sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

PROSSEGUINDO COM MINHAS OBSERVAÇÕES

Nenito Sarturi e eu compusemos muitas obras em sociedade. Várias estão nos meus dois CDs, que podem ser achados no meu blog (Blog de Ruy Gessinger).

Uma das composições tem o nome de “Elegia para uma Mãe de Preto”. 

Certa vez vim a saber que numa pequena cidade uma jovem mãe perdera seu único e pequeno filho. Sua dor foi tamanha que passou a visitar todos os dias o cemitério, chovesse ou fizesse sol. Ela se trajava de preto e depositava brinquedos de crianças sobre a lápide: caminhões, autinhos, livrinhos, muitos e variados objetos de que as crianças gostam. 

No dia seguinte, pessoas tiravam os brinquedos, mas a mãe repunha tudo. 

A canção é essa: 

“Essa mulher que religiosamente planta brinquedos sobre a campa rasa.

Curte uma dor de ter um filho ausente que nunca mais irá voltar para casa. 

A alegria sumiu do seu rosto, deixando marcas do cruel destino.

É o que lhe resta, além do desgosto, 

Trazer presentes para seu menino. 

Perder um filho é ver ceifada a graça, ruir a vida sem estar no fim 

É perceber que o tempo já não passa 

Murchando as flores do jardim. 

Naquele luto sombrio e fechado, expõe as chagas da maternidade, 

E no vazio que mantém guardado, carrega as dores da grande saudade.

 Mas no semblante de olhar tristonho há uma esperança por detrás do véu 

De achá-lo rindo e embalar-lhe o sonho, Que as mães, por certo, têm lugar no céu.” 

■ ■ ■ Continuando o assunto anterior sobre a proteção aos seres que vivem soltos na natureza, sabemos que a carnificina ainda está em ação. 

Admito que, na minha infância, eu caçava tudo o que era bicho. Meu falecido tio Lino Etges, irmão da minha mãe, morava na colônia, em Boa Vista. Ele me levava para caçar de madrugada. Aos 12 anos, ele me ensinou a atirar. 

Era para subsistência. 

Quando comprei a fazenda em Unistalda, aprendi muita coisa que não sabia. Aquela região tem um solo mais pedregoso e não houve destruição sistemática como em alguns lugares. Ali conheci animais silvestres como nunca tinha visto. 

A Natureza faz de tudo para preservar a fauna e a flora. 

Receio que com o tempo mais espécies vão desaparecer para nunca mais voltar.

 Um exemplo: perdizes já estão se tornando raras nos campos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

NELSON WEDEKIN

 Censura (I)

Consumou-se o mal pensado: está no forno para sair, no âmbito da Advocacia Geral da União, o " Departamento de Promoção da Liberdade de Informação", que vai auditar e reprimir fake-news.

E quem diz que as informações são falsas? A própria AGU, um organismo do governo.

O nome é comprido e pomposo. Mas pode me chamar de censura.


Censura (II)

O governo do PT avança guloso na velha tentação de controlar os meios de comunicação. Além da iniciativa da AGU (ver nota acima), vai editar uma lei que permite ao Executivo retirar das redes sociais conteúdos considerados nocivos, antes mesmo de qualquer decisão judicial(como é hoje).

O nome disso é censura prévia. Coisa de ditadura.


Jornada inglória

Os manifestantes-golpistas de 8 de janeiro descobriram, da forma mais cruel e decepcionante, que a jornada nada tinha de glorioso – salvar o Brasil do comunismo.

O que fizeram foi coisa de marginais e desordeiros, o que – dou de barato – até então a maioria não era.


Impeachment e golpe (I)

Para relembrar : o impeachment de Dilma foi um "golpe de Estado" sem tanques na rua, em que ninguém foi preso, precedido de decisão livre e soberana do Congresso Nacional, chancelado pelo Supremo Tribunal Federal, em que foram cumpridas todas as etapas e todos os trâmites previstos na lei e na Constituição


Impeachment e golpe (II)

Você sabia que o PT foi o partido mais veemente e impiedoso no impeachment de Collor? Você sabia que o PT entrou com mais de uma centena (isso mesmo: mais de 100!) pedidos de impeachment contra FHC, nos seus oito anos de governo?

