quarta-feira, 2 de março de 2022

PUTIN, CRIATURA DAS SOMBRAS - TITO GUARNIERE

 

  

 Consumou-se a tragédia e a Rússia atacou militarmente e invadiu a Ucrânia.  

Há quem, para explicar os terríveis eventos, queira apenas embaraçar os acontecimentos e reforçar narrativas. Mas os fatos se apresentam na sua aparência e inteireza, da primeira até a última leitura e impressão.  

Quem fez todos os movimentos voltados para um só objetivo? Quem fez ameaças o tempo todo, com breves instantes de (má) dissimulação, alegando motivos nobres e a intenção de esgotar os esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito? Quem reposicionou tanques e armas de destruição na mais perfeita simetria com o ataque iminente, nas fronteiras com a Ucrânia? Quem ignorou todos os apelos de paz para a região? Quem puxou o primeiro gatilho, deu o primeiro tiro? Quem avança território adentro do país ocupado, derrubando muros e prédios a ferro e fogo, destruindo propriedades e exterminando vidas preciosas, inclusive de mulheres e crianças?  

A resposta é uma só: a Rússia, Putin. Não é o caso de se referir, agora, a outras variáveis, como a desse personagem meio distante, aloprado, que é Bolsonaro, que se deu ao trabalho e ao vexame de ir – poucos dias antes da tragédia – oferecer "solidariedade" a Putin. E nem a certos protagonistas da política no Brasil, como Lula e o PT, que fazem uma condenação genérica às guerras, mas no caso concreto, atribui culpa igual (senão maior) à Ucrânia, Otan e Estados Unidos.  

No centro do drama de desdobramentos ainda imprevisíveis, está a figura sinistra de Vladimir Putin.  Frio, calculista, completamente destituído de escrúpulos, ele não tinha como trair as suas origens, a sua formação – a sua escola foi a temível KGB, a agência sinistra de delação, espionagem, torturas e assassinatos da antiga União Soviética. Do aprendizado macabro não teria como resultar um ser humano, digamos, normal, sensato, dotado de empatia, orientado por valores e princípios.  Do buraco soturno só podem sair anjos da morte. Putin está mais para Stalin do que para Gorbachev.  

A Rússia tinha convivido em paz com a Ucrânia, desde a derrocada da União Soviética, mas não sem um ressentimento profundo dos ucranianos em relação aos russos em geral – que é, por sinal, compartilhado por todos os povos da ex-URSS. Os países da Cortina de Ferro, do Pacto de Varsóvia, em grau maior ou menor, eram, a rigor, dirigidos com a mão de ferro por fantoches comandados de Moscou. Quem os sustentava eram os tanques de Moscou. Não há povo, dentre aqueles que estavam sob a influência soviética, que não tenha medo, ressentimento e ódio de Moscou e dos russos.   

Mas não havia tensões insuportáveis, que não pudessem ser abrandadas e mesmo resolvidas através do diálogo e do convívio civilizado.   Fazia tempo, depois dos Balcãs, que não ocorriam conflitos violentos na região, que não havia conflitos armados na Europa.  

Há, é certo, razões históricas, econômicas e geopolíticas para a crise. Mas a razão dominante é a sede de sangue, a sanha belicista, o caráter psicopata de um personagem – Putin – que se fez e criou nos porões do totalitarismo.  

titoguarniere@outlook.com  

twitter: @TitoGuarnieree   

 


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Futebol, Carnaval e Tatuagem

 Quando daqui a milhares de anos uma incursão de outra galáxia aportar no sistema solar, ficará bem interessada em  examinar o planeta Terra, pois foi o último a ter vida sob todas as formas.

Verão ao certo grandes covas que eram os oceanos, centenas de condutos aquíferos, que eram os rios, ruínas em quase toda extensão. Logo constatarão que o planeta era super povoado pois ainda era do tempo em que se tinha que se alimentar para sobreviver. Como não havia mais o que comer, a civilização acabou. 

Algo vai causar perplexidade nos cientistas. Quase todos os humanos tinham senhas nos corpos, que vinham a ser pinturas indeléveis.

Os cientistas notarão que até os anos 1970, mais ou menos, a humanidade não tinha nada disso na sua pele. 

Peço desculpa ao leitor pela brincadeira , mas é verdade: nossa geração não pensava em ajudar a natureza a fazer mais bonitos os corpos. Achávamos que estava bem bom assim, sem as tatuagens.


A saúde de que o carnaval?

Não vejo mais sentido. O carnaval é celebrado todos os fins de semana, geralmente com muito álcool, drogas e correrias de carro.

