quinta-feira, 20 de abril de 2023

SOBRE PECUÁRIA

 Amigos me indagam como cheguei a ser Pecuarista.


Sou natural de Santa Cruz do Sul. Meu pai era comerciante. Desde cedo ele me chamava para, nas horas livres, o ajudar. Isso foi importante na minha vida, pois vi como o comércio tem suas regras. Meu pai era muito bonachão, vendia muitas coisas no “fiado” e depois não recebia. Apesar das advertências da minha mãe, a falência foi inevitável. 

Concluí, então, que na vida se deve aprender a dizer “não”.   Caridade é uma coisa; negócios são outra.

Tive que me virar sozinho e aos 17 anos fui morar numa pensão em Porto Alegre, onde me matriculei no 3º ano do Clássico no Colégio Júlio de Castilhos, que era gratuito. Trabalhava de dia e estudava de noite.

Fiz o vestibular de Direito na UFRGS em 1965 e fui aprovado. 

No quarto ano da faculdade  fiz concurso para Delegado de Polícia e aos 22 anos fui aprovado após fazer a Escola de Polícia, sendo classificado em 1º lugar.

Em 1969 me formei, pedi demissão do cargo de Delegado e fui advogar. Dois anos depois fiz concurso para Juiz de Direito e fui aprovado.

Fiquei um ano em Horizontina e um em Arroio do Meio. 

Santiago estava sem juiz há dois anos. O presidente do Tribunal de Justiça me pediu que aceitasse promoção para Santiago.  Assumi em l974. Tudo era novo para mim. Não sabia distinguir entre um cavalo e uma vaca. 

Passei por outras comarcas, fui subindo na carreira até que cheguei a Desembargador. Terminado meu tempo voltei a advogar em Porto Alegre. 

Conheci  minha esposa Maristela, natural de Santiago, mas trabalhando no Tribunal de Justiça.

Isso nos fez visitar amiúde seus pais. Seu  pai  sabia muito de pecuária.

Pronto: passei a comprar lotes de campos ( sempre contíguos).

Como a advocacia me dava bons frutos, passamos a intensificar a pecuária.

Um dia fui convidado para ser o presidente do Sindicato Rural de Santiago, o que aceitei com muito orgulho .



 

Sucedeu que, naquelas épocas conturbadas, parte dos associados achavam que deveríamos fechar estradas em sinal de protestos de diversas ordens.

Conversei com os colegas e se decidiu que não faríamos protestos que prejudicassem o livre  trânsito. 

Estando eu em Bagé, numa feira, fiquei sabendo que parte dos companheiros tinham fechado a estrada.

Com razão ou sem razão, achei que não tinha mais o apoio da maioria  dos colegas.

Renunciei ao cargo de presidente, mas prossegui como amigo de todos e sempre defendendo os interesses do agro.

Continuei, no entanto, com nossa Fazenda que sempre melhora e assim vai ser até que eu seja chamado por Deus para a última morada.




terça-feira, 18 de abril de 2023

CALIBRAGEM NECESSÁRIA

titoguarniere@terra.com.br

Twitter : @TitoGuarnieree

Lula tem méritos indiscutíveis. Como negar que um retirante nordestino, pobre como todos os outros, vindo de Garanhuns para São Paulo na carroceria de um caminhão, que se tornou um dos maiores líderes sindicais da AL, depois se elegeu deputado e presidente da República , é alguém diferenciado, para não dizer predestinado?

Digam o que quiserem. Chamem-no de Luladrão, de analfabeto ou de chegado a uma ou mais doses de caninha pura. Mas se ele não fosse um ser especial, uma exceção, não teria chegado nem perto das honrarias que conquistou, inclusive o posto de autoridade máxima do país em três eleições.


Talvez o problema em Lula seja o de se julgar predestinado. Tendo superado todas as dificuldades para ser o que é, então lhe estava reservado o destino dos heróis, dos grandes homens. Muito do ódio que lhe devotam tem a ver com uma frustração pessoal dos que o desprezam e odeiam: como pode alguém tão destituído de riqueza e instrução, tão distante das elites, tão tipicamente ligado à miséria que afeta uma parte ponderável dos nossos irmãos, ter merecido tamanho destaque entre os seus pares, muito mais afortunados?