Quando chegou a vez deles, com Dilma, virou golpe, como Lula repete a toda hora.


Mídia tradicional

Os bolsonaristas têm ojeriza pela mídia tradicional, mas deveriam ler os editoriais do Estadão, da Folha e do Globo. Todos eles defendem que a maioria das centenas de pessoas presas do domingo infame de 8 de janeiro, de ficha limpa e endereço certo, devem ser soltos imediatamente e responder o respectivo processo em liberdade. Perfeito!


De olhos bem fechados

Flávio Bolsonaro disse que o pai Jair Messias pode voltar ao Brasil amanhã, daqui um mês ou nunca.

Se me fosse dado a escolher, cravaria de olhos fechados a última hipótese.


Chacinas

Em janeiro foram registrados mais três atentados a bala nos Estados Unidos: 20 mortos.

Aqui no Brasil, o bolsonarismo armamentista insiste em duas teorias bizarras: os massacres na América nada têm a ver com a facilidade com que os americanos compram armas ; e, quanto mais armas nas mãos do cidadão, menos chacinas da espécie.


Cuba

Cuba socialista vive a pior crise desde que Fidel tomou o poder em 1959. O transporte coletivo entrou em colapso nas principais cidades: não tem óleo diesel. Em nenhuma das ondas migratórias anteriores (foram muitas) deixaram a ilha tantos cubanos. A ilha , cada vez mais, está sendo habitada por idosos que vivem de uma miserável pensão do estado.

Não há Lula para dar jeito no infortunado país.

Détraqué

O general e ex-presidente Ernesto Geisel, já falecido, colega de farda de Bolsonaro, chamava-o de "détraqué" - isto é, meio lelé da cuca, desequilibrado.

Geisel sabia das coisas


titoguarniere@terra.com.br

Twitter : @TitoGuarnieree


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A GAZETA ME ENSINOU A LER

 Eu vim com meus pais da colônia para a cidade depois de morarmos algum tempo em  Boa Vista,distrito de Santa Cruz. Meus pais queriam ir para a cidade para que seus filhos estudassem. Éramos só minha irmã Lia, eu  e bem depois minha irmã Cleonice, já falecida. Eu tinha 5 anos de idade.

Meu pai se estabeleceu num local perto da então Sudan.

Depois ele acertou na loteria e: hosannas! comprou duas casas na Rua Thomas Flores, 876. Recentemente  essas casas foram demolidas. A casa de moradia era de número 864. A  outra 876, onde era o armazém. 

Vendia-se de tudo. Mas o inexorável aconteceu. Chegou , devagar, o que acabou com os pequenos comércios. Os supermercados.

Mas antes disso meu pai estava bem.

No balcão sempre estava Gazeta de Santa Cruz, se não me engano era esse o nome. 

Só depois se transformou para o nome atual.

A Gazeta de então tinha também  reportagens internacionais. Eu , com uns 13 anos, me inteirava dos problemas da India, do Nehru, das questões de diversos   países, tudo estava na Gazeta. Não se precisava  comprar o Correio do Povo ou o Diário de Notícias.

Havia notícias internacionais, mas também nacionais e estaduais. Também, é lógico, os “ potins sociais” do caríssimo Michels.

As tragédias dos Narico, o episódio triste da morte de um Delegado de Polícia e por ai ia. 

Tudo  isso eu lia sofregamente na Gazeta.

Quando se acendeu nos EUA  o problema da segregação racial,    entreguei  um artigo contra essa prática  aos 15 anos. Meu artigo foi publicado na época. 

Recentemente  

o caríssimo Borowski o localizou e a 

Gazeta o repercutiu no ano passado.

