quarta-feira, 28 de junho de 2023

A LUTA DAS MULHERES

 Revendo nuns alfarrábios que já se mostram vetustos, eu mesmo me surpreendi. Fui olhar umas peças de processos Judiciais. Vejamos essa peça de um processo. Tratava-se de uma “investigação de paternidade e pensão alimentícia". Note-se bem que na época não havia o prodígio que temos hoje, ou seja em 1981 não havia computadores pessoais e todas essas ferramentas que temos hoje. 

O linguajar tosco me impede de transcrever na íntegra os termos. Todavia vamos pinçar partes mínimas para se ver o absurdo que havia naquele tempo: 

“O réu, na referida noite e data, limitou-se a se gozar com a autora, reservando seu “semem” para uma outra menina que, pela primeira vez, surgia na roda. O réu e mais dois companheiros estiveram em “suruba” com a autora.”

Em outro relatório da Polícia Civil, em 1986, há termos absurdos:

“A declarante, apesar de ser do sexo feminino, desde que se conhece por gente, tem tendências pelo sexo masculino, informando que desde menina sempre quis ser homem.” 

Incríveis outras peças tocando nesses assuntos como se fossem crimes.

Para se ver como houve injustiças para muitas mulheres.


No início dos anos setenta as mulheres já estavam em toda parte. Nas faculdades de medicina, de odonto, engenharia e tantas mais. Na minha turma do Direito da UFRGS havia um terço de gurias, todas muito estudiosas. Em várias áreas se destacavam: nas rádios, nas TVs, nos jornais, na advocacia, no magistério superior, na política. Mas não tinham acesso à magistratura estadual aqui no RGS.

Era assim: o Tribunal de Justiça abria o edital para o concurso a juiz de direito, do qual constavam vários ítens como idade, escolaridade, bons antecedentes, mas não havia nenhuma restrição quanto ao gênero. Esgotado o prazo para as inscrições,  a lista era submetida ao exame da comissão de concursos, que indeferia, sumariamente, a inscrição das mulheres. No concurso seguinte ao meu, várias mulheres se inscreveram novamente e o assunto foi levado por mais uma vez ao órgão especial do TJRS.  Acontece que o colegiado já tinha uma composição de desembargadores mais jovens. Foi fundamental, a meu ver, o fato de uma filha do desembargador César Dias  haver se inscrito. Seu nome: Maria Berenice Dias. Houve uma grande discussão e a votação mudou, abrindo as portas para as mulheres. 


Assim como a pioneira Maria Berenice as mulheres começaram a se destacar, caindo por terra todas aquelas falácias que eram motivo para os receios já narrados.

Em breve haverá vagas no STF. Será imperioso que sejam preenchidas por mais mulheres.


segunda-feira, 26 de junho de 2023

DISCURSO DE RAFAEL KOERIG GESSINGER

 

DISCURSO POR OCASIÃO DO CAFÉ GERMÂNICO CULTURAL

ALUSIVO AOS 400 DIAS PARA O BICENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ

PROMOVIDO PELO MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DO SUL E PELA COMISSÃO OFICIAL DO BICENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ

SANTA CRUZ DO SUL, 26 DE JUNHO DE 2023

 

BICENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ NO BRASIL UMA FESTA DA INTEGRAÇÃO HUMANA

 

Rafael Koerig Gessinger

 

A referência óbvia para o Bicentenário é o ano de 1824. E, de fato, é com base num acontecimento ocorrido naquele ano que gostaria de começar. Mas não é um acontecimento ligado a navios, viagens ou a um grupo de pessoas corajosas que deixou a Europa em direção ao Brasil. Não. Trata-se da estreia de uma composição musical. Em 7 de maio de 1824, em Viena, tocava-se, pela primeira vez na história, a composição que consagraria os seguintes versos do poeta Friederich Schiller:

 

Deine Zauber binden wieder,

Was die Mode streng geteilt,

Alle Menschen werden Brüder,

Wo dein sanfter Flügel weilt.

 

Que teus encantamentos liguem novamente

O que os modismos separaram severamente,

Todas as pessoas tornam-se irmãs

Onde tuas suaves asas demoram-se.

 

Schiller está falando da alegria (Freude), que tem o poder de fazer sorrir, que tem o poder de iluminar mentes e corações, que tem o poder de construir pontes e de fazer amigos, que tem o poder de vencer modismos que separam. É justamente nesse registro que a Comissão Oficial do Bicentenário da Imigração Alemã tem pensado o Bicentenário: como uma festa da integração humana. Alle Menschen werden Brüder!

Quando o Governador Eduardo Leite fez publicar, em setembro de 2021, o Decreto 56.110 para organizar as comemorações, o recado foi claro: o Rio Grande do Sul celebra a integração humana, o Rio Grande do Sul celebra o migrante e seus encontros culturais. Exaltemos, portanto, as culturas e seus encontros. E tudo isso não somente com os olhos no passado, mas, como muito bem vêm insistindo o Cônsul Simandl, o Diretor Hoffmann, do Goethe Institut de Porto Alegre, e o Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Mateus Wesp, com os olhos no futuro.