Um exemplo foram as brigas e quebradeiras na praia em Atlântida. Agora virou moda beber até cair ao amanhecer ou sair a dirigir  pelas ruas em altíssima velocidade. O melhor de tudo é se manter quieto dentro de casa, não reclamar e segurar os cachorros apavorados.

Isso ocorre em todas as cidades, mesmo nas pequenas. E a Polícia não tem como fazer algo. Mete a mão no piá e pronto: vai ter processo.

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Um papinho sobre o  futebol.

Sempre joguei futebol até os 60 anos. No tênis continuo firme. Ao menos é um esporte para gente educada. Se bem que alguns que migram do futebol para o tênis, não se adequam e são “espertinhos”.No meu tempo era assim. A intenção era fazer o gol. Para isso era necessário jogar para a frente. Para jogar para frente era preciso coragem.

A bola está ao centro para ser iniciada a partida. Toca um metro para frente. O cara devolve para o zagueiro. Este entrega ao goleiro.O goleiro mete para o zagueiro, que dá um balão para o meio do campo, assim ao léu. Um avante consegue chegar bem na frente. Em vez de se arrojar para dentro da área, recua para o meia, este manda para o  ala, que manda para o lado, o qual recua para o goleiro.

Mais um pouco e vão colocar  duas goleiras nas laterais.

Muitos  atletas não sabem  escrever corretamente, não lêem. Mais ainda, a maioria é monoglota.

Agora vem um uruguaio, que não fala português, ensinar os jogadores que não sabem castelhano. 

Não olvidemos: “ traduttore,traditore”. (tradutor, traidor)


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

CARTA DA PSIQUIATRA LAÍS LEGG

 Laís é psiquiatra e comunicadora. A conheci há  muitos anos. Eu tinha um programa na Rádio Pampa de Porto Alegre aos domingos, das 7 às 9.30 da manhã. O programa era ao vivo. Durou sete anos. Tive que parar porque fui convidado a participar na TV no programa do Paulo Sérgio Pinto. 

A Laís brilhou muito na Pampa. Sempre foi muito incisiva nas suas falas, mas com o tempo parou para melhor atender sua real profissão.

É quase minha vizinha em Porto Alegre. Mora num belo apartamento quase em frente aos terrenos da Diocese Metropolitana. E não é que apareceu um galo, assim do nada, nos terrenos da Diocese , exercendo seu mister de cantar ao surgir da aurora? Alguém que não gosta de  acordar cedo  deve ter dado um sumiço no galo.Laís interveio, mas isso conto em outro artigo. 

Vamos à carta da Laís sobre meu artigo da semana passada na Gazeta, ela com seu estilo livre e direto.

“Que beleza! E é a mais pura verdade!

Cito um exemplo que aconteceu comigo: faculdade de Medicina UFRGS, década de 70, eu, em plena aula de patologia, os alunos enfileirados, lado a lado, cada um com seu microscópio, quando, de repente, essa que vos escreve teve uma dúvida quanto às células hepáticas que via e ergueu o braço. O professor: "como é que a senhora ousa me fazer uma pergunta com a luz do microscópio acesa? Aliás, o que a senhora faz aqui? Medicina é lugar de homem".

Pode?

Aliás, o hino era: "Medicina, papa fina, não é coisa pra menina".

Mas Ruy, me pergunta de que sexo eram os alunos que desistiram da medicina por não conseguir ver sangue e cadáveres? Ou que desmaiavam dentro do bloco cirúrgico quando o professor usava o bisturi? E se alguma menina levava a avó para as aulas de anatomia para lhes enxugar o suor da testa quando tinha que dissecar um cadáver?

Pois é... as desistências eram todas dos meninos, os "papa fina".

Agora, que já somos a maioria dentro do curso da medicina, podemos dizer, a plenos pulmões: "Medicina é colo. E o colo materno é insuperável".

Só consegue dar um bom colo quem gestou, pariu, produziu o alimento do filho no próprio corpo e cuida da prole por um bom tempo.

E os machões? Agora, eles sabem que duram 8 anos menos que as mulheres e as doenças mais graves "preferem" os XY.

Passem na frente de um boteco lá pelas 18h... alguém vê uma mulher, ali, tomando um martelinho de cachaça? Não, elas foram direto para casa, cuidar dos filhos, e torcer para não ser morta por um feminicida.

Mas há exceções, conheço homens maravilhosos. Pena que são poucos..”

Digo eu: Die Gedanken sind frei. ( os pensamentos são livres).


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

ARTIGO DE FRANKLIN CUNHA

COMO SE ESCOLHEM MINISTROS 

Bolsonaro na Rússia pergunta ao Putin:

- Senhor presidente, como consegue escolher tantos ministro tão maravilhosos?

E o Putin responde:

- Eu apenas faço uma pergunta inteligente. Se a pessoa souber responder ela é capacitada a ser ministro. Vou lhe dar um exemplo...