Hoje nosso amado jornal está moderníssimo. Acho que a direção fez bem em manter as questões locais, mescladas com colunas e artigos muito importantes.

Atualmente eu, por exemplo, leio o jornal pelo celular . 

Mas ainda é muito charmoso o exemplar físico.  

Há quem deprecie o jornal de papel. Discordo. Há ainda uma população que quer ler com calma, sublinhar e recortar .

Em suma: a Gazeta me ensinou a ler , a pensar, a escrever e a recordar. 

 

   


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

DE PATRIOTAS A DESORDEIROS

 TITO GUARNIERE


DE PATRIOTAS A DESORDEIROS


Ainda há muito para ser estudado nos eventos dramáticos no Brasil, desde outubro. O mais surpreendente e duradouro foram as concentrações bolsonaristas ao redor dos quartéis, pedindo a intervenção militar. E em 8 de janeiro o impensável ataque das hordas golpistas aos prédios dos três poderes em Brasília. Ficamos a um triz de uma convulsão social, uma ruptura violenta da ordem constitucional.

Alguma coisa, é verdade, tinha de se esperar e haveria de acontecer. Mas nessas horas ninguém prevê a sucessão de acontecimentos, nem na ordem em que ele se dão, nem na intensidade, nem nos desdobramentos próximos e remotos. Afinal, a trama golpista, as provocações, os ataques às instituições como o TSE e o STF e a imprensa, tudo se repetiu sem tréguas desde a campanha de 2018 e depois a cada dia do governo Bolsonaro..

Quando os bolsonaristas começaram a armar as barracas ao redor dos quartéis, era de se imaginar que se tratava de um fenômeno passageiro. Mas os dias, as semanas passaram e os acampamentos se mantiveram em plena atividade, quando não em crescimento e expansão.

Os manifestantes-golpistas enfrentaram todas as adversidades, a precariedade da vida em barracas, inclusive as torrenciais chuvas de verão, e lá se ficaram em impressionante pegada, vibrantes de um fé cívica meio aloprada, vivendo intensamente a expectativa de que nas "próximas 72 horas" o resultado das urnas seria anulado e Bolsonaro ou quem sabe o general Augusto Heleno ocuparia a cadeira presidencial.

Os ativistas mostraram garra e perseverança, em meio ao emaranhado confuso das suas ideias, ao mesmo tempo em que apresentavam nítidos sinais de uma desvario coletivo, de uma pane de compreensão do senso comum, de um desligamento da realidade – pareciam ter atravessado as fronteiras do universo lógico e comum para adentrarem a um universo paralelo.

O contingente estava convencido que a vitória de Lula era a vitória do comunismo, e que cada um (a) era um(a) combatente da liberdade, que era preciso resistir a todo custo ao avanço vermelho. Não duvido de que, naquele meio, havia gente disposta a morrer pela causa, sem jamais ter se perguntado se de fato tal causa era real, fazia algum sentido. Movidos pelos impulsos da hora e apelos insanos de um patriotismo de fancaria, perderam completamente a capacidade de raciocinar. Estavam enfeitiçados de ardor juvenil no projeto desatinado de "salvar o Brasil".

E foi assim que em janeiro de 2023 as "tropas" se lançaram ao assalto final em Brasília, quebrando tudo que encontraram pela frente, devastando a Praça dos Três poderes, invadindo cada prédio , estilhaçando cada vidro, a rebeldia sem causa, o caos pelo caos, como nunca se viu na República.