É, por isso, que a Comissão também volta seus olhos para o futuro, provocando vários atores e diversas entidades. São muitas as frentes que estão sendo estimuladas: ciência, cooperação técnica, economia, agricultura, intercâmbio acadêmico, arquitetura, gastronomia, música, cinema, cidadania, direitos humanos, literatura, língua alemã, sustentabilidade, turismo, enfim, nada escapa ao Bicentenário.

Mas um elemento simbólico, talvez não tão palpável, tem a ver com a reflexão sobre a migração e o migrante de ontem e de hoje. Afinal, quem saiu da Alemanha há 200 anos? Quem chega na Alemanha hoje, no século XXI? Quem chegou no Brasil há 200 anos? Quem chega no Brasi hoje, em 2023?

A resposta deve ser única: Seres humanos. Pessoas! Nós! Quem saiu da Alemanha há 200 anos e quem chega na Alemanha hoje? Pessoas! Humanos! Quem estava no Brasil há mais de 500 anos e quem chegou ao Brasil nos últimos séculos? Pessoas! Seres humanos! Nós!

Antes de tudo, o fenômeno migratório é um fenômeno humano. Acidentalmente, é fenômeno acentuado neste ou naquele período, nesta ou naquela região. Mas deveríamos aproveitar nossa capacidade de nos debruçarmos sobre nós mesmos, sobre nossa própria história e nossa própria atualidade, para percebermos que a migração diz respeito ao ser humano, simplesmente, e não a este ou aquele grupo étnico ou político ou social.

Segunda-feira passada ouvi da boca de uma migrante colombiana que mora em Porto Alegre, por ocasião da Abertura da Semana do Migrante: “Sentir-se acolhido é o maior bem que um migrante pode experimentar.” Também foi muito repetida naquela noite a frase de São João Batista Scalabrini: “Para o migrante, pátria é a terra que lhe dá o pão!” A nova Lei de Migração, Lei 13.445/2017, bem como a política estadual de migração que será examinada pela Assembleia Legislativa, revela a maneira como o fenômeno da migração humana deve ser compreendido atualmente, a saber, assumindo a universalidade, a indivisibilidade e a interdependência dos direitos humanos, afirmando a acolhida humanitária e o repúdio à xenofobia e ao racismo, e promovendo o desenvolvimento econômico, turístico, social, cultural, esportivo, científico e tecnológico do Brasil. O migrante foi, é e será, sempre, uma enorme riqueza que deve ser comemorada e valorizada.

Prova disso é o sucesso de Santa Cruz do Sul e de todo o Rio Grande. O migrante de hoje é o bem[1]sucedido cidadão de amanhã.

Por tudo isso, o Bicentenário celebra a pessoa humana e sua capacidade de enfrentar desafios, de acolher, de se adaptar, de olhar o próximo como irmão e de partilhar sofrimentos e vitórias. O Bicentenário da Imigração Alemã quer ser a festa da fraternidade entre todos, sem exceção, uma genuína festa da humanidade inteira!

Com esse espírito, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio dos Gabinetes do Governador e do Vice-Governador e das Secretarias que fazem parte da Comissão - Cultura, Turismo, Desenvolvimento Econômico, Comunicação, Segurança Pública e Justiça, Cidadania e Direitos Humanos - além da UERGS e de mais de 50 entidades da sociedade civil, coloca-se como parceiro de todas as instituições e pessoas interessadas em fazer, ao longo de 2024, eventos e projetos que celebrem a vida e a pessoa humana tomando como referência histórica os 200 anos da imigração alemã, mas projetando o passado até o presente e mirando o futuro como palco de valores cada vez mais sólidos, como a liberdade, a igualdade e a fraternidade, tudo isso em torno de uma ideia viva e vibrante de dignidade humana.


