pede que seus eleitores de Unistalda e seus simpatizantes políticos da região de Santiago, apoiem Bolsonaro, por um Brasil melhor.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
VISITANDO MEU AMIGO EDSON NO RIO DE JANEIRO
Conheço o Edson, dono de uma Barraca de caipirinhas, cervejas, aluguel de cadeiras de praia e guarda-sol há uns 20 anos. Toda vez que vou ao Rio, onde me encontro agora, visito Edson, bem ao lado do Posto 5 em Copacabana. Eu me hospedava no Miramar que fica na Atlântica e bem na frente, na praia, o glorioso Edson com sua barraca e rede de vôlei. Funciona assim: ele monta tudo pra ti e vai anotando tuas despesas num caderninho. No dia de tua partida tu acertas tudo com ele. Se estás com celular, dinheiro e queres dar uma caminhada, entrega para ele que está seguro. Quando meu filho Rudolf era criança, o Edson tinha uns gurizinhos também. Deixávamos o Rudolf brincar com os guris e íamos caminhar. Edson mora na favela e é um cara de fé. Toda vez que o encontro lhe dou uma bandeira do RGS e uma camiseta do Inter.
Quanto a jogar vôlei na rede dele, só com sua aquiescência. Se não , nada feito. Edson me deu todas as dicas sobre o que fazer e o que é perigoso no Rio.
Os anos passaram, Rudolf está com 22 anos e os piás de Edson já são papais.
Deem uma olhada nas fotos deste meu querido amigo.
Quanto a jogar vôlei na rede dele, só com sua aquiescência. Se não , nada feito. Edson me deu todas as dicas sobre o que fazer e o que é perigoso no Rio.
Os anos passaram, Rudolf está com 22 anos e os piás de Edson já são papais.
Deem uma olhada nas fotos deste meu querido amigo.
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
IMPORTANTE ARTIGO DE ASTOR WARTCHOW
Sob o domínio da incerteza
A adolescência e a juventude são períodos no qual a convivência pública toma o lugar - ainda que não totalmente - das relações familiares. São os novos grupos de relacionamento, experiências e descobertas. Além de ampliar as perspectivas pessoais, trata-se essencialmente da constituição do sujeito e sua aceitação social.
Entretanto, não é o que estamos vendo. Um número cada vez maior de
jovens promove um estreitamento de suas relações e dos espaços passíveis de
ocupação e circulação.
Os mais frágeis e suscetíveis à “competição social” desenvolvem
formas de isolamento, gerando preocupações clínicas aos pais. Trata-se de uma
resposta racional e biológica ao “mundo” herdado, “um mundo” decadente, onde
não é (mais) possível viver (mais).
Pesquisas confirmam o que já sabíamos no dia-a-dia, nas notícias
de jornal, nas filas do desemprego, etc..., isto é, a dificuldade de ascensão
social. A mobilidade social – ascender(subir) de uma classe social para outra
de nível superior – está relacionada à questão educacional e ao (des)emprego.
O quadro é perturbador porque está associado à incerteza que recai
sobre o futuro da juventude. O desemprego provoca o que os cientistas sociais
chama de “transversalidade”: a experiência com a polícia/trabalho/desemprego.
Somos uma sociedade gravemente doente. Criminalidade, violência e
desorganização social são as evidências. Proliferam novas formas de dominação,
há um crescimento dos sentimentos de medo e insegurança, há o estímulo de uma
“cultura do excesso”, etc...
São fatores que afetam negativamente a organização social e
comprometem a comunidade. Consequentemente, alimentamos conflitos e
discriminações assentadas em classes sociais, em questões de gênero, raciais,
religiosas, tocante à opção sexual, ao estilo de vida, às idéias regionais e ao
comportamento.
Não é à toa que crescem certas seitas e religiões que oferecem aos jovens uma nova ideologia, uma espiritualidade, uma identidade, uma opção de inclusão social.