Mais de mil deles estão presos. De um ponto de vista estritamente legal não têm nada que reclamar : foram presos em flagrante delito. Descobriram que a jornada nada tinha de gloriosa: o que fizeram foi coisa de marginais, desordeiros, o que – com toda a certeza – a maioria até então não era.


titoguarniere@terra.com.br

twitter: @TitoGuarnieree

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

NELSON WEDEKIN

 Nelson Wedekin

TITO GUARNIERE


O DIREITO, O STF E ALEXANDRE DE MORAES


No estado de Direito, decisão final e irrecorrível é aquela pronunciada pela mais alta Corte da Justiça - no Brasil o STF. Você pode gostar ou não, mas é a última palavra. De certo modo, todas as sentenças dos tribunais inferiores são provisórias enquanto existir grau de recurso perante um tribunal superior, como a Corte Suprema.

As sentenças de Moro que condenaram Lula não eram definitivas. O STF, no exercício pleno de suas atribuições e prerrogativas, devolveu ao presidente o direito de disputar a eleição. Dizer que a decisão foi errada é nada além de uma opinião jurídica ou política. Também se poderia dizer erradas as decisões que condenaram Lula. O pretexto de que a decisão foi equivocada ou injusta não dá o direito de invadir o prédio da Justiça e quebrar tudo.

A contradição se torna ainda mais aguda quando se reclama das prisões de centenas de "manifestantes", como se as suas ações deletérias fossem coisa de bravos patriotas. Não são patriotas, são delinquentes. Foram presos por agente do Estado cometendo crimes graves, de ordem variada, como manda a lei e como aconteceria em qualquer país civilizado do mundo.

Resolutamente: os presos não são manifestantes pacíficos, inocentes injustiçados. Pagam a conta do que fizeram de mal. Embora seja cedo para dizer, mas sabendo como é a Justiça brasileira, sustento desde logo que a arruaça de janeiro em Brasília sairá barato para todos os seus autores, e mais ainda para os seus chefes políticos e mandantes.

De dentro das prisões, os presos clamam pelos seus líderes – os que os levaram à epilepsia de janeiro e apelam para o tratamento digno que de fato são merecedores. Aquela gente descobriu da forma mais difícil que os direitos humanos não são o "esterco da vagabundagem", como disse uma vez o foragido da Disneylândia, mas uma conquista do progresso social e da civilização.

No ínterim, vão enfrentando a postura ereta de um juiz vigoroso. Alexandre de Moraes já mostrou que não é de passar o pano: violou a lei, cometeu o crime, paga. A impunidade não pode ser atribuída apenas aos crimes dos endinheirados, de colarinho branco. A lei deve valer igualmente para todos. Assim deverá ser também no caso de movimentos sociais, como o MST, se invadir propriedades de terceiros.

Moraes não estaria agora abusando do seu poder, como insistem os seus críticos? Em situação de normalidade, talvez. Mas estivemos a um passo do golpe de estado. Situação excepcional exige força e rigor excepcionais. Se fosse um juiz ao qual faltasse força moral, coragem e capacidade de decisão, , talvez a estas alturas já tivéssemos sucumbido na escuridão do arbítrio, na derrocada das instituições, na usurpação do poder pelos golpistas.

Levará tempo ainda para que se dissipem as sombras de janeiro - longo período para o desmonte daquele estado de confronto e caos permanente que foi o governo Bolsonaro. Tempo para restabelecer as bases mínimas de uma convivência sem sobressaltos, para que a democracia vigore plenamente e seja o fio condutor do nosso futuro, como nação e como povo.


titoguarniere@terra.com.br

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

ACONTECIMENTOS RESSENTES

 Primeiramente gostaria de dizer que já havia feito um esboço do meu artigo .

Sobreveio um tufão que ninguém esperava. Bolsonaro quieto nos EUA, calminho.

 Houve   uma  notícia de que Bolsonaro tivera uma recidiva do ferimento a facão. Eis que , sem que ninguém soubesse de nada, uma turba invade os lugares sagrados da nossa pátria.

Não consegui dormir quando soube  de bagaceiras destruindo nossos templos.

Tratei de correr e encher o tanque de combustível.

Fiquei completamente triste , com vontade de sair  do Brasil e ir para qualquer lugar onde tivesse uma velhice de paz. Estou com 77 anos de idade e ainda não me considero velho:podem perguntar ao Dummer, ao Flávio Haas e outros amigos que ainda jogo tênis.