quinta-feira, 15 de junho de 2023

CHAMADO PASSO DA AREIA

Desde jovem me fascinei com a obra de Gildo de Freitas. Ele foi um que vislumbrou fantasticamente o que estava acontecendo no mundo. Todos nós, que passamos dos sessenta, temos claras na retina as maravilhas de aqueles tempos. Na minha infância quase não havia crimes.Dormia-se de janelas abertas no verão. Praias de banho eram os riachos, onde abundavam os peixes . Em Santa Cruz havia vários locais de banho. Alguns ainda persistem , mas não com aquele viço daqueles tempos. De vez em quando meu pai nos levava de caminhonete para Rio Pardo. Eu me deslumbrava com a água do rio . Minha mãe e minhas irmãs se vestiam com aqueles “ maiôs” super pudicos e longos. Voltávamos todos com o rosto queimado na caixa de trás da caminhonete Dodge canadense ano 1955, se não me engano. Tinha uma cabine metálica na frente e atrás uma cabine de madeira com toldo em cima. Abaixo vai, portanto,o que Gildo de Freitas preconizou. Vou deixar intactos seus versos, sem nada corrigir, conquanto haja imperfeições de gramática. Importante é o conteúdo. …………… “Chamado passo d'areia Foi o lugar que eu nasci Foi ali que eu conheci Cousas que a gente admira Muçuns, jundías, taraíras Nos meus tempos de guri Não é querer me exibir Mas taraíras davam tantas Que nas quintas feiras santas Nós pescava por ali Mas quem tinha mais dinheiro Terminou com o nosso apoio Compraram nossos arroios Findaram nossos pesqueiros Um arroio companheiro Pesqueiro de bom tamanho Eram até praias de banho Pra quem não tinha dinheiro Naquelas partes mais altas Por onde a água descia Não eram só pescarias Davam muitas produções Auvoredo plantações pastagens e leitarias Da terra tudo nascia Pepino, feijão miúdo Era uma terra para tudo Aipim, melão, melancia Mas pode crer minha gente Que isto foi num disparato Derrubaram até os matos De angicos e Cambuíns Foram se metendo assim Que nem piolho em custura E as hortas de verdura Viraram todo em jardim Está derrota foi feita Em muitos poucos momentos Foram abrindo loteamentos E as construções vieram vindo Outros vendendo e saindo Mesmo que um papel no vento Eu conto com sentimento Tudo que era bom se foi Plantação, cavalo, boi Festança carreiramento Tudo se foi no momento E aonde pastava as vacas Hoje só se enxerga placas Aluga-se apartamentos.” …………….. E tudo isso aconteceu. Melhorou tudo de uns tempos para cá? Não esqueçamos que Passo da Areia se situava num lugar simples e longe do centro de Porto Alegre. Ali havia criação de animais, era um lugar bem distante e pouco habitado. E hoje? Tudo que era bom se foi…

quinta-feira, 1 de junho de 2023

CAUSOS DE FUND0 DE CAMPO

A noite foi toda de temporal e vento. Amanhecera com sol. Nas casas e galpões, nada de anormal, a não ser alguma folha de zinco solta. Toca o celular: é Joca, caseiro de uma morada no fundo de campo, noticiando que vários cochos de sal tinham tombado ou se destelhado. Chamei meu capataz, misto de campeiro, zootecnista, veterinário, alambrador, marceneiro, mecânico e outras coisas: -tchê, pega o trator piqueteiro, atrela o reboque, carrega com umas ” taubas”, pregos, folhas de zinco, ferramentas, pão e carne e vamos rondar as invernadas. Já na primeira divisamos, ao longe, folhas de zinco espalhadas, na outra o cocho virado. Entre uma e outra ia observando os animais que, ante o rumor do trator, corriam para o rodeio. Por volta do meio dia chegamos a uma das minhas invernadas favoritas - a da Tapera. É fácil reconhecer o lugar onde um dia já houve uma casa: sinamomos vetustos, alguns carcomidos, algum pé de limoeiro, um resto de cerca de pedra. Pegamos alguns galhos secos , fazemos fogo e espetamos a carne. Vou até a sanga, lavo as mãos e o rosto. Tirei as botas, sentei-me numa pedra e coloquei os pés na água fria. Quem teria morado aqui? Não longe, um túmulo de campanha onde se lê o falecimento ocorrido em 1.900. Seria um posteiro dos Garcia, ou dos Mattos, ancestros donos ? Retiro-me um pouco da sanga e sento-me ao pé de um angico.Fecho os olhos e escuto o marulhar das águas e o gorjeio dos pássaros. Ouço, ao longe um tropel de cavalos e as esporas tinindo. Um, fala mais alto e dá ordem de desmontar. Conversam sobre batalhas e cerco ao inimigo. Abro os olhos espantado e nada mais escuto. Cerro-os novamente e logo ouço risadas de crianças se espadanando na água. Usam termos arcaicos, com sotaque quase português, falam que, quando crescerem, querem ser alferes; outros, que vão defender a República Riograndense. Abro de novo os olhos e o rumor cessa. O vento aperta um pouco e as árvores ciliares inclinam-se como a me dizerem que sim, que testemunharam tudo isso, que viram até amor ser feito por aqui. Sim, elas, as árvores, que guarnecem sangas, matos e bichos, são as deusas mudas e guardadoras perenes de tantas histórias. -patrão, o churrasco tá pronto. Vamos comendo a carne e o pão, sem talheres. Indago ao capataz: - tu nunca ouviste, nesses fundos de campo onde nem satélite passa no céu, vozes de gente que já morreu? -Vozes não, só umas risadas ou algum choro de mulher em noite de lua cheia. —--------- Para mim o melhor candidato a ocupar uma vaga de Desembargador é o Dr. Ricardo Hermany. (Colaborou Maristela Genro Gessinger.)