E como tudo pode piorar, aqui estamos em meio a um processo político-eleitoral completamente contaminado e doentio, sob circunstâncias em que qualquer afirmação e tentativa de diálogo é distorcida. Até mesmo por históricos amigos!
O que deveria ser uma oportunidade e “janela” para reflexões positivas, construtivas e esperançosas têm-se transformado num vendaval de infâmias e ofensas.
O momento faz lembrar o querido e saudoso professor Oscar Hentscke que seguidamente repetia em sala de aula o popular ditado: em casa que falta pão e educação, todo mundo grita e ninguém tem razão!
terça-feira, 18 de setembro de 2018
SAUDADE DA UNISTALDA TERRA BUENA
DESFILE GAUCHESCO EM UNISTALDA - ISSO SIM É AUTÊNTICO ! (
fotos do blog unistaldense)
Muito
falam em Alegrete ou Livramento com maior número de cavaleiros. Para mim quero
ver se acham um povo mais gaúcho do que o da Unistalda campeira. E mais! quero
ver se encontram um Município em que os assistentes ao desfile são em número
quase menor do que os que desfilam. Só não participa do desfile quem está doente ou
quem ainda não nasceu.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
AINDA SOBRE O ATENTADO
TITO GUARNIERE
OREMOS
O atentado contra Bolsonaro
era, de certo modo, previsível. No grau de radicalização em que está lançada a
política brasileira, alguma coisa tinha de acontecer. Os sinais estavam dados
há bastante tempo, diante dos nossos olhos. Foi Bolsonaro a vítima, poderia ser
Haddad ou Ciro ou outro qualquer.
O gravíssimo incidente até
que tardou, na espiral de violência verbal, intolerância e ódio, que vem se
espalhando insidiosamente em todas as instâncias da vida política nacional, nos
últimos anos, nos últimos meses. Não há uma única voz no cenário conturbado que
suavize o discurso, que desfralde a bandeira branca, que interrompa a marcha da
insensatez.
Cada personagem da luta –
agora sangrenta - eleva o tom de voz, berra mais alto, pousa de valentão, puxa
briga. No combate sem fim e sem medida não há turma do deixa disso. As
labaredas sobem aos céus, e ao lado só estão aqueles que jogam mais gasolina no
fogo.
Os militantes de facções e
partidos, armados até os dentes de raciocínios obtusos, passam ao largo do
debate civilizado e necessário, na hora crucial. O embate político é um palco
obscuro de impropérios, de clichês ofensivos, e ao mais leve pretexto os atores
da tragédia perdem limites e estribeiras, partem para o ataque selvagem.
A mídia faz a sua parte.
Está sempre em guarda para obter alguma declaração dos personagens do jogo
estridente, mas só para os efeitos de colher a manchete do dia, dando
preferência a alguma injúria lançada contra o inimigo. O eleitor aturdido
imagina que os políticos vivem assim, e apenas assim, às turras, aos
contrafeitos, no embate primitivo de quem xinga mais e melhor. Os programas de
governo, os projetos para o país, de onde virão os recursos para as promessas
sempre renovadas, nenhuma tevê, emissora de rádio ou jornal se incomoda em
esmiuçar. O que vale é a contenda, a briga de cachorros loucos.
A mídia, quando entrevista
um candidato, como no Jornal Nacional, age como implacável acusadora.
Interrompem a fala, lembrando o pobre entrevistado de quantos pecados ele ou os
seus aliados (possivelmente) cometeram e de quantos ainda vão cometer. É (o
candidato) como um bandoleiro no banco dos réus, e não um candidato
presidencial em uma bancada de tevê. Não há espaço para um único, miserável e
piedoso reconhecimento de mérito. Não é entrevista, é interrogatório policial.
A população, em estupor, é levada a crer que ninguém presta.
Nas redes sociais o clima é
de guerra civil. As vozes cavernosas que dali ressoam, tecem loas fanatizadas
às virtudes reais ou imaginárias dos seus candidatos, na mesma medida em que
detonam os inimigos, vociferando, em termos raivosos e chulos. Desnudam por
escrito a própria inconsequência e pobreza mental, o primarismo dos seus
argumentos, logo a partir das agressões que cometem contra o vernáculo e o
idioma pátrio.