Julgando-se especial, deixa-se levar pela vaidade, quase natural na circunstância. Lula não convive com o erro, porque acha que nunca erra. E se algo vai mal, se as coisas não correram como ele previu, é somente porque o caso ainda não chegou ao fim. Assim, ele descuida das consequências do que diz e do que faz, abre a guarda e com enorme frequência derrapa na curva.


Bem sucedido na sua admirável trajetória, ele não ouve ninguém, não precisa estudar ou ler um relatório mais complexo ( e enfadonho): ao final e ao cabo a sua intuição prevalecerá e dará certo. A autoconfiança que o move e inspira é ilimitada.


Mais do que não ouvir ninguém, e preso uma visão discutível de mundo – para dizer o mínimo - , alimentado por lendas urbanas e equívocos históricos, incensado pelos "cumpanheiros", ele vai em frente sem medo de ser feliz.


Na sua recente viagem à China, Lula abusou de declarações descuidadas, e de bobagens homéricas ditas com certo ar de mentor espiritual da humanidade. Para espanto geral, afirmou que é preciso que " os EUA parem de incentivar a guerra ". Até pode ser, mas a Rússia agressora, invasora de um país vizinho e soberano, não merece nenhuma reprimenda, nenhuma palavra de desaprovação?


A guerra não interessa a americanos e europeus, como ele imagina e como acusou. Eles só têm a perder, porque têm obrigações políticas e morais diante da agressão traiçoeira e vulgar, que lhes custa uma fortuna incalculável de dinheiro e recursos bélicos e materiais.


Em Xangai disse que os bancos têm de ajudar os países e não asfixiá-los. Se tem algo que os bancos não gostam de fazer é asfixiar seus devedores. O sonho dourado de todo banqueiro é receber em dia os seus créditos. Os bancos só apertam(asfixiam) os caloteiros que não honram seus compromissos, como está acontecendo com nossos hermanos da Argentina.


Lula precisa confiar menos na intuição, se preparar melhor nas suas intervenções e entrevistas, calibrar as declarações.




quinta-feira, 6 de abril de 2023

RETIROS E OUTRAS QUESTÕES

 “Pecador, agora é tempo

de pesar e de temor,

serve a Deus, despreza o mundo

já não sejas pecador”.

Muitas vezes ouvi, quando era coroinha na Catedral de Santa Cruz do Sul, o coral regido pelo Irmão Ludovico, se não me falha a memória.

Me deu uma baita nostalgia porque  participei de vários retiros.

Geralmente eram três dias em completo silêncio,comida frugal e muita meditação.

Foi ali que, mal ou bem, aprendi a amar o silêncio, a paz, a serenidade e adquiri um certo preconceito contra  gente espaçosa, risonha demais.

Também me aborrecem as aglomerações, as  falas em  alta voz, os  gritos.

É viajando que a gente começa a ver que se pode ser alegre sem ser ruidoso e inconveniente, que se pode rir sem precisar beber, que é um bálsamo ouvir "com licença", " desculpe", “por favor". Em quase todos os países frios é assim. O frio induz ao estudo, ao trabalho, à beleza transcendental.

Uma das minhas filhas, a juíza de Direito Milene Gessinger, mãe de dois guris, se mirou no meu gosto por retiros.

Desde guri gosto de ficar em silêncio no dia da Paixão de Cristo. 

Milene também se afasta para a casa da praia e lá fica em seu retiro. Os meninos e o marido ficam em casa.

Diz ela: “Trouxe o ukulele para tocar, a prancha, o pirógrafo, comprei suprimentos e escolho na hora a programação do dia. Procuro a melhor praia para a condição do vento e ondulação”.