segunda-feira, 29 de maio de 2023

A BELA CIDADE DE SANTIAGO-RS

Fui Juiz de Direito em Santiago. Era jovem. Mais tarde conheci uma moça solteira. Eu já tivera filhos e era separado. Ela era solteira e não tinha filhos. Nos conhecemos e nos casamos. Tivemos um filho, o Rudolf, hoje advogado. Muito íamos a Santiago, visitar os parentes. Até que nos mudamos para lá. Tempos depois sentimos a necessidade de Rudolf ir para Porto Alegre. Temos uma fazenda muito bem organizada, ao lado de Santiago: na gloriosa Unistalda Rudolf se prontificou a cuidar, o essencial. Acabamos de comprar uma casa em Santiago, mas ficam outras nossas em Porto Alegre e no Litoral. Quando compramos a casa em Santiago, Rudolf proferiu essas palavras: Pai, tu podes dizer: "Eu reencontrei um amor antigo que é a cidade de Santiago".

quinta-feira, 18 de maio de 2023

COISAS DO SÉCULO PASSADO

 Observando o império das crianças sobre seus pais e avós e a “juvenilização” brasileira, meus pensamentos não param de voltar ao século passado. Não sei se meus pais e avós agiram certo, se seria correto agir assim hoje, mas eu não os trocaria por nada deste mundo.

A família de meus avós Rudolf e Rosália era numerosa. Os dois exerciam forte poder sobre os filhos, até sobre meu pai, que já era casado.

As relações eram respeitosas. À mesa meu avô servia-se em primeiro lugar, depois a avó e depois os filhos e netos, por ordem crescente de idade. Isso mesmo, as crianças vinham primeiro. Rezava-se antes de iniciarem as refeições.Quando  se iniciava uma pequena discussão entre meus tios ou tias, o simples olhar do meu avô os silenciava. Nunca vi meu avô gritar ou ter um gesto violento.


Meus pais me ensinaram o gosto pelo comércio, pelo lucro lícito, pelo trabalho e por ser pontual nas contas. A estrutura familiar  antigamente impunha limites que a gente não se atrevia a ultrapassar, mesmo depois de adulto. No tempo em que eu fumava, jamais me atrevi a o fazer na frente de meu pai.

Mas sempre chamei meus avós e meus pais por tu, nunca por senhor.

Eu sei, eu sei, eu tentei fazer o mesmo com meus filhos e agora os vejo também meio “ autoritários” em suas famílias.

Comprazo-me com isso.

Um dia  escandalizei um amigo. É que descobri, na casa de meus pais, uns guardados, fotos antigas e os boletins escolares.O amigo, ao os examinar, exclamou:” Bah amigo , andaste fazendo cola quando piá.”

Vejam só: havia matérias como Desenho, Trabalhos Manuais, e eu só tirava 3 ou 4 na nota.

Em compensação, eu era bom em idiomas  estrangeiros, filosofia, e assuntos do gênero.

A gente tinha uma espécie de caderneta escolar, onde eram registradas as notas. Inicialmente, temendo a tristeza  do meu pai, esmerei-me em falsificar sua assinatura, o que se podia ver a olho nu. 

Depois evoluí para a terceirização: encomendava os trabalhos manuais, com a serra tico-tico e outras bobagens. Entregava  o desenho para coleguinhas mais aptos, em troca de lhes fazer trabalhos abstratos.

Assim ia passando de ano e as notas melhoraram.

Meu amigo  estranhou quando lhe mostrei os vestígios de meus deslizes já prescritos.

Mas será que eu já era um " espertinho" ou só queria sobreviver?

Tarde demais para saber.

Será que vai ruir todo o meu conceito? 

Só sei que me divirto  até agora ao ver a cara de espanto do meu amigo que, na crença da ética, talvez me conceda o benefício do “estado de necessidade”.

( Como está tudo agora ?

Melhorou?)





sexta-feira, 5 de maio de 2023

PASSANDO POR FRITZ E FRIDA

 Podem perguntar a qualquer um. 

Quem nasceu em Santa Cruz e, por contingências, teve que sair, nunca se esquece desse maravilhoso lugar.

Sempre me vêm as lágrimas quando passo pelo viaduto Fritz e Frida.  

Venho lá de longe, de onde está nossa  fazenda em Unistalda e onde temos, bem pertinho, uma casa em Santiago. 

De madrugada saímos descendo a serra para passar por Jaguari, São Vicente, São Pedro, Santa Maria. 

Aí  opto para seguir, não por São Sepé, mas pelo  caminho que leva a Santa Cruz,  até chegar a Porto Alegre, onde também moramos.

São seis horas de viagem, se não houver alguma tranqueira.

Por vezes penso em entrar na cidade e ver como vão meus parentes. Quase nunca dá. E somos poucos. Uma irmã é falecida; a outra mora em Porto Alegre. Meus pais são falecidos. 

É muita saudade.

Gosto de parar ao passar pelo estabelecimento do  sr. Schuster, sempre ao lado de sua querida esposa. É aquela conversa boa, sempre falamos em alemão e compro um monte de linguiça. O papo vai sobre o gado, a falta de chuva, etc.