A metade dos meus amigos eu já tinha deletado por causa das brigas no Whats.

 Não adiantava eu explicar aos fanáticos o que era o Sofisma da falsa analogia  ( é uma falácia  que ocorre quando a conclusão de um argumento depende de uma semelhança entre dois objetos que possuem diferenças  relevantes . Por exemplo.

“ Foi descoberta a cura do câncer do pulmão em humanos . Um novo medicamento foi testado em ratos  e mostrou eficácia extraordinária. Como seres humanos são mamíferos, assim como ratos, é certo que  curará os humanos. ”.

E aí alguns  meus amigos, jejunos em  do Direito e em Filosofia, ficavam entrando em tudo quanto foi Fake.

Agora se viu que não foi de graça que , num gesto heróico, todos os governadores acorreram , junto com com todas autoridades importantes, e  mataram a serpente num golpe só.

Voltem, então, para casa os que , inocentes, mal informados, se achando heróis, viram que, atrás dos fechamento das ruas e estradas, havia  gente mal intencionada .

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Para amenizar, mando mais uma obra minha e de Nenito Sarturi.

. 

Uma das composições tem o nome de  “ Confiteor campeiro”.

Eu me confesso a Deus Nosso Senhor/ de todas criaturas criador

Pelos crime cometidos, contra os irmãos animais

Confesso meus pecados contra marrecas e capinchos 

Pacas, jacus, pombas e tatus,

Muçuns , lambaris e inhambus

Dá-me Senhor a graça de poder um dia ainda

Achegar-me na borda de um açude, sem que tudo saia em disparada.

Que eu também evolua, para não matar sem fome,

para não usar a fala só para mentir

Que eu possa um dia dar de comer no bicos dos passarinhos

Acariciar os filhotes de bichos 

Tendo no ombro a pomba da paz!

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Em Unistalda aprendi muita coisa que não sabia. Ali conheci animais silvestres como nunca tinha visto.

A Natureza faz de tudo para preservar a fauna e a flora. 






terça-feira, 3 de janeiro de 2023

HEIMATLAND ( RUDOLF GENRO GESSINGER)

 Entre todas as palavras que eu conheço, a que mais me fascina integra o idioma alemão: Heimatland.

Nos sites de tradução, comumente vais achar "pátria" como primeiro termo correspondente em português. Existe uma tempestuosa problemática linguística em volta do termo Heimat, mais especificamente, mas toda a amplitude dela não nos interessa aqui.
"Pátria" seria uma tradução sintética demais, porque atribui um aspecto coletivo que Heimatland não tem, necessariamente. Está mais ligado a uma preferência afetivo-familiar e, portanto, singular. Literalmente, seria "terra onde fica o lar". No nosso português gaúcho, Heimatland seria "querência".
Muito embora a semântica de Querência quase esgote Heimatland, eu acrescentaria – para aprimorar a etimologia – que Heimatland é o teu lugar no mundo; a terra de cuja cultura fazes parte. É o berço das tuas mais queridas memórias e o jardim dos teus sonhos. 
Por isso, acredito que traduzir Heimatland como "terra natal" é uma opção pobre em termos de sentido da expressão, pois origem pode se relacionar pouco ou nada com identificação com um lugar: pertencimento!
Heimatland é o lugar para onde, por profundo apego, queres sempre voltar. Como pressuposto, só valoriza completamente sua Heimatland quem já saiu dela um dia para conhecer outros lugares.
Os mistérios do vasto mundo em que vivemos te instigam a ir adiante para explorá-los. Assim, principalmente, enriqueces tua experiência de vida. 
A motivação está quase sempre lá fora, no desconhecido. 
O conforto e a paz, entretanto, ficam te esperando pacientemente no caloroso abrigo da tua Heimatland.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O QUE FICOU DO MUNDIAL

 O preclaro jornalista Romeu Neumann se adiantou de mim e publicou uma excelente coluna dia 19.12, na Gazeta do Sul. Mauricio Goulart também com muita argúcia na terça feira. 