O atentado a Bolsonaro só
escancara, mais uma vez, que fracassamos como país, como nação e como povo. Não
há uma única voz lúcida que nos dê um sinal, um só sinal. Este país, do jeito
que está não pode fazer nada por nós. E, bem pior, nós também – perplexos,
impotentes – nada podemos fazer por ele, a não ser orar.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
HINO EXCELSO DE AMOR À VIDA - TEXTO DE TITO GUARNIERI
TITO
GUARNIERE
BEM VINDA, ANA
ALICE!
Nasceu Ana Alice.
Esperamos ansiosos por ela. Veio formosinha, saudável, perfeita. Deveríamos
tê-la recebido com mais pompa e circunstância. Tão pequenina a rainha! Nossos
corações estão jubilosos.
Sim, a vida vale a
pena, no milagre da concepção, no pequenino ser que se acomoda no ventre da
mãe, no parto. A testinha franziu diante do primeiro raio de luz. Ana Alice deu
sinal de vida e chorou a plenos pulmões. Depois sossegou e guiada pelo instinto
atávico, sorveu gulosa o leite materno e dormiu suavemente o sono dos anjos.
Muitas vezes ela
irá ao seio da mãe e muitos sonos profundos – lembrança do útero materno – se
sucederão em muitas luas. E logo cedo se tornará a protagonista, o centro do
pequeno universo ao seu redor, das atenções, das exclamações de encantamento.
Quando se sentir
confortável e feliz, iluminará o rostinho com um sorriso. E abrirá o choro
quando a fome ou a dor incomodar – linguagem binária desde a época imemorial -
e que pelo resto dos tempos permanecerá igual.
Ana Alice
irradiará luz, alegria e amor. Receberá o carinho e a proteção dos
circunstantes. Fará bem às pessoas, elevará o astral, fará o mundo mais
habitável.
Se arrastará pelo
chão, ensaiará passos indecisos, vasculhará os espaços próximos, descobrindo
formas, cores e sabores. O cérebro em breve produzirá ligeiras correntes
elétricas, e a nova habitante adquirirá noções de lugar e distância,
reconhecerá vozes e perfis.
Seja bem vinda,
querida! É assim que lhe chamaremos – querida. Todos os dias repetiremos, sem
enjoar, que você é linda, que nós amamos você.
Você crescerá no
amor e nos cuidados dos seus, e a cada passo, tropeço, e queda, estaremos ao
seu lado, pressurosos, para ajudá-la e consolá-la. Cresceremos juntos, querida,
você em tamanho, peso e inteligência. E nós, no seu convívio, pelo amor que nos
inspira, cresceremos como seres humanos: seremos mais honestos, bondosos e
tolerantes.
Sabemos desde sempre
que você amará e respeitará a Mãe-Terra, o planeta, os seus habitantes de todas
as espécies. Entre os homens e as mulheres, não fará distinção de gênero, cor,
classe social, orientação sexual. Você crescerá sem abrir mão dos seus
direitos, mas em igual medida, levará a sério as obrigações e
responsabilidades.
Na escola,
ingressará no mundo fascinante do saber e do conhecimento. Nos livros,
entenderá melhor a grande aventura, apreenderá as ferramentas para a vida e (um
pouco) os mistérios da alma e do espírito.
Você celebrará a
vida em alegria, mas a tempo e hora saberá que nosso caminho é feito de
contratempos, que a vida nos cobra suor e sacrifício. Você terá têmpera e força
interior para vencer a bruma e a intempérie.
Por você mesma,
descobrirá que sorte e talento existem, mas quem tem mais sorte e mais talento
é quem aposta no esforço pessoal, no trabalho duro, na perseverança.