Quando mais jovem ela ia para a nossa fazenda, embrenhava-se no mato, em companhia de um cusco, abria uma barraca e lá ficava.

Nem muitos lembram, mas incrivelmente houve uma época em que as mulheres não tinham acesso à magistratura. A minha turma de concursados para juiz de direito foi a última constituída só de homens (1971). 

Em seguida houve uma mudança feliz e as mulheres começaram a passar, aos poucos, nos concursos.

Tive a graça de minha filha Milene ter sido aprovada no Direito da UFRGS.  Preparou-se muito e foi aprovada no concurso para a magistratura gaúcha.

Mudando de assunto.

Esses dias vi o filme  “Os  Dois Papas”.

Muito bem feito. Convenci-me de que não tardará e as mulheres poderão exercer o sacerdócio católico.

Eu sou egresso de uma família muito católica, vinda da Alemanha, no povoado de Rachtig, no rio Mosel. Aqui no Brasil tivemos muitos sacerdotes, entre os quais meu Tio Afonso Gessinger, que usava o codinome de Afonso de Santa Cruz. Faleceu recentemente e está no cemitério dos Jesuítas de São Leopoldo.

Me confidenciou, no dia do batismo do meu filho Rudolf, que era inevitável que as mulheres fossem sacerdotisas um dia. 

Quem viver, verá.


sábado, 1 de abril de 2023

CUIDADO NO ABASTECIMENTO DO CARRO

 Posso estar enganado. Mas pouca gente está se cuidando com o perigo dos abastecimentos de combustível.

Há poucos dias uma pessoa muito próxima a mim, mas que não quer ter problemas no curso do processo, me relatou que tinha uma Rav 4. Era a gasolina. Parou num posto para encher o tanque. Falou que tinha que ser comum e foi ao banheiro. Voltou e pouco depois sentiu problemas. O veículo parou. Foi levado à concessionária. Um funcionário dela decidiu dar uma corrida pela free way. O carro parou de novo e acabou pegando fogo. Perda total.

O Dr. Leo Kraehter, meu querido sobrinho, odontólogo, passou também por esse dissabor com uma caminhonete a diesel.

Disse ele: “A gente sempre vai no mesmo posto, em Passo de Torres, porque lá se tem algumas comodidades.

Como tinha lavagem a gente não fica do lado da bomba, enquanto vai abastecendo o carro. Eu pedi para que ele enchesse o tanque, com diesel S 10 e acabei indo a próxima  loja de conveniência, porque tem como se acomodar sentados.  Depois pagamos a conta e ficamos lá um dia e no dia seguinte nos deslocamos para Santa Cruz.

Nossa rota dessa feita foi pela BR 116 e depois BR 290, porque nossa rota usual (287) está em fase de duplicação. Quando a gente chegou  passou as pontes do Rio Jacuí, na grande Porto Alegre, em Guaíba, a gente parou num posto para ir no sanitário.

 Quando tentamos fazer pegar o carro,  não deu mais. O socorro rápido identificou que a camionete tem um sistema de segurança, e a partir dali nós acabamos vindo guinchados, até Santa Cruz.

Deixamos o carro já na vinda numa mecânica de confiança nossa, e no outro dia qual não foi minha surpresa a gente tinha combustível equivocado, nós tínhamos gasolina ao invés de diesel. O bacana é que a caminhonete tem um reconhecimento por conta da emissão dos gases, e aí ela não funciona mais até para evitar maiores danos. Mas o transtorno foi bárbaro, porque tem limitação para ir na cabine do guincho, não dá para ir todo mundo, e ficar em cima é muito ruim, é desconfortável, fica muito alto e chacoalha muito.

A ideia agora é tentar reaver todo o prejuízo, de combustível abastecido que foi descartado, o guincho que foi utilizado, a mecânica, agora então vamos entrar nessa fase.”

Penso que está mais que na hora se estabelecer , como nos países adiantados, que o próprio proprietário do carro tenha  que abastecer o veículo.

Ou, pelo menos, a pedido do proprietário  , delegue a um servidor a tarefa.