Agora, seguindo seus passos, vou me permitir algumas considerações. 

Os esportes são algo muito diferente uns dos outros, mas o que será necessário sempre é o cumprimento da ética.

Dou, por todos , os exemplos do tênis e suas regras.

Na dúvida em um lance, decida contra você. Eu disse  contra você.

Penso que no futebol é importante que, ao par dos treinamentos, haja noções mínimas de civilidade. 

Há pessoas que brincam muito, mas não concordo com a assertiva de que a maioria dos jogadores de futebol  vieram na favela, mas  a favela não saiu deles. Não é assim, pois  os mal comportados se sobressaem e aparecem. E isso resulta em falsa opinião.

Neste mundial houve muito bom comportamento. Todos vimos.

O grande exemplo foi a final. 

Que maravilha, poucas faltas, cavalheiros se degladiando no gramado. Via  de regra jogou-se com muita força, mas é do jogo. Também achei que foram muito  corretas as arbitragens.

No que tange aos cabelos pintados de branco e as dancinhas, é coisa normal, assim como as pinturas corporais. Todas essas coisas são uma característica dos povos  que vivem em climas quentes. A muitos pode parecer deboche. 

Algo que me fez espécie foram duas coisas lamentáveis.

Alguns atletas não cantaram seus hinos e outros ficaram naquela postura absurda de mascar chicletes. Dizem que fazem isso para evitar o vômito…

Também houve casos em que alguns atletas fizeram pouco das medalhas que receberam. Isso é muito lamentável.

Sempre achei que alguns raros, conquanto joguem bem, se excedem com “luxos” que não são exemplos para ninguém. Muito já se viu o atleta se tornar  pobre tempos depois de parar.

Outra coisa. Quase todos os atletas do mundo sabem falar inglês. 

Os atletas  brasileiros quase não  dominam o idioma . São, em sua maioria, monoglotas.

Quanto ao jogo oferecido pelo nosso time, continua sendo muito lento por vezes. É bola para o lado e para trás. 

O nosso Tite é boa gente, mas creio que cometeu muitas faltas . A pior foi mandar um menino inexperiente para cobrar um pênalti. 

Parabéns a todos demais atletas do mundo.

A final entre dois times mostrou muita educação, cortesia, “ fair play”, coisa que o Brasil  está aprendendo a ter.

No final, vimos os atletas   se cumprimentando com os adversários. Pouco depois os filhos de vários jogadores se abraçando .

Parabéns,   atletas da Argentina e da França.


terça-feira, 27 de dezembro de 2022

SAUDE, SORTE, SUCESSO

 

Tg2023


TITO GUARNIERE


FELIZ 2023 – SAÚDE, SORTE, SUCESSO


Que lhes posso desejar para 2023? Só coisas boas – saúde, sucesso, sorte, nessa ordem e só na letra "s" do dicionário.

O principal é a saúde. Pergunte ao homem mais rico do mundo, quando fica doente, o que ele mais deseja, e na ponta da língua está a palavra mágica : saúde! Ou mudando um pouco , perguntem se ele daria metade da fortuna em troca de ficar 10 anos mais jovem. Como em nenhum negócio espetacular dos tantos que fez ao longo da vida, ele responderá de pronto, sem pensar ou vacilar : sim, mil vezes sim.

Vi uma foto que me comoveu, Pelé e a filha Kelly no leito de hospital , em São Paulo. O craque, a celebridade, o gênio, o rei, certamente vivendo o ocaso de uma existência gloriosa, as batidas do coração lentas e descompassadas, talvez desse todo o seu reino de glória para se movimentar, sentar de conta própria, respirar normalmente. Mas mesmo o rei estava ali se rendendo à lei da vida, que é a mesma lei do fim e do passamento. Em momento fugaz de lucidez, ele talvez esteja implorando por um pouco de força, de luz – de saúde. Nessa hora não há rei, nem riqueza ou genialidade: o mundo fica igual e ninguém escapa à dor e ao sofrimento.