E o Putin manda chamar o seu primeiro-ministro Dmitri Medvedev e pergunta:

- Dmitri, seu pai e sua mãe têm um bebê. Ele não é seu irmão nem sua irmã. Quem é ele?

Medvedev responde:

- Presidente, esse bebê sou eu.

Ele vira pra Bolsonaro:

- Viu só? Mereceu ser ministro.

Bolsonaro maravilhado volta ao Brasil. Voltando ao Brasil, chama o Onyx Lorenzoni e lasca a pergunta:

- Onyx, seu pai e sua mãe têm um bebê. Ele não é seu irmão nem sua irmã. Quem ele é?

Onyx responde:

- Vou consultar nossos assessores e a base aliada e lhe trago a resposta.

Ela vai então e cobra a resposta. Ninguém sabe. Aconselham perguntar ao Olavo de Carvalho, que é muito inteligente.

Onyx liga pra Olavo:

- Olavo, aqui é o Onyx. Tenho uma pergunta pra você: se seu pai e sua mãe têm um bebê e esse bebê não é seu irmão nem sua irmã, quem é esse bebê?

Olavo responde imediatamente:

- Ora Onyx, é lógico que esse bebê sou eu!

E Onyx vai correndo levar a resposta ao presidente Bolsonaro:

- Presidente, se meu pai e minha mãe têm um bebê e esse bebê não é meu irmão nem minha irmã, é lógico que ele só pode ser o Olavo de Carvalho!!

Bolsonaro dá seu sorrisinho sabido e diz:

- Te peguei, Onyx. Sua resposta está completamente errada... o bebê é o Dmitri Medvedev!

 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

DESEMBARGADORA IRIS - MAIS UMA PRECURSORA

 Inicio dizendo que o que vou contar é verdadeiro, por incrível que possa parecer.

No início dos anos setenta as mulheres já estavam em toda parte. Nas faculdades de medicina, de odonto, engenharia e tantas mais. Na minha turma do Direito da UFRGS havia um terço de gurias, todas muito estudiosas. Em várias áreas se destacavam: nas rádios, nas TVs, nos jornais, na advocacia, no magistério superior, na política. Mas não tinham acesso à magistratura estadual aqui no RGS.

Era assim: o Tribunal de Justiça abria o edital para o concurso a juiz de direito, do qual constavam vários ítens como idade, escolaridade, bons antecedentes, mas não havia nenhuma restrição quanto ao gênero. Esgotado o prazo para as inscrições,  a lista era submetida ao exame da comissão de concursos, que indeferia, sumariamente, a inscrição das mulheres. No meu concurso, que aconteceu em 1971, eu tinha 25 anos de idade, havia centenas de candidatos aptos a concorrer, mas não aparecia o nome de nenhuma mulher.

Dizia-se, a boca pequena, que não era viável uma mulher ser juíza de direito  lá nos cafundós. Como é que uma mulher poderia ser juíza? e o marido, e os os filhos, e os perigos?

No concurso seguinte ao meu, várias mulheres se inscreveram novamente e o assunto foi levado por mais uma vez ao órgão especial do TJRS.  Acontece que o colegiado já tinha uma composição de desembargadores mais jovens, não tão conservadores. Foi fundamental, a meu ver, o fato de uma filha do desembargador César Dias  haver se inscrito. Seu nome: Maria Berenice Dias. Aí mudou a cantilena. Houve uma grande discussão interna e a votação mudou, abrindo as portas para as mulheres. Maria Berenice fez uma maravilhosa carreira, foi juíza brilhante, ascendeu ao cargo de desembargadora, hoje está aposentada e é uma famosa escritora e advogada no campo do Direito de Família. 

Assim como a pioneira Maria Berenice as mulheres começaram a se destacar, ruindo por terra todas aquelas falácias que eram motivo para os receios já narrados.

Muitas se casaram, se separaram, tiveram filhos e ninguém morreu por causa disso. Foram se destacando e hoje, salvo engano, constituem quase 50% no quadro dos magistrados estaduais. As mulheres galgaram todos os cargos, inclusive na Ajuris.

E eu, modéstia a parte, sou pai de uma guria linda, se formou na UFRGS, casou e conservou  seu nome de família, tem dois filhinhos  e é Juíza de Direito na Comarca de Tramandaí, Milène Koerig Gessinger.

Agora temos a primeira mulher presidindo  nosso Tribunal de Justiça, a desembargadora Iris Helena Medeiros Nogueira.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

MINHA PRIMEIRA VIAGEM AO EXTERIOR (2)

 Voltamos e a viagem de volta , também de trem, foi iniciada no meio da tarde.