O sr. Schuster é uma pessoa carinhosa, pois esse dias cheguei atrasado (ele fecha ao meio dia), mas me viu da janela de sua casa. Me acenou e assim pude comprar suas iguarias.

Pronto: não faltaria por bom tempo esse alimento tão gostoso e prático.  

Embarquei na  caminhonete, respirei fundo, e falei com minha mulher: eu não tinha como ficar entre meus amigos de infância e juventude. O destino me mandou para outras plagas, onde também  me dei bem.

Próxima parada:  uma bela confeitaria, 

Não conheci ninguém no recinto, mas aquilo parece ser  a Alemanha, de tanto cuidado e capricho. 

Sigo em frente, remoendo muitas coisas.

Minhas aulas de violino com a Senhora Amália Eidt. Rigorosa até na postura com o instrumento, inclusive os pés. 

Era uma senhora bem magrinha, super caprichosa na sua casa. Se eu tocasse um tom diferente do que estava na pauta, ela interrompia com muita delicadeza. Detalhe: eu vinha com o violino e ela mandava eu o  afinar. Não se contentava facilmente. Assim faço hoje com meus filhos que tocam algum instrumento.

A propósito sempre me lembro, ao passar por Santa Cruz, das minhas tias Brunhilde e Hildegard, ambas falecidas. Nas minhas férias eu ia a Boa Vista na casa de meus avós paternos. As duas eram exímias em vários instrumentos, inclusive a cítara.

Tia Hildegard era muito alegre e tocava gaita. Tia Brunhilde, quando solteira, me dava também aulas de solfejo.

Não tenho como agradecer essas queridas tias.

Bom, passei por Santa Cruz. 

Cessem as lágrimas e reminiscências.

“Siga el corso”


quinta-feira, 20 de abril de 2023

SOBRE PECUÁRIA

 Amigos me indagam como cheguei a ser Pecuarista.


Sou natural de Santa Cruz do Sul. Meu pai era comerciante. Desde cedo ele me chamava para, nas horas livres, o ajudar. Isso foi importante na minha vida, pois vi como o comércio tem suas regras. Meu pai era muito bonachão, vendia muitas coisas no “fiado” e depois não recebia. Apesar das advertências da minha mãe, a falência foi inevitável. 

Concluí, então, que na vida se deve aprender a dizer “não”.   Caridade é uma coisa; negócios são outra.

Tive que me virar sozinho e aos 17 anos fui morar numa pensão em Porto Alegre, onde me matriculei no 3º ano do Clássico no Colégio Júlio de Castilhos, que era gratuito. Trabalhava de dia e estudava de noite.

Fiz o vestibular de Direito na UFRGS em 1965 e fui aprovado. 

No quarto ano da faculdade  fiz concurso para Delegado de Polícia e aos 22 anos fui aprovado após fazer a Escola de Polícia, sendo classificado em 1º lugar.

Em 1969 me formei, pedi demissão do cargo de Delegado e fui advogar. Dois anos depois fiz concurso para Juiz de Direito e fui aprovado.

Fiquei um ano em Horizontina e um em Arroio do Meio. 

Santiago estava sem juiz há dois anos. O presidente do Tribunal de Justiça me pediu que aceitasse promoção para Santiago.  Assumi em l974. Tudo era novo para mim. Não sabia distinguir entre um cavalo e uma vaca. 

Passei por outras comarcas, fui subindo na carreira até que cheguei a Desembargador. Terminado meu tempo voltei a advogar em Porto Alegre. 

Conheci  minha esposa Maristela, natural de Santiago, mas trabalhando no Tribunal de Justiça.

Isso nos fez visitar amiúde seus pais. Seu  pai  sabia muito de pecuária.

Pronto: passei a comprar lotes de campos ( sempre contíguos).

Como a advocacia me dava bons frutos, passamos a intensificar a pecuária.

Um dia fui convidado para ser o presidente do Sindicato Rural de Santiago, o que aceitei com muito orgulho .



 

Sucedeu que, naquelas épocas conturbadas, parte dos associados achavam que deveríamos fechar estradas em sinal de protestos de diversas ordens.

Conversei com os colegas e se decidiu que não faríamos protestos que prejudicassem o livre  trânsito. 

Estando eu em Bagé, numa feira, fiquei sabendo que parte dos companheiros tinham fechado a estrada.

Com razão ou sem razão, achei que não tinha mais o apoio da maioria  dos colegas.

Renunciei ao cargo de presidente, mas prossegui como amigo de todos e sempre defendendo os interesses do agro.

Continuei, no entanto, com nossa Fazenda que sempre melhora e assim vai ser até que eu seja chamado por Deus para a última morada.




terça-feira, 18 de abril de 2023

CALIBRAGEM NECESSÁRIA

titoguarniere@terra.com.br

Twitter : @TitoGuarnieree

Lula tem méritos indiscutíveis. Como negar que um retirante nordestino, pobre como todos os outros, vindo de Garanhuns para São Paulo na carroceria de um caminhão, que se tornou um dos maiores líderes sindicais da AL, depois se elegeu deputado e presidente da República , é alguém diferenciado, para não dizer predestinado?