Não se dobrará
diante da mentira e da força bruta. Você veio ao mundo para a existência comum
e solidária com os que partilham da jornada. Você veio ao mundo para fazer o
bem e defender a paz e a liberdade.
Bem vinda, Ana
Alice!
sábado, 1 de setembro de 2018
BELO TEXTO DA ESCRITORA LISSI BENDER
Vida que te quero viva
Lissi Bender*
As pombas, que habitam nossas áreas urbanas, são animais de
estimação, amansadas há muitos séculos. De maneira que se tornaram aves muito
distantes de sua condição silvestre original. Diferentemente de seus ancestrais, não
mais chocam duas vezes por ano, mas durante todo o ano. Isto se deve ao fato de
terem sido domesticadas e criadas com vistas à reprodução para serem usadas
como pombos correio, por exemplo. Nessa conformidade, a proliferação de
pomba(o)s é consequência da intervenção humana.
Também em nossa cidade elas se multiplicam e se ouve
queixas: estariam sujando a praça, trazendo piolhos, transformando-se em
pragas. Junto com as reclamações, crescem os debates acerca de formas para seu
controle. Não raro, me deparo com sugestões nada pacíficas para a diminuição da
população de pombas. Há quem defenda a ideia de eliminação por meio de
envenenamento. Outros acham que se deva deixa-las passar fome ou construir
arapucas para as aprisionar e depois matar. Todas estas alternativas seguem um
movimento contrário ao desenvolvimento de um mundo mais pacífico entre nós
humanos e as de outras espécies com as quais compartilhamos vida.
Em Basel, na Suíça, foram feitos experimentos científicos
para o controle da população de pombas já no final dos anos 80. Lá pôde ser comprovada
uma maneira eficaz e, ao mesmo tempo, voltada para a dignidade de vida da
espécie: a construção de pombais, pois as pombas não fazem ninho em
árvore. Junto aos pombais deve haver orientações à população sobre as
consequências negativas da alimentação aleatória das aves.
Na contemporaneidade cresce a consciência para artgerechte
Tierhaltung – a manutenção e manejo de animais com vistas à vida digna de
acordo à espécie. Em Tübingen, onde fiz meu doutorado, pude conhecer como
funciona o controle de multiplicação de pombas por meio da instalação de
pombais. Quando se reúne as pombas em torno de um local provido de alimento e
água fresca, com condições adequadas para nele fazerem seus ninhos, torna-se
fácil trocar a cada semana os ovos por outros similares de gesso, com o mesmo
formato e peso dos originais. As pombas os aceitam como seus e os chocam. Não
vale apenas subtrair os ovos, pois a pomba ficaria muito estressada e passaria
a pôr mais ovos.
O manejo desses pombais é, via de regra, assumido por voluntários
de diferentes associações. O governo municipal entra com a edificação da casa e
com o custo da alimentação. Os ovos arrecadados passam a ser incorporados a
alimentos de outros animais. Esses procedimentos oferecem às crianças, e à
população, exemplo edificante de como se pode cuidar humanamente da vida.
·
Doutora em
Ciências Sociais, vice-Presidente da Academia de Letras de Santa Cruz
lissi.bender@gmail.com
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
SOBRE O EFEITO BOLHAS - MENSAGEM DO DR. ROGOWSKI
Agradeço a todos os queridos amigos, colegas e demais
leitores que dedicaram seu precioso tempo à leitura do meu artigo sobre a Teoria
Das Bolhas INcomunicantes de candidatos à presidência da república,
publicado no Blog do Des. Ruy Gessinger na terça-feira (28) à tarde quando teve
5.019 visualizações e mais 8.669 visualizações ontem (29) até às
19h:15min., segundo dados estatísticos fornecido pelo webmaster.
Esse
expressivo número visualizações em exíguo tempo, embora a singeleza do texto,
demonstra a relevância do tema, bem como, o prestígio de que goza o Blog do
amigo Ruy a quem também agradeço imensamente.
Concluo,
reiterando minha profunda gratidão a todos os leitores que me honraram com sua
generosa atenção.
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