O trem sulcava aquele mar verde que é o bioma pampa gaúcho.Com o tempo começou a aparecer a  lua cheia. Noite clara, portanto. Fui até o último vagão, abri a porta traseira e me sentei no degrau, contemplando o céu “ bordado de estrelas”  e aqueles campos planos, com pontas de gado e ovelhas aqui e ali, passando como num filme, por horas e horas, sem que se visse uma só casa , vila ou cidade. No ar um perfume de maçanilha, trazida das macegas pelo cálido vento norte .


Tudo isso quando eu era piá. Pensei: um dia eu quero morar no pampa, um dia vou ter um pedaço de campo, nem que seja pequeno.

E assim fiquei apreciando tudo, completamente maravilhado. De quando em quando passávamos por cisternas grandes que no tempo da Maria Fumaça serviam para colocar água no trem.

Enfim, a vida foi passando, mas  nunca me esqueci dessa viagem para o que me era absolutamente desconhecido.


Anos mais tarde  assumi como  juiz de direito em Horizontina e depois em  Arroio do Meio e logo  fui promovido. Convidaram-me para assumir em Santiago. Aceitei na hora, conquanto nunca tenha ido lá.


Ali me inteirei melhor das coisas do campo. 

Santiago era uma cidade de pequena para média. Tinha tudo o que se pode querer. Ali conheci a verdadeira música de raiz do Rio Grande do Sul. Incrível a lhaneza das pessoas, sempre um sorriso, sempre um " aperta firme quando alguém lhe estende a mão" (Ainda existe um lugar ,Wilson Paim) .

Aproveitava os dias de folga para conhecer o folclore local, que até então nem de perto conhecia.

Apoiei a criação do Cruzeiro de Santiago e aceitei ser seu vice-presidente. O mentor era o lendário Tenente Jacques.

Fiquei dois anos e fui embora, de novo promovido, mas carregando comigo meu sonho. Desta vez eu já tinha melhor ideia do que eram as cidades daquela região, com uma pecuária muito forte. Foram dois anos de muita experiência. Fui promovido para Ijuí. Tive que aceitar porque afinal eu queria fazer carreira e, se possível, ser promovido um dia a desembargador.

Ijuí era outra outra história. Estava florescendo com suas plantações de soja e trigo. Logo depois me removi para São Leopoldo, onde fui muito bem acolhido e até fiz parte da administração do Clube Esportivo Aimoré, onde fui presidente do Conselho Deliberativo.

Finalmente fui promovido à Capital. 

Tive, portanto, uma visão panorâmica do que é esse Rio Grande amado.



Com Maristela pude entrar no Agro.

Nosso Estado é muito rico. E lindo. 

Temos tudo. É só ir atrás.

Tudo começou naquele trem.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

MINHA PRIMEIRA VIAGEM AO "EXTERIOR"

 Salvo engano era 1960.Entre meus companheiros contemporâneos , Telmo Kirst e André Jungbluth. Nossa turma do Liceu São Luiz concluíra o então Curso Ginasial.

 Faríamos uma viagem de formatura. Destino: Uruguaiana.

Norberto Schmidt, deputado federal,foi nosso paraninfo e nos conseguiu um trem gratuito. Conosco viajou um irmão marista cujo nome não recordo.

Nosso orador escolhido foi  Nelson Rudi Koehler e numa noite de churrasco o orador foi Telmo Kirst.


Da Estação Ferroviária de Santa Cruz fomos de “ Carro Motor” ( um ônibus sobre trilhos) até  Ramiz Galvão. De lá pegamos outro trem até Santa Maria. Lá chegados, ficamos no mesmo vagão e após algumas manobras da locomotiva, com sopapos e solavancos, depois de longa espera, rumamos para Uruguaiana.



Nunca me  olvidarei da forte impressão que os tipos físicos dos passageiros dos diversos vagões me causaram.  Pessoas de cabelo bem preto, tez morena, a maioria dos homens de bombachas e botas. Aquela gente era muito parecida com aqueles estudantes internos do São Luiz que provinham de Rio Pardo e Encruzilhada do Sul. Gente muito bonita.


Passávamos livremente de um vagão para outro. Havia um vagão restaurante.  O cozinheiro fritava bifes com ovos num fogareiro de querosene. Tenho nas minhas narinas ainda o cheiro daquele vagão: uma mistura de querosene com banha fervente. Homens bebiam uma cerveja de marca estranha: Gazapina, que parece que era fabricada em Livramento.



Após longa viagem chegamos a Uruguaiana. Hospedamo-nos nos dormitórios do Colégio Marista Sant’Anna . Esse colégio situava-se a umas quatro quadras do Rio Uruguai.