Digam o que quiserem. Chamem-no de Luladrão, de analfabeto ou de chegado a uma ou mais doses de caninha pura. Mas se ele não fosse um ser especial, uma exceção, não teria chegado nem perto das honrarias que conquistou, inclusive o posto de autoridade máxima do país em três eleições.


Talvez o problema em Lula seja o de se julgar predestinado. Tendo superado todas as dificuldades para ser o que é, então lhe estava reservado o destino dos heróis, dos grandes homens. Muito do ódio que lhe devotam tem a ver com uma frustração pessoal dos que o desprezam e odeiam: como pode alguém tão destituído de riqueza e instrução, tão distante das elites, tão tipicamente ligado à miséria que afeta uma parte ponderável dos nossos irmãos, ter merecido tamanho destaque entre os seus pares, muito mais afortunados?


Julgando-se especial, deixa-se levar pela vaidade, quase natural na circunstância. Lula não convive com o erro, porque acha que nunca erra. E se algo vai mal, se as coisas não correram como ele previu, é somente porque o caso ainda não chegou ao fim. Assim, ele descuida das consequências do que diz e do que faz, abre a guarda e com enorme frequência derrapa na curva.


Bem sucedido na sua admirável trajetória, ele não ouve ninguém, não precisa estudar ou ler um relatório mais complexo ( e enfadonho): ao final e ao cabo a sua intuição prevalecerá e dará certo. A autoconfiança que o move e inspira é ilimitada.


Mais do que não ouvir ninguém, e preso uma visão discutível de mundo – para dizer o mínimo - , alimentado por lendas urbanas e equívocos históricos, incensado pelos "cumpanheiros", ele vai em frente sem medo de ser feliz.


Na sua recente viagem à China, Lula abusou de declarações descuidadas, e de bobagens homéricas ditas com certo ar de mentor espiritual da humanidade. Para espanto geral, afirmou que é preciso que " os EUA parem de incentivar a guerra ". Até pode ser, mas a Rússia agressora, invasora de um país vizinho e soberano, não merece nenhuma reprimenda, nenhuma palavra de desaprovação?


A guerra não interessa a americanos e europeus, como ele imagina e como acusou. Eles só têm a perder, porque têm obrigações políticas e morais diante da agressão traiçoeira e vulgar, que lhes custa uma fortuna incalculável de dinheiro e recursos bélicos e materiais.


Em Xangai disse que os bancos têm de ajudar os países e não asfixiá-los. Se tem algo que os bancos não gostam de fazer é asfixiar seus devedores. O sonho dourado de todo banqueiro é receber em dia os seus créditos. Os bancos só apertam(asfixiam) os caloteiros que não honram seus compromissos, como está acontecendo com nossos hermanos da Argentina.


Lula precisa confiar menos na intuição, se preparar melhor nas suas intervenções e entrevistas, calibrar as declarações.




quinta-feira, 6 de abril de 2023

RETIROS E OUTRAS QUESTÕES

 “Pecador, agora é tempo

de pesar e de temor,

serve a Deus, despreza o mundo

já não sejas pecador”.

Muitas vezes ouvi, quando era coroinha na Catedral de Santa Cruz do Sul, o coral regido pelo Irmão Ludovico, se não me falha a memória.

Me deu uma baita nostalgia porque  participei de vários retiros.

Geralmente eram três dias em completo silêncio,comida frugal e muita meditação.

Foi ali que, mal ou bem, aprendi a amar o silêncio, a paz, a serenidade e adquiri um certo preconceito contra  gente espaçosa, risonha demais.

Também me aborrecem as aglomerações, as  falas em  alta voz, os  gritos.

É viajando que a gente começa a ver que se pode ser alegre sem ser ruidoso e inconveniente, que se pode rir sem precisar beber, que é um bálsamo ouvir "com licença", " desculpe", “por favor". Em quase todos os países frios é assim. O frio induz ao estudo, ao trabalho, à beleza transcendental.

Uma das minhas filhas, a juíza de Direito Milene Gessinger, mãe de dois guris, se mirou no meu gosto por retiros.

Desde guri gosto de ficar em silêncio no dia da Paixão de Cristo. 

Milene também se afasta para a casa da praia e lá fica em seu retiro. Os meninos e o marido ficam em casa.

Diz ela: “Trouxe o ukulele para tocar, a prancha, o pirógrafo, comprei suprimentos e escolho na hora a programação do dia. Procuro a melhor praia para a condição do vento e ondulação”.

Quando mais jovem ela ia para a nossa fazenda, embrenhava-se no mato, em companhia de um cusco, abria uma barraca e lá ficava.

Nem muitos lembram, mas incrivelmente houve uma época em que as mulheres não tinham acesso à magistratura. A minha turma de concursados para juiz de direito foi a última constituída só de homens (1971). 