Então, saúde é o que interessa, como dizia o bordão da tevê. Saúde para caminhar lentamente na alameda olhando ao redor e pensando na vida, respirar o ar puro do campo, olhar as estrelas na noite clara, tomar no colo a criança e embalar-lhe o sono inocente. Saúde, caro(a) leitor(a) é o que lhe desejo mais do que tudo, e aos seus, no ano que está para começar.

Torço pelo seu sucesso no estudo, no trabalho, no seu projeto de vida. O sucesso é demorado e difícil – uma trajetória de altos e baixos, uma longa aventura cheia de percalços. O sucesso, que depende acima de tudo do nosso esforço pessoal - muito mais suor e vontade do que de talento e habilidade.

O sucesso, que não é garantido nem mesmo para quem se esfalfa no trabalho. Como nada é perfeito, nem sempre o empenho, o interesse, o esforço e o foco redundam na vida bem sucedida. Mas sem a energia, o esforço pessoal, a perseverança, dificilmente você conhecerá o êxito, a realização plena, o reconhecimento e a admiração (e às vezes a inveja ) de todos. Então, mãos à obra e quem sabe, com um pouco de sorte, o sucesso lhe abrirá um largo sorriso.

A sorte, ah sorte. É preciso muito sorte para desfrutar de certos privilégios (tipo viajar de classe executiva a Paris, Londres, Nova York duas ou três vezes por ano, morar na mansão e no bairro seguro, passar o final de semana na casa de campo ou da praia, trocar de carro todo ano e coisas assim) – sorte de vir ao mundo com talentos especiais(atores e atrizes de cinema, atletas de ponta, cantores e cantoras pop), nascer em berço de ouro, ganhar na loteria, casar com milionário ou mulher rica. O ruim é que estamos exaustos de saber que essas coisas só existem para uns poucos afortunados. Mas se a sorte nos contemplar em 2023 , seja bem-vinda!

Bem, meus caros, de toda forma são os votos que formulo para você e os seus em 2023: saúde, sorte, sucesso.

sábado, 24 de dezembro de 2022

SOBRE NATAL E ANO NOVO

 Vamos recapitular.

Nasci em Linha Arlindo onde meu pai tinha um pequeno armazém. Naquele tempo o nascimento não era complicado: meu pai chamou uma parteira que assistiu ao parto em casa mesmo. Apesar das advertências da minha mãe,  que não queria outra criança tão logo, meu pai alegou que mulher  não engravidava enquanto desse de mamar. Resultado: minha irmã Lia nasceu antes que eu completasse um ano.

Meu pai se mudou para a cidade em Santa Cruz e abriu um armazém de secos e molhados  na rua Thomas Flores, na esquina com João Alves. Isso quando eu tinha 6 anos.

Na época a cidade parava  praticamente aí.

Nos domingos o pessoal da colônia vinha de carroça para assistir a missa bem de madrugada. Lavavam os pés nos fundos do nosso armazém .

Naquele tempo o Natal era algo muito lindo. As mães montavam vistosos enfeites, que elas mesmas faziam. Os pinheirinhos eram naturais.

Os presentes eram muito poucos, mas nos traziam muita alegria.

Enquanto eu era solteiro  sempre passava o Natal com meus pais.

Aí aconteceram uma série de evoluções. Ao me casar logo vi que os costumes da minha então  esposa eram diferentes dos da minha família. Não digo melhores ou piores. Eram diferentes.

Pouco a pouco notei que o Natal, em muitos lares, não tinha as cantorias e rezas a que estávamos acostumados.

O consumo foi se apossando de quase tudo. As crianças passavam a  nadar em presentes. 