 Me recordo bem que tomamos banho quase debaixo da ponte que leva a Paso de los Libres. Enquanto nos divertíamos na água, olhávamos com ansiedade para o outro lado, na ânsia de conhecer a Argentina.


Foi enorme minha surpresa, pois ao chegarmos na cidade argentina, ela parecia uma daquelas fotos de 1930 em preto e branco. Casas sem pintura, quase invadindo a calçada, nenhum jardim, cachorros correndo pelas ruas sem calçamento. Mas igual nos divertimos comprando recuerdos para provarmos aos nossos pais e amigos que tínhamos ido à Argentina. Para minha mãe comprei um perfume  que, quando ela o abriu, quase teve um desmaio,  já podem imaginar a causa… 

Uns dias depois fomos visitar uma fazenda, cujos proprietários eram integrantes da família Jacques.




E aqui quero tentar descrever cenas que nunca mais se apagaram da minha memória e talvez tenham sido concorrentes dos motivos que me fizeram adquirir uma propriedade na região pampeira décadas depois.

( continua)


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

A OBSOLECÊNCIA DE UM MÚSICO AMADOR

 O titulo assusta um pouco. Então calma, desliga um pouco o WhatsApp, sim desliga, não vai acontecer nada.

A maioria dos meus leitores sabe que sou de uma geração muito estranha. Imagina que rezávamos, íamos à missa ou ao culto, ajudávamos nas lidas domésticas, tratávamos com muito respeito os professores e as professoras. 

Muitos de nós éramos enviados cedo para aprender a tocar um instrumento musical. A família do meu avô Rudolf Gessinger era toda de músicos. Até cítara minha tia Brunhilde tocava. 

Minhas aulas de violino iniciaram no Kappesberg, no Colégio Santo Inácio, dos padres jesuítas ,com o Padre Ludovico.

Quando voltei a Santa Cruz, aos 15 anos, passei a ter aulas com a sra. Amália Eidt.

Enquanto isso eu saía com Guido Koehler por aí, tocando nas casas. Sempre éramos bem recebidos e eu passava meu chapéu para receber uns pilas. Mais tarde, em Xagrila, tocávamos pela cerveja.

Quando fui a Porto Alegre me preparar para o vestibular da URGS, levei junto meu violino. Por sinal esse violino foi comprado no Bazar Rex com dinheiro da minha mãe, pois meu pai protelava a compra.

No mais, fui tocando, procurando melhorar minha técnica. Evidente que nunca fui um violinista apto a se apresentar em algum concerto .

Mas deu para participar de Califórnias e outros eventos.Para isso já tinha comprado outros violinos, entre eles um Yamaha elétrico.

Antes disso, quando solteiro, o meu violino se prestava muito para as lidas de namoro. Sempre tinha uma menina fascinada por música.

Feita essa introdução, mais longa que missa solene, daquelas em que se precisa de três padres para celebrar, entro no assunto de que fala o título.

Hoje quase não encontro mais parceiros para tocar, salvo meu filho Rudolf e minha filha Milène. Em muitas festinhas levava meu instrumento para tocar . Aos poucos as pessoas não se interessavam mais , ficavam falando o tempo todo, esquecidas de que o prêmio do músico é o silêncio.

As coisas foram piorando e acabei desistindo.

Passei a tocar só para minha família, na minha casa.

Todavia mudei de idéia e  certo dia,  parece que foi num sábado, após o churrasco ,me sentei na área da frente, onde passa o pessoal que vai à praia pela calçada.

Sentei-me e comecei a tocar músicas mais fáceis, como  Without you, Ave Maria no Morro,Poncho Molhado, Alfonsina y el mar, ou algo erudito. Só crianças pequenas quiseram parar para ouvir, mas foram arrastadas por seus jovens pais. A maioria dos passantes até apertava o passo.

Estavam decerto com pressa de montar sua caixinha de som na praia.

Como se diz em Unistalda: “ deixêmo”!


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

TITO GUARNIERE

 Tito Guarniere

TITO GUARNIERE 

 

RÓTULOS IDEOLÓGICOS 

 

As rotulagens ideológicas, faz tempo, não querem dizer mais nada. O mundo ficou pequeno para se dizer que alguém é de esquerda ou de direita, conservador ou progressista. 

 

Mas ainda dá o maior ibope nos redutos de esquerda. Os seus seguidores sempre se orgulharam de ser "da esquerda". A esquerda, no imaginário dos seus adeptos, é o lugar de defesa dos oprimidos, da solidariedade social, da justiça. E a direita o lugar dos opressores, do egoísmo, do desprezo pelo sofrimento dos outros. 