Em seguida houve uma mudança feliz e as mulheres começaram a passar, aos poucos, nos concursos.

Tive a graça de minha filha Milene ter sido aprovada no Direito da UFRGS.  Preparou-se muito e foi aprovada no concurso para a magistratura gaúcha.

Mudando de assunto.

Esses dias vi o filme  “Os  Dois Papas”.

Muito bem feito. Convenci-me de que não tardará e as mulheres poderão exercer o sacerdócio católico.

Eu sou egresso de uma família muito católica, vinda da Alemanha, no povoado de Rachtig, no rio Mosel. Aqui no Brasil tivemos muitos sacerdotes, entre os quais meu Tio Afonso Gessinger, que usava o codinome de Afonso de Santa Cruz. Faleceu recentemente e está no cemitério dos Jesuítas de São Leopoldo.

Me confidenciou, no dia do batismo do meu filho Rudolf, que era inevitável que as mulheres fossem sacerdotisas um dia. 

Quem viver, verá.


sábado, 1 de abril de 2023

CUIDADO NO ABASTECIMENTO DO CARRO

 Posso estar enganado. Mas pouca gente está se cuidando com o perigo dos abastecimentos de combustível.

Há poucos dias uma pessoa muito próxima a mim, mas que não quer ter problemas no curso do processo, me relatou que tinha uma Rav 4. Era a gasolina. Parou num posto para encher o tanque. Falou que tinha que ser comum e foi ao banheiro. Voltou e pouco depois sentiu problemas. O veículo parou. Foi levado à concessionária. Um funcionário dela decidiu dar uma corrida pela free way. O carro parou de novo e acabou pegando fogo. Perda total.

O Dr. Leo Kraehter, meu querido sobrinho, odontólogo, passou também por esse dissabor com uma caminhonete a diesel.

Disse ele: “A gente sempre vai no mesmo posto, em Passo de Torres, porque lá se tem algumas comodidades.

Como tinha lavagem a gente não fica do lado da bomba, enquanto vai abastecendo o carro. Eu pedi para que ele enchesse o tanque, com diesel S 10 e acabei indo a próxima  loja de conveniência, porque tem como se acomodar sentados.  Depois pagamos a conta e ficamos lá um dia e no dia seguinte nos deslocamos para Santa Cruz.

Nossa rota dessa feita foi pela BR 116 e depois BR 290, porque nossa rota usual (287) está em fase de duplicação. Quando a gente chegou  passou as pontes do Rio Jacuí, na grande Porto Alegre, em Guaíba, a gente parou num posto para ir no sanitário.

 Quando tentamos fazer pegar o carro,  não deu mais. O socorro rápido identificou que a camionete tem um sistema de segurança, e a partir dali nós acabamos vindo guinchados, até Santa Cruz.

Deixamos o carro já na vinda numa mecânica de confiança nossa, e no outro dia qual não foi minha surpresa a gente tinha combustível equivocado, nós tínhamos gasolina ao invés de diesel. O bacana é que a caminhonete tem um reconhecimento por conta da emissão dos gases, e aí ela não funciona mais até para evitar maiores danos. Mas o transtorno foi bárbaro, porque tem limitação para ir na cabine do guincho, não dá para ir todo mundo, e ficar em cima é muito ruim, é desconfortável, fica muito alto e chacoalha muito.

A ideia agora é tentar reaver todo o prejuízo, de combustível abastecido que foi descartado, o guincho que foi utilizado, a mecânica, agora então vamos entrar nessa fase.”

Penso que está mais que na hora se estabelecer , como nos países adiantados, que o próprio proprietário do carro tenha  que abastecer o veículo.

Ou, pelo menos, a pedido do proprietário  , delegue a um servidor a tarefa.


terça-feira, 28 de março de 2023

MÁ SEMANA

 TITO GUARNIERE



MÁ SEMANA


Não estamos bem.  Tomem a semana que passou. Primeiro, uma ameaça assustadora do PCC, a mais notória organização criminosa brasileira: plano para assassinar Sérgio Moro, Geraldo Alckmin, procuradores da República, autoridades carcerárias.


Na instância dos militantes políticos aloprados, ou bem foi uma armação do próprio Moro(segundo Lula) ou bem foi uma armação da esquerda(segundo Bolsonaro). Ora, por enquanto não há evidência nem de uma coisa nem de outra. É por tais inconsequências, ditas assim como quem não quer nada, até pelos atores mais importantes do embate político, que vivemos essa quadra da vida nacional, onde prevalece o ódio e a polarização.


E lá a bandidagem do PCC precisa  dos políticos, de Moro, Lula, Bolsonaro, para fazer suas armações, suas ameaças?


Mas os políticos brasileiros de ponta, como Lula e  Bolsonaro, jamais perdem a oportunidade para confundir e  alimentar a confusão, trazer a brasa para a sua sardinha, inflar as respectivas narrativas. Eles gostam é do beco escuro, do lodaçal – nada que traga um pouco de civilidade e racionalidade ao debate político. Nada que contribua de alguma maneira para criar um clima de respeito e convívio civilizado, que nos permita  sair um dia desse cenário de briga de rua.