Ao invés das simples refeições e orações, alguns natais se transformaram em foguetórios.

Resolvi  me esconder, com a família, em lugares calmos e silenciosos.

Acontece que os filhos crescem, casam, têm seus filhos. Por vezes vão morar em lugares distantes. 

Meu filho mais velho mora com sua família na Alemanha. Já está há cinco anos e não tem planos de voltar.

Resumo da ópera: nem sempre se consegue reunir todos em seu torno. 

Decidimos então, minha esposa do segundo casamento  e eu, passarmos o Natal na fazenda, comendo algo frugal e dormindo cedo. 

Lá não chega o barulho dos fogos de artifício.

Não nos arriscamos mais a ficar na cidade no dia primeiro do ano. Aí sim é um horror  para cães e outros animais, principalmente nos balneários. O foguetório faz os pobres animais entrarem em pânico. Muitos fogem de casa. O estrondo  dos fogos machuca o tímpano dos nossos irmãos animais.

Como é que tem gente que gosta disso?

Esse é o preço que se paga quando se tem mais idade: ao fim e ao cabo se constata que o divino aniversariante é totalmente esquecido.

Aos poucos as orações e as tradições desaparecem e em seu lugar reina o nada.

Estarei em erro?




quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

O SENSATO GENERAL MOURÃO

“Lula foi eleito e tem que governar”. Mourão descarta intervenção. ( entrevista na Gazeta de 2.12, 2022). Esses dias o General concedeu uma bela entrevista à Gazeta do Sul.Por sinal a Gazeta é um Grupo para o qual escrevo desde os 15 anos. Gostaria de dizer que gosto muito do Exército Nacional e por ele tenho muito respeito. Fui Juiz de Direito em Santiago-RS, com menos de 30 anos. Santiago tem quatro quartéis , se não me engano. Ali conheci o General Heraldo Tavares Alves, hoje falecido. Era um homem religioso, muito refinado e elegante. Nós dois sempre nos sentávamos juntos na antiga igreja de Santiago. Havia um padre jovem que gostava de censurar os autores do golpe militar. Eu ficava na minha e o General ficava tranquilo. Dito isso, vamos aos assuntos com o General Mourão. Desculpem-me se erro. O então candidato a Presidente Bolsonaro não parecia ser muito próximo do General. Eleição terminada, me pareceu que Bolsonaro não fez muito caso de seu vice. O General, no entanto, manteve-se tranquilo e não reclamou. Quando se aproximaram as novas eleições o General foi esquecido. Mourão não gritou, não reclamou , candidatou-se ao Senado e foi vitorioso. Imediatamente surgiram, de muitos cantos, indivíduos que não se conformavam com o resultado das eleições. Para irem votar não reclamaram de nada. Pessoas de boa índole, até acho que sérias, foram convencidas de que houvera fraude. O General Mourão, ainda vice-presidente da República, concedeu uma entrevista à Gazeta dizendo que Bolsonaro perdeu as eleições e que o vencedor iria assumir. Enfim, o General Mourão, homem sério, no próprio dia em que terminaram as eleições, apoiou o que a maioria do povo decidiu. Concordo que é lícito a quem perdeu não se conformar. A inconformidade, porém, não há de ser agressiva, muito menos se vem acompanhada de fechamento de estradas e outros logradouros. Consta que vários bloqueios de estradas foram patrocinados por terceiros, o que entendo como beirando às raias de ilícito penal. Por sinal ,a matéria está sendo estudada pela Polícia Federal. Nem Bolsonaro apoiou esses absurdos que fizeram o país parar por uns dias. Ao contrário, proclamou para a nação inteira que cessassem os distúrbios. Esclareço que não entro no mérito das qualidades ou não dos candidatos. Refiro-me a “ virada de mesa”. Os que acham que as Forças Armadas devem intervir, que protestem de maneira ordeira . Ou querem discordar do General Mourão e do próprio Bolsonaro?