 

Claro, isso tudo é teórico, é narrativa. Na vida real, demora-se muito – eu demorei – para descobrir que as coisas não estão assim dispostas, com tanta clareza e simetria. Com o tempo se descobre – e depois as evidências não param de confirmar – que há nuances, que os sentimentos se misturam, que um esquerdista pode ser tão avarento em relação aos seus bens, às vantagens de que usufrui, quanto o mais empedernido dos direitistas. O homem, o ser humano, é uma criatura só – nós temos defeitos incontornáveis, nós todos reagimos com indignação quando ameaçam nossos pertences, interesses, privilégios. 

 

Não há nenhum grupo social, econômico, político, não há nenhuma classe que detenha a superioridade moral em relação aos outros. 

 

A esquerda parece focada nos mais pobres, nos desvalidos da terra. Parecem mais comprometidos com a justiça social, com a distribuição mais equitativa dos bens. Mas sejamos francos: na esmagadora maioria das vezes tudo se resume a formulações teóricas, ao nível de intenções supostas e da enunciação de objetivos meritórios. 

 

Alguém é a favor da pobreza? Da desigualdade social? 

 

É uma narrativa extravagante que a direita, os ricos conspiram para a permanência da pobreza e dos pobres. Se tem algo que desejam – o empresário ativo, o produtor de bens e serviços no topo do negócio – é que se amplie ao máximo o mercado de consumo, vale dizer, que se reduza ao máximo os níveis de pobreza. Isso é, por assim dizer, uma lei da economia, de invencível pertinência. 

 

(Não se excluam, entretanto, a existência de uma minoria de trogloditas e sociopatas que não pensam assim). 

 

Ah, mas os ricos, os empresários, os capitalistas querem ganhar mais dinheiro. Sim. Mas é lenda que eles querem fazê-lo à custa da manutenção da pobreza, à custa dos pobres. Mantida a pobreza em um dado estágio, eles não poderão ampliar os seus negócios, não ficarão mais ricos, nem usufruir em paz e segurança a sua riqueza. 

 

A questão de vencer a pobreza e distribuir de forma mais equitativa a renda não é apenas uma questão moral. É uma questão de eficiência. Trata-se de saber como, de que forma, por quais mecanismos mais eficientes nós vamos promover a criação de empregos e renda. 

 

Nesse sentido, a produção dos bens e serviços (a riqueza) antecede a sua distribuição. Se tomarmos todo o PIB do Brasil e dividirmos por todos os brasileiros, vamos ter 213 milhões de pobres. 

 

Declarações a favor do bem, da verdade e da justiça todos somos capazes de fazer. Mas superar as nossas mazelas, criar renda, riqueza, emprego, exigem bem mais do que isso. Os rótulos confundem, não ajudam em nada. 

 

titoguarniere@outlook.com 

Twitter: @TitoGuarnieree 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

JANELAS QUEBRADAS

 Muitas pessoas decidiram passar dias, inverno ou verão, no litoral. Criou-se um fenômeno  muito interessante. Um terreno bem grande era cercado,  dentro se colocavam ruas, terrenos, quadras de esportes, piscinas etc. Havia portarias, de sorte que só quem fosse identificado, adentrava. O projeto deu certo, principalmente para pessoas que não querem ter problemas com vizinhança ou danos muito comuns nas casas que ficam abandonadas, sujeitas a pequenos furtos ou mesmo de objetos de valia. 

E os  condomínios vieram para ficar.  Eu tenho casa fora de condomínio. Nunca a deixo sozinha. Se tiver que viajar ou sair, sem problema. Tenho pessoas que ficam na minha casa, cuidando das cachorras.

De qualquer modo, há vantagens e problemas dos dois lados.

Em Xangri lá a passagem de dezembro para janeiro, à meia noite, foi um horror, como relatei há uma semana aqui na Gazeta.

Um dos primeiros condomínios foi lançado à beira mar,  de frente a um prestigiado e lindo restaurante. São unidades que se prestam mais a jovens casais. Eis que chega o dia 31 de dezembro e começa uma aglomeração no “centrinho” de Atlântida. 

Sucede que os ânimos se acenderam e, do nada, começou uma batalha campal entre grupos de  pessoas jovens, vindas de lugares não sabidos. A praia é pública.

Terríveis as imagens que circularam. Garrafadas para lá e para cá entre os grupelhos. Quebraram os portões de vidro do condomínio, gerando um prejuízo enorme. A polícia não apareceu.Só por milagre não se feriu ninguém.

No outro dia uma autoridade competente para a segurança declara: não foi caso de polícia, mas sim de falta de educação…

Meeeeeusss sais! Quebram com garrafadas casas e cercas e isso não tem nada a ver? E o perigo, senhor policial? E se voar uma garrafa na cabeça de alguém que morre? 

Sugiro que  reflitamos um pouco sobre esse “laissez faire, laissez passer” que nos assola.

Um belo trabalho  do jurista Luis Pelegrini: 


“A teoria das janelas quebradas ou "broken windows theory" é um modelo norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária, então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a microcriminalidade ou a macrocriminalidade.”


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

TITO GUARNIERE

 REFORMA TRABALHISTA 

 

Volta a pauta da reforma trabalhista – Lula, o PT, prometem revogar a que foi feita durante o governo de Michel Temer. 

 

As relações de trabalho escancaram a visão limitada das centrais sindicais, dos sindicatos e do PT sobre o assunto. É que as entidades sindicais e o partido (e não apenas o PT, como PDT, PSB, PSOL) têm um olhar quase exclusivo para os trabalhadores que estão empregados. 

 

Praticamente ignoram o universo dos trabalhadores informais e os desempregados, a não ser para denunciar as condições precárias em que vivem ou para fazer a crítica dos índices de desemprego. Se ocupam da matéria mas de um ponto de vista meramente retórico – não informam de que maneira, por quais meios, vão enfrentar os problemas da informalidade e do desemprego. 

 

Ninguém discordará que o emprego de carteira assinada, com todos os direitos, é a forma mais avançada de relações de trabalho privadas. Mas esta é uma definição teórica – a dura realidade da economia fala mais alto. 

 

Na conjuntura dramática que se seguiu aos anos de recessão do governo Dilma, foi mais do que razoável, necessário, flexibilizar as relações entre patrão e empregado, na expectativa de que uma redução das exigências e dos custos, o mercado se mostrasse mais favorável à contratação de funcionários. 

 

Lula, Gleisi Hoffmann, o PT, dizem que a reforma não cumpriu o desiderato de aumentar os indicadores de empregos formais. É chute. Não há nenhuma evidência disso. 

Como saber quantos trabalhadores foram admitidos desde então, exatamente por causa das inovações da reforma? 

 

Como diz didaticamente o ex-presidente Temer, na Folha, o desemprego depende do emprego, mas para isso é preciso que existam empregadores. Se estes estiverem acuados pela crise econômica, pandemia, custo proibitivo de empregados e encargos sociais e trabalhistas, eles travam os negócios, abandonam planos de expansão e esperam uma conjuntura mais favorável. 

 

O Brasil necessita dramaticamente da criação de postos de trabalho, da geração de emprego e renda. Essa solução definitivamente não virá do Estado, que mal dá conta das suas obrigações naturais - virá da sociedade produtiva, do mercado. Então, é mais do que adequado criar certas vantagens e um clima amigável para as empresas que empregam mão de obra. 

 

Gente como Mantega, Mercadante, Nelson Barbosa tem uma compreensão medíocre dessas questões, por sinal bem elementares. No pano de fundo dessa rejeição aos patrões e empresários está a má percepção de que em todos os casos eles – os patrões – só querem fazer mais dinheiro e estão sempre explorando o trabalhador. 

 

Na circunstância tão delicada como a que nos encontramos, com os índices de informalidade e desemprego batendo nas nuvens, se existe algo que não deveria ser mexido é exatamente na recente reforma trabalhista. 

 

Desconfio que os sindicatos, o PT, a esquerda, estão apenas preparando o terreno para o retorno do famigerado imposto sindical. No país em que há mais sindicatos do mundo (mais de 15 mil), as elites sindicais estão ansiosas pela volta da sinecura – aquela que cobrava compulsoriamente um dia de trabalho de cada trabalhador por ano. 

 

titoguarniere@terra.com.br 

twitter: @TitoGuarnieree 

 


quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

UM INFERNO PIOR QUE O DE DANTE

 Não sei se tu, caro leitor, viste o filme “ Melancolia”. 

Um planeta chamado Melancolia está prestes a colidir com a Terra, o que resultaria em sua destruição por completo. Neste contexto, Justine (Kirsten Dunst) está prestes a se casar com Michael (Alexander Skarsgard). Ela recebe a ajuda de sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), que juntamente com seu marido John (Kiefer Sutherland) realiza uma festa suntuosa para a comemoração.

É de arrepiar, porque aos poucos se vão as esperanças e o choque se torna inevitável, destruindo o planeta Terra.

Na passagem do dia 31 de dezembro para o ano seguinte me pareceu que não haveria mais salvação,.

Ainda no dia 31 pela tarde se ouviam ruídos semelhantes a um disparo de arma de fogo, mas em tempos esparsos. A tarde corria extremamente quente. Ouviam-se barulhos de carros, coisa normal em dias úteis.

Lá pelas 18 horas começaram a surgir os rojões. Alguns muito fortes. 

Temos conosco, como parte da família, duas cadelas. A Sissi, que é uma boxer, extremamente inteligente e afetuosa. Pressente sons estranhos muito antes de nós. É ágil e quase voa, tal   seu preparo físico. Quando tem fome aproxima-se de um de nós e nos cutuca nas pernas. Tem um bom vocabulário que ela emite e nós descodificamos.

A outra é uma Pug que sempre está acima de seu peso. Só pensa em comer e só faz o que lhe aprouver. Teimosa, portante. Sempre dorme junto com sua parceira, a Sissi. 

Chama-se Rusalka, porque desde pequena gostava de ouvir a bela obra de  Dvorák .

Voltando ao assunto principal, estávamos sentados em torno da piscina, quando o que nos parecia um trovão, explodiu nos nossos tímpanos. As duas cadelas começaram a gritar e correram para debaixo das camas. Foram aumentando os trovões gerados pelos humanos sem noção.

Dez minutos antes da meia noite o demônio surgiu sobre a Terra. Parecia que o mundo ia terminar. Nas outras casas ,onde havia cães,  o gritedo era um só, num uníssono desesperado. Estávamos às portas do inferno de Dante. Eu nunca tinha ouvido, em toda minha vida, um foguetório assim. Me pergunto: qual a graça?

Na próxima: “A teoria das janelas quebradas”.

Colocamos algodão nos ouvidos das cadelas, mas elas , tomadas pelo pavor,  só uivavam de puro medo. Trancamos janelas e portas e ficamos com as pobres vítimas no colo. Colocamos música de que elas gostavam,  mas o suplício só amainou  pelas três horas da madrugada.

Eu havia advertido sobre isso na Gazeta, mas não aquilatava que seria nessa proporção . 

Venceram os idiotas. Eles são a maioria.  Que país é este?


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

CERTEIRA OPINIÃO DE ROSANE DE OLIVEIRA

 Sou seguidora convicta da máxima de que a minha liberdade termina onde começa a de outra pessoa. Temos falado muito desse preceito quando o assunto é vacina, porque a pessoa não é obrigada a se vacinar, mas no momento em que coloca em risco a vida de outras pessoas deve ser impedida de frequentar certos lugares. Da mesma forma, ninguém pode ser impedido de fumar, mas não pode fazê-lo em local fechado, dentro de um ônibus ou de um avião. Nesta temporada de praia, o sinônimo mais acabado de desrespeito são as caixinhas e caixonas de som.  


Passei o final de ano em Torres, uma praia da qual gosto muito e onde uma das minhas irmãs mora há mais de 30 anos. Já no primeiro dia, na hora de escolher um lugar para instalar cadeiras e guarda-sol, falei para minha filha:

— Vamos andar mais um pouquinho, porque não quero ficar perto dessa caixa de som tocando música ruim.

Minha filha me tirou as ilusões:

—  Desista, mãe. É impossível achar lugar que não tenha essas caixas de som.

Aquela sexta-feira e os dois dias seguintes me mostrariam que ela estava coberta de razão. Apesar da brisa, do mar azul e do sol perfeito, aquelas horas que deveriam ser de contemplação, de ouvir o barulho das ondas, foram de suplício. Porque além dos veranistas que levam suas JBL para a areia, há os vendedores ambulantes que passam oferecendo as ditas caixinhas, e claro, tocando músicas que ferem meus ouvidos. No sábado, um casalzinho se puxou: instalaram suas cadeiras e uma caixa de som de mais ou menos meio metro de altura e azar de quem estava por perto. Na linha “os incomodados que se retirem”, bati em retirada às 11h, o que minha dermatologista recomenda fazer para não ficar muito tempo no sol.

Para piorar, quando um acha que o vizinho está atrapalhando sua música, levanta o volume. Outro faz o mesmo, e o que se tem é uma antissinfonia de músicas sem qualquer sofisticação, letras bagaceiras e vozes esganiçadas. Preciso deixar claro que não gosto de sertanejo (que é só o que toca na praia), mas acharia igualmente errado se fosse Chopin, Piazzolla ou MPB, para citar três exemplos do que escuto no carro ou em casa. Respeito quem gosta de música sertaneja (minha filha ouve e até canta algumas), mas por que não usar fone de ouvido? Não é justo obrigar seu vizinho de cadeira a ouvir o que ele não pediu e não gostaria de ouvir.  

Você deve achar que comecei 2022 muito mal humorada, mas comentei no Gaúcha Atualidade sobre a praga das caixinhas de som na praia e descobri que não estou só. Recebi dezenas de mensagens de ouvintes dizendo que esse inferno está também longe do Litoral. Há cidades em que não se pode tomar um chimarrão ou um ar fresco na praça porque os marmanjos estacionam seus carros com o som a todo volume e fazem essa mesma batalha antimusical. Eu chamaria a Comissão de Direitos Humanos.