Depois, descobre-se que Lula, que prometeu governar para todos – ao contrário de Bolsonaro, que só falava e governava para os seus -, entretanto, parece mais obcecado  que  nunca em agradar a  militância, em falar somente para os seus, em reafirmar as velharias da esquerda,  e em fechar portas e janelas para uma possível concertação, a mais ampla , para um governo de união nacional. Esse Lula 3 é apenas uma outra face do governo Bolsonaro.


Então Lula só vai ficar bem quando  ferrar Sérgio Moro? (Sei bem que não usou o verbo "ferrar", usou outro que torna a expressão mais grosseira e deselegante, e que também começa com "f"). Ou seja, ele está cheio de ressentimento, de desejo de vingança, esses péssimos conselheiros de todo ser humano, e mais ainda de líderes e dirigentes.


Se tais sentimentos menores  movem o presidente , ainda que eles possam ser justificáveis  (a prisão de 540 dias, por exemplo, que ele acha injusta com boa dose de razão) então se compreende este começo de governo, incapaz de dizer com clareza a que veio, confuso, sem prumo e direção.


Um governo não se sustenta apenas pelo mal que evita. Ele tem a obrigação moral e política  (ao menos) de apresentar as linhas gerais de um projeto, um plano. Não basta o velho truque das intenções meramente declaratórias – quem será contra um governo que pretende eliminar a pobreza, distribuir a renda, alinhar o país com as demandas do tempo presente, respeitar e fazer respeitar a democracia e os direitos humanos?

A retórica, a disputa da narrativa, tudo é parte da política. Mas o governo – mais do que todos os protagonistas da cena política e institucional - tem obrigações para com a sociedade que ultrapassam esse limite trivial: onde pretende chegar? o que vai fazer para alcançar seus objetivos? Está focado na ação, no trabalho duro para alcançá-los ou na guerra de palavras?



titoguarniere@terra.com.br

Twitter : @TitoGuarnieree


sexta-feira, 24 de março de 2023

DIVERSAS CONSIDERAÇÕES

 Minha querida e admirada Irmã Roberta   tem, com suas irmãs, um belo lugar de orações. Isso em Santa Cruz do Sul, um pouco além da cidade. Ali se reza, se pedem graças,  se conversa pouco, enfim. É lugar de preces e de orações.

Ao ensejo da minha coluna recente, ela disse:


“ As regras campesinas têm algo da regra  de São Bento: organização e bom senso e espírito de colaboração.”  

Sábias  palavras.

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Eu  era criança, em Santa Cruz, morando na nossa casa hoje demolida na esquina da Tomás  Flores, 876. 

Tínhamos dois funcionários para as cargas dos caminhões e distribuição de mercadorias.  

Houve um problema em que um empregado se machucou fora já de seu local de trabalho. 

Não sei como foi o desenlace, mas meu pai teve que o sustentar. Achou melhor acertar tudo até a recuperação.

A verdade é que me pareceu mais um auxílio voluntário. 

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Vamos agora para o campo, onde muitos peões trabalham.

Todo cuidado é pouco. É preciso acertar “os papel”, do contrário pode vir uma demanda.

Um conhecido meu, cuja fazenda está nas proximidades da nossa, pediu para um moço desempregado arrumar um telhado .Depois pediu que fizesse pequenas tarefas.  Isso durou cerca de um mês. Pagamentos feitos como combinado.

Semanas depois, uma reclamatória . 

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Há pouco tempo estourou o assunto dos  peões vindos do nordeste ou norte.

Miséria extrema? Passavam fome? 

Não sei dizer. 

Acho que os empresários fizeram bem não discutindo muito e concordaram em resolver a questão de modo correto. É certo que, tendo razão ou não, o desgaste seria muito grande.Maior do que seria caso teimassem em discutir o assunto na Justiça.

Não aprovo o que disse um político da região serrana. 

Provavelmente  vai perder seu cargo. 

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Vamos agora aos trabalhadores rurais. Muitas vezes são filhos  de  antigos peões.

Em geral  se afeiçoam ao patrão  de tal maneira que nunca saem do emprego

Hoje há muitos Engenheiros Agrônomos , Veterinários e Zootecnistas que são filhos de peões.

Muito conheci casos de ajuda aos filhos dos trabalhadores.

Modéstia à parte eu também ajudei o filho do nosso capataz.

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Finalizando, não posso me olvidar da “ ressolana”.

Em quase todas as estâncias existe esse costume no  forte do  verão. 

O pessoal almoça e depois pega um pano bem grande ou um travesseiro e se deita debaixo de uma árvore. Fica às vezes na sombra do galpão. Nesses horários de  ressolana tudo se aquieta: os humanos, os cavalos, os cuscos, os gatos, o gado, as ovelhas.

É o sono da ressolana.

Silêncio